Voltei à Jeca hoje, movida pela tristeza das imagens do terremoto no Japão. Tenho um carinho enorme por esse país, com que me relacionei por 5 anos, mas parece que em dias assim esse carinho fica quase doído, mais evidenciado pela dor...
Viver no Japão e vivê-lo foi uma das minhas experiências mais marcantes. Eu era tão jovem... Me lembro tão bem do dia em que pousei em Narita, 21 anos, pés descalços pelo inchaço e um sentimento de pura descoberta. Éramos todos jovens...Éramos 6... Até o Antonio, que era o mais velho, ainda era um menino. Dentro do ônibus que nos levou a nossa casa nos meses seguintes, um comentário nunca saiu da minha lembrança: "Nossa, todos os carros são importados!"... Éramos quase puros...
Quase, e esse quase nos rendeu uma diversão ímpar, na cidade mais louca e incompreensível que conheci.
Nos próximos 5 anos me relacionei com a cultura japonesa, e acompanhei o povo de perto. Aprendi demais. Viver a rotina do país ainda é uma cicatriz em mim, e levo pra onde for a noção de respeito, de hierarquia e de civilidade que ganhei lá. E de superação. "Gambate kudasai", era a frase que mais ouvíamos dos colegas japoneses, quase ordenando: "Se esforcem! Por favor!"
Carrego muito do Japão em mim.
Os cheiros... Bons e nem tão bons... São lembranças absurdamente fortes, de tão emotivas. O cheiro do metrô pela manhã era um terror para narizes acostumados ao pãozinho francês com manteiga. A saudável combinação de repolho e ovo no café da manhã produzia um trem quase nefasto. Hoje é engraçado...
Os cheiros de comida, que impregnam Tóquio. Que delícia perceber a variedade de temperos que nem sonhamos existirem no Brasil.
Os sons... Tóquio é uma cidade sonora, viva, mas nada histérica... Entrar nas feiras livres, ou em qualquer loja e ser ovacionado com Irashaimasééééé era quase um abraço materno. Os sons dos corvos que dominam a cidade como os nossos pardais, se misturando aos ding dongs das lojas que apitam quando entramos...Os sons dos bêbados oficialmente perimitidos no happy hour de sexta feira, cantando nas estações... Os sons dos trilhos dos trens, chegando em Shinagawa e partindo dela, a vozinha em Yurakucho line anunciando a próxima estação: Gotanda, Gotanda desu... Até dói de saudades....
As luzes... Ah, as luzes... Como tentamos captar as luzes nas nossas máquinas, incapazes de traduzir a imensidão de Akihabara, ou de Ginza à noite!... Como consegue ser tão caótica e tão colorida, Tóquio San? Aquelas luzes insanas de Roppongi, para onde íamos à loucura na agitada noite... Os africanos enormes de braços dados com mini japonesas, os modelos internacionais na Lexington Queen, os Kahlua Drinks no bar, a saudade de casa no Acarajé... Não disse que nossa pureza era relativa? Alí, nós éramos as luzes. As luzes de uma cidade regrada de dia, mas que ao som da happy hour se permite a insanidade.
Os gostos... Como esquecer a primeira vez com o doce de feijão? Os sorvetes de batata doce, os sushis fresquinhos vendidos no mercado? Mas não é de sushi que vive o japonês. Inesquecível mesmo é o Udon vendido em minúsculas lojas, em que cabem no máximo 4 clientes. Em pé... Ou os empanados cheirosíssimos que fazem o maior sucesso no almoço. E os sorvetes.... Ah, o sorvete japonês... O doce japonês... Ali aprendi que doce não precisa de tanto açúcar, mas de leveza e carinho.
Ali na verdade aprendi muito... Com o infinito sorriso do povo. Só quem viveu lá conhece a sensação de esperar pela abertura de uma loja de departamento, e ao se abrirem as portas, ser recebido por uma fileira de funcionárias que te saúdam desejando boas vindas... Ou com a cordialidade deles, que o ocidental confunde com servilidade. Lembro de entrar no ônibus da tripulação ao deixar o hotel e ver a recepcionista dando tchau para nós, até que virássemos a esquina.
Foi em Tóquio que descobri o real sentido de ser cosmopolita. Nem Nova York, nem São Paulo jamais me ensinaram isso tão bem quanto a futurista Tóquio. E é com episódios como esse triste de hoje que eles nos ensinam, novamente, sobre a resistência, a disciplina e a capacidade de se reconstruir, tão tristemente características do povo nipônico.
Penso nos meus queridos amigos que viveram comigo essa expeeriência... Penso nas comissárias japonesas com quem voei, e que fizeram parte dessa minha jornada tão essencial para minha formação. A estas pessoas, meu muito obrigada por cada sorriso, cada lágrima e cada descoberta juntos.
E ao Japão, força na reconstrução! Vocês mesmos me ensinaram: GAMBATE!!!!!!
Dedicado ao grupo dos 6: Karina, Maria, Deivy, Antonio e Christian... Olhando depois de tantos anos... foi bom demais.....
sexta-feira, março 11, 2011
terça-feira, dezembro 14, 2010
Ócio nada criativo
Eu adoraria concordar com o Domenico de Masi, acreditar realmente na criatividade do ócio... Mas ainda não alcancei um nível de "Toscaneidade" na minha vida a ponto de criar no ócio...
Estamos naquela limbo letivo, em que os alunos já se foram mas os professores devem permanecer... (piar dos passarinhos...)
Reclamamos da correria o ano todo, mas ficar ao "universo dará" (perdoem-me o agnosticismo da expressão) também é demais...
(grilos cantam ao fundo...)
Ofereci ajuda para separar os livros da biblioteca. Não adianta, a sala será pintada e seria trabalho em dobro....
(escuto a chuva na poça atrás da sala dos professores)
Poderia também organizar os livros da nossa sala, mas como não são meus, posso acabar jogando fora papel que não me pertence, e arrumar briga que me pertence...
Até a sala de Artes da Clau está em dia... Ela passou o ócio matinal dela arrumando...
Então vim à Jeca... Minha Jeca empoeirada e renegada... Jamais esquecida, mas meio murcha. É sempre bom matar a saudades.... De meu ócio não nasceu um Brás Cubas, mas pelo menos um pequeno espanador literário (pretensiooosa) que não me deixa exterminar a Jeca de vez.
Domenico, te vejo em Florença, em maio...
E arrivederci...
Estamos naquela limbo letivo, em que os alunos já se foram mas os professores devem permanecer... (piar dos passarinhos...)
Reclamamos da correria o ano todo, mas ficar ao "universo dará" (perdoem-me o agnosticismo da expressão) também é demais...
(grilos cantam ao fundo...)
Ofereci ajuda para separar os livros da biblioteca. Não adianta, a sala será pintada e seria trabalho em dobro....
(escuto a chuva na poça atrás da sala dos professores)
Poderia também organizar os livros da nossa sala, mas como não são meus, posso acabar jogando fora papel que não me pertence, e arrumar briga que me pertence...
Até a sala de Artes da Clau está em dia... Ela passou o ócio matinal dela arrumando...
Então vim à Jeca... Minha Jeca empoeirada e renegada... Jamais esquecida, mas meio murcha. É sempre bom matar a saudades.... De meu ócio não nasceu um Brás Cubas, mas pelo menos um pequeno espanador literário (pretensiooosa) que não me deixa exterminar a Jeca de vez.
Domenico, te vejo em Florença, em maio...
E arrivederci...
quinta-feira, outubro 28, 2010
The Word
Fui ver Comer, Rezar e Amar...
Num dos momentos mais bonitos do filme ela se diz "A woman in search of a word"... No final, a dela é uma linda palavra sonora em Italiano (que claro, não vou dizer para não estragar a surpresa), em uma praia linda em Bali, ao lado do lindo Barden... Tudo lindo, impecável...
Saí pensando, obviamente, na minha palavra... E pelas caras da mulherada na plateia, todas se perguntavam a mesma coisa.
Como se definir em apenas uma palavra?
Após umas semanas acho que consegui reunir várias em uma, que acredito que seja a minha "The Word" The search is over... Eu a achei!
Sede!
Sede no sentido de "hunger" em inglês, como uma necessidade absurda de alguma coisa!
Tenho sede...
Sede de conhecimento,
Sede de amor,
Sede de crescer...
Sede de escrever...
Sede de livro,
Sede de música,
Sede de amigas... Muita sede de amigas, por sinal...
Sede de reconhecimento e sede de estrada...
Estrada nos mais diversos sentidos...
E quero ter sede sempre...
Que minha sede não seja saciada, pois é ela que me move.
Inté...
Num dos momentos mais bonitos do filme ela se diz "A woman in search of a word"... No final, a dela é uma linda palavra sonora em Italiano (que claro, não vou dizer para não estragar a surpresa), em uma praia linda em Bali, ao lado do lindo Barden... Tudo lindo, impecável...
Saí pensando, obviamente, na minha palavra... E pelas caras da mulherada na plateia, todas se perguntavam a mesma coisa.
Como se definir em apenas uma palavra?
Após umas semanas acho que consegui reunir várias em uma, que acredito que seja a minha "The Word" The search is over... Eu a achei!
Sede!
Sede no sentido de "hunger" em inglês, como uma necessidade absurda de alguma coisa!
Tenho sede...
Sede de conhecimento,
Sede de amor,
Sede de crescer...
Sede de escrever...
Sede de livro,
Sede de música,
Sede de amigas... Muita sede de amigas, por sinal...
Sede de reconhecimento e sede de estrada...
Estrada nos mais diversos sentidos...
E quero ter sede sempre...
Que minha sede não seja saciada, pois é ela que me move.
Inté...
Saudade da pena
Vim fazer uma breve visita à jeca, em busca de um texto antigo... Doeu voltar aqui e ver o quanto eu gosto deste espaço empoeirado. Gosto do que fiz dele, gosto das pessoas que por aqui passaram.
Hoje sei que escrevo no escuro, para uma plateia ida, mas querida. Se eu desisti, por que meus leitores não desistiriam?
Em épocas de twitter, escrever muito ficou cansativo, chato, quase antiquado. Quem diria, um blog fora de moda.
Mas escrever faz parte da minha terapia, da minha respiração de mundo.
Amo as palavras, dedico minha vida a elas, e por isso amo a Jeca.
Não só a personagem que criei, que anda bem menos Urbana que no início. Mas também o suporte que deixo para meus filhos um dia me conhecerem melhor.
Os mesmos filhos que me impedem de vir aqui com tempo. Mas os mesmos que me dariam mil e um temas de escrita.
Mas hoje não vim falar de retirada de fraldas nem de mamadeiras rejeitadas. Vim falar de saudade... Saudades da pena virtual que me faz um pouco mais Tatiana...
Prometo a mim mesma voltar.
Preciso voltar...
Inté
Hoje sei que escrevo no escuro, para uma plateia ida, mas querida. Se eu desisti, por que meus leitores não desistiriam?
Em épocas de twitter, escrever muito ficou cansativo, chato, quase antiquado. Quem diria, um blog fora de moda.
Mas escrever faz parte da minha terapia, da minha respiração de mundo.
Amo as palavras, dedico minha vida a elas, e por isso amo a Jeca.
Não só a personagem que criei, que anda bem menos Urbana que no início. Mas também o suporte que deixo para meus filhos um dia me conhecerem melhor.
Os mesmos filhos que me impedem de vir aqui com tempo. Mas os mesmos que me dariam mil e um temas de escrita.
Mas hoje não vim falar de retirada de fraldas nem de mamadeiras rejeitadas. Vim falar de saudade... Saudades da pena virtual que me faz um pouco mais Tatiana...
Prometo a mim mesma voltar.
Preciso voltar...
Inté
sexta-feira, julho 02, 2010
Motivos
É por essas e outras que sou jeca...
Onde mais eu poderia ter uma vista assim da varanda do meu quarto???
quarta-feira, junho 30, 2010
Jequice confirmada
Uma das últimas fronteiras Jecas que eu tinha que ultrapassar acabou de ser rompida... Já me assusto com Sampa em horário de rush, meu nariz já grita com a poluição (algo que eu achava que era invencionice de interiorano) e eu já curto uma bela Festa do Caqui.
Mas até esse mês, minha "anti-sertanejada" estava firme e forte, junto com minha pronúnica dura do "r".
Até que comecei a ouvir uma música diariamente, tocada pelas alunas da escola que ensaiavam a dança pra Festa Junina. Aos poucos, a melodia foi me agradando, e finalmente, me rendi à dupla do momento: Fernando e Sorocaba.
Ainda desprovida de coragem e identificação, perguntei na Saraiva sobre o cd que cotninha a tal música, e atribuí o interesse ao um presente "para minha irmã"..... Justo ela, que mal sabe onde fica Sorocaba... Enfim, estou entregue, tomada, bandida...
Agora o próximo e "ultimate step" seria o r retroflexo... Mas esse sim, me parece distante, beeeem distante...
Mas até esse mês, minha "anti-sertanejada" estava firme e forte, junto com minha pronúnica dura do "r".
Até que comecei a ouvir uma música diariamente, tocada pelas alunas da escola que ensaiavam a dança pra Festa Junina. Aos poucos, a melodia foi me agradando, e finalmente, me rendi à dupla do momento: Fernando e Sorocaba.
Ainda desprovida de coragem e identificação, perguntei na Saraiva sobre o cd que cotninha a tal música, e atribuí o interesse ao um presente "para minha irmã"..... Justo ela, que mal sabe onde fica Sorocaba... Enfim, estou entregue, tomada, bandida...
Agora o próximo e "ultimate step" seria o r retroflexo... Mas esse sim, me parece distante, beeeem distante...
sexta-feira, abril 09, 2010
Brasil Fascista
Gostei do artigo da Dora Kramer em que ela diz que ficou surpresa com a postura fascista do povo durante o julgamento dos Nardoni. Vai contra todas as posturas de "matem, torturem, arranquem as unhas do casal" que o país inteiro propagou e nos ilumina uma faceta nossa bastante assustadora.
Lembro de ver uma senhora bastante simples, que gastou suas economias para vir de Salvador, para ficar plantada na porta do tribunal. Ela disse, bem à moda de familiares "Eu vim por que quero justiça!"
Também fiquei chocada com os ataques ao advogado do casal! Não temos TODOS direito a defesa?
Nós todos queremos justiça, mas infelizmente ainda não somos capazes de vivenciar o que pedimos: uma justiça equilibrada e racional...
Heil!
Lembro de ver uma senhora bastante simples, que gastou suas economias para vir de Salvador, para ficar plantada na porta do tribunal. Ela disse, bem à moda de familiares "Eu vim por que quero justiça!"
Também fiquei chocada com os ataques ao advogado do casal! Não temos TODOS direito a defesa?
Nós todos queremos justiça, mas infelizmente ainda não somos capazes de vivenciar o que pedimos: uma justiça equilibrada e racional...
Heil!
quarta-feira, abril 07, 2010
Parto Múltiplo
Sinto-me uma parideira de blogs.... Pena que a Jeca, meu favorito by faaaar, fique tão relagada a segundo (ou quarto) plano...
Mas só para registrar, seguem aqui meus mais novos filhos...
Portfolio Tati
Contos Desencantados (espaço em que publico os textos dos meus alunos do 7o ano)
Terror em Itatibaville (espaço para os contos de terror do 8 ano)
inté...
Mas só para registrar, seguem aqui meus mais novos filhos...
Portfolio Tati
Contos Desencantados (espaço em que publico os textos dos meus alunos do 7o ano)
Terror em Itatibaville (espaço para os contos de terror do 8 ano)
inté...
sábado, março 20, 2010
Misturança...
Sempre tive a sensação de que festinha de criança era uma mistura de sabores, e hoje percebi o porquê...
No início te servem um monte de salgadinhos deliciosos, e de repente, você começa a perceber que alguns molequinhos rapinas (como o Romeo...) já atacam aos poucos a mesa de doces... Você, naturalmente assustada com a possibilidade de ficar sem o deliciosos brigadeiro pega um, "só pra garantir".
Acontece que em seguida sai da cozinha aquele mini quiche de alho poró, que não se recusa...
"O cajuzinho tá acabando"...
"Aceita um pão de queijo recheado?"
"Cadê os camafeus???"
"Senhora, a salada e o macarrão estão sendo servidos"
"Hummm, prestígio"...
E hoje, só pra ajudar meu estômago, da festinha fomos direto pra uma.... feijoada...
Chamem o guincho, por favor???
No início te servem um monte de salgadinhos deliciosos, e de repente, você começa a perceber que alguns molequinhos rapinas (como o Romeo...) já atacam aos poucos a mesa de doces... Você, naturalmente assustada com a possibilidade de ficar sem o deliciosos brigadeiro pega um, "só pra garantir".
Acontece que em seguida sai da cozinha aquele mini quiche de alho poró, que não se recusa...
"O cajuzinho tá acabando"...
"Aceita um pão de queijo recheado?"
"Cadê os camafeus???"
"Senhora, a salada e o macarrão estão sendo servidos"
"Hummm, prestígio"...
E hoje, só pra ajudar meu estômago, da festinha fomos direto pra uma.... feijoada...
Chamem o guincho, por favor???
terça-feira, março 09, 2010
Sorry....
Será que eu sou tão ranzinza que sou a única mulher a achar que não precisamos de dia especial???
"Feliz Dia das Mulheres" pra cá "Parabéns" pra lá, e eu me perguntando em que ponto vamos, ou criar um Dia dos Homens para darmos florzinhas pra eles ou acabar com essa besteirada de uma vez.
As feministas que me desculpem, mas separar um dia especial para nós só prejudica a causa...
Desculpem as mais animadas, mas eu gosto mesmo é de praticidade...
inté
"Feliz Dia das Mulheres" pra cá "Parabéns" pra lá, e eu me perguntando em que ponto vamos, ou criar um Dia dos Homens para darmos florzinhas pra eles ou acabar com essa besteirada de uma vez.
As feministas que me desculpem, mas separar um dia especial para nós só prejudica a causa...
Desculpem as mais animadas, mas eu gosto mesmo é de praticidade...
inté
domingo, março 07, 2010
sexta-feira, março 05, 2010
Coitada da Jeca
Perdendo espaço pro Portfolio Tati....
O tempo anda corrido, as crianças correndo e eu... como diz minha irmã, com várias bolas no ar. Só para ilustrar, olha opor onde anda a Iolanda agora:
Quem sabe o maldito roteador funciona plugado na boca dela?....
O tempo anda corrido, as crianças correndo e eu... como diz minha irmã, com várias bolas no ar. Só para ilustrar, olha opor onde anda a Iolanda agora:
Quem sabe o maldito roteador funciona plugado na boca dela?....
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Cinematerna babador...
Tenho ido com minha cunhada a uma sessão especial de cinema, para mães com bebês pequenos, chamada Cinematerna... Uma delícia, seu filhote chora e você não fica envergonhado porque mais uns 4 ou 5 também estão aos gritos... A equipe que organiza é super atenciosa, leva trocadores e a sala fica à meia luz para ninguém tropeçar com os pequenos no colo.
Nesta última quem precisou de babadores não foram os babies, mas as mães...
É ridículo o efeito que o George Clooney produz na mulherada. Minha cunhada brincou com meu sobrinho ("Olha seu papai na tela...") e eu quase saí no tapa com ela, "Ele é SEU pai, Iolanda, SEU!!SEU SEU SEU!!"
Posso por a mão no fogo que mais uma dúzia de mães estava sussurrando ao ouvido do seu filhote a mesma frase utópica, sonho de consumo de pelo menos 99% das fêmeas daquela sala...
