segunda-feira, dezembro 01, 2008

Tiro no pé

Acho qut todos sabem que fui professora de educação infantil. Nos três anos que dei aula na Kinder Kampus,(ainda estou lá, na galeria de fotos de 2004, eba) fiz o maior e melhor estágio de vida, tanto para me tornar uma melhor professora como para me preparar para ser mãe.
Entre todas as coisas que me enriqueceram muito, o "falar" de professora de crianças me foi especialmente útil. Vinda de uma empresa japonesa, em que minha personalidade direta era essencial para que eu pudesse me impor, tive altas dificuldades no início. Lembro de uma ocasião em que minha diretora me salvou por um segundo, quando eu fui dizer para uma mãe que o menino dela era um pouco agressivo.
"Nunca, NUNCA diga a palavra 'agressivo' para uma mãe, você tem que arranjar outras formas de dizer o que você quer."
Por sorte, linguagem sempre foi o meu forte, e logo eu era craque em escrever os relatórios mais detalhados com as expressões mais eufêmicas e anti-dor-de-mãe.

"Recomendamos que Fulaninho faça Judô, pois o ajudará muito a canalizar a energia."

Ou então, ao invés de dizer que Ciclaninha é mole, não faz amigos e parece que tem algum problema (que nenhuma professora que se preze diga mesmo "problema", dificuldade sempre é mais adequado) de desenvolvimento social, você com um belo sorriso no rosto diz que seria muito interessante que ela fizesse um esporte em grupo, para desenvolver melhor suas habilidades sociais. E por aí vai...

Uma das dicas que a nossa diretora nos dava, é que em uma reunião cara a cara com os pais, ao invés de entrar diretamente no assunto (Tenho certeza de que você e seu marido andam brigando muito, porque Júnior vem repetindo uns xingamentos típicos de briga de marido e mulher...) o ideal é que você faça uma pergunta, para que a mãe entre ela mesma no assunto em questão: "Nós queríamos saber se está tudo bem em casa, pois temos notado que Júnior tem se comportado diferentemente..."

Pois bem, no fim das contas, juntando minha cara de brava e habilidades com a linguagem, eu acabei pegando as turmas com mais "desafios" (sacou o eufemismo??), e eu nem sabia bem qual o golpe do destino que me havia posto ali...

Agora eu sei!!

Semana passada, a "professora" do Romeo, com um belo sorriso no rosto, me pergunta:

"Tati, você fala bastante 'não' pro Romeo?"

Na hora eu saquei que ele devia estar aprontando muuuuito, ficando bravo quando tiram alguma coisa dele e não dando a mínima para as restrições delas. (Não vou nem entrar no mérito da formação delas, pois se acreditam que um bebê de 10 meses vai respeitar os limites vão ficar frustradas rapidinho...)
Sacando aonde elas chegariam, vindo com o trigo, eu joguei quentinho o pão italiano, recheado com queijo provolone:

"Olha, a palavra 'não' eu evito dizer, porque nessa fase a criança não entende o 'não' e além disso, o 'não' a põe pra trás. O ideal é que nós ponhamos os limites com uma ordem positiva, ou com a explicação. E ISSO eu faço muito. Realmente, 'não' ele escuta pouco, mas se ele fica bravo (e ele fica!!!! A cara do pai mas o gênio da mãe....) quando eu digo que pegar meu brinco machuca, azar dele. Mas claro, a gente tem que lembrar que ele tem 10 meses, e que tudo que podemos fazer é insistir nos limites pra que quando ele começar a entender ele possa então respeitá-los."

Platéia meio muda, mãe realizada.....

Pela primeira vez, eu entendo melhor algumas mães que passaram na minha vida de professora. Meu filho é da pá virada, vai dar um monte de trabalho, é genioso e sabe o que quer. É claro que vou impor limites, sem medo de vê-lo bravo comigo, mas vou ser beeeem sincera: Não deixo de sentir uma ponta de orgulho dele.
Antes "judô" que "esportes coletivos para melhorar a habilidade social".

Tapetinho, não.....

Inté!!

7 comentários:

Cláudia disse...

Mãe é tudo la meme chose... Eu nao só dei aulas para uma turminha de crianças de 4 anos de idade como trabalhei numa loja de roupas infantis.
Aí, nessa loja entrou uma vendedora nova, crua de tudo, e um belo dia, uma menina experimentava um vestido horrendo, que ficou medonho nela, porque além de ambos serem feios, o vestido nao era adequado para ela:
(mãe)- olha, esse vestido tá com defeito aqui na cintura...
(vendedora) - nossa, é a primeira vez que alguém reclama...
(mãe)- VOCÊ ESTÁ QUERENDO DIZER QUE A MINHA FILHA É ALEIJADA? e bla bla bla bla
Com isso, na vez seguinte, ela aprendeu a dizer que aquele modelo nao tava vestindo bem em ninguém (mesmo já tendo vendido a rodo), e que tentasse este outro aqui...
beijo

MH disse...

hehehe
10 meses e já mostrando a que veio! É isso aí!! Concordo, melhor judô... rs

Sally Brown disse...

A gente só entende o que é ser mãe sendo.
Eu ainda não entendo, pq não sou.
Acho que sei mta coisa, e depois, sei que muda tudo.
Gostei mto do post.
E que fofura ele com 10 meses e tanta personalidade!
Continue nos contando suas aventuras por aí. Sempre passo pelo blog.
Bjos

Tchuls disse...

Ciclaninha ou Cicraninha?

O cara so aparece pra atirar pedra!!!

Beijo.

paula nahas disse...

Bem, Tati, em termos de personalidade forte,poderíamos escrever um tratado...risos...o Gus é MUITO bravo, e normalmente as pessoas vem com a ladainha: "Ih, todo Gustavo é terrivel..." Quer saber, melhor assim, a gente não tem nem de longe vocação para mãe de bunda mole.
Beijos!

Eloísa disse...

claro que me lembrei de tudo....de cada pedaço!
Tinha esquecido que vc comentou pra eu entrar... vou contar pra Fê... ela vai se orgulhar da pupila!
Linda, saudades como sempre! om ter visto vc no birthday do gatinho. Coloquei fotos novas no orkut, take a look!!! Beijos.......

Fernanda Nyari disse...

Tatiiiiiiiiiiiiii, essa diretora que vc menciona sou eu????

Amei seu blog!!! Parabéns pela grande profissional e mãe que é!!! Posso ter te dado dicas em como lidar com as mães, mas agora estou aprendendo a ser mãe também!!!

Bjs