segunda-feira, dezembro 31, 2007

Adeus, ano velho, feliz ano novo

Antes de pensar em 2008, penso em 2007.
Aprendida a lição de que a gratidão nos é dos mais importantes sentimentos, agradeço antes de desejar qualquer coisa para o ano que vem.

Agradeço por meu grande presente, cuja foto posto abaixo. Pedi na primeira onda que pulei na praia do Rosa há exatamente um ano.

Agradeço pela casa nova, onde hoje recebo minha família para a passagem. Agradeço a piscina, que servirá de descarrego a meia noite.

Agradeço a constante presença da minha família e amigos ao longo do ano, mesmo que distantes, por vezes.

Agradeço a meus leitores e amigos virtuais.

Agradeço pela oportunidade de conviver com meus alunos, que me ensinam mais do que eles sequer imaginam.

Agradeço por trabalhar com pessoas que genuinamente acreditam na Educação.

Agradeço pela felicidade da minha irmã, que fecha o ano alugando seu ninho para um novo começo!

Agradeço pelo incrível companheiro, amigo, amante e cúmplice com que a vida me presenteou.

2008? Que venha como foi 2007.
Peço apenas mais vendas para minha mãe e mais saúde para meu pai.
O resto?
O vestido rosa que usarei hoje à noite (como uso desde 2000) garante!

Que tenhamos todos um excelente ano novo.

Beijos
Tati!!!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Frases de Natal



A: "Meu amigo secreto é novo na família'
B: "Ah, mas nessa família todo mundo é novo!"

"Minha amiga secreta é nova na família, mas eu tenho uma grande empatia por ela, principalmente por que soube que ela tem gostos muito sofisticados, especialmente gostos etílicos!!!"

"Meu amigo secreto é especial sempre, mas nesse ano, mais especial por que ele vai me dar o maior presente da minha vida, um neto!"

"Natal, para mim, é sobre Amor."

"O presente de Natal que mais marcou minha vida não foi nenhum brinquedo, mas um pedaço de papel que você me deu quando eu tinha 16 anos, escrito com sua letra e mal picotado: vale um intercâmbio para Alemanha."

"Por que você insiste em me dar de presente essas blusas com elástico embaixo???"

"Você também tem que ir dar uma volta no quarteirão para procurar Papai Noel por que tem uma criança na sua barriga!!"

A:"Há 26 anos eu participo do Natal nessa família, e é sempre especial, mas nesse ano é mais ainda, por que vamos ter um membro novo.... (choro)... Desculpem, eu hoje estou hormonal como a Tatiana"
B (filho, baixo ao fundo): "Hoje?"

"Meu amigo secreto come pra caramba!"

"O meu amigo secreto é um cara bacana, pena que eu só vou vê-lo na SEGUNDONA!!!!"

"Minha amiga secreta é uma artista, ela pinta e borda!!"

"Meu amigo secreto é um casca de ferida, pentelho pra cacete, mas eu o admiro muito e não faço metade do que ele faz! Eu até acredito que ele não sinta, ou eu não mostre, mas o amo muito!

"Prefiro um filho VEADO a um filho CORINTHIANO!"

A: "Minha amiga secreta, quando chegou na família, era meio metida, agora melhorou"
B: "E era respondona???"
C (J.U., nora de A ): "Ah, se for respondona SOU EU!"
A: "Respondona você ainda é, não melhorou!"

"A Maggie. A Maggie. A Maggie. A MAGGIE CAIU NA PISCINA!!!!!!!!!!!!!!!!!"

"Minha amiga secreta é alguém que eu amo muito, com a qual eu eu aprendo a cada dia especialmente como viver em família. Ela é teimosa, mas eu tenho orgulho de saber lidar com o mau humor dela, assim como ela lida com o meu! Tenho muito orgulho de nossa tripla relação, uma vez que cunhadas são irmãs! E o que mais me orgulha é ver como nossa amizade reflete na amizade dos irmãos, isso me deixa absurdamente feliz!"

E a melhor do Natal:

A: "Seu amigo secreto é homem ou mulher?"
B (senhora de quase 90 anos, psicanalista, exemplo de lucidez a ser seguido!):

"Homem ou mulher? Sei lá, somos todos BI!"

