terça-feira, julho 17, 2007

Tristeza

Eu vivia em Nova York na época dos ataques. Não estava no dia, mas assim que o aeroporto reabriu, fui no primeiro vôo. Fui com o coração na mão por meus amigos que estavam lá, e pela Luli, minha amiga-irmã que estava nos ares e precisou voltar...
Tenho tantas péssimas e tristes lembranças...
Lembro de ver, do JFK a fumaça subindo lá em Manhattan...
Lembro do cheiro de ferro e carne queimada que senti de longe....
Lembro da chuva de papéis no Battery Park...
Lembro de ir depois ao meu prédio, com a Cris, e não reconhecer minha própria rua...

"É aqui, sim Tati, é que agora não tem mais prédio para bloquear a luz".

Andar, com a Luli, na 5a avenida e não ver vivalma..... Só as bandeiras hasteadas.
Sair na porta do hotel e dar de cara com tanques do exército...
Ter que dormir com uma mochila contendo muda de roupas e passaporte ao lado da cama, pronta para qualquer fuga.

Tantas, que dóem...

Mas uma das mais chocantes foi uma cena que vi na TV local. Uma equipe médica, de braços cruzados na porta do hospital, esperando feridos.

"Estávamos prontos para receber milhares de feridos. Eles não vieram."

Hoje sinto a mesma dor ao ver as dezenas de ambulâncias na Av. Washington Luís. Uma tristeza profunda ao ouvir que as equipes médicas dos hospitais da região estão a postos, para "receber os feridos"....

Tomara que venham....

10 comentários:

Carol Montone disse...

Puxa ...eu também...dói assistir passivamente a tanta destruição......um beijo querida e procure sempre, ainda mais agora, fazer o exercício diário de trocar uma trsiteza por uma alegria...sei que já deve fazer, pois tem no sorriso o brilho dos que amam viver...mas nunca desista .....
beijos enormes boa semana......
as feridas ou "feridos" nunca morrem....apenas descansam em lugares bem guardados...de nós e do mundo.....é pena que sejam parte da vida...
Carol

MH disse...

é, esse tipo de coisa é sempre um choque enorme, eu fico passada tentando não imaginar o sofrimento de familiares, vítimas... e agradecendo por não ter perdido ninguém próximo, por não ter uma ligação ainda maior com a tragédia...

mc disse...

Esses acidentes dão uma angústia geral... é tão absurdo que é difícil acreditar.

Mas o que mais me irrita é a exploração da dor dos outros que os jornais fazem. Por isso, prefiro só ler. Não quero ver nenhum repórter idiota perguntando pra mãe que perdeu dois filhos como ela se sente.

É uma falta de respeito com a dor dos outros!!!!

Anônimo disse...

Tudo isso é muito triste!!!
A pior dor que deve existir, é perder alguém q ama...
neste acidente tem uma moça de Concórdia.
Ela era aeromoça a 8 anos na TAM.
bj prima... déia

Anônimo disse...

Oi, acabei de chegar vindo do Vida Perra.
Eu tb me lembro que uma das coisas que mais me marcou nos ataques em NY foram as pessoas se oferecendo para doar sangue e ninguém para receber. :(
Krys

Anônimo disse...

Tati, aqui é Maria Lucia; vou fazer um comentário de modo geral do que eu estou chamando de "crônicas do cotidiano"; a meu ver você é uma observadora das pessoas, do dia a dia e na sua bagagem entra o senso de humor, a tristeza ( que é como nós brasileiros estamos nos sentindo no dia de hoje) e estou gostando demais. Já li várias crõnicas suas, e sinceramente, amiga, será que você não é uma jornalista, ou escritora talvez? Acho que você pode... Abraços,
Maria Lucia. ( me desculpe pela pontuação, pode ser que eu tenha atravessado o português ).

Moi disse...

Muito lindo o que você escreveu!
Quase chorei!

Tati disse...

Nem há como comentar tanta tristeza, não... Todos estamos ainda em choque, hoje vi as imagens da Infraero que mostram o avião em velocidade acima passando pela pista em 3 segundos, quando deveria ter passado em 11... Em seguida, o clarão.... Chocante...

Maria Lucia, muito obrigada, quem sabe, se não fosse professora poderia sim ser jornalista, é uma idéia que muito me agrada...
beijos

Rubina disse...

Tati

Sei bem o que e isso porque estive em Bali e em Londres nos atentados. Livrei-me em ambos, mas especialmente em Londres foi desolador enfrentar a cidade apos o atentado, estava uma Londres em depressao. Forca ai. Beijao

Cláudia disse...

Tati
eu espero que as famílias consigam encontrar algum tipo de consolo.
É inevitável o pensamento egoísta de alívio por não ter perdido ninguem querido.
Não acho que a "culpa" seja do aeroporto, mas por via das dúvidas, meus pais vêm de Brasilia no comecinho do mês que vem e vão desembarcar em Cumbica.
beijo