Saindo da sessão, dou de cara com ele, tomando um café e me encarando fixamente, em um cartaz da Nespresso... Parece ficção, mas eu realmente sempre passo pela propaganda, mando um beijo pra ele e digo "me liga!". Quem vê me chama de louca...
Eu olho criticamente aquele homem de meia idade, grisalho, magro, meio franzino, e não consigo deixar de me perguntar o que vemos nele.
Então, ele me surpreende e lança um daqueles olhares de canto de olho com o sorriso mais maroto da Terra e eu volto a entender prontamente sua absurda capacidade de sedução...
Lembro da minha mãe olhar o Harrison Ford e suspirar por um Indiana Jones já meio grande na circunferência medial e eu ali, sem entender, babando no jovem Brad Pitt...
Hoje a entendo... Minha geração não vê nada no Indiana, mas suspira a cada fio de cabelo cinza e a cada ruguinha que aparece no rosto do Clooney, enquanto minhas alunas fazem cara de interrogação e suspiram nas fotos do vampiro Pattenson.
Pode deixar, um dia vão ser elas disputando a tapa a ilusória paternidade dos bebês delas, quando o Robert Pattenson estiver interpretando policiais maduros e homens de meia idade em crise existencial...
Inté...
Nesta última quem precisou de babadores não foram os babies, mas as mães...
É ridículo o efeito que o George Clooney produz na mulherada. Minha cunhada brincou com meu sobrinho ("Olha seu papai na tela...") e eu quase saí no tapa com ela, "Ele é SEU pai, Iolanda, SEU!!SEU SEU SEU!!"
Posso por a mão no fogo que mais uma dúzia de mães estava sussurrando ao ouvido do seu filhote a mesma frase utópica, sonho de consumo de pelo menos 99% das fêmeas daquela sala...
Saindo da sessão, dou de cara com ele, tomando um café e me encarando fixamente, em um cartaz da Nespresso... Parece ficção, mas eu realmente sempre passo pela propaganda, mando um beijo pra ele e digo "me liga!". Quem vê me chama de louca...
Eu olho criticamente aquele homem de meia idade, grisalho, magro, meio franzino, e não consigo deixar de me perguntar o que vemos nele.
Então, ele me surpreende e lança um daqueles olhares de canto de olho com o sorriso mais maroto da Terra e eu volto a entender prontamente sua absurda capacidade de sedução...
Lembro da minha mãe olhar o Harrison Ford e suspirar por um Indiana Jones já meio grande na circunferência medial e eu ali, sem entender, babando no jovem Brad Pitt...
Hoje a entendo... Minha geração não vê nada no Indiana, mas suspira a cada fio de cabelo cinza e a cada ruguinha que aparece no rosto do Clooney, enquanto minhas alunas fazem cara de interrogação e suspiram nas fotos do vampiro Pattenson.
Pode deixar, um dia vão ser elas disputando a tapa a ilusória paternidade dos bebês delas, quando o Robert Pattenson estiver interpretando policiais maduros e homens de meia idade em crise existencial...
Inté...
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Dilema...
Ontem fui dormir com um tremendo dilema na cabeça....
Aidan ou Mr.Big?
Assistir ao episódio em que o Aidan pede a Carrie em casamento e ela faz aquela cara de "Mas se eu aceitar é desistir de vez do Big" pode causar insônia ou no mínimo uma taquicardia seguida de um profundo e sonoro suspiro...
É que enquanto o anjo que mora no coração e todo, absolutamente TODO o intelecto racional gritam desesperadamente
AIDAN, AIDAN, AIDAAAAAAANNNNN!!!!!,
o diabinho vizinho do anjo e cada poro do corpo se jogam cegos e insandecidos pro Nappa Valley do Mr. Big....
Será que mulher é realmente tudo igual?????
Aidan ou Mr.Big?
Assistir ao episódio em que o Aidan pede a Carrie em casamento e ela faz aquela cara de "Mas se eu aceitar é desistir de vez do Big" pode causar insônia ou no mínimo uma taquicardia seguida de um profundo e sonoro suspiro...
É que enquanto o anjo que mora no coração e todo, absolutamente TODO o intelecto racional gritam desesperadamente
AIDAN, AIDAN, AIDAAAAAAANNNNN!!!!!,
o diabinho vizinho do anjo e cada poro do corpo se jogam cegos e insandecidos pro Nappa Valley do Mr. Big....
Será que mulher é realmente tudo igual?????
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Delícia...
Delícia dormir duas horas à tarde, algo inédito em dois anos.
Delícia receber amigos em casa, thanks, Ciça.
Delícia manhã de chuva conversando com alguém querido.
Delícia o sorriso dos meus pequenos, e a voz do Romeo, chamando "mamãe Tati"
Delícia ver que o Statcounter de um blog parado continua rodando...
Obrigada, leitores, sempre...
Delícia receber amigos em casa, thanks, Ciça.
Delícia manhã de chuva conversando com alguém querido.
Delícia o sorriso dos meus pequenos, e a voz do Romeo, chamando "mamãe Tati"
Delícia ver que o Statcounter de um blog parado continua rodando...
Obrigada, leitores, sempre...
terça-feira, dezembro 29, 2009
Revisita...
Saudades deste espaço...
Dia desses tive o prazer de receber um presente da nossa querida Rubina, que gentilmente me mandou um livro (um não... 3... Romeo e Iolanda agradeceram imenso) da fria Inglaterra e disse que sentia falta dos textos da Jeca.
Vim fazer uma revisita, e as pontas dos dedos coçaram..
Tanta coisa para falar, depois de tanto tempo silenciada.
A única coisa é que eu deveria mudar o nome do Blog.... A cada dia aqui na roça deixo de ser mais um pouco urbana, e me torno mais Jeca. Claro, às vezes é ótimo respirar um pouco de carbono e sofisticação, (né, Lu, thanks pelo passeio nos Jardins...) e poder usar em uma conversa palavras como bagel, bureka, pretzel, jazz, Onegai e Tamago (again, Lu...) mas esses respiros são necessários mais raramente.
Já me acho em aspectos jecas... Curto mais o andar devagar, o barulhinho da chuva e até alguns "porrrrrta"... Já me vejo mais pelo olhar daqui, e me individualizo...
Vou voltar...
Agora, com dois macaquinhos me escalando não há tempo, mas como por aqui pressa não existe...
inté
Dia desses tive o prazer de receber um presente da nossa querida Rubina, que gentilmente me mandou um livro (um não... 3... Romeo e Iolanda agradeceram imenso) da fria Inglaterra e disse que sentia falta dos textos da Jeca.
Vim fazer uma revisita, e as pontas dos dedos coçaram..
Tanta coisa para falar, depois de tanto tempo silenciada.
A única coisa é que eu deveria mudar o nome do Blog.... A cada dia aqui na roça deixo de ser mais um pouco urbana, e me torno mais Jeca. Claro, às vezes é ótimo respirar um pouco de carbono e sofisticação, (né, Lu, thanks pelo passeio nos Jardins...) e poder usar em uma conversa palavras como bagel, bureka, pretzel, jazz, Onegai e Tamago (again, Lu...) mas esses respiros são necessários mais raramente.
Já me acho em aspectos jecas... Curto mais o andar devagar, o barulhinho da chuva e até alguns "porrrrrta"... Já me vejo mais pelo olhar daqui, e me individualizo...
Vou voltar...
Agora, com dois macaquinhos me escalando não há tempo, mas como por aqui pressa não existe...
inté
quinta-feira, julho 23, 2009
Lixo...
A ausência neste espaço tão querido é logicamente justificada, não? Porém, hoje me passou algo que fica impossível de não ser registrado aqui: Pela primeira vez na minha vida, joguei um livro no LIXO!
Eu sou bem apegada aos meus livros, tenho uma edição de Guerra e Paz, que ainda nem li, e que quando chegar a hora de ler terei que comprar outra, pois esta está mofada, caindo aos pedaços e fedida, que sou incapaz de jogar fora. Dói...
Mas dói ainda mais ler baboseira da grossa...
Ontem comprei um livro que fala sobre pais ateus, e como eles tratam o assunto com os filhos. Na mesma estante, avistei um, cujo título fez blin blin aos meus olhos: Como educar filhos geniosos.
Sou uma mãe em constante busca de informações que possam ajudar meus rebentos, e assim como eu, Romeo não veio ao mundo para passar desapercebido (ai, a modéstia) e com 18 meses já mostra as garrinhas bem afiadas.
Enfim,dentre todas as besteiras que o tal livro que jaz na lixeira prega (e o verbo pregar é perfeito no caso), a primeira é:
"Rezem! Só Deus pode ajudar pais de filhos geniosos!"
Rezar pra quem? Eu acabei de comprar um livro sobre ateísmo e me vem o tal psicólogo me mandar rezar? O único santo pra quem eu rezo é o Santo Machado de Assis, e ele não teve filhos.... I´ll pass!
Em seguida, e após inúúúúmeras citações bíblicas, o tal pastro diz:
"Quando seu filho brincar com o botão da TV, dê um tapa em sua mão, para que ele saiba quem manda. Não use a abuse dos tapas, guarde para as crises de birra."
Ele conta todo orgulhoso que recebe cartas de crianças que dizem "não gosto de você, criança não gosta de apanhar!". Crianças jogam os livros dele na privada (assim está citado, por ele, juro, com minha mão direita postada sobre Dom Casmurro) e ele se acha O educador?
Reza, e bate!
Fala sério...
Eu sou bem apegada aos meus livros, tenho uma edição de Guerra e Paz, que ainda nem li, e que quando chegar a hora de ler terei que comprar outra, pois esta está mofada, caindo aos pedaços e fedida, que sou incapaz de jogar fora. Dói...
Mas dói ainda mais ler baboseira da grossa...
Ontem comprei um livro que fala sobre pais ateus, e como eles tratam o assunto com os filhos. Na mesma estante, avistei um, cujo título fez blin blin aos meus olhos: Como educar filhos geniosos.
Sou uma mãe em constante busca de informações que possam ajudar meus rebentos, e assim como eu, Romeo não veio ao mundo para passar desapercebido (ai, a modéstia) e com 18 meses já mostra as garrinhas bem afiadas.
Enfim,dentre todas as besteiras que o tal livro que jaz na lixeira prega (e o verbo pregar é perfeito no caso), a primeira é:
"Rezem! Só Deus pode ajudar pais de filhos geniosos!"
Rezar pra quem? Eu acabei de comprar um livro sobre ateísmo e me vem o tal psicólogo me mandar rezar? O único santo pra quem eu rezo é o Santo Machado de Assis, e ele não teve filhos.... I´ll pass!
Em seguida, e após inúúúúmeras citações bíblicas, o tal pastro diz:
"Quando seu filho brincar com o botão da TV, dê um tapa em sua mão, para que ele saiba quem manda. Não use a abuse dos tapas, guarde para as crises de birra."
Ele conta todo orgulhoso que recebe cartas de crianças que dizem "não gosto de você, criança não gosta de apanhar!". Crianças jogam os livros dele na privada (assim está citado, por ele, juro, com minha mão direita postada sobre Dom Casmurro) e ele se acha O educador?
Reza, e bate!
Fala sério...
Carta à filha
Como regisrtei aqui a carta ao Romeo, faço o mesmo, como mãe igualitária, para a pequena risonha! Com direito a foto e tudo, no final.
Querida Iolanda,
Escrever uma carta para você é algo que enche meu coração, pois há tanto para falar.... Ao mesmo tempo, é algo difícil, pois como colocar no papel o sentimento mais intenso do universo, que é o amor de mãe?
Fique pensando no que eu gostaria de registrar hoje para você, no dia exato em que você completa dois meses de vida.... Deixar claro que o dia em que você nasceu foi de felicidade plena? Que olhar para você tão pequena deixa meu coração quente? Pensei em tantas coisas.... Pensei no dia em que descobri que estava grávida! Eu e seu pai, com o Romeo no colo, rimos juntos da surpresa, a mais agradável de todas! Pensei em quando, na defesa de meu mestrado, contei a todos a notícia! Pensei no dia em que te descobri menina...... Olhos cheios de lágrimas, por dar continuidade a uma geração de mulheres fortes, determinadas e maravilhosas da nossa família. E finalmente, no dia em que você chegou. Uma linda manhã de domingo, de encontro aos olhos cheios de lágrimas de sua mãe e de seu pai! Te amamos no mesmo instante.....
E pensei nos meus desejos para você, em primeiro lugar! Que desejo que sua vida seja de mais altos que baixos, e que nos baixos, você tenha a sabedoria e calma para superá-los. Que saiba que em cada dia da sua vida, eu e seu pai estaremos a postos para te ajudar. Mais que isso, que você tem um irmão que já te ama muito e que será seu grande e maior companheiro!
Desejo, claro, que sua saúde te permita ir longe, que lá na frente você possa olhar para trás e dizer “minha vida é e foi muito boa, cheia de saúde e amor!” Seu corpo é só seu, portanto, desejo que o use com sabedoria! Ponha para dentro dele coisas que o nutram, que cuidem dele com carinho! Não deixe que outras pessoas te influenciem a usar drogas, álcool, pois elas não te amam como você própria! Seja dona de sua vontade!
Desejo que você escolha uma profissão que te faça feliz, filha, pois nada melhor que acordar de bom humor para fazer o que se gosta!
Desejo que você ame muito! Mas que se lembre SEMPRE que deve se amar em primeiro lugar, e que a melhor maneira de se estar em um relacionamento é preservando sua essência, e caminhando em paralelo, não na mesma linha! Nunca se anule por ninguém, se valorize e se ame muito!
Desejo que você um dia possa sentir o amor de mãe, que definitivamente é maior que há.... (Se você decidir não ser mãe (no mundo moderno isso cada vez é mais comum) saiba que te apoiarei sempre, desde que seja para sua felicidade...)
Desejo que você conheça o mundo! Nenhum bem material dá tanta satisfação quanto conhecer um lugar novo, ouvir línguas estranhas, conhecer gente diferente de você! Só assim aprendemos que não somos únicos, e respeitamos a individualidade de cada um!
Desejo que você leia muito, claro..... Quando não podemos viajar fisicamente, é nas letras de um livro que nossa alma se transporta! O outro está ali, em forma de personagem.
Filha, desejo que você se deixe encantar... Pelo mundo, pelo outro, pelas coisas mais singelas. Viver nada mais é que respirar cada momento, para isso estamos aqui. Que você tenha a consciência que seu pensamento é poderoso, e que por isso, ele deve ser voltado para o que há de bom. Use sua mente para coisas positivas, assim sua vida será cheia de surpresas boas!
E isso se chama sonhar...... Sonhe, sonhe e sonhe! Que seu olhinhos, hoje tão pequenininhos, cresçam cheios de brilho, e que sorriam muito....
Amo você eternamente
Sua mãe
Querida Iolanda,
Escrever uma carta para você é algo que enche meu coração, pois há tanto para falar.... Ao mesmo tempo, é algo difícil, pois como colocar no papel o sentimento mais intenso do universo, que é o amor de mãe?
Fique pensando no que eu gostaria de registrar hoje para você, no dia exato em que você completa dois meses de vida.... Deixar claro que o dia em que você nasceu foi de felicidade plena? Que olhar para você tão pequena deixa meu coração quente? Pensei em tantas coisas.... Pensei no dia em que descobri que estava grávida! Eu e seu pai, com o Romeo no colo, rimos juntos da surpresa, a mais agradável de todas! Pensei em quando, na defesa de meu mestrado, contei a todos a notícia! Pensei no dia em que te descobri menina...... Olhos cheios de lágrimas, por dar continuidade a uma geração de mulheres fortes, determinadas e maravilhosas da nossa família. E finalmente, no dia em que você chegou. Uma linda manhã de domingo, de encontro aos olhos cheios de lágrimas de sua mãe e de seu pai! Te amamos no mesmo instante.....
E pensei nos meus desejos para você, em primeiro lugar! Que desejo que sua vida seja de mais altos que baixos, e que nos baixos, você tenha a sabedoria e calma para superá-los. Que saiba que em cada dia da sua vida, eu e seu pai estaremos a postos para te ajudar. Mais que isso, que você tem um irmão que já te ama muito e que será seu grande e maior companheiro!
Desejo, claro, que sua saúde te permita ir longe, que lá na frente você possa olhar para trás e dizer “minha vida é e foi muito boa, cheia de saúde e amor!” Seu corpo é só seu, portanto, desejo que o use com sabedoria! Ponha para dentro dele coisas que o nutram, que cuidem dele com carinho! Não deixe que outras pessoas te influenciem a usar drogas, álcool, pois elas não te amam como você própria! Seja dona de sua vontade!
Desejo que você escolha uma profissão que te faça feliz, filha, pois nada melhor que acordar de bom humor para fazer o que se gosta!
Desejo que você ame muito! Mas que se lembre SEMPRE que deve se amar em primeiro lugar, e que a melhor maneira de se estar em um relacionamento é preservando sua essência, e caminhando em paralelo, não na mesma linha! Nunca se anule por ninguém, se valorize e se ame muito!
Desejo que você um dia possa sentir o amor de mãe, que definitivamente é maior que há.... (Se você decidir não ser mãe (no mundo moderno isso cada vez é mais comum) saiba que te apoiarei sempre, desde que seja para sua felicidade...)
Desejo que você conheça o mundo! Nenhum bem material dá tanta satisfação quanto conhecer um lugar novo, ouvir línguas estranhas, conhecer gente diferente de você! Só assim aprendemos que não somos únicos, e respeitamos a individualidade de cada um!
Desejo que você leia muito, claro..... Quando não podemos viajar fisicamente, é nas letras de um livro que nossa alma se transporta! O outro está ali, em forma de personagem.
Filha, desejo que você se deixe encantar... Pelo mundo, pelo outro, pelas coisas mais singelas. Viver nada mais é que respirar cada momento, para isso estamos aqui. Que você tenha a consciência que seu pensamento é poderoso, e que por isso, ele deve ser voltado para o que há de bom. Use sua mente para coisas positivas, assim sua vida será cheia de surpresas boas!
E isso se chama sonhar...... Sonhe, sonhe e sonhe! Que seu olhinhos, hoje tão pequenininhos, cresçam cheios de brilho, e que sorriam muito....
Amo você eternamente
Sua mãe
terça-feira, maio 19, 2009
quarta-feira, abril 29, 2009
Isso aqui, ô ô...
Acho muito interessante observar crianças que nos chegam fresquinhas da 4a série, cheios de pudor e com uma polidez ainda infantil, que em meses vai sumindo e se transformando em hábitos já bem adolescentes.
Particularmente, prefiro lidar com eles já mais maduros, vejo mais participação e podemos discutir melhor tópicos do dia a dia, coisa que é praticamente impensável quando os alunos, ao te avistarem apontar no final do corredor, ainda correm para a sala gritando
"A prô chegouuuuuuuuu!!" e se sentam religiosamente com as mãos em cima da mesa, silenciosos, respeitosos....
Mas, claro, isso é um processo...
Comigo eles levam dois choques, logo no primeiro bimestre, que é pra saberem de cara com quem estão lidando.
O primeiro vem quando me perguntam em qual igreja vou à missa... Pois é, cidade do interior tem dessas, cada um no seu galho, ou melhor, no seu genoflexório...
"Não vou à missa. Na verdade desde os 16 anos não vou à missa."