Home is where your heart should be!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Jungle Bells

A todos os leitores, comentadores e amigos da Jeca, um Natal cheio de chocotone, castanha portuguesa, comida boa e presentes acertados, que saúde, paz e harmonia são pro ano inteiro...

Que as famílias mais riam do que briguem e que haja sal de frutas e Engov o suficiente nas meias acima das lareiras. (apagadas, obviamente...)

E que um dia, quem sabe um dia, deixemos de lado essa pataquada de pinheiro de Natal cheio de neve e assumamos nossa vocação para o suor, com uma bela palmeira, bananeira ou jaboticabeira enfeitada de símbolos tropicais.
Garanto que Papai Noel ia adorar entregar os presentes vestido em uma bela sunga vermelha da Blue Man... Ia sumir com aquela barba quente em um piscar de olhos, além de se motivar a ficar saradão pro próximo Natal, quando ele ia dar uma esticada na orla carioca e aproveitar o reveillon em Copa!

Enquanto isso, ho ho ho, e "Jungle Bells"...

Feliz Natal!

Em boca fechada não entra mosca

Algumas pessoas sofrem do terrível caso crônico de falar besteira sem nem ouvir o que está saindo daquilo a que chamam de boca...
Alguns casos são passageiros, ou pelo menos curáveis, como o meu. Cresci ouvindo de minha mãe:
"Conta até 10 antes de falar", e hoje, 31 anos depois (ainda tenho alguns dias de 31, então me apego a eles, por ora...) uso o conselho como se fosse pó de ouro. Já me salvou de inúmeras situações embaraçosas.

Ontem quase forneci um pouco desse conselho para um rapaz na academia, mas prefieri rir de sua pouca capacidade social, ou no mínimo, pouca capacidade de percepção.

Ele me contava sobre sua família, ele, o filho caçula já é pai, e seus pais têm pouca esperança de ter netos da irmã, uma mulher de 35 anos que só pensa em estudar:

"Ela é inteligente demais, sabe, acabou agora o Mestrado dela em História na Faculdade de Bragança, e dizem isso mesmo, né? Mulher inteligente demais não casa!"

Oi?????????????????
Cuma??????????????

Inteligente demais? E por que faz faculdade em Bragança?
"Tatiana, conta até 10 antes de falar....."
Tá, essa vai ofender...

Inteligente demais ou feia pra burro???
"Tatiana, conta até 10 antes de falar....."
Ok, ok, chamar de feia também não resolve....

Será que ela não é gay, não? E não quer contar pros seus pais????
"Tatiana, conta até 10 antes de falar....."
Tá, já contei! Só mais uma...

Quero ver ela se achar inteligente demais quando estiver cuidando sozinha dos dois velhinhos, eles com 90 e ela com 70, os sobrinhos vindo pro Natal e ela mãe dos pais...
"Tatiana, conta até 10 antes de falar....."
10, ufa, tá bem, elaborei algo melhor!

"Olha, eu me julgo bastante inteligente, qualifiquei meu Mestrado na USP ontem, e nem por isso deixei de casar e vou ser mãe. Acho que é tudo uma questão de equilíbrio. Quando me casei minhas professoras mega intelectuais e solteironas achavam um absurdo, me diziam que eu ia estragar minha promissora carreira acadêmica com um casamento, e ainda que eu levasse isso como um elogio, segui em frente e não me arrependo!"

Tudo isso, com um lindo sorriso no rosto.... Ali mesmo, na esteira, saí andando, simbolicamente claro, pois não saí do lugar!

Como diria Betina Botox,
"AAAHHHHH, me poupe!!!!! Por acaso eu assumi meu QI NÉSTA academia????? Eu fiz o meu outing????"

PS: Link para Betina Botox, para quem não conhece
PS2: Minha qualificação foi um sucesso, elogios, sugestões possíveis e agora um prazo mental de acabar a dissertação em janeiro, antes de Romeo chegar!!!!

Inté!!!!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Bochechudo...