Uns abrem os olhos incrédulos, outros abrem um sorriso esperançoso, seguido de comentários como "Eu vou porque minha mãe obriga..." Mas enfim, dou uma opinião geral, falo um pouco sobre minha filosofia de vida e let´s move on, caso contrário dia seguinte terei pais raivosos querendo queimar a herege. Deixo sempre claro que religião não se discute e que eu respeito todos os tipos de fé, mesmo que aminha seja no faith at all....
O outro choque vem quando eu os faço perceber que são tão corruptos quanto alguns maus políticos.
O movimento é quase sempre o mesmo. Hoje, analisando contos de Pedro Malasartes, um velho espertalhão folclórico, tivemos a seguinte questão:
"Os contos mostram características culturais dos povos. Você acha que o brasileiro age como Pedro?"
A resposta geral foi um belo, sonoro e ofendido
"Não, de jeito nenhum, tem um ou outro que é espertalhão, mas não é típico do brasileiro, não!!!"
Aí vem a professora bruxa, advigada do diabo e pergunta:
"Ah, é? Quem de vocês já pôs o carrinho de supermercado atrás do carro vizinho e largou pra ele o trabalho de devolver? Quem de vocês já guardou lugar na fila do cinema pra um amigo que chegou tarde? Quem de vocês já não ficou alegre ao ver que, lá no comecinho da fila tem um conhecido seu, que, ufa, você pode fingir que tinha marcado com ele? Pior! Quem de vocês não entrou em um trabalho em grupo, feliz da vida porque só tinha nerd e você não ia precisar fazer nada, e mesmo assim ganhar nota? E quem de vocês não inventa desculpas esfarrapadas pra tentar me enganar quando não faz tarefa?"
Caras brancas, olhos esbugalhados, bocas semi abertas.... Lamparinas a toda...
E assim começamos mais um ano, esperando que, se chegarem ao ensino médio detestando língua portuguesa, pelo menos devolvam os carrinhos ao lugar adequado. O vizinho agradece...
Inté
Particularmente, prefiro lidar com eles já mais maduros, vejo mais participação e podemos discutir melhor tópicos do dia a dia, coisa que é praticamente impensável quando os alunos, ao te avistarem apontar no final do corredor, ainda correm para a sala gritando
"A prô chegouuuuuuuuu!!" e se sentam religiosamente com as mãos em cima da mesa, silenciosos, respeitosos....
Mas, claro, isso é um processo...
Comigo eles levam dois choques, logo no primeiro bimestre, que é pra saberem de cara com quem estão lidando.
O primeiro vem quando me perguntam em qual igreja vou à missa... Pois é, cidade do interior tem dessas, cada um no seu galho, ou melhor, no seu genoflexório...
"Não vou à missa. Na verdade desde os 16 anos não vou à missa."
Uns abrem os olhos incrédulos, outros abrem um sorriso esperançoso, seguido de comentários como "Eu vou porque minha mãe obriga..." Mas enfim, dou uma opinião geral, falo um pouco sobre minha filosofia de vida e let´s move on, caso contrário dia seguinte terei pais raivosos querendo queimar a herege. Deixo sempre claro que religião não se discute e que eu respeito todos os tipos de fé, mesmo que aminha seja no faith at all....
O outro choque vem quando eu os faço perceber que são tão corruptos quanto alguns maus políticos.
O movimento é quase sempre o mesmo. Hoje, analisando contos de Pedro Malasartes, um velho espertalhão folclórico, tivemos a seguinte questão:
"Os contos mostram características culturais dos povos. Você acha que o brasileiro age como Pedro?"
A resposta geral foi um belo, sonoro e ofendido
"Não, de jeito nenhum, tem um ou outro que é espertalhão, mas não é típico do brasileiro, não!!!"
Aí vem a professora bruxa, advigada do diabo e pergunta:
"Ah, é? Quem de vocês já pôs o carrinho de supermercado atrás do carro vizinho e largou pra ele o trabalho de devolver? Quem de vocês já guardou lugar na fila do cinema pra um amigo que chegou tarde? Quem de vocês já não ficou alegre ao ver que, lá no comecinho da fila tem um conhecido seu, que, ufa, você pode fingir que tinha marcado com ele? Pior! Quem de vocês não entrou em um trabalho em grupo, feliz da vida porque só tinha nerd e você não ia precisar fazer nada, e mesmo assim ganhar nota? E quem de vocês não inventa desculpas esfarrapadas pra tentar me enganar quando não faz tarefa?"
Caras brancas, olhos esbugalhados, bocas semi abertas.... Lamparinas a toda...
E assim começamos mais um ano, esperando que, se chegarem ao ensino médio detestando língua portuguesa, pelo menos devolvam os carrinhos ao lugar adequado. O vizinho agradece...
Inté
sexta-feira, abril 17, 2009
Rugas, rugas e rugas....
O que você faz com a informação de que o Muro de Berlin está sendo restaurado para a festa de comemoração de 20 anos de sua queda???
Eu vou fingir que não me lembro daquele dia, de que não tenho perfeita memória do Pedro Bial ainda não grisalho anunciando o evento... Vou fingir surpresa quando rever as cenas do povo martelando o muro e me surpreender com quem disser que se lembra tão bem.....
Vou também fingir que não estive lá 4 anos depois e que, no auge da minha ainda inocência, comprei no próprio local um souvenir altamente suspeito, um pedaço do muro quebrado...
Mais ainda, apaguei da minha memória que, de volta ao Brasil, meus amigos (incluindo o já revelado Tenho Dito) correram ao pátio do colégio, selecionaram uma pedrinha qualquer e colocaram nela um aviso "Pedra do Neolítico encontrada por arqueólogos".
De lá para cá tanto aconteceu... Vou ter que fingir que não me lembro da queda da URSS, que acho que Perestróika é como as mães russas chamam a piriquita das suas filhinhas, e que Glasnost deve ser o nome de algum refrigerante da terra de Dostoiévsky....
Também tenho que dizer que nem imagino quem foram os caras pintadas...
Se parar para pensar, vou ter que passar por louca e dizer que é impossível me lembrar das Diretas Já, em 82..... Morte de Tancredo? Nem imagino que estava no carro da minha vizinha voltando para casa à noite....
Imagina então quem se lembra da morte da Elis Regina!!!!! E do Aureliano Chaves anunciando que a moeda ia mudar... Povo velho.....
20 anos da queda do Muro.....
E parece que foi ontem...
Ou melhor, hã?
Eu vou fingir que não me lembro daquele dia, de que não tenho perfeita memória do Pedro Bial ainda não grisalho anunciando o evento... Vou fingir surpresa quando rever as cenas do povo martelando o muro e me surpreender com quem disser que se lembra tão bem.....
Vou também fingir que não estive lá 4 anos depois e que, no auge da minha ainda inocência, comprei no próprio local um souvenir altamente suspeito, um pedaço do muro quebrado...
Mais ainda, apaguei da minha memória que, de volta ao Brasil, meus amigos (incluindo o já revelado Tenho Dito) correram ao pátio do colégio, selecionaram uma pedrinha qualquer e colocaram nela um aviso "Pedra do Neolítico encontrada por arqueólogos".
De lá para cá tanto aconteceu... Vou ter que fingir que não me lembro da queda da URSS, que acho que Perestróika é como as mães russas chamam a piriquita das suas filhinhas, e que Glasnost deve ser o nome de algum refrigerante da terra de Dostoiévsky....
Também tenho que dizer que nem imagino quem foram os caras pintadas...
Se parar para pensar, vou ter que passar por louca e dizer que é impossível me lembrar das Diretas Já, em 82..... Morte de Tancredo? Nem imagino que estava no carro da minha vizinha voltando para casa à noite....
Imagina então quem se lembra da morte da Elis Regina!!!!! E do Aureliano Chaves anunciando que a moeda ia mudar... Povo velho.....
20 anos da queda do Muro.....
E parece que foi ontem...
Ou melhor, hã?
quarta-feira, abril 08, 2009
O bico....
É interessante relacionar alguns fenômenos a outros...
Um caso que me tem deixado bicuda, no sentido de cabelos em pé, é o fenômenos dos bicos, especialmente na espécia adolescente feminina.
As fotos que vejo postadas "diariamente"!!!!! de algumas adolescentes me fazem pensar...
Primeiro na solidão delas...
Geralmente são elas por elas, ou seja, com uma câmera digital na mão, enquanto deixam as tarefas de lado, postam-se em frente ao espelho e ficam posando de Kate Moss para elas mesmas, refletindo o isolamento paradoxal que a internet causa...
Na minha época, felizarda, de pré-internet, nós nos reuníamos com as amigas (cara a cara, uma na casa da outra!!!) e nos empetecávamos de modeletes, fingindo estar no clip Freedom do George Michael (as da minha geração entendem bem......)
O segundo pensamento que me vem à cabeça é a efemeridade da imagem capturada, do instante guardado através da lente. A câmera digital permite a elas que tirem umas 500 fotos do mesmo bico, da mesma franja na cara, e da mesma lateral (sim, por que para elas, foto que se preze é escondida, como manda o bom relacionamento online), todas representações do mesmo instante solitário.
Sem querer dar uma de tia véia, na minha época, tirar foto era realmente um ato de guardar momentos especiais. Me lembro muitíssimo bem de uma briga homérica que tive com minha mãe, quando eu tinha uns 10 anos. Estávamos nós em Maceió, e prontas para uma sessão de fotos na praia. Eu bati o pé que queria fazer um "book", que queria fotos de modelo, e minha mãe me deu o maior esculacho, dizendo que as fotos eram pra marcar nossas férias na praia.
É LÓGICO que saí em TODAS as fotos com caras e bocas, esvoaçando os cabelos e olhando apertado para as lentes. Mas ao lado da minha irmã e da minha prima, com cara de "oba, estamos fazendo castelo de areia!"
Hoje em dia os momentos especiais passam batidos. De um passeio escolar, ficam as fotos do ônibus, bicos, franjas, laterais e poses. Daqui há alguns anos, quando elas quiserem se lembrar como foi o passeio ao Museu do Imigrante, ou à exposição do Einstein, ou ao Museu da Língua Portuguesa, terão as mesmíssimas imagens, delas mesmas, modificadas em poses falsas que em NADA demonstram quem são. Foram esta semana ao observatório, um passeio noturno, e como não fui, estava louca para ver as fotos. Que decepção.... "O passeio foi mara!!!!" e a mesma roda dos mesmos bicos, dentro do mesmo ônibus...
Que pena....
Delas.....
Inté!!
Um caso que me tem deixado bicuda, no sentido de cabelos em pé, é o fenômenos dos bicos, especialmente na espécia adolescente feminina.
As fotos que vejo postadas "diariamente"!!!!! de algumas adolescentes me fazem pensar...
Primeiro na solidão delas...
Geralmente são elas por elas, ou seja, com uma câmera digital na mão, enquanto deixam as tarefas de lado, postam-se em frente ao espelho e ficam posando de Kate Moss para elas mesmas, refletindo o isolamento paradoxal que a internet causa...
Na minha época, felizarda, de pré-internet, nós nos reuníamos com as amigas (cara a cara, uma na casa da outra!!!) e nos empetecávamos de modeletes, fingindo estar no clip Freedom do George Michael (as da minha geração entendem bem......)
O segundo pensamento que me vem à cabeça é a efemeridade da imagem capturada, do instante guardado através da lente. A câmera digital permite a elas que tirem umas 500 fotos do mesmo bico, da mesma franja na cara, e da mesma lateral (sim, por que para elas, foto que se preze é escondida, como manda o bom relacionamento online), todas representações do mesmo instante solitário.
Sem querer dar uma de tia véia, na minha época, tirar foto era realmente um ato de guardar momentos especiais. Me lembro muitíssimo bem de uma briga homérica que tive com minha mãe, quando eu tinha uns 10 anos. Estávamos nós em Maceió, e prontas para uma sessão de fotos na praia. Eu bati o pé que queria fazer um "book", que queria fotos de modelo, e minha mãe me deu o maior esculacho, dizendo que as fotos eram pra marcar nossas férias na praia.
É LÓGICO que saí em TODAS as fotos com caras e bocas, esvoaçando os cabelos e olhando apertado para as lentes. Mas ao lado da minha irmã e da minha prima, com cara de "oba, estamos fazendo castelo de areia!"
Hoje em dia os momentos especiais passam batidos. De um passeio escolar, ficam as fotos do ônibus, bicos, franjas, laterais e poses. Daqui há alguns anos, quando elas quiserem se lembrar como foi o passeio ao Museu do Imigrante, ou à exposição do Einstein, ou ao Museu da Língua Portuguesa, terão as mesmíssimas imagens, delas mesmas, modificadas em poses falsas que em NADA demonstram quem são. Foram esta semana ao observatório, um passeio noturno, e como não fui, estava louca para ver as fotos. Que decepção.... "O passeio foi mara!!!!" e a mesma roda dos mesmos bicos, dentro do mesmo ônibus...
Que pena....
Delas.....
Inté!!
segunda-feira, abril 06, 2009
Cenas Jecas...
Quatro anos se passaram desde que pisei pela primeira vez no chão de terra da roça.
Quatro anos aqui, representam quatro Festas do Caqui, que acontecem anualmente.
Cada uma com uma progressão de expectativas que me ensinam muito sobre a Jeca que venho me tornando.
Para quem não sabe do que se trata, as cidades do interior realizam festas para honrar suas frutas típicas. Conhecidas são a Festa do Morango, de Atibaia e da Uva, de Jundiaí, por exemplo.
Aqui na nossa pequena cidade, temos a mais saborosa festa, a do caqui!
Lembro-me de que no primeiro ano de cidade, sabendo do evento, eu e Sr. Jeca saímos mais cedo do sítio para passarmos nas barracas. Minha expectativa era grande. Uma festa baseada em caqui deveria ter exemplares maravilhosos de doces, pães, sorvetes.... Hummm, vim com água na boca.
Minha felicidade prévia se deparou com a frustração em frente a 4 barracas de produtores diferentes vendendo o MESMO produto, o caqui. Só. Apenas.
Claro, que havia barracas de tudo, tapioca, churros, doces (de tudo, menos de caqui...), pesca, prenda, etc.
Do caqui mesmo, só a fruta. Nem os preços mudavam.
No segundo ano não fui, revoltada com o provincianismo da festa. Em fase urbaníssima, comprei minhas caixinhas de caqui 0,50 centavos mais caras no mercado mesmo e enquanto a sanfona rolava na rua, eu os deliciava geladinhos, no meu confortável sofá.
No ano passado demos outra chance à festa. Com mais barracas, pudemos comprar também goiabas e uvas,e para minha enorme felicidade, pude provar um mousse de caqui. Em um daqueles copinhos de café, sabe? Mas deu para ver, pelo menos, a evolução da galera.
Neste ano estou bem mais jeca. Ao ver a safra invadindo os mercados, logo pensei "A Festa do Caqui deve estar chegando!" Não que minha expectativa tenha aumentado, lógico, mas pelo menos minhadesconfiança diminuiu. Já fico feliz de economizar um real em duas caixas de uma das frutas mais deliciosas do mundo.
O evento deste ano cresceu foi para o parque da cidade, e ainda acompanhados das barracas de churros, esfiha, cachorro quente, os produtores se enfileiraram em suas 5barracas, onde pude comprar meus queridos vermelhinhos.
Entretanto, apesar de minha aumentada tolerância, não posso deixar de registrar uma cena absolutamente medieval, que certamente caberia em um quadro de Hieronymus Bosch:
Uma fila de pessoas se amontoava entre cordas para uma bela exposição de ...... caquis. É. Uma mesa alta foi montada com as mais belas espécies da fruta, (na minha visão leiga de Caqui Arte, todas do mesmo tom de vermelho...)e os visitantes passavam obedientemente enfileirados, coçando as barbichas, como se coça ao espremer os olhos no Louvre...
Será que o caqui sorri para mim, à la Monalisa????
A fila era grande demais, desisti....
Inté
Quatro anos aqui, representam quatro Festas do Caqui, que acontecem anualmente.
Cada uma com uma progressão de expectativas que me ensinam muito sobre a Jeca que venho me tornando.
Para quem não sabe do que se trata, as cidades do interior realizam festas para honrar suas frutas típicas. Conhecidas são a Festa do Morango, de Atibaia e da Uva, de Jundiaí, por exemplo.
Aqui na nossa pequena cidade, temos a mais saborosa festa, a do caqui!
Lembro-me de que no primeiro ano de cidade, sabendo do evento, eu e Sr. Jeca saímos mais cedo do sítio para passarmos nas barracas. Minha expectativa era grande. Uma festa baseada em caqui deveria ter exemplares maravilhosos de doces, pães, sorvetes.... Hummm, vim com água na boca.
Minha felicidade prévia se deparou com a frustração em frente a 4 barracas de produtores diferentes vendendo o MESMO produto, o caqui. Só. Apenas.
Claro, que havia barracas de tudo, tapioca, churros, doces (de tudo, menos de caqui...), pesca, prenda, etc.
Do caqui mesmo, só a fruta. Nem os preços mudavam.
No segundo ano não fui, revoltada com o provincianismo da festa. Em fase urbaníssima, comprei minhas caixinhas de caqui 0,50 centavos mais caras no mercado mesmo e enquanto a sanfona rolava na rua, eu os deliciava geladinhos, no meu confortável sofá.
No ano passado demos outra chance à festa. Com mais barracas, pudemos comprar também goiabas e uvas,e para minha enorme felicidade, pude provar um mousse de caqui. Em um daqueles copinhos de café, sabe? Mas deu para ver, pelo menos, a evolução da galera.
Neste ano estou bem mais jeca. Ao ver a safra invadindo os mercados, logo pensei "A Festa do Caqui deve estar chegando!" Não que minha expectativa tenha aumentado, lógico, mas pelo menos minhadesconfiança diminuiu. Já fico feliz de economizar um real em duas caixas de uma das frutas mais deliciosas do mundo.
O evento deste ano cresceu foi para o parque da cidade, e ainda acompanhados das barracas de churros, esfiha, cachorro quente, os produtores se enfileiraram em suas 5barracas, onde pude comprar meus queridos vermelhinhos.
Entretanto, apesar de minha aumentada tolerância, não posso deixar de registrar uma cena absolutamente medieval, que certamente caberia em um quadro de Hieronymus Bosch:
Uma fila de pessoas se amontoava entre cordas para uma bela exposição de ...... caquis. É. Uma mesa alta foi montada com as mais belas espécies da fruta, (na minha visão leiga de Caqui Arte, todas do mesmo tom de vermelho...)e os visitantes passavam obedientemente enfileirados, coçando as barbichas, como se coça ao espremer os olhos no Louvre...
Será que o caqui sorri para mim, à la Monalisa????
A fila era grande demais, desisti....
Inté
terça-feira, março 31, 2009
Fantasma...
Eu não tenho canais abertos com o além mundo.... Nem mesmo com o além mar, quiçá com o mundo dos fantasmas...
Qual não foi minha surpresa e choque quando, hoje pela manhã, no caminho para o trabalho, escuto uma voz familar, de alguém que eu julgava morto, pelo menos politicamente falando.
Uma voz bastante conhecida para nós, paulistas, Jecas ou não, especialmente da nossa geração, que cresceu ouvindo suas pataquadas e frases, bem regadas a Zattar, kibes e esfihas...
Às 7 da manhã, ouvir do além-urna a voz de Paulo Maluf é de assustar qualquer um... Pensei em parar o carro e tapar os ouvidos do Romeo, afinal, não quero que ele acredite nessas coisas... Adoro saber que ele não vai precisar discutir malufismo com os amigos dele, nem mesmo rir das piadas sobre o tal defunto. "Rouba mas faz", espero, será uma frase incoerente para ele, e da herança do dito cidadão, espero que Romeo receba apenas as pontes coloridas da Marginal, já sem as inundações da Águas Espraiadas..
Passou o susto, agora espero não ter pesadelos à noite... Nem nas próximas eleições...
Inté
Qual não foi minha surpresa e choque quando, hoje pela manhã, no caminho para o trabalho, escuto uma voz familar, de alguém que eu julgava morto, pelo menos politicamente falando.
Uma voz bastante conhecida para nós, paulistas, Jecas ou não, especialmente da nossa geração, que cresceu ouvindo suas pataquadas e frases, bem regadas a Zattar, kibes e esfihas...
Às 7 da manhã, ouvir do além-urna a voz de Paulo Maluf é de assustar qualquer um... Pensei em parar o carro e tapar os ouvidos do Romeo, afinal, não quero que ele acredite nessas coisas... Adoro saber que ele não vai precisar discutir malufismo com os amigos dele, nem mesmo rir das piadas sobre o tal defunto. "Rouba mas faz", espero, será uma frase incoerente para ele, e da herança do dito cidadão, espero que Romeo receba apenas as pontes coloridas da Marginal, já sem as inundações da Águas Espraiadas..
Passou o susto, agora espero não ter pesadelos à noite... Nem nas próximas eleições...
Inté
quarta-feira, março 04, 2009
Mundo surreal
Jeca e suas inconformidades cidadãs....
Me deixa de estômago embrulhado abrir a página de uma das maiores responsáveis pela cultura e informação do país e ler as seguintes "manchetes":
"Menina de 9 anos abusada pelo padrasto já sofreu aborto"
"Gaúcho se casa com três irmãs"
"Suzana Vieira assume rapaz de 24 anos"
"Inglesa emagrece 80 kgs para perder a virgindade"
Encabeçadas pela mais surreal das realidades dos nossos vazios e absurdos tempos:
"Collor é eleito presidente de comissão do Senado"
Surreal? Isso explica porque Edgar Alan Poe fez tanto sucesso na época dele, e hoje entedia alunos que não compreendem sua genialidade. Dá para imaginar absurdos como esses sendo priorizados nos jornais sérios do século XIX? Essas aberrações acima seriam curiosidades circences, não notícias primeiras em nossas preocupações diárias...
E desculpem de antemão aqueles que acham que o Collor merece uma segunda chance, que coitado, foi bode expiatório, que foi apenas a ponta do iceberg, mas aceitar uma barbaridade dessa mulher barbada da política é guardar desde já o voto para presidente do Brasil em José Dirceu, ou quem sabe até Marcos Valério.....
Tanto tempo para voltar com um assutno tão chato, não?.... Sorry, prometo amanhã dar uma elevada no astral. Pena não poder falar do Palmeiras.....
Inté
Me deixa de estômago embrulhado abrir a página de uma das maiores responsáveis pela cultura e informação do país e ler as seguintes "manchetes":
"Menina de 9 anos abusada pelo padrasto já sofreu aborto"
"Gaúcho se casa com três irmãs"
"Suzana Vieira assume rapaz de 24 anos"
"Inglesa emagrece 80 kgs para perder a virgindade"
Encabeçadas pela mais surreal das realidades dos nossos vazios e absurdos tempos:
"Collor é eleito presidente de comissão do Senado"
Surreal? Isso explica porque Edgar Alan Poe fez tanto sucesso na época dele, e hoje entedia alunos que não compreendem sua genialidade. Dá para imaginar absurdos como esses sendo priorizados nos jornais sérios do século XIX? Essas aberrações acima seriam curiosidades circences, não notícias primeiras em nossas preocupações diárias...
E desculpem de antemão aqueles que acham que o Collor merece uma segunda chance, que coitado, foi bode expiatório, que foi apenas a ponta do iceberg, mas aceitar uma barbaridade dessa mulher barbada da política é guardar desde já o voto para presidente do Brasil em José Dirceu, ou quem sabe até Marcos Valério.....
Tanto tempo para voltar com um assutno tão chato, não?.... Sorry, prometo amanhã dar uma elevada no astral. Pena não poder falar do Palmeiras.....
Inté
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Do contra...
Está em destaque na mídia nos últimos dias o caso do professor que foi demitido por suposta apologia ao homossexualismo em Brasília. Ouvi uma entrevista do rapaz dizendo que foi demitido porque usava "roupas e estilo de cabelo diferentes"...
Esse lance de descriminação é um perigo, nos nossos dias do politicamente correto. Desculpe, caro colega de trabalho, mas sua coordenação viu e não aprovou o material que você selecionou para sua aula de antemão, e sugeriu que você trocasse a música. Na minha visão, você foi demitido não por descriminação, mas por desobediência, o que independe de seu cabelo roxo, piercing no nariz ou roupa de arco íris.
Se seu coordenador não tivesse visto a tal música, vá lá, mas além de ter visto, avisou você da não aprovação.
O universo pop da garotada é tão grande (ia escrever rico, mas o dedo se recusou a digitar) que insistir em uma música é além de teimosia, falta de criatividade. Material é o que não falta!
Ah, vá.....
Inté!
Esse lance de descriminação é um perigo, nos nossos dias do politicamente correto. Desculpe, caro colega de trabalho, mas sua coordenação viu e não aprovou o material que você selecionou para sua aula de antemão, e sugeriu que você trocasse a música. Na minha visão, você foi demitido não por descriminação, mas por desobediência, o que independe de seu cabelo roxo, piercing no nariz ou roupa de arco íris.
Se seu coordenador não tivesse visto a tal música, vá lá, mas além de ter visto, avisou você da não aprovação.
O universo pop da garotada é tão grande (ia escrever rico, mas o dedo se recusou a digitar) que insistir em uma música é além de teimosia, falta de criatividade. Material é o que não falta!
Ah, vá.....
Inté!
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Caipirice incorporada
No sábado eu e Sr. Jeca nos sentimos verdadeiramente caipiras em Sampa. Fomos tomar um café no Pão de Açúcar do Morumbi, ao lado da casa de minha mãe, ou seja, o mesmo Pão de Açúcar onde fiz compras por aaaannnooossss seguidos.
A caipirice se deu na nossa perplexidade de variedade que o mercado oferece. Queijo aqui na roça? Tem variedade sim, você pode escolher entre o branco, o mussarella, o gorgonzola e em dias de sorte um bom gouda. SÓ!!!
Pão??
Quem falou que não tem opção??? Pullmam, Wickbold e Nutrella!!! Pra que querer uma broa integral, ou um scone de laranja??? Pão é pão!!!
Depois de uma bela esfiha de massa integral, saímos meio chorosos... Só voltamos a agradecer à roça quando, em pleno sábado, a fila típica de carros se amontoou entre nós e nosso destino.
E viva os bandeirantes.....
inté
A caipirice se deu na nossa perplexidade de variedade que o mercado oferece. Queijo aqui na roça? Tem variedade sim, você pode escolher entre o branco, o mussarella, o gorgonzola e em dias de sorte um bom gouda. SÓ!!!
Pão??
Quem falou que não tem opção??? Pullmam, Wickbold e Nutrella!!! Pra que querer uma broa integral, ou um scone de laranja??? Pão é pão!!!
Depois de uma bela esfiha de massa integral, saímos meio chorosos... Só voltamos a agradecer à roça quando, em pleno sábado, a fila típica de carros se amontoou entre nós e nosso destino.
E viva os bandeirantes.....
inté
Dose de leão....
Após a leitura de uma crônica do Luis Fernando Veríssimo, na qual ele cita o caso "Hillary- Mônica" e em seguida associa o caso a "um presidente", acontece o seguinte breve diálogo que deixa professores de cabelos brancos antes do tempo:
-Bom, Mônica talvez vocês não saibam quem era, mas a Hillary todo mundo conhece, né?
em coro:
-SIIIMMMM, a Hillary Duff.........
Não é só a falta de noção política mundial da garotada. É a falta absoluta de noção ao responder uma questão. Pensa!!! Se o texto relaciona essa tal de Hillary a um presidente, não pode ser a mesma que faz filmecos de sessão da tarde, não é???
Difícil....
E é exatamente por isso que o blog que havia criado naufragou. Infelizmente a molecada ainda não está pronta para dialogar sobre o que acontece na escola. Falta de maturidade deles, e excesso de expactativa minha.
Sorte da Jeca, que volta a ser exclusiva.....
Inté!
-Bom, Mônica talvez vocês não saibam quem era, mas a Hillary todo mundo conhece, né?
em coro:
-SIIIMMMM, a Hillary Duff.........
Não é só a falta de noção política mundial da garotada. É a falta absoluta de noção ao responder uma questão. Pensa!!! Se o texto relaciona essa tal de Hillary a um presidente, não pode ser a mesma que faz filmecos de sessão da tarde, não é???
Difícil....
E é exatamente por isso que o blog que havia criado naufragou. Infelizmente a molecada ainda não está pronta para dialogar sobre o que acontece na escola. Falta de maturidade deles, e excesso de expactativa minha.
Sorte da Jeca, que volta a ser exclusiva.....
Inté!
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Rumo diferente....
Eu amo a Jeca... Não penso em deixá-la de vez, acabar, matar o blog.
Sei que anda parado mas aos poucos vou lhe dando capim...
Entretanto, preciso de um espaço de reflexão profissional, de feedback dos alunos e de crescimento intelectual....
Pra isso criei este espaço, onde a Jeca fica um pouco mais séria...
mas não morta.....
Inté!!
Sei que anda parado mas aos poucos vou lhe dando capim...
Entretanto, preciso de um espaço de reflexão profissional, de feedback dos alunos e de crescimento intelectual....
Pra isso criei este espaço, onde a Jeca fica um pouco mais séria...
mas não morta.....
Inté!!
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Wishing List
Para 2009, saúde, amor, faxina mental, coleguismo, esforço, Obama, sono, chocolate, ar, mar, Barden, Toro, Palmeiras, samba, blog bom, paz e furacão...
E que a partir do primeiro minuto de 2009 não se ouça mais falar de Bush, Mulher Melancia, enchente, Madonna, Rogério Sene, e principalmente, Luana Piovani....
Boas festas a todos!!!
Inté!!
E que a partir do primeiro minuto de 2009 não se ouça mais falar de Bush, Mulher Melancia, enchente, Madonna, Rogério Sene, e principalmente, Luana Piovani....
Boas festas a todos!!!
Inté!!
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Pílula pro ego
Está grávida? Barriguda e além disso, empurrando um carrinho com um já grandinho rebento? Achando que nunca mais ninguém vai te olhar como olhavam antigamente, pelo menos antes da barriga e do carrinho juntos???
Não desanime... Você ainda pode ter o ego massageado! Sua solição está no
Morumbi Shopping, das 12 e 30 às 14 hs.....
Bom, viu???
Não desanime... Você ainda pode ter o ego massageado! Sua solição está no
Morumbi Shopping, das 12 e 30 às 14 hs.....
Bom, viu???
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Lugar de gordo é no...
Corinthians!!!!!
Nada mais alegre para um palmeirense que ver o Ronaldão no Timão!!!!
Tá lá, ele pensando no iate, fumando, barrigão de fora, ao melhor estilo Bussunda, "Pô, ninguém me quer mais.... Na Europa a pressão é grande pra emagrecer, parar de ir pra balada... Eu já cansei de dar dica pro Flamengo e por enquanto nada.... Eles se fazem de surdo..... Acho que do jeito que a coisa anda o negócio é tentar o Curintia mesmo...."
Vou até começar a assistir aos jogos, pra ver quem rola mais rápido....
Nada mais alegre para um palmeirense que ver o Ronaldão no Timão!!!!
Tá lá, ele pensando no iate, fumando, barrigão de fora, ao melhor estilo Bussunda, "Pô, ninguém me quer mais.... Na Europa a pressão é grande pra emagrecer, parar de ir pra balada... Eu já cansei de dar dica pro Flamengo e por enquanto nada.... Eles se fazem de surdo..... Acho que do jeito que a coisa anda o negócio é tentar o Curintia mesmo...."
Vou até começar a assistir aos jogos, pra ver quem rola mais rápido....
A culpa é da Ana!!!
O cara vai de encontro a um bando de policiais corruptos, compra kilos de cocaína, se enfurna em um motel (mesmo tendo um apart vazio para ele e sua namorada...) no morro, cheira até cair a cartilagem do nariz, e a culpa é da Ana Maria Braga!!!!! Lógico, imagina o quanto uma declaração dela pode arruinar a vida de alguém, não? Afinal, ela mentiu descaradamente no ar, chamou o sujeito de cafajeste, mau caráter, sendo que o Brasil todo sabia o marido maravilhoso, fiel e prestimoso que ele era!!! Shame on you, Ana!!!
Tadinho do bom moço, só usou drogas por que não ia mais poder anotar as receitas do Mais Você...
Tadinho do bom moço, só usou drogas por que não ia mais poder anotar as receitas do Mais Você...
sábado, dezembro 06, 2008
Ser Jeca Chique é...
... entrar no salão de beleza em pleno sábado de manhã com todas as suas jóias de ouro de família, (Inshalá), óculos douradérrimo, salto agulha e....
bolsa brinde da São Paulo Fashion Week......
bolsa brinde da São Paulo Fashion Week......
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Fotinho
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Tiro no pé
Acho qut todos sabem que fui professora de educação infantil. Nos três anos que dei aula na Kinder Kampus,(ainda estou lá, na galeria de fotos de 2004, eba) fiz o maior e melhor estágio de vida, tanto para me tornar uma melhor professora como para me preparar para ser mãe.
Entre todas as coisas que me enriqueceram muito, o "falar" de professora de crianças me foi especialmente útil. Vinda de uma empresa japonesa, em que minha personalidade direta era essencial para que eu pudesse me impor, tive altas dificuldades no início. Lembro de uma ocasião em que minha diretora me salvou por um segundo, quando eu fui dizer para uma mãe que o menino dela era um pouco agressivo.
"Nunca, NUNCA diga a palavra 'agressivo' para uma mãe, você tem que arranjar outras formas de dizer o que você quer."
Por sorte, linguagem sempre foi o meu forte, e logo eu era craque em escrever os relatórios mais detalhados com as expressões mais eufêmicas e anti-dor-de-mãe.
"Recomendamos que Fulaninho faça Judô, pois o ajudará muito a canalizar a energia."
Ou então, ao invés de dizer que Ciclaninha é mole, não faz amigos e parece que tem algum problema (que nenhuma professora que se preze diga mesmo "problema", dificuldade sempre é mais adequado) de desenvolvimento social, você com um belo sorriso no rosto diz que seria muito interessante que ela fizesse um esporte em grupo, para desenvolver melhor suas habilidades sociais. E por aí vai...
Uma das dicas que a nossa diretora nos dava, é que em uma reunião cara a cara com os pais, ao invés de entrar diretamente no assunto (Tenho certeza de que você e seu marido andam brigando muito, porque Júnior vem repetindo uns xingamentos típicos de briga de marido e mulher...) o ideal é que você faça uma pergunta, para que a mãe entre ela mesma no assunto em questão: "Nós queríamos saber se está tudo bem em casa, pois temos notado que Júnior tem se comportado diferentemente..."
Pois bem, no fim das contas, juntando minha cara de brava e habilidades com a linguagem, eu acabei pegando as turmas com mais "desafios" (sacou o eufemismo??), e eu nem sabia bem qual o golpe do destino que me havia posto ali...
Agora eu sei!!
Semana passada, a "professora" do Romeo, com um belo sorriso no rosto, me pergunta:
"Tati, você fala bastante 'não' pro Romeo?"
Na hora eu saquei que ele devia estar aprontando muuuuito, ficando bravo quando tiram alguma coisa dele e não dando a mínima para as restrições delas. (Não vou nem entrar no mérito da formação delas, pois se acreditam que um bebê de 10 meses vai respeitar os limites vão ficar frustradas rapidinho...)
Sacando aonde elas chegariam, vindo com o trigo, eu joguei quentinho o pão italiano, recheado com queijo provolone:
"Olha, a palavra 'não' eu evito dizer, porque nessa fase a criança não entende o 'não' e além disso, o 'não' a põe pra trás. O ideal é que nós ponhamos os limites com uma ordem positiva, ou com a explicação. E ISSO eu faço muito. Realmente, 'não' ele escuta pouco, mas se ele fica bravo (e ele fica!!!! A cara do pai mas o gênio da mãe....) quando eu digo que pegar meu brinco machuca, azar dele. Mas claro, a gente tem que lembrar que ele tem 10 meses, e que tudo que podemos fazer é insistir nos limites pra que quando ele começar a entender ele possa então respeitá-los."
Platéia meio muda, mãe realizada.....
Pela primeira vez, eu entendo melhor algumas mães que passaram na minha vida de professora. Meu filho é da pá virada, vai dar um monte de trabalho, é genioso e sabe o que quer. É claro que vou impor limites, sem medo de vê-lo bravo comigo, mas vou ser beeeem sincera: Não deixo de sentir uma ponta de orgulho dele.
Antes "judô" que "esportes coletivos para melhorar a habilidade social".
Tapetinho, não.....
Inté!!
Entre todas as coisas que me enriqueceram muito, o "falar" de professora de crianças me foi especialmente útil. Vinda de uma empresa japonesa, em que minha personalidade direta era essencial para que eu pudesse me impor, tive altas dificuldades no início. Lembro de uma ocasião em que minha diretora me salvou por um segundo, quando eu fui dizer para uma mãe que o menino dela era um pouco agressivo.
"Nunca, NUNCA diga a palavra 'agressivo' para uma mãe, você tem que arranjar outras formas de dizer o que você quer."
Por sorte, linguagem sempre foi o meu forte, e logo eu era craque em escrever os relatórios mais detalhados com as expressões mais eufêmicas e anti-dor-de-mãe.
"Recomendamos que Fulaninho faça Judô, pois o ajudará muito a canalizar a energia."
Ou então, ao invés de dizer que Ciclaninha é mole, não faz amigos e parece que tem algum problema (que nenhuma professora que se preze diga mesmo "problema", dificuldade sempre é mais adequado) de desenvolvimento social, você com um belo sorriso no rosto diz que seria muito interessante que ela fizesse um esporte em grupo, para desenvolver melhor suas habilidades sociais. E por aí vai...
Uma das dicas que a nossa diretora nos dava, é que em uma reunião cara a cara com os pais, ao invés de entrar diretamente no assunto (Tenho certeza de que você e seu marido andam brigando muito, porque Júnior vem repetindo uns xingamentos típicos de briga de marido e mulher...) o ideal é que você faça uma pergunta, para que a mãe entre ela mesma no assunto em questão: "Nós queríamos saber se está tudo bem em casa, pois temos notado que Júnior tem se comportado diferentemente..."
Pois bem, no fim das contas, juntando minha cara de brava e habilidades com a linguagem, eu acabei pegando as turmas com mais "desafios" (sacou o eufemismo??), e eu nem sabia bem qual o golpe do destino que me havia posto ali...
Agora eu sei!!
Semana passada, a "professora" do Romeo, com um belo sorriso no rosto, me pergunta:
"Tati, você fala bastante 'não' pro Romeo?"
Na hora eu saquei que ele devia estar aprontando muuuuito, ficando bravo quando tiram alguma coisa dele e não dando a mínima para as restrições delas. (Não vou nem entrar no mérito da formação delas, pois se acreditam que um bebê de 10 meses vai respeitar os limites vão ficar frustradas rapidinho...)