Escrever sobre as maravilhas da tecnologia é cansativo e paradoxalmente obsoleto... Por isso vou deixar o blá blá blá do ultrassom para outra feita, do quanto é impressionante ver cada órgão, cada pedaço de circulação sangüínea de um ser que ainda nem nasceu. Saber peso, medida, e se já tem cabelo ou não, é algo que deixa pais embasbacados, mas os outros com cara de "lá vem ela falar disso de novo."
Sempre me prometi que não ia ser daquelas mães que só sabem falar do filho, das maravilhas de sua inteligência sobrenatural, pois costumo olhar com desconfiança para quem fala:
"Nossa, você tem que ver meu filho... Com dois meses já sorriu para mim!!!"
ou
"Ai, o Xúnior é muuuito inteligente, com três anos já sabe ler o nome"...

Deixo aqui registrado, se me pegarem nesse momento ilusório, podem dar cotovelada ou fazer cara feia, ok?
Permito, acho digno....

Só me faço uma pergunta:
Olhar a carinha dele, bochechudo e ouvir do pai "Ele parece com você!", faz parte dessa ilusão?



Inté!!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

A cara da fama...

Ontem assisti a um show de natal da Victoria´s Secret, presenteando meu marido com a permissão velada de babar naquelas lindas modelos de lingerie...
(Mesmo por que, na mesma manhã, não saí da frente da TV, verbalizando sem pudor meu interesse pela partida entre Milan e Boca. Melhor que isso só Nova Zelândia versus Itália no mundial de Rugby...)

Mas enfim, calcinha vai, modelo vem, em um determinado ponto, anuncia-se orgulhosamente a volta das Spice Girls. Orgulhosamente não sei para quem, muito menos por que, mas estavam elas ali, vestidas de uniforme militar e sorridentes ao extremo, talvez pela possibilidade de brilhar mais uma vez em frente aos holofotes.
Menos uma, claro...

A sensação de ver a Sr. Beckham dançando e rebolando era a mesma de ver uma menininha que ama jogar futebol e a mãe a força ao ballet. Só faltou bocejar. Nenhum sorriso, nenhum sinal de felicidade, a Miss Skinny Legs parecia cumprir uma obrigação, ou então estava de TPM cavalar. Como eu tenho cá minhas dúvidas se ela inda menstrua, acho que era cara de angu mal lavado mesmo.

Fiquei imaginando o que se passava na cabecinha de alface e tomate dela:

"Devia ter assinado o contrato a lápis"

"Que mico, se minhas amigas do Madrid me virem aqui eu morrrrroooo!"

"Putz, nem lembro mais a letra. E agora, eu levanto o braço ou seguro o microfone???"

"Qual das Girls eu sou mesmo? Posh? Athletic? Anorexic?"

"Ai meu Deus, aquela ali na platéia é a Katie Holmes Cruise? Ai, que vexame, vou dizer pra ela que fiz isso pela cientologia!"

Dear, comer um chocolatezinho antes de entrar nesses eventos aumenta a serotonina, então se joga!
No mínimo vai acabar com essa cara, e de dar pernas de novo...

Inté!!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

A incoerência de final de ano...

Cartaz na porta da Roças´s Gym...

"Não pare no fim de ano!
Nós não pararemos!!!
Fecharemos dias 23, 24, 25, 30, 31"

?? Oi ??

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Sessão "Homens na vida das mulheres parte VII: O mal resolvido

De volta à pequena série que tanto agrada às leitoras, e que de vez em quando reaparace aqui na Jeca...

Já falamos de tantos, não? O sensível, o amigo gay, o "eiro", o cabeludo, o narcisista, ... São tantas as experiências que temos ao longo de nossa vida, que daria para escrever um tratado completo dos vários tipos com quem cruzamos...

Mas quase nunca falamos das experiências que deixamos de ter...
Aquelas, que deixam um sabor meio amargo na boca, que te lembram da rapidez da vida e de que se não aproveitamos lá atrás, o tempo não nos dá placa de retorno...
São os casos mal resolvidos!

Existem, naturalmente, sub divisões para os mal resolvidos. Alguns, são frutos de relacionamentos que terminaram sem serem efetivamente terminados, ou seja, algo ainda ficou que deveria ter sido dito, vivido ou feito! A falta de oportunidade para um soco bem dado pode servir de bom exemplo para que determinado sujeito entre na categoria dos mal resolvidos!

Outros, ganham o broche MR por que duraram pouquíssimo, às vezes uma noite apenas, você acredita que ali havia potencial para algo mais duradouro, mas que por algum motivo fica no ponto de interrogação. (como, por exemplo, ele ter engravidado uma menina no primeiro encontro e engrenar o tal "algo duradouro" com ela...)

E claro, a categoria mais agonizante de todas, os MR broche de ouro, que são aqueles com quem você nunca teve nada, nadinha, além de umas faíscas nítidas, uns momentos tensos, mas que nunca saíram do papel... Ou melhor, da abstração platônica.
Esses são os mais difícies de administrar, por que, ora, por que... É simples, por que te deixam com uma profunda raiva de si mesma ao pensar que poderia ter aproveitado melhor suas chances e pagar logo pra ver, enquanto ainda era tempo!! Por que no caminho até o carro, de noite, sem ninguém por perto você já não agiu como a mulher segura que hoje você é e não mostrou logo as garras? Elementar, não? Você ainda não era a mulher segura que é hoje, era apenas uma menininha de 21 anos, que acreditava que fazer isso "pegava mal"...

Não conheço nenhuma mulher que não tenha sua cota de MR, do nível olímpico que for, mas sempre há algum.
Quem não tem, ou teve a sorte de resolver todos, seja com o citado soco na cara, seja com terapia ou seja com uma bela encurralada bem planejada, ou não quer contar. Até quem namora desde os 12 anos o mesmo rapaz cruzou com algum ser ao longo do percurso que a fez salivar. Salivou e não resolveu????? Broche nele!!!

É fácil imaginar por que quase nunca falamos sobre isso. Em primeiro lugar, ninguém gosta de mexer em ferida ou mesmo expor suas fraquezas. Muito mais interessante que "putz, eu sempre quis aquele cara, mas ele nunca me deu chance" é dizer "eu tive todos os caras que quis."
A maioria pode ser, todos, duvido...
(se for assim, por favor, chamem o Figo, tá? Tenho uns assuntos pendentes com ele, e ele está SIM na minha lista de permissões, rsrsrs)
Além disso, muitas vezes é mexer em terreno infértil, de que adianta eu lembrar de algo que não tem remédio?
E claro, não falamos dos MR para que os BR (bem resolvidos) não se ofendam.

Se o Sr. BR ler este post?
Só vai saber que a mulher dele viveu (e viveu mesmo!) pelo menos 26 anos antes de o conhecer, que, apesar de não ter segredos, tem seus mistérios e que tem boa memória, nada mais...

Inté!!

terça-feira, dezembro 11, 2007

Noção de Vícios

Achei interessante ler hoje, numa dessas colunas de fofocas na internet, a seguinte frase de Glória Maria, apresentadora da Tv Globo:

"- Não bebo há 12 anos, não fumo há 20 e não uso drogas há 18. Todo mundo fazia e eu achava que era chique – contou à publicação.

Segundo a apresentadora, os remédios naturais compõem seu único vício atual.

- Chego a tomar até mil cápsulas por semana e uma vez ao ano faço jejum de 10 dias só de chá, revelou.
"

"Não uso drogas há 18 anos", mas ingere mil cápsulas por semana, não me interessa se são naturais, sintéticas, ou de caldeirão de bruxa, o simples fato de ela depender de 1000 cápsulas mostra a dimensão de seu vício.

Vício é vício, independente se é de cocaína, álcool, adrenalina ou pílulas naturais. É algo que toma conta de sua rotina e domina seus pensamentos a ponto de ditar as diretrizes de sua vida. Isso ficou muito claro para mim, ao ler o livro de Amós Oz, fabuloso escritor israelense, chamado Contra o Fanatismo. Você compra o livro seguro de que vai aprender mais sobre os conflitos palestinos e judaicos, e se depara com a idéia de que até os vegetarianos que tentam converter dono de açougue são tão fanáticos quanto os homem bomba da área dele... Fanatismo é um estado de espírito, independente da ética da matéria.
Geração saúde demais, a ponto de olhar feio e dar palestra no boteco para quem come uma fritura?
Fanático!