Sacando aonde elas chegariam, vindo com o trigo, eu joguei quentinho o pão italiano, recheado com queijo provolone:
"Olha, a palavra 'não' eu evito dizer, porque nessa fase a criança não entende o 'não' e além disso, o 'não' a põe pra trás. O ideal é que nós ponhamos os limites com uma ordem positiva, ou com a explicação. E ISSO eu faço muito. Realmente, 'não' ele escuta pouco, mas se ele fica bravo (e ele fica!!!! A cara do pai mas o gênio da mãe....) quando eu digo que pegar meu brinco machuca, azar dele. Mas claro, a gente tem que lembrar que ele tem 10 meses, e que tudo que podemos fazer é insistir nos limites pra que quando ele começar a entender ele possa então respeitá-los."
Platéia meio muda, mãe realizada.....
Pela primeira vez, eu entendo melhor algumas mães que passaram na minha vida de professora. Meu filho é da pá virada, vai dar um monte de trabalho, é genioso e sabe o que quer. É claro que vou impor limites, sem medo de vê-lo bravo comigo, mas vou ser beeeem sincera: Não deixo de sentir uma ponta de orgulho dele.
Antes "judô" que "esportes coletivos para melhorar a habilidade social".
Tapetinho, não.....
Inté!!
quinta-feira, novembro 27, 2008
Histeria a la Elvis
Tá bem, já sei, a Paola Oliveira, aparentemente, deu uma bola fora com relação ao marketing do novo filme dela. Sair no meio da sessão pega mal, mesmo. Dizem que ela ficou envergonhada, outros que ela tinha compromisso cedo... Eu acho que ela estava é estafada, de tanto "contracenar" com o Gianechinni... Bobear não dava nem pra sentar direito, coitada....
Mas quem está remotamente preocupado com isso?? O real marketing do filme é um e um somente:
Finalmente a mulherada vai ver o Giane pelado, quem se importa se a Paola gostou ou não da porcaria do filme??? Giane pelado, bem, é uma chance só, corre e segura meu lugar na fila da bilheteria.....
Inté!!
Mas quem está remotamente preocupado com isso?? O real marketing do filme é um e um somente:
Finalmente a mulherada vai ver o Giane pelado, quem se importa se a Paola gostou ou não da porcaria do filme??? Giane pelado, bem, é uma chance só, corre e segura meu lugar na fila da bilheteria.....
Inté!!
terça-feira, novembro 18, 2008
Diálogo da ignorância
-Qual salgado vocês têm sem carne?
-Ah, sem carne tem a empada de frango, o pastel de peru e se você quiser tem também sanduíche de atum...
-Então, é que tudo isso é carne... Tem alguma coisa sem nenhum tipo de carne?
-Queijo pode??
(Respotsa mental: Não, sua pouco dotada de inteligência, queijo é exatamente igual à picanha, filé e coxa de galinha!!!)
-Pode...
Tudo bem, pelo menos já parei de escutar:
-Vegetariana??? Nossa, você só come salada????????
Inté...
-Ah, sem carne tem a empada de frango, o pastel de peru e se você quiser tem também sanduíche de atum...
-Então, é que tudo isso é carne... Tem alguma coisa sem nenhum tipo de carne?
-Queijo pode??
(Respotsa mental: Não, sua pouco dotada de inteligência, queijo é exatamente igual à picanha, filé e coxa de galinha!!!)
-Pode...
Tudo bem, pelo menos já parei de escutar:
-Vegetariana??? Nossa, você só come salada????????
Inté...
quinta-feira, novembro 13, 2008
Só muda a trilha sonora...
Dizem que professores são adolescentes mal resolvidos... Eu acredito que, na verdade, tenhamos é uma forte nostalgia da adolescência... Acho sempre que se me pagassem pra ser estudante eu o seria para o resto da minha vida...
Hoje vejo o quanto eu me revivo estilo anos 90 vendo minhas alunas....
Lembro como se fosse ontem, eu chorando, rodeada por minhas melhores amigas, (aquelas de quem eu tinha absoluta certeza jamais me distanciaria, aquelas que envelheceriam comigo, que me conheciam e me compreeendiam miiiil vezes melhor que aquela que em casa eu tinha que chamar de mãe...) me consolando para não chorar mais por "ele" (no caso específico lembrado, "ele" era o Ricardo Athayde, minha paixão colegial!!).
"Ele não te merece, não chora!"
Leitora com mais de 30 anos... Você consegue contar quantas vezes, aproximadamente, ouviu essa frase das suas amigas???????
Os professores (especialmente os professores homens, rsrs) vinham com um sorriso irônico dando pouca importância ao meu choro, o que me era absolutamente absurdo, afinal, eles não percebiam o tamanho do meu problema???? Que insensibilidade não perceber que minha vida estava arruinada se "ele" não gostasse de mim, que eu morreria seca e solteira pois jamais iria querere nenhum outro "ele" que não fosse aquele...... Eu "o" esperava diariamente a subir a rampa.... Avistava-o de longe, afinal era bem grande, e suspirava ao vê-lo com seus cabelos presos em rabo de cavalo, vestindo o batido moletom de bulldog cinza e azul e pisando no meu coração de New Balance... Como o professor Alexandre não se dava conta de quem sem o Athayde eu teria que virar freira, pois nenhum outro menino ganharia meu coração....
Claro que, em um belo dia, conheci o Punk´eca. Athayde???? Ah, pelo amor de Deus, né, me poupa, passou! Demorou muito, você me pergunta? Acho que sim, uns 4 segundos... Foi só ver os cachos lindos do Punk´eca, que já tinha mais de 20 anos, e entre as 5 meninas da turma disse que queria sair COMIGO, para esquecer rapidinho o New Balance que antes me pisoteava como barata.
O Punk´eca, obviamente, me causou muito mais dor que o Athayde, de quem guardo uma ternura imensa (assim que nos formamos, ele nos deixou... Todo dia 30 de janeiro me lembro dele, e ele sabe, onde quer que esteja que me marcou de maneira linda, mesmo tendo falado pouquíssimo comigo...)
E, claro, como toda adolescente do contra, sempre tem o menino ideal, lindo, de família ótima, que é apaixonado por você e você não retribui..... Afinal de contas, onde está o drama??? Ele vai te fazer sofrer??? Não, então não vale a lágrima...
No meu caso, era um alemão de 2 metros, loiro lindo e tímido.... Depois de tantos anos, vejo fotos dele e não posso deixar de suspirar em arrependimento....
Hoje me divirto vendo minhas alunas repetirem tudo de novo...
"Ligo ou não ligo?"
"Chamo pra ir ao cinema?"
"Ah, ele falou pra uma amiga da minha amiga que quer ficar comigo!"
"Não vejo a hora de ter outra festa"
... achando que estão inovando...
Chorando pelos mesmos meninos, pelos mesmos motivos.
E, quem diria, eu dando a elas os mesmos conselhos que "aquela" que eu achava que fosse A careta mor, desentendida, antiquada e chata me dava:
"Filha, o mundo pode dar quantas voltas for, o valor da mulher será sempre o mesmo..."
Pois é, mãe, só muda a trilha sonora......
Inté!!
PS: A trilha??? Me faziam chorar copiosamente por causa do Athayde: "You´re unbelievable", "The Promisse", do When in Rome e "Love is in the air"!!!! ai, ai....
quarta-feira, novembro 12, 2008
Iolanda tem pinto.....
Acabei de chegar de um ultrassom e parece que caí na margem de 7% de erro do sexagem fetal.... Iolanda tem, aparentemente, um pinto!!! Só saberemos ao certo o sexo em janeiro.......
Ai, ai.....
Ai, ai.....
sexta-feira, novembro 07, 2008
Atualização
A Jeca tinha, de repente, voltado às boas com o teclado... Anunciado feliz da vida que voltaria, retorno, o caramba a quatro...
Até que, de repente, um atraso, um xixi e duas listras a tiraram do ar DE NOVO.....
Como assim???
Não é possível.....
Sentada no vaso sanitário às 6 da manhã, enquanto olha as duas faixas rosas, olha os inúmeros pacotes de absorventes que havia comprado após 1 ano e meio de secura (uhuuu) e não se conforma... Feliz da vida, claro, se pergunta como vai fazer...
Mas o Romeo vai estar começando a caminhar, e eu DE NOVO às voltas com cólicas, mamadas e afins???
Pois é....
Agora, na 12a semana, já posso orgulhosamente anunciar a chegada (prevista para Maio) da mais nova integrante da família Jeca... Iolanda!
Por isso, caros leitores, a Jeca Mãe se ausentou novamente, pois a pequena veio com tudo, derrubando-me de enjôos e cansaço...
Agora, já refeita do susto e dos embrulhos estomacais, venho contar-lhes a novidade....
Aproveito e deixo mais uma fotinha clássica, para efeito de suspiros e aaaiiiis femininos...
Inté!!
Até que, de repente, um atraso, um xixi e duas listras a tiraram do ar DE NOVO.....
Como assim???
Não é possível.....
Sentada no vaso sanitário às 6 da manhã, enquanto olha as duas faixas rosas, olha os inúmeros pacotes de absorventes que havia comprado após 1 ano e meio de secura (uhuuu) e não se conforma... Feliz da vida, claro, se pergunta como vai fazer...
Mas o Romeo vai estar começando a caminhar, e eu DE NOVO às voltas com cólicas, mamadas e afins???
Pois é....
Agora, na 12a semana, já posso orgulhosamente anunciar a chegada (prevista para Maio) da mais nova integrante da família Jeca... Iolanda!
Por isso, caros leitores, a Jeca Mãe se ausentou novamente, pois a pequena veio com tudo, derrubando-me de enjôos e cansaço...
Agora, já refeita do susto e dos embrulhos estomacais, venho contar-lhes a novidade....
Aproveito e deixo mais uma fotinha clássica, para efeito de suspiros e aaaiiiis femininos...
Inté!!
segunda-feira, setembro 15, 2008
Passado...
É interessante como certos sentimentos ligados a tempos antigos não desaparecem, ou de vez em quando resurgem como uma hérnia adormecida.
Hoje fui fazer limpeza de pele, aqui na roça mesmo. Não preciso dizer que a profissional, boa, ágil e competente veio como eu, de São Paulo para cá. (sorry jecas conterrâneos, mas, infelizmente, a qualidade de serviço aqui ainda deixa muuuuito a desejar)
Enfim, papo vai, papo vem, e chegamos no ponto da conversa em que perguntamos em que colégios estudamos na capitarrr.
"Eu fiz Pio XII até a oitava série e depois fui pro Porto Seguro."
"Ah, Pio XII, a gente jogava handball contra vocês nas olimpíadas do Arqui."
"Ah, que bacana, de que escola você era? Rainha da Paz? Conça? Beatíssima?"
"Não... (pausa) MAGNO"
Glurp...
Na hora me vi com o topete dos anos 80, gel New Wave no cabelo, polaina, all star, baton 24 horas, walk man com a fita do Erasure, mascando Babaloo e com cagaço violento de jogar contra o Magno. Lembrei de entrar no Arquideocesano e ver a equipe de handball daquela escola, como se fossem gigantes comedoras de proteína que iam nos massacrar na quadra.
Silêncio na sala da esteticista...
"Nossa, a gente sempre levava pau de vocês..."
Silêncio, seguido por uma frase proferida entre um nítido sorriso...
"É, a gente sempre dava pau em vocês".....
Silêncio...
"Então, mas como o pessoal aqui na roça é lento, né, menina, você sabe que........"
Inté!
quinta-feira, setembro 11, 2008
O Retorno....
Brincar de marketing, ir avisando aos poucos o retorno...
Saudade, comichão nas pontas dos dedos....
Alunos escrevendo, Jeca salivando...
Mestrado chegando, luz no fim do túnel.....
Aguardem, dentro em breve, Jeca, o Retorno....
Saudade, comichão nas pontas dos dedos....
Alunos escrevendo, Jeca salivando...
Mestrado chegando, luz no fim do túnel.....
Aguardem, dentro em breve, Jeca, o Retorno....
sábado, setembro 06, 2008
Reportagem do Jornal da Roça, em que Jeca dá entrevista... Jeca só vira Jeca mesmo quando sai na capa do Jeca News.......

Pais devem redobrar a atençãocom a alimentação dos bebês
Da Redação
Depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um comunicado alertando os pais sobre o risco de consumo de mel por crianças menores de um ano de idade, os cuidados com a alimentação dos bebês foram intensificados. E muitas dúvidas surgem quanto ao que escolher para a alimentação dos pequenos.Segundo a pediatra Claudia Lobo César, nos seis primeiros meses a alimentação da criança deve ser apenas o aleitamento materno, pois este contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança. “A preferência é não usar nenhum outro tipo de alimento, salvo raras exceções, isto é, quando a criança não está ganhando peso. Daí, neste caso introduzimos outros alimentos”, disse.A comerciante Eliane Zorzi Sanfins, 34 anos, mãe da Bárbara de 5 anos e do Erick de 7 meses seguiu a risca as recomendações pediátricas quanto ao aleitamento materno e diz que só teve benefícios no desenvolvimento das crianças. “Mesmo oferecendo frutas, verduras e legumes ao Erick, ainda assim, continuo a alimentá-lo com o leite materno. O aleitamento é fundamental, pois além de incentivar o contato entre mãe e filho, também sei dos benefícios que esse ato traz. A minha filha mais velha eu amamentei até completar um ano e dez meses e percebi que com a amamentação ela quase não tinha problemas de saúde e até hoje ela se alimenta super bem”, diz a mãe.
REINTRODUÇÃO DE ALIMENTOS
Adepta do vegetarianismo, a professora Tatiana Colla Argeiro, 32 anos, mãe do Romeo de 7 meses e meio, resolveu também abolir o consumo de carne vermelha na dieta alimentar do filho. Mas, para tomar essa decisão, antes, porém ela procurou vários especialistas na área de Nutrição Vegetariana para obter mais informações. “Eu me preocupo muito com as vitaminas e para que não falte nada para o Romeo. Quem não é vegetariano acha que todos os nutrientes estão na carne, e não é bem assim. Há várias maneiras de se dar todos os nutrientes necessários só com o vegetarianismo. Meu filho está muito bem, estamos acompanhando o desenvolvimento dele e espero que continue assim”, disse. Com seis meses de vida, Tatiana voltou ao trabalho e precisou colocar o filho numa escolinha. Romeu passou então a tomar mamadeira e consumir outros alimentos como a papinha. “Agora ele já toma leite na mamadeira e também come a papinha. Ele é difícil de comer, mas devagar vou misturando as frutas, verduras e legumes. Desde os seis meses ele vai à escolinha, então eu preparo tudo em casa e no berçário as professoras se encarregam de alimentá-lo”, afirmou.
De acordo com os especialistas, para crianças com mais de seis meses, algumas frutas e legumes começam a ser introduzidos de forma paulatina, seguindo as recomendações pediátricas. Afinal, a alimentação vai garantir o desenvolvimento saudável da criança. Outra regra é não utilizar alimentos industrializados na dieta dos pequenos, pois podem desencadear alergias.“A partir dos seis meses já se pode introduzir na alimentação das crianças outros alimentos, incluindo algumas frutas e a papinha de sal com legumes, verduras e carne. A partir de um ano de idade a criança pode comer de tudo um pouco. O que nós restringimos um pouco são os carboidratos, açúcar e cereais refinados, preferindo os integrais”, acrescentou a pediatra Claudia Lobo.
ALIMENTAÇÃO NA GESTAÇÃO
Os alimentos que a mãe consome durante a gestação são os nutrientes do filho. Portanto, o comportamento alimentar da mãe irá interferir diretamente no desenvolvimento e saúde do feto. Para que o bebê cresça e se desenvolva é necessário que a mãe tenha uma alimentação adequada e equilibrada.“As influências alimentares da mãe no bebê são tão fortes que é possível saber se a criança terá risco ou não de deficiência nutricional e alergias na infância pelo comportamento materno”, alerta a nutricionista Roseli Rossi.Ela atenta sobre alguns cuidados que devem ser tomados durante os nove meses, tais como: abstinência de bebida alcoólica, pois o álcool provoca retardo no crescimento e mal formação na face e no coração do bebê. “Portanto, atenção naquilo que você ingere e cuide da sua saúde para ter uma gestação tranqüila”, orienta a especialista.

Pais devem redobrar a atençãocom a alimentação dos bebês
Da Redação
Depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um comunicado alertando os pais sobre o risco de consumo de mel por crianças menores de um ano de idade, os cuidados com a alimentação dos bebês foram intensificados. E muitas dúvidas surgem quanto ao que escolher para a alimentação dos pequenos.Segundo a pediatra Claudia Lobo César, nos seis primeiros meses a alimentação da criança deve ser apenas o aleitamento materno, pois este contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança. “A preferência é não usar nenhum outro tipo de alimento, salvo raras exceções, isto é, quando a criança não está ganhando peso. Daí, neste caso introduzimos outros alimentos”, disse.A comerciante Eliane Zorzi Sanfins, 34 anos, mãe da Bárbara de 5 anos e do Erick de 7 meses seguiu a risca as recomendações pediátricas quanto ao aleitamento materno e diz que só teve benefícios no desenvolvimento das crianças. “Mesmo oferecendo frutas, verduras e legumes ao Erick, ainda assim, continuo a alimentá-lo com o leite materno. O aleitamento é fundamental, pois além de incentivar o contato entre mãe e filho, também sei dos benefícios que esse ato traz. A minha filha mais velha eu amamentei até completar um ano e dez meses e percebi que com a amamentação ela quase não tinha problemas de saúde e até hoje ela se alimenta super bem”, diz a mãe.
REINTRODUÇÃO DE ALIMENTOS
Adepta do vegetarianismo, a professora Tatiana Colla Argeiro, 32 anos, mãe do Romeo de 7 meses e meio, resolveu também abolir o consumo de carne vermelha na dieta alimentar do filho. Mas, para tomar essa decisão, antes, porém ela procurou vários especialistas na área de Nutrição Vegetariana para obter mais informações. “Eu me preocupo muito com as vitaminas e para que não falte nada para o Romeo. Quem não é vegetariano acha que todos os nutrientes estão na carne, e não é bem assim. Há várias maneiras de se dar todos os nutrientes necessários só com o vegetarianismo. Meu filho está muito bem, estamos acompanhando o desenvolvimento dele e espero que continue assim”, disse. Com seis meses de vida, Tatiana voltou ao trabalho e precisou colocar o filho numa escolinha. Romeu passou então a tomar mamadeira e consumir outros alimentos como a papinha. “Agora ele já toma leite na mamadeira e também come a papinha. Ele é difícil de comer, mas devagar vou misturando as frutas, verduras e legumes. Desde os seis meses ele vai à escolinha, então eu preparo tudo em casa e no berçário as professoras se encarregam de alimentá-lo”, afirmou.
De acordo com os especialistas, para crianças com mais de seis meses, algumas frutas e legumes começam a ser introduzidos de forma paulatina, seguindo as recomendações pediátricas. Afinal, a alimentação vai garantir o desenvolvimento saudável da criança. Outra regra é não utilizar alimentos industrializados na dieta dos pequenos, pois podem desencadear alergias.“A partir dos seis meses já se pode introduzir na alimentação das crianças outros alimentos, incluindo algumas frutas e a papinha de sal com legumes, verduras e carne. A partir de um ano de idade a criança pode comer de tudo um pouco. O que nós restringimos um pouco são os carboidratos, açúcar e cereais refinados, preferindo os integrais”, acrescentou a pediatra Claudia Lobo.
ALIMENTAÇÃO NA GESTAÇÃO
Os alimentos que a mãe consome durante a gestação são os nutrientes do filho. Portanto, o comportamento alimentar da mãe irá interferir diretamente no desenvolvimento e saúde do feto. Para que o bebê cresça e se desenvolva é necessário que a mãe tenha uma alimentação adequada e equilibrada.“As influências alimentares da mãe no bebê são tão fortes que é possível saber se a criança terá risco ou não de deficiência nutricional e alergias na infância pelo comportamento materno”, alerta a nutricionista Roseli Rossi.Ela atenta sobre alguns cuidados que devem ser tomados durante os nove meses, tais como: abstinência de bebida alcoólica, pois o álcool provoca retardo no crescimento e mal formação na face e no coração do bebê. “Portanto, atenção naquilo que você ingere e cuide da sua saúde para ter uma gestação tranqüila”, orienta a especialista.
domingo, junho 01, 2008
Maior que eu...
Eu vim até aqui hoje com a intenção de fazer um post de despedida...
Não consigo...
Não consigo porque com o passar do tempo me apeguei à Jeca como a um filho, adoro esse espaço e tenho uma esperança certa de voltar logo a escrever como antes.
Só que hoje ela fica em último plano...
Romeo pequeno, mestrado por acabar e agora um outro imprevisto chega, meu pai , de 82 anos está com leucemia e vem morar comigo, para se tratar perto do neto...
Assim, a Jeca vai dormir um pouco até a tempestade passar, e quando o céu voltar a ficar azul certamente voltará....
Obrigada a todos os leitores que sempre vieram me prestigiar e que com o tempo, passaram a ser amigos muito queridos!
Até breve!
Beijos com gosto de goiabada caseira, diretamente da roça!!!!!
Tati
Não consigo...
Não consigo porque com o passar do tempo me apeguei à Jeca como a um filho, adoro esse espaço e tenho uma esperança certa de voltar logo a escrever como antes.
Só que hoje ela fica em último plano...
Romeo pequeno, mestrado por acabar e agora um outro imprevisto chega, meu pai , de 82 anos está com leucemia e vem morar comigo, para se tratar perto do neto...
Assim, a Jeca vai dormir um pouco até a tempestade passar, e quando o céu voltar a ficar azul certamente voltará....
Obrigada a todos os leitores que sempre vieram me prestigiar e que com o tempo, passaram a ser amigos muito queridos!
Até breve!
Beijos com gosto de goiabada caseira, diretamente da roça!!!!!
Tati
sexta-feira, maio 09, 2008
Born before 1986
texto roubado do blog da Rubina....
According to today’s regulators and bureaucrats, those of us who were kids in the 1960’s, 1970’s and early 1980’s probably shouldn’t have survived, because our baby cots were covered with brightly coloured lead-based paint which was regularly chewed and licked.
We had no childproof lids on medicine bottles or latches on doors or cabinets, and it was fine to play with pans. When we rode our bikes, we wore no helmets, just flip-flops and fluorescent ‘spokey dokeys’ on our wheels.
As children, we would ride in cars with no seat belts or airbags and riding in the front passenger seat – or the boot – was a treat. We drank water from the garden hose and not from a bottle, and it tasted the same.
We ate chips, bread and butter pudding, and drank frizzy juice with sugar in it, but were never overwheight because we were always outside playing. We shared one drink with four friends – from one bottle or can – and no one actually died from it.
We would spend several hours building go-carts out of scraps, then go top speed down the hill, only to find out we’d forgotten the brakes. After running into a patch of stinging nettles a few times, we learned to solve the problem.
We would leave home in the morning and play all day, as long as we were back before dark. No one was able to reach us and no one minded.
We didn’t have playstations or Xboxes – no vídeo games at all. No 99 channels on TV, no videotape films, no surround sound, no mobile phones, no personal computers, no DVDs, no Internet chatrooms.
We had friends – we went outside and found them. We played French skipping and rounders, and sometimes that ball really hurt! We fell out of trees, got cut and broke bonés, but there were no law suits. We played knock Down Ginger and were actually afraid of the owners catching us. We walked to friends’ homes. We also, believe it or not, walked to school; we didn’t rely on Mummy or Daddy to drive us to school, as it was just round the corner.
We made up games with sticks and tennis balls. We rode bikes in packs of seven and wore our coats by only the hood. The idea of a parent bailing us out if we broke a law was unheard of… they actually sided with the law.
This generation has produced some of the best risk-takers, problem-solvers and inventors, ever. The past 50 years have seen an explosion of innovation and new ideas. We had freedom, failure, success and responsability, and we learned how to deal with it all.And you are one of them. CONGRATULATIONS!
Pass this to others who had the luck to grow as real kids, before lawyers and the government regulated our lives for “our own good”.
For those of you who aren’t old enough, we though you might like to read abou tus.
And something else to put a smile on your face…
The majority of students in universities today were born in 1986. The Uptown Girl they know is by Westlife not Billy Joel. They have never heard of Rick Astley, Bananaram, Neneh Cherry or Belinda Carlisle.
For them, there has always been one Germany and one Vietnam. AIDS has existed since they were born. CDs have existed since they were born. Michael Jackson has always been white. To them, John Travolta has always been round in shape and they can’t imagine how this fat guy could ever have been a god of dance.
They believe Charlie’s Angels and Mission Impossible are films from the past ten years. They can never imagine life before computers. They’ll never have pretended to be the A-Team, the Dukes of Hazzard or the Famous Five. They can’t believe a black and white television ever existed. And they will never understand how we could leave the house without a mobile phone.
Now let’s check if we’re getting old…
1 – You understand what was written above and you smile.
2 – You need to sleep more, usually in the afternoon, after a night out.
3 – Your friends are getting married/already married.
4 – You are always surprised to see small children playing confortably with computers.
5 – When you see children with mobile phones, you shake your head.
6 – Having read this, you’re thinking of forwarding it to a number of other friends because you know they’ll like it too…
In Easyliving, April 2008
According to today’s regulators and bureaucrats, those of us who were kids in the 1960’s, 1970’s and early 1980’s probably shouldn’t have survived, because our baby cots were covered with brightly coloured lead-based paint which was regularly chewed and licked.
We had no childproof lids on medicine bottles or latches on doors or cabinets, and it was fine to play with pans. When we rode our bikes, we wore no helmets, just flip-flops and fluorescent ‘spokey dokeys’ on our wheels.
As children, we would ride in cars with no seat belts or airbags and riding in the front passenger seat – or the boot – was a treat. We drank water from the garden hose and not from a bottle, and it tasted the same.
We ate chips, bread and butter pudding, and drank frizzy juice with sugar in it, but were never overwheight because we were always outside playing. We shared one drink with four friends – from one bottle or can – and no one actually died from it.
We would spend several hours building go-carts out of scraps, then go top speed down the hill, only to find out we’d forgotten the brakes. After running into a patch of stinging nettles a few times, we learned to solve the problem.
We would leave home in the morning and play all day, as long as we were back before dark. No one was able to reach us and no one minded.
We didn’t have playstations or Xboxes – no vídeo games at all. No 99 channels on TV, no videotape films, no surround sound, no mobile phones, no personal computers, no DVDs, no Internet chatrooms.
We had friends – we went outside and found them. We played French skipping and rounders, and sometimes that ball really hurt! We fell out of trees, got cut and broke bonés, but there were no law suits. We played knock Down Ginger and were actually afraid of the owners catching us. We walked to friends’ homes. We also, believe it or not, walked to school; we didn’t rely on Mummy or Daddy to drive us to school, as it was just round the corner.
We made up games with sticks and tennis balls. We rode bikes in packs of seven and wore our coats by only the hood. The idea of a parent bailing us out if we broke a law was unheard of… they actually sided with the law.
This generation has produced some of the best risk-takers, problem-solvers and inventors, ever. The past 50 years have seen an explosion of innovation and new ideas. We had freedom, failure, success and responsability, and we learned how to deal with it all.And you are one of them. CONGRATULATIONS!
Pass this to others who had the luck to grow as real kids, before lawyers and the government regulated our lives for “our own good”.
For those of you who aren’t old enough, we though you might like to read abou tus.
And something else to put a smile on your face…
The majority of students in universities today were born in 1986. The Uptown Girl they know is by Westlife not Billy Joel. They have never heard of Rick Astley, Bananaram, Neneh Cherry or Belinda Carlisle.
For them, there has always been one Germany and one Vietnam. AIDS has existed since they were born. CDs have existed since they were born. Michael Jackson has always been white. To them, John Travolta has always been round in shape and they can’t imagine how this fat guy could ever have been a god of dance.
They believe Charlie’s Angels and Mission Impossible are films from the past ten years. They can never imagine life before computers. They’ll never have pretended to be the A-Team, the Dukes of Hazzard or the Famous Five. They can’t believe a black and white television ever existed. And they will never understand how we could leave the house without a mobile phone.
Now let’s check if we’re getting old…
1 – You understand what was written above and you smile.
2 – You need to sleep more, usually in the afternoon, after a night out.
3 – Your friends are getting married/already married.
4 – You are always surprised to see small children playing confortably with computers.
5 – When you see children with mobile phones, you shake your head.
6 – Having read this, you’re thinking of forwarding it to a number of other friends because you know they’ll like it too…
In Easyliving, April 2008
quinta-feira, maio 08, 2008
terça-feira, maio 06, 2008
Barreira do Inferno Episódio Final
Cláudia saíra do encontro com Ana atordoada, sem saber bem porque havia pedido o que lhe pediu. Ana mal conhecia Jonas, como iria convencê-lo a ir a um encontro de swingers? Talvez se falasse em seu nome ele até fosse, mas sabia que Jonas era um tanto pudico, poderia até se ofender com o convite.
Não sabia o que pensar de Álvaro. Cláudia crescera em uma família tradicional, e apesar de estar bem mais aberta para novidades assim, restava ainda em si um pouco da famosa culpa judaico-cristã. Álvaro era um símbolo desse lado um tanto negro que até então Cláudia desconhecia. Ficara aliviada em saber que ele parara de freqüentar o grupo desde que a conhecera, mas conhecia bem a vida para saber que isso era temporário. Ninguém muda da água pro vinho por ninguém, apenas por si mesmo. Logo a novidade do namoro passaria, e ele sentiria saudades da vida antiga. Restava, agora, decidir se estava ou não pronta para ele.
A única certeza que tinha era de que tinha que se preparar para sábado, e devia arranjar uma maneira de levar Álvaro, pois estava decidida que não abriria o jogo com ele. Seria uma conversa constrangedora, e prefiria ver sua expressão de surpresa.
Na sexta feira à noite, encontrou-se com ele na boate e lhe fez um convite.
-Amanhã quero você só para mim, guarde o dia... disse ao pé do ouvido do namorado, de maneira sensual.
Álvaro sorriu excitado, e tentou levá-la para o escritório da boate, enquanto beijava-lhe o pescoço.
-Não, hoje nem pensar, amanhã quero você cheio de energia. Vamos, inclusive, embora mais cedo hoje...
Álvaro ficou intrigado com a namorada, mas não aparentou desconfiança.
Dormiram juntos e no dia seguinte, Cláudia assumiu o volante.
-Vai vendado, querido, assim é mais excitante...
-O quê? Não, de maneira nenhuma...
Enquanto negava o pedido da namorada, era vendado por ela, com uma gravata que ela comprara especialmente para a ocasião. De maneira doce e feminina, ela fez um biquinho infantil e convenceu-o a entrar no jogo.
Logo chegaram ao endereço que Ana lhe havia passado. Cláudia desligou o carro e desvendou o namorado, que ao perceber onde estava, ficou incrédulo. Abriu a boca, olhou para Cláudia, que impassiva ao volante sorria para ele.
-Ars Amatoria, né?
-Como...
-A sua cara inventar um nome assim para um grupo de swing....Quantas vezes você assistiu a De olhos bem fechados para criar isso?
-Clau...
-Vamos? Ou você vai ficar no carro? Eu vim para me divertir, com ou sem você... hahaha, vai acabar sendo assim mesmo, né?
Cláudia começou a se dirigir para a casa, olhou para trás e reparou que Álvaro caminhava devagar, ainda besta com o que via.
Logo na entrada viu Jonas, um pouco pálido, e ele sorriu sem graça ao ver a amiga.
-Cláudia, foi sua a idéia de me chamar aqui, mesmo?
-Foi, acho que hoje podemos resolver algumas tensões que há entre nós, não?
Álvaro pela primeira vez sentiu ciúmes. Nunca havia sido acometido por esse sentimento besta que faria dele fraco e comprometido. Sim, pois ciúmes é coisa de gente comprometida, de alguma forma... Percebeu que não se sentia confortável em dividir Cláudia com outros homens, quando avistou Rebeca, de mãos dadas com Ana, que lhe sorria maliciosamente...
-Ah, Ana... Agora faz sentido...
A reunião começou, e Cláudia aproximou-se dele procurando seduzí-lo.
-Você viu a loira? Vamos lá, já chamei ela para repetirmos a dose...
Álvaro se esqueceu do ciúmes e sentiu-se em casa novamente. Tinha saudades do grupo, e com a aprovação de Cláudia e sua disponibilidade de experimentar coisas novas seria tudo perfeito. Ficou tão envolvido com a situação que pulou do sofá quando sentiu uma mão masculina acariciando-lhe as costas. Cláudia tinha trazido para junto de si o famoso e jovem deputado federal, que tinha aceitado um ménage com ela e Álvaro.
-Não! Não, desculpe, mas não dá... - Álvaro a puxou para a varanda- Nunca vivi isso aqui, por que isso agora? Não estava bom com a loira?
-Rebeca. Ela se chama Rebeca. E sim, estava ótimo, mas eu também tenho as minhas vontades, e agora é a minha vez. Você vai fazer isso por mim?
Álvaro, apesar de seu estilo livre de vida tinha seus limites. Ficou quieto, surpreso com a titude assertiva da namorada.
-Não, não vou.
Cláudia, que esperava essa reação do português, virou-se e voltou à sala. Encontrou Jonas em pé, observando a cena e o beijou. Álvaro, da varanda, a observou se entregar para o colega de trabalho e percebeu que a perdia.
De repente, sentiu o toque da mão de Ana em seu ombro.
-Você pertence a este mundo, Álvaro, não ao mundo dela...
-Mas ela está aqui...
-Só para te mostrar que pode. Se quiser, pode. Mas ela não quer...
Álvaro se livrou do toque de Ana, vestiu-se e saiu, a pé, atordoado com tudo.
Já não sabia mais a que mundo pertencia.
Olhou para trás e viu Cláudia saindo com Jonas, os dois abraçados e parecendo um tanto constrangidos.
Quis esperá-la, mas Jonas entrou com ela no carro. Ao passarem por ele, petrificado na beira da estrada, só pode notar um leve e triste sorriso de Cláudia.
O último sorriso seu que veria.
Não sabia o que pensar de Álvaro. Cláudia crescera em uma família tradicional, e apesar de estar bem mais aberta para novidades assim, restava ainda em si um pouco da famosa culpa judaico-cristã. Álvaro era um símbolo desse lado um tanto negro que até então Cláudia desconhecia. Ficara aliviada em saber que ele parara de freqüentar o grupo desde que a conhecera, mas conhecia bem a vida para saber que isso era temporário. Ninguém muda da água pro vinho por ninguém, apenas por si mesmo. Logo a novidade do namoro passaria, e ele sentiria saudades da vida antiga. Restava, agora, decidir se estava ou não pronta para ele.
A única certeza que tinha era de que tinha que se preparar para sábado, e devia arranjar uma maneira de levar Álvaro, pois estava decidida que não abriria o jogo com ele. Seria uma conversa constrangedora, e prefiria ver sua expressão de surpresa.
Na sexta feira à noite, encontrou-se com ele na boate e lhe fez um convite.
-Amanhã quero você só para mim, guarde o dia... disse ao pé do ouvido do namorado, de maneira sensual.
Álvaro sorriu excitado, e tentou levá-la para o escritório da boate, enquanto beijava-lhe o pescoço.
-Não, hoje nem pensar, amanhã quero você cheio de energia. Vamos, inclusive, embora mais cedo hoje...
Álvaro ficou intrigado com a namorada, mas não aparentou desconfiança.
Dormiram juntos e no dia seguinte, Cláudia assumiu o volante.
-Vai vendado, querido, assim é mais excitante...
-O quê? Não, de maneira nenhuma...
Enquanto negava o pedido da namorada, era vendado por ela, com uma gravata que ela comprara especialmente para a ocasião. De maneira doce e feminina, ela fez um biquinho infantil e convenceu-o a entrar no jogo.
Logo chegaram ao endereço que Ana lhe havia passado. Cláudia desligou o carro e desvendou o namorado, que ao perceber onde estava, ficou incrédulo. Abriu a boca, olhou para Cláudia, que impassiva ao volante sorria para ele.
-Ars Amatoria, né?
-Como...
-A sua cara inventar um nome assim para um grupo de swing....Quantas vezes você assistiu a De olhos bem fechados para criar isso?
-Clau...
-Vamos? Ou você vai ficar no carro? Eu vim para me divertir, com ou sem você... hahaha, vai acabar sendo assim mesmo, né?
Cláudia começou a se dirigir para a casa, olhou para trás e reparou que Álvaro caminhava devagar, ainda besta com o que via.
Logo na entrada viu Jonas, um pouco pálido, e ele sorriu sem graça ao ver a amiga.
-Cláudia, foi sua a idéia de me chamar aqui, mesmo?
-Foi, acho que hoje podemos resolver algumas tensões que há entre nós, não?
Álvaro pela primeira vez sentiu ciúmes. Nunca havia sido acometido por esse sentimento besta que faria dele fraco e comprometido. Sim, pois ciúmes é coisa de gente comprometida, de alguma forma... Percebeu que não se sentia confortável em dividir Cláudia com outros homens, quando avistou Rebeca, de mãos dadas com Ana, que lhe sorria maliciosamente...
-Ah, Ana... Agora faz sentido...
A reunião começou, e Cláudia aproximou-se dele procurando seduzí-lo.
-Você viu a loira? Vamos lá, já chamei ela para repetirmos a dose...
Álvaro se esqueceu do ciúmes e sentiu-se em casa novamente. Tinha saudades do grupo, e com a aprovação de Cláudia e sua disponibilidade de experimentar coisas novas seria tudo perfeito. Ficou tão envolvido com a situação que pulou do sofá quando sentiu uma mão masculina acariciando-lhe as costas. Cláudia tinha trazido para junto de si o famoso e jovem deputado federal, que tinha aceitado um ménage com ela e Álvaro.
-Não! Não, desculpe, mas não dá... - Álvaro a puxou para a varanda- Nunca vivi isso aqui, por que isso agora? Não estava bom com a loira?
-Rebeca. Ela se chama Rebeca. E sim, estava ótimo, mas eu também tenho as minhas vontades, e agora é a minha vez. Você vai fazer isso por mim?
Álvaro, apesar de seu estilo livre de vida tinha seus limites. Ficou quieto, surpreso com a titude assertiva da namorada.
-Não, não vou.
Cláudia, que esperava essa reação do português, virou-se e voltou à sala. Encontrou Jonas em pé, observando a cena e o beijou. Álvaro, da varanda, a observou se entregar para o colega de trabalho e percebeu que a perdia.
De repente, sentiu o toque da mão de Ana em seu ombro.
-Você pertence a este mundo, Álvaro, não ao mundo dela...
-Mas ela está aqui...
-Só para te mostrar que pode. Se quiser, pode. Mas ela não quer...
Álvaro se livrou do toque de Ana, vestiu-se e saiu, a pé, atordoado com tudo.
Já não sabia mais a que mundo pertencia.
Olhou para trás e viu Cláudia saindo com Jonas, os dois abraçados e parecendo um tanto constrangidos.
Quis esperá-la, mas Jonas entrou com ela no carro. Ao passarem por ele, petrificado na beira da estrada, só pode notar um leve e triste sorriso de Cláudia.
O último sorriso seu que veria.
sexta-feira, abril 18, 2008
Barreira do Inferno Episódio 4
Aquela semana havia sido corrida na agência. Contas novas entraram e Cláudia fora requisitada para a equipe de todas. Não teve tempo nem de se encontrar com Álvaro, muito menos de pensar na noite que teve com o namorado. Quando parava para dormir, despencava ao travesseiro.
Na quinta feira foi encontrar-se com o namorado, em sua boate. Achou-o mais carinhoso que o normal, o que atribuiu a uma gratidão masculina pelo menage. Ainda assim, sentiu-se incomodada em sua presença, como se ele fosse o culpado por algo estranho nela. Da última vez que falaram disso, ela fingiu ter adorado, não tanto para agradá-lo mas para livrar-se do assunto. Esperava que ele não tocasse mais nisso, e levou a conversa para vários tópicos que o distraíssem do ocorrido.
No meio da noite recebeu uma ligação de Ana, que estava sozinha em casa e queria chamá-la para jantar.
-Estou com o Álvaro, vem pra cá.
Desligou e notou que o namorado escutava com curiosidade.
-Quem vem pra cá?
-A Ana, ela está se sentindo sozinha.
-Você podia ter me perguntado antes.
-Ué, qual o problema? Não chamei ela pra ir a sua casa, mas a uma boate.
Cláudia notou que Álvaro mudou de humor quando mencionou Ana, e não entendeu porque.
Afinal, Ana os havia apresentado e era sua grande amiga.
Logo que ela chegou, Álvaro sumiu. Disse que precisava resolver uns problemas com a equipe e não ficou com elas. Só reaparaceu no final, para levar Claúdia para sua casa. Cumprimentou Ana com desdém e ela sussurrou algo em seu ouvido, que Cláudia não pôde escutar. Conhecendo Ana, ela deveria ter percebido a frieza de Álvaro e deve ter feito algum comentário sarcástico sobre seu humor. Cláudia riu da amiga e foi embora.
No dia seguinte almoçaram juntas, como de costume, pelo menos uma vez por semana.
-E o lance do menage, você ainda pensa nisso?
-Não, já passou, só não quero que Álvaro venha com essas idéias de novo.
-Pudica... Que nada, eu se fosse você é que pedia repeteco, quem sabe ele se assusta com você e desiste?...
-Assusta? Você não conhece o Álvaro, ele topa tudo! Tenho até medo de dar corda.
-Ah, então escancara, sugere outro menage, mas dessa vez do SEU jeito. Chama um go-go boy e faz você, com dois homens.
-ANA, credo, eu lá tenho cara de transar com go-go boy??? A maioria é gay, eu ia ficar chupando o dedo... o meu!
As duas riram, e Ana lembrou de Jonas, seu admirador da agência.
-Chama ele!
-Ana, o Álvaro é maluco, mas acho que tem ali um lado machista bem forte, ele jamais toparia isso.
-Ué, pera lá!!! Você está querendo dizer que VOCÊ toparia???
-Ah, com o Jonas até topava... Só pra ver o Álvaro lidando com a situação. Ia ser no mínimo engraçado.
Ana levantou-se para ir ao banheiro e voltou ao celular. Deteve-se um pouco antes da mesa, de costas para Cláudia, e logo sentou-se para comer a sobremesa. Dividiram um brownie com sorvete e voltaram para o trabalho.
Cláudia teve tempo ainda de passar em uma loja para trocar a blusa que ganhara de aniversário e que tinha estampas demais para seu gosto. Entrando na loja, sentiu o estômago revirar na barriga. A loira estava em sua frente, experimentando um lindíssimo vestido verde, que moldava seu corpo perfeitamente. Um corpo conhecido. Cláudia teve vontade de se virar e fugir, mas petrificada, não se moveu. A loira a avistou, e muito simpática, acostumada com uma intimidade forçada, aproximou-se:
-Não lembro o seu nome, mas lembro do do Álvaro...
-Cláudia, disse depois de pigarrear o que a travava a garganta. Hum, o seu? Eu também não me lembro.
-Rebeca. O que você acha deste vestido?... Muito óbvio?
-Óbvio? Não, acho que não, ficou bem em você.
Rebeca aolhou de soslaio, conhecedora da dinâmica feminina dos clientes.
-Você ficou sem graça com tudo aquilo, né? Geralmente as mulheres ficam mesmo, principalmente quando fazem pelo cara. Não esquenta não, isso acontece com quase todas. A não ser as que já têm experiência com mulheres antes, essas até curtem mais que os maridos.
Cláudia ficou muda, e provavelmente roxa também. Nunca imaginou que ela tocaria nesse assunto, acreditava ser algo como segredo de confessionário, ou sigilo de psicólogo. Rebeca falava com tanta naturalidade, que nem a olhava, checava se sua bunda ficava redonda o suficiente no vestido. De repente, a loira virou-se para Cláudia e disse:
-Sabe, na minha profissão vemos tanta coisa, que muitas meninas acabam saindo só com meninas, tamanha podridão de muitos homens por aí. Você não quer tomar um suco comigo, um dia desses?
Cláudia ainda sob o efeito traumático do encontro não sabia como reagir, e concordou, um dia desses...
Saiu da loja sem trocar a blusa, e voltou para a agência, para sua conta de produtos para gatos, sem a menor idéia para criação.
Respirou aliviada quando se lembrou que não havia trocado telefones com seu novo flerte, mas logo o alívio passou: ela sabia quem era Álvaro, algo que temia desde o primeiro momento...
continua semana que vem, aqui.
Na quinta feira foi encontrar-se com o namorado, em sua boate. Achou-o mais carinhoso que o normal, o que atribuiu a uma gratidão masculina pelo menage. Ainda assim, sentiu-se incomodada em sua presença, como se ele fosse o culpado por algo estranho nela. Da última vez que falaram disso, ela fingiu ter adorado, não tanto para agradá-lo mas para livrar-se do assunto. Esperava que ele não tocasse mais nisso, e levou a conversa para vários tópicos que o distraíssem do ocorrido.
No meio da noite recebeu uma ligação de Ana, que estava sozinha em casa e queria chamá-la para jantar.
-Estou com o Álvaro, vem pra cá.
Desligou e notou que o namorado escutava com curiosidade.
-Quem vem pra cá?
-A Ana, ela está se sentindo sozinha.
-Você podia ter me perguntado antes.
-Ué, qual o problema? Não chamei ela pra ir a sua casa, mas a uma boate.
Cláudia notou que Álvaro mudou de humor quando mencionou Ana, e não entendeu porque.
Afinal, Ana os havia apresentado e era sua grande amiga.
Logo que ela chegou, Álvaro sumiu. Disse que precisava resolver uns problemas com a equipe e não ficou com elas. Só reaparaceu no final, para levar Claúdia para sua casa. Cumprimentou Ana com desdém e ela sussurrou algo em seu ouvido, que Cláudia não pôde escutar. Conhecendo Ana, ela deveria ter percebido a frieza de Álvaro e deve ter feito algum comentário sarcástico sobre seu humor. Cláudia riu da amiga e foi embora.
No dia seguinte almoçaram juntas, como de costume, pelo menos uma vez por semana.
-E o lance do menage, você ainda pensa nisso?
-Não, já passou, só não quero que Álvaro venha com essas idéias de novo.
-Pudica... Que nada, eu se fosse você é que pedia repeteco, quem sabe ele se assusta com você e desiste?...
-Assusta? Você não conhece o Álvaro, ele topa tudo! Tenho até medo de dar corda.
-Ah, então escancara, sugere outro menage, mas dessa vez do SEU jeito. Chama um go-go boy e faz você, com dois homens.
-ANA, credo, eu lá tenho cara de transar com go-go boy??? A maioria é gay, eu ia ficar chupando o dedo... o meu!
As duas riram, e Ana lembrou de Jonas, seu admirador da agência.
-Chama ele!
-Ana, o Álvaro é maluco, mas acho que tem ali um lado machista bem forte, ele jamais toparia isso.
-Ué, pera lá!!! Você está querendo dizer que VOCÊ toparia???
-Ah, com o Jonas até topava... Só pra ver o Álvaro lidando com a situação. Ia ser no mínimo engraçado.
Ana levantou-se para ir ao banheiro e voltou ao celular. Deteve-se um pouco antes da mesa, de costas para Cláudia, e logo sentou-se para comer a sobremesa. Dividiram um brownie com sorvete e voltaram para o trabalho.
Cláudia teve tempo ainda de passar em uma loja para trocar a blusa que ganhara de aniversário e que tinha estampas demais para seu gosto. Entrando na loja, sentiu o estômago revirar na barriga. A loira estava em sua frente, experimentando um lindíssimo vestido verde, que moldava seu corpo perfeitamente. Um corpo conhecido. Cláudia teve vontade de se virar e fugir, mas petrificada, não se moveu. A loira a avistou, e muito simpática, acostumada com uma intimidade forçada, aproximou-se:
-Não lembro o seu nome, mas lembro do do Álvaro...
-Cláudia, disse depois de pigarrear o que a travava a garganta. Hum, o seu? Eu também não me lembro.
-Rebeca. O que você acha deste vestido?... Muito óbvio?
-Óbvio? Não, acho que não, ficou bem em você.
Rebeca aolhou de soslaio, conhecedora da dinâmica feminina dos clientes.
-Você ficou sem graça com tudo aquilo, né? Geralmente as mulheres ficam mesmo, principalmente quando fazem pelo cara. Não esquenta não, isso acontece com quase todas. A não ser as que já têm experiência com mulheres antes, essas até curtem mais que os maridos.
Cláudia ficou muda, e provavelmente roxa também. Nunca imaginou que ela tocaria nesse assunto, acreditava ser algo como segredo de confessionário, ou sigilo de psicólogo. Rebeca falava com tanta naturalidade, que nem a olhava, checava se sua bunda ficava redonda o suficiente no vestido. De repente, a loira virou-se para Cláudia e disse:
-Sabe, na minha profissão vemos tanta coisa, que muitas meninas acabam saindo só com meninas, tamanha podridão de muitos homens por aí. Você não quer tomar um suco comigo, um dia desses?
Cláudia ainda sob o efeito traumático do encontro não sabia como reagir, e concordou, um dia desses...
Saiu da loja sem trocar a blusa, e voltou para a agência, para sua conta de produtos para gatos, sem a menor idéia para criação.
Respirou aliviada quando se lembrou que não havia trocado telefones com seu novo flerte, mas logo o alívio passou: ela sabia quem era Álvaro, algo que temia desde o primeiro momento...
continua semana que vem, aqui.
quinta-feira, abril 17, 2008
Últimas da roça
-Ah, você ainda estava aí?
-Estava, depois da consulta da Dra. ele mamou, então fiquei num consultório vazio. São 18hs, né, todos foram embora... Só sobrou eu?
(telefone berra ao fundo)
-Não, a Dra. ainda está atendendo um bebezinho.
(telefone berra e recepcionista se levanta para abrir a porta para mãe)
-Ah, agente não atende telefone depois das 18...
-Entendo, acabou o expediente, né?
-Não, é por que fica perigoso... Essa rua tem muito (!!!!) ladrão, e é perigoso atender o telefone, já pensou, você atende e ele fala "tô aqui!!!"
???
-Tô aqui, abre a porta que eu vou te assaltar???
-Ai, seu ladrão...
-Abre, ninguém mandou você atender o telefone, abre!
Assalto a fio armado?
Só na roça, mesmo...
-Estava, depois da consulta da Dra. ele mamou, então fiquei num consultório vazio. São 18hs, né, todos foram embora... Só sobrou eu?
(telefone berra ao fundo)
-Não, a Dra. ainda está atendendo um bebezinho.
(telefone berra e recepcionista se levanta para abrir a porta para mãe)
-Ah, agente não atende telefone depois das 18...
-Entendo, acabou o expediente, né?
-Não, é por que fica perigoso... Essa rua tem muito (!!!!) ladrão, e é perigoso atender o telefone, já pensou, você atende e ele fala "tô aqui!!!"
???
-Tô aqui, abre a porta que eu vou te assaltar???
-Ai, seu ladrão...
-Abre, ninguém mandou você atender o telefone, abre!
Assalto a fio armado?
Só na roça, mesmo...
terça-feira, abril 08, 2008
Barreira do Inferno Episódio 2
Episódio 1, aqui...
Sentada em sua mesa, Claudia não conseguia se concentrar nos papéis a sua frente. Ouvia seu colega do departamento criativo falr sobre seu final de semana mas não absorvia nada. Apenas sorria educadamente e balançava a cabeça.
-O que houve?, perguntou ele- você parece aérea...
-Eu? Não, estava com a cabeça longe.
-Esse seu namorado novo está te fazendo mal, saindo tanto à noite assim você vai acabar ficando doente, ou no mínimo sem emprego.
Cláudia sabia que por trás desse comentário havia uma ponta de ciúmes de Jonas. Ele havia se declarado a ela na festa de amigo secreto do final de ano, e desde então a lembrava de seus sentimentos. Era um rapaz bacana, de boa índole, e desde que conhecera Álvaro com sua noção de fidelidade um tanto retorcida, Cláudia se perguntava se não se sentiria mais segura com o colega de trabalho.
-Pelo menos confiaria mais nele- pensava.
Naquela manhã não foi diferente. Ao avistar o colega sentiu-se ainda mais estranha do que se sentira ao beijar a loira na noite anterior. Sabia que ele jamais pediria a ela nada parecido, e sentiu o estômago se revirar, misto de arrependimento e nojo.
Ainda assim, não sabia por que as cenas vividas não saíam de sua mente. Via a loira ao seu lado, e parece que ainda sentia seu toque macio. O rosto de Álvaro, e sua expressão de prazer também a perturbavam.
Às nova e meia seu celular tocou. Era Álvaro.
-Estranho, ele nunca está acordado a essa hora.
Ficou olhando o visor com sua foto enquanto ele esperava do outro lado da linha. Ainda com o estômago latejando, não atendeu. E assim passou o dia de trabalho, evitando a todo custo atender ao namorado.
Em casa, Álvaro não coneguia dormir. Estava em êxtase e queria agradecer a namorada com uma ligação romântica, um simples alô pela manhã, sua madrugada de sono... Já estivera antes com duas mulheres. Em Portugal, chegou a transar com três estudantes de artes cênicas ao mesmo tempo. Uma loucura dos tempos de faculdade, regada a álcool e uma dose de doce. Muito doce...
Desta vez tinha sido diferente, pois uma delas tinha uma parte de seu coração. Pequena, já que era mais fácil a ele comprometer o fígado que o coração, mas nutria algum sentimento por ela. Cláudia era uma menina linda e parecia inteligente, coisa a que Álvaro não estava acostumado.
Estranhou o fato de Cláudia não atendê-lo. Como o celular tocava, ele sabia que ela veria suas ligações, mas não retornou nenhuma.
-Será que ela ficou dormindo em casa, não agüentou a noitada? Pode ser, não vou me preocupar.
Ás três horas Álvaro saiu para a boate. Apesar de ser segunda feira, tinha reunião com um fornecedor e foi despreocupado, ainda embebido das sensações do menage.
Cláudia continuava preocupada com a possibilidade da loira reconhecer Álvaro, e tentar se aproveitar da situação. Conhecia a fama do namorado, mulherengo convicto, mas nunca se sabe até onde essas moças podem ir por dinheiro e holofotes. Na hora do almoço, ligou para Ana, sua amiga de infância, e pediu para se encontrarem.
Marcaram um happy hour, e às seis horas se encontraram em um bar à beira da praia.
-O que foi? Você parecia soturna ao telefone...
-Soturna? Que palavra é essa, de onde você tirou que eu estava soturna?
-Morreu alguém?
-Ai, Ana, que horror!!! Lógico que não, só queria te ver e conversar um pouco...
-Então desembucha, que tem coisa aí tem! manda...
Cláudia suspirou e contou tudo à amiga. Esperava dela uma palavra de horror, de desaprovação, e depois, quem sabe, de consolo. Surpreendeu-se com sua reação:
-Adooooro, menage!!! Menina, porque essa culpa toda?? Hoje é até moda, você devia ter mandado ELE embora, não ela... Que boba...
-Ana! Não é só isso, vai que ela reconhece ele, e
-E o quê? O quê, Clau? Chantageia? "Olha, moço se você não me der dinheiro eu vou pro jornal e falo pro mundo que, além de eu ser puta você é um garanhão que faz menage? Vou acabar com a minha reputação e te deixar bem na fita?" Ah, vai amiga, ele só ia se dar bem...
Ana era muito vivaz e acabou tranquilizando Cláudia, que riu de suas bobagens e até se esqueceu um pouco da noitada.
Álvaro chegou cedo à boate. Destrancou a porta de entrada e sem ver onde pisava, deixou uma marca de seu sapato em um envelope branco que havia sido deixado no chão. Olhando para uma rachadura no gesso da pista, não o notou.
Teve sua longa e cansativa reunião com o fornecedor de bebidas, que sempre tentava aplicar a famosa Lei de Gérson. Tonto com as negociações, voltou acabado para casa, e nesta noite, dormiu como há muito tempo não dormia. E mal sabia ele que não voltaria a dormir assim tão cedo...
E a bola volta ao Capitão-Mor... Vai que é sua....
Sentada em sua mesa, Claudia não conseguia se concentrar nos papéis a sua frente. Ouvia seu colega do departamento criativo falr sobre seu final de semana mas não absorvia nada. Apenas sorria educadamente e balançava a cabeça.
-O que houve?, perguntou ele- você parece aérea...
-Eu? Não, estava com a cabeça longe.
-Esse seu namorado novo está te fazendo mal, saindo tanto à noite assim você vai acabar ficando doente, ou no mínimo sem emprego.
Cláudia sabia que por trás desse comentário havia uma ponta de ciúmes de Jonas. Ele havia se declarado a ela na festa de amigo secreto do final de ano, e desde então a lembrava de seus sentimentos. Era um rapaz bacana, de boa índole, e desde que conhecera Álvaro com sua noção de fidelidade um tanto retorcida, Cláudia se perguntava se não se sentiria mais segura com o colega de trabalho.
-Pelo menos confiaria mais nele- pensava.
Naquela manhã não foi diferente. Ao avistar o colega sentiu-se ainda mais estranha do que se sentira ao beijar a loira na noite anterior. Sabia que ele jamais pediria a ela nada parecido, e sentiu o estômago se revirar, misto de arrependimento e nojo.
Ainda assim, não sabia por que as cenas vividas não saíam de sua mente. Via a loira ao seu lado, e parece que ainda sentia seu toque macio. O rosto de Álvaro, e sua expressão de prazer também a perturbavam.
Às nova e meia seu celular tocou. Era Álvaro.
-Estranho, ele nunca está acordado a essa hora.
Ficou olhando o visor com sua foto enquanto ele esperava do outro lado da linha. Ainda com o estômago latejando, não atendeu. E assim passou o dia de trabalho, evitando a todo custo atender ao namorado.
Em casa, Álvaro não coneguia dormir. Estava em êxtase e queria agradecer a namorada com uma ligação romântica, um simples alô pela manhã, sua madrugada de sono... Já estivera antes com duas mulheres. Em Portugal, chegou a transar com três estudantes de artes cênicas ao mesmo tempo. Uma loucura dos tempos de faculdade, regada a álcool e uma dose de doce. Muito doce...
Desta vez tinha sido diferente, pois uma delas tinha uma parte de seu coração. Pequena, já que era mais fácil a ele comprometer o fígado que o coração, mas nutria algum sentimento por ela. Cláudia era uma menina linda e parecia inteligente, coisa a que Álvaro não estava acostumado.
Estranhou o fato de Cláudia não atendê-lo. Como o celular tocava, ele sabia que ela veria suas ligações, mas não retornou nenhuma.
-Será que ela ficou dormindo em casa, não agüentou a noitada? Pode ser, não vou me preocupar.
Ás três horas Álvaro saiu para a boate. Apesar de ser segunda feira, tinha reunião com um fornecedor e foi despreocupado, ainda embebido das sensações do menage.
Cláudia continuava preocupada com a possibilidade da loira reconhecer Álvaro, e tentar se aproveitar da situação. Conhecia a fama do namorado, mulherengo convicto, mas nunca se sabe até onde essas moças podem ir por dinheiro e holofotes. Na hora do almoço, ligou para Ana, sua amiga de infância, e pediu para se encontrarem.
Marcaram um happy hour, e às seis horas se encontraram em um bar à beira da praia.
-O que foi? Você parecia soturna ao telefone...
-Soturna? Que palavra é essa, de onde você tirou que eu estava soturna?
-Morreu alguém?
-Ai, Ana, que horror!!! Lógico que não, só queria te ver e conversar um pouco...
-Então desembucha, que tem coisa aí tem! manda...
Cláudia suspirou e contou tudo à amiga. Esperava dela uma palavra de horror, de desaprovação, e depois, quem sabe, de consolo. Surpreendeu-se com sua reação:
-Adooooro, menage!!! Menina, porque essa culpa toda?? Hoje é até moda, você devia ter mandado ELE embora, não ela... Que boba...
-Ana! Não é só isso, vai que ela reconhece ele, e
-E o quê? O quê, Clau? Chantageia? "Olha, moço se você não me der dinheiro eu vou pro jornal e falo pro mundo que, além de eu ser puta você é um garanhão que faz menage? Vou acabar com a minha reputação e te deixar bem na fita?" Ah, vai amiga, ele só ia se dar bem...
Ana era muito vivaz e acabou tranquilizando Cláudia, que riu de suas bobagens e até se esqueceu um pouco da noitada.
Álvaro chegou cedo à boate. Destrancou a porta de entrada e sem ver onde pisava, deixou uma marca de seu sapato em um envelope branco que havia sido deixado no chão. Olhando para uma rachadura no gesso da pista, não o notou.
Teve sua longa e cansativa reunião com o fornecedor de bebidas, que sempre tentava aplicar a famosa Lei de Gérson. Tonto com as negociações, voltou acabado para casa, e nesta noite, dormiu como há muito tempo não dormia. E mal sabia ele que não voltaria a dormir assim tão cedo...
E a bola volta ao Capitão-Mor... Vai que é sua....
sexta-feira, abril 04, 2008
Surpresa...
Estou absolutamente surpresa com o contador de visitas do blog... Mesmo nesse período de férias, vocês, meus caros leitores, insistiram e vieram em grande número, diariamente, conferir se eu não tinha escrito... E alguns ainda voltaram no mesmo dia...
Isso é que é incentivo a escrever, obrigada............
Inté!!
Isso é que é incentivo a escrever, obrigada............
Inté!!
Carta ao filho
Promessa é dívida, e pra ser bem sincera, já estava morrendo de saudades de voltar a escrever...
Não tem sido nada fácil, e sentar com tempo para o blog (tendo que acabar minha dissertação também) será um grande desafio, mas vou encarar!
Para reinaugurar a Jeca, pensei em postar a carta que escrevi para ele, naqueles caderninhos de bebê...
Não se esqueçam, semana que vem tem episódio parceria com Capitão-mor!! Venham conferir...
"Romeo,
Foi numa linda tarde de sol que você arrebatou minha vida. Chegou aos berros e encheu meus olhos e de seu pai de lágrimas. Não existem palavras que possam agradecer o suficiente a felicidade que você nos proporcionou naquele dia. À noite, quando todos já haviam nos deixado a sós, seu pai resumiu, com você pequenino co colo "é uma felicidade absurda, parece que não falta mais nada..."
E é mesmo.
Ainda sob o efeito da correria desse começo, das noites mal dormidas e das preocupações que vêm junto com a maternidade, quero que você saiba que todo pai e mãe têm expectativas quando um filho nasce. Comigo não é diferente. Eu espero coisas de você.
Ou melhor, para você...
Espero que você seja feliz. Que escolha o caminho que seu coração mandar, e que de vez em quando deixe de ouvir a razão para dar voz ao coração. Nunca deixe de escutá-lo.
Espero que sua vida seja leve... Que você não se leve tão a sério e ria de si mesmo. Que você olhe seus obstáculos com perspectiva, sabendo que são excelentes momentos de aprendizagem...
Espero que você escolha sua profissão com paixão, sabendo que acordar com vontade de trabalhar vale mais que todo dinheiro do mundo. Só não passe fome, sua mãe morre do coração...
Espero que econtre sua Julieta, da maneira que sua opção quiser. Independente disso, que a respeite e a ame e que seja seu melhor amigo. Não sua metade, pois você é inteiro, único. Ela também deve ser inteira, única, para que vocês caminhem juntos. Use seu pai de exemplo, ele é muito bom nisso...
Espero que sua primeira vez seja por amor, na hora certa. E que por trás do prazer, você encontre a essência da alma. Pelo menos na maioria das vezes...
Espero que você seja um cidadão. Cidadão de verdade, que faz sua parte para um mundo melhor, nem que seja no seu micro universo. Recicle, use menos energia e vote conscientemente. Se puder fazer isso e ainda ajudar outros, melhor para você! Lembre-se de que sua liberdade termina onde a do outro começa, portanto, respeito, sempre!
Espero que você suspire muito, seja por um amor, seja por um tipo de arte, seja por uma causa. Suspire a cada encantamento, e não deixe nunca de se encantar. Seja um pouco Pequeno Príncipe, a vida fica mais bonita...
Espero que você se dê o prazer de contemplar as estrelas de vez em quando, e de ficar no escuro com quem ama, conversando e se entregando. E que você cultive seus amigos para que esteja sempre rodeado de alegria!
Espero que você viaje! Não artificialmente, que essa viagem não vale a pena. Mas pelo Brasil, pelo mundo. Não se contente com o seu umbigo, abra a cabeça e conheça o outro, você se surpeenderá.
Espero que você seja você. A medida que você cresce essa frase vai fazer mais e mais sentido, portanto não a esqueça. Seja você, independente do que eu ou o resto do mundo espera.
E espero que nunca, mas nunca mesmo você deixe de sonhar. Realizar sonhos é muito bom, mas tê-los é melhor ainda. Tenha sempre em mente que por mais que a cachoeira seja linda, o que vale é a jornada até ela.
Eu te amo imensamente.
Sua mãe."
Não tem sido nada fácil, e sentar com tempo para o blog (tendo que acabar minha dissertação também) será um grande desafio, mas vou encarar!
Para reinaugurar a Jeca, pensei em postar a carta que escrevi para ele, naqueles caderninhos de bebê...
Não se esqueçam, semana que vem tem episódio parceria com Capitão-mor!! Venham conferir...
"Romeo,
Foi numa linda tarde de sol que você arrebatou minha vida. Chegou aos berros e encheu meus olhos e de seu pai de lágrimas. Não existem palavras que possam agradecer o suficiente a felicidade que você nos proporcionou naquele dia. À noite, quando todos já haviam nos deixado a sós, seu pai resumiu, com você pequenino co colo "é uma felicidade absurda, parece que não falta mais nada..."
E é mesmo.
Ainda sob o efeito da correria desse começo, das noites mal dormidas e das preocupações que vêm junto com a maternidade, quero que você saiba que todo pai e mãe têm expectativas quando um filho nasce. Comigo não é diferente. Eu espero coisas de você.
Ou melhor, para você...
Espero que você seja feliz. Que escolha o caminho que seu coração mandar, e que de vez em quando deixe de ouvir a razão para dar voz ao coração. Nunca deixe de escutá-lo.
Espero que sua vida seja leve... Que você não se leve tão a sério e ria de si mesmo. Que você olhe seus obstáculos com perspectiva, sabendo que são excelentes momentos de aprendizagem...
Espero que você escolha sua profissão com paixão, sabendo que acordar com vontade de trabalhar vale mais que todo dinheiro do mundo. Só não passe fome, sua mãe morre do coração...
Espero que econtre sua Julieta, da maneira que sua opção quiser. Independente disso, que a respeite e a ame e que seja seu melhor amigo. Não sua metade, pois você é inteiro, único. Ela também deve ser inteira, única, para que vocês caminhem juntos. Use seu pai de exemplo, ele é muito bom nisso...
Espero que sua primeira vez seja por amor, na hora certa. E que por trás do prazer, você encontre a essência da alma. Pelo menos na maioria das vezes...
Espero que você seja um cidadão. Cidadão de verdade, que faz sua parte para um mundo melhor, nem que seja no seu micro universo. Recicle, use menos energia e vote conscientemente. Se puder fazer isso e ainda ajudar outros, melhor para você! Lembre-se de que sua liberdade termina onde a do outro começa, portanto, respeito, sempre!
Espero que você suspire muito, seja por um amor, seja por um tipo de arte, seja por uma causa. Suspire a cada encantamento, e não deixe nunca de se encantar. Seja um pouco Pequeno Príncipe, a vida fica mais bonita...
Espero que você se dê o prazer de contemplar as estrelas de vez em quando, e de ficar no escuro com quem ama, conversando e se entregando. E que você cultive seus amigos para que esteja sempre rodeado de alegria!
Espero que você viaje! Não artificialmente, que essa viagem não vale a pena. Mas pelo Brasil, pelo mundo. Não se contente com o seu umbigo, abra a cabeça e conheça o outro, você se surpeenderá.
Espero que você seja você. A medida que você cresce essa frase vai fazer mais e mais sentido, portanto não a esqueça. Seja você, independente do que eu ou o resto do mundo espera.
E espero que nunca, mas nunca mesmo você deixe de sonhar. Realizar sonhos é muito bom, mas tê-los é melhor ainda. Tenha sempre em mente que por mais que a cachoeira seja linda, o que vale é a jornada até ela.
Eu te amo imensamente.
Sua mãe."
segunda-feira, março 03, 2008
Break
Chegou o momento...
Não de dar um fim à Jeca, pois ainda me sinto intimamente ligada a ela, mas de aceitar que estou em um break!
Este espaço não se fez para tratar de assuntos puramente ligados à maternidade, e por mais que eu me esforce, ainda não tenho olhos para o mundo... Nem tempo para o blog...
Vou respirar um pouco, me dedicar ao Romeo sem peso na consciência de deixar minha outra filha largada (a Jeca, claro), e voltar no momento certo.
Já tenho data!
Em abril, vou encarar mais um desafio junto ao meu amigo Capitão-Mor em uma blogsérie que já está em fase de elaboração, então nos aguardem!
Até lá, peço que se lembrem de mim com um sorriso de saudades e uma ponta de ansiedade pela volta.
Obrigada por todo carinho e até abril!!!
Beijos
Tati
Não de dar um fim à Jeca, pois ainda me sinto intimamente ligada a ela, mas de aceitar que estou em um break!
Este espaço não se fez para tratar de assuntos puramente ligados à maternidade, e por mais que eu me esforce, ainda não tenho olhos para o mundo... Nem tempo para o blog...
Vou respirar um pouco, me dedicar ao Romeo sem peso na consciência de deixar minha outra filha largada (a Jeca, claro), e voltar no momento certo.
Já tenho data!
Em abril, vou encarar mais um desafio junto ao meu amigo Capitão-Mor em uma blogsérie que já está em fase de elaboração, então nos aguardem!
Até lá, peço que se lembrem de mim com um sorriso de saudades e uma ponta de ansiedade pela volta.
Obrigada por todo carinho e até abril!!!
Beijos
Tati
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Teoria da Conspiração
Esta noite me lembrei de um professor de História que tive na época de cursinho.
Professores de cursinho, para quem não fez, ao menos na década de 90, eram bastante típicos. Geralmente residuais das lutas estudantis, camisetas do Che no peito (nada pós moderno, não. A versão vermelha da coisa, furada e usada inúmeras vezes antes de ser lavada...) e bandeiras do PSTU. Ou melhor, bandeiras do PT, que na época ainda era oposição. Além da matéria do vestibular, usavam o microfone para falar de suas posições políticas, afinal, nada melhor do que um microfone e uma platéia ávida por mudanças. Só faltava o carro de som e a massa metalúrgica.
O Paulão era professor de História do Brasil, um descendente de escravos com dreadlock nos cabelos. Ele nos explicou, certa vez, que o governo (Era Itamar Franco) tinha uma estratégia para nos deixar felizes. Ele dizia assim:
"Imagine que nesta sala, em que cabem 100 alunos, temos 180. Vocês reclamam, ameaçam uma revolta e o diretor do cursinho, ao invés de tirar os 80, coloca mais 100!! Vocês ficam sufocados, choram, quase ecplodem sem espaço. Ficam assim por uma semana, até quase o limite humano. Neste ponto, os 100 colocados são retirados, e vocês voltam aos 180 iniciais. Vocês vão reclamar? Imegine, vocês até estão apertados, mas não é igual ao sufocamento dos 280. Está bom??? Não, mas poderia ser pior..."
Nunca me esqueci disso, pois fez um enorme sentido para mim.
E esta noite senti isso na pele.
Desde o dia 12 de janeiro que não sei o que é dormir 8 horas seguidas. Dali fui para a maternidade, e entre contrações e Romeo, fui me resignando a intervalos de 4 em 4 horas, e depois de 3 em 3. Bom???? Não...
Entretanto, nesta semana passei pelo sufoco dos 280... Sem causa aparente, Romeo resolveu acordar de hora em hora, pedir peito e continuar pedindo peito a cada 30 minutos. Lembrem-se de que minhas bonecas não choravam, meus alunos choravam em casa e meu know how de bebês não tinha chegado ainda nesse ponto. EU acordava chorandoaos prantos, sem compreender o porquê do choro dele, afinal, há 20 minutos ele tinha mamado meia hora.... Cólica não era, pois o remédio não adiantava, bolsa de água quente não resolvia e ele acalmava no peito. Soluços intermináveis nos acordavam no quarto ao lado... Mais uma noite assim eu cairia doente, Foram dias de dor de cabeça e cansaço extremo, já estava começando a esquecer coisas, de tamanha falta de sono.
Ontem à tarde, fomos à pediatra, que nos deu uma luz. Não é cólica mesmo, mas sim refluxo, ou seja, o pobrezinho estava chorando de azia. A cada mamada, ele voltava pro berço, onde ficava na horizontal, abrindo caminho pro leite subir. Nada melhorava, só um pouco de leite para aliviar. E a dor retornava ainda mais forte, pois ingeriu mais leite...
Nesta noite, ele dormiu no carrinho, inclinado, medicado contra o refluxo.
Os 100 foram expulsos, e ele milagorsamente acordou de 3 em 3 horas, só pra mamar.....
Bom???? Claro que não, ainda está longe do meu ideal de sono, mas acordei tão feliz em dormir um pouco a mais...
E, claro, em saber que não estava mais torturando meu filho com uma dor que eu não entendia...
Será que posso culpar o governo? Ou a natureza, que poderia ter sido mais generosa e ter dado um par de mamas pros pais também, para dividirmos o fardo?...
Já pensou, o bebê nasce e o pai ganha um belo par de air bags, cheios de leite?........
That´s it for now, tenho que ir que ele já está chorando de fomo de novo....
Inté!!
Professores de cursinho, para quem não fez, ao menos na década de 90, eram bastante típicos. Geralmente residuais das lutas estudantis, camisetas do Che no peito (nada pós moderno, não. A versão vermelha da coisa, furada e usada inúmeras vezes antes de ser lavada...) e bandeiras do PSTU. Ou melhor, bandeiras do PT, que na época ainda era oposição. Além da matéria do vestibular, usavam o microfone para falar de suas posições políticas, afinal, nada melhor do que um microfone e uma platéia ávida por mudanças. Só faltava o carro de som e a massa metalúrgica.
O Paulão era professor de História do Brasil, um descendente de escravos com dreadlock nos cabelos. Ele nos explicou, certa vez, que o governo (Era Itamar Franco) tinha uma estratégia para nos deixar felizes. Ele dizia assim:
"Imagine que nesta sala, em que cabem 100 alunos, temos 180. Vocês reclamam, ameaçam uma revolta e o diretor do cursinho, ao invés de tirar os 80, coloca mais 100!! Vocês ficam sufocados, choram, quase ecplodem sem espaço. Ficam assim por uma semana, até quase o limite humano. Neste ponto, os 100 colocados são retirados, e vocês voltam aos 180 iniciais. Vocês vão reclamar? Imegine, vocês até estão apertados, mas não é igual ao sufocamento dos 280. Está bom??? Não, mas poderia ser pior..."
Nunca me esqueci disso, pois fez um enorme sentido para mim.
E esta noite senti isso na pele.
Desde o dia 12 de janeiro que não sei o que é dormir 8 horas seguidas. Dali fui para a maternidade, e entre contrações e Romeo, fui me resignando a intervalos de 4 em 4 horas, e depois de 3 em 3. Bom???? Não...
Entretanto, nesta semana passei pelo sufoco dos 280... Sem causa aparente, Romeo resolveu acordar de hora em hora, pedir peito e continuar pedindo peito a cada 30 minutos. Lembrem-se de que minhas bonecas não choravam, meus alunos choravam em casa e meu know how de bebês não tinha chegado ainda nesse ponto. EU acordava chorandoaos prantos, sem compreender o porquê do choro dele, afinal, há 20 minutos ele tinha mamado meia hora.... Cólica não era, pois o remédio não adiantava, bolsa de água quente não resolvia e ele acalmava no peito. Soluços intermináveis nos acordavam no quarto ao lado... Mais uma noite assim eu cairia doente, Foram dias de dor de cabeça e cansaço extremo, já estava começando a esquecer coisas, de tamanha falta de sono.
Ontem à tarde, fomos à pediatra, que nos deu uma luz. Não é cólica mesmo, mas sim refluxo, ou seja, o pobrezinho estava chorando de azia. A cada mamada, ele voltava pro berço, onde ficava na horizontal, abrindo caminho pro leite subir. Nada melhorava, só um pouco de leite para aliviar. E a dor retornava ainda mais forte, pois ingeriu mais leite...
Nesta noite, ele dormiu no carrinho, inclinado, medicado contra o refluxo.
Os 100 foram expulsos, e ele milagorsamente acordou de 3 em 3 horas, só pra mamar.....
Bom???? Claro que não, ainda está longe do meu ideal de sono, mas acordei tão feliz em dormir um pouco a mais...
E, claro, em saber que não estava mais torturando meu filho com uma dor que eu não entendia...
Será que posso culpar o governo? Ou a natureza, que poderia ter sido mais generosa e ter dado um par de mamas pros pais também, para dividirmos o fardo?...
Já pensou, o bebê nasce e o pai ganha um belo par de air bags, cheios de leite?........
That´s it for now, tenho que ir que ele já está chorando de fomo de novo....
Inté!!
Assinar:
Postagens (Atom)