Acredito que o mesmo acontece com o vício!
Vício é algo profundamente interligado ao fanatismo, seja o fanatismo por uma substância ou pela sensação que ela proporciona.

A única grande vantagem da Glória Maria? Poder levar sua droga, em sua linda necessaire provavelmente da Louis Vitton, embalada em vidros e legalizadas, para onde quer que vá...
E todo mundo, como ela há 18 anos, achando chique...

Me poupe!

Inté!!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Geração Saúde

Última semana de aula, recebo apenas alguns alunos na escola.
Geralmente são os que pegaram recuperação e aqueles cujos pais se recusam a deixá-los faltar.
Matéria terminada, dias letivos para cumprir, trago alguns contos para serem lidos.

"Pro, deixa a gente ficar na informática?"
"Tá, vamos lá, enquanto eu escrevo na Jeca vocês podem navegar."

Na minha cabeça atrasada, imagino que vão entrar em seus e-mails, ou sites de interesses juvenis.

5 alunos se sentam de costas um para o outro, nos computadores em círculo e entram todos no mesmo site. Jogo.

Ah, sim, vão jogar video game, cada um o seu preferido, né?
Não, eles todos entram no mesmo jogo, e se encontram virtualmente.
Mas não estão juntos, aqui, na vida real?

"Fulana, entra nesse quarto que aqui tem moeda!"
"Onde você está, naquele quarto ainda?"
"Ó, eu entrei agora, hein, esse aí sou eu!"

Logo se identificam e se silenciam, interagindo sem interagir...

Saúde mental total, não?

Inté!!

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Piada com a minha cara?

Manchete da Folha Online de hoje:

Lula cogita aumentar repasse da CPMF para a Saúde.

O que eu leio é:

Lula chama cidadão de idiota, como se ele não soubesse que o imposto do cheque foi criado JUSTAMENTE para ser INTEGRALMENTE repassado à Saúde!

Rir da minha cara às 7 horas da manhã, em um dia de chuva é pedir pra sair!!!!!
Saco nele!!!!!

Inté!!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Chega uma hora em que o pé fica looonge....

Chamamos de raízes às marcas de quem somos.
Muitas vezes elas são fortes demais e jamais mudam, como por exemplo, sutilezas de sotaque...
Meu pai, há 60 anos no Brasil, ainda fala "iel" para "ele" e "trcéiro", para "terceiro".
O chimarrão obrigatório nos Colla Household é registro orgulhoso de nossa gauchice tropeira.

Muitas vezes elas são passageiras e muito piegas, como quando morava em Nova York e, com saudades patrióticas do Brasil, caí no choro em uma boate ao ouvir... é.... então.... O Bonde do Tigrão.... Pois é, confesso, mas o leitor deve entender que o nível de sensibilidade do exilado chega a tal nível que até a manifestação mais risível se torna o maior marco de identidade cultural. Ainda bem que a egüinha pocotó ainda não existia naquela época, minha vergonha seria bem maior.

Aqui na roça não é diferente, claro...
Pode-se cair no ledo engano de se crer que não há tanta diferença entre São Paulo e uma cidade que fica a 70 kilômtros dela, mas as raízes nos acompanham até quando mudamos de bairro, de cidade então, nem se fala.

Há três anos aqui, tenho mantido fielmente meu kit de paulistana nata.
Não aderi ainda ao "porrrrta", nem à falta quase obrigatória de plural, que domina a fala dos mais instruídos, por incrível que pareça.
Há, claro, outras coisas que me ligam à capital, como casa da mãe, USP, amigos, médicos, etc.
Mas aqui, no dia a dia da vida do campo, havia duas raízes fortes que ainda mantinham meu cordão umbilical firme e forte com a metróple: título de eleitor e placa de carro.
Até semana passada, pelo menos...

Ao trocar de carro, precisei abrir mão da minha placa de São Paulo. Agora sou EU a motorista da frente que eu mesma xingava pela placa:
"ê, caipira, anda mais rápido..."
"Putz, que devagar... Essa povo não tem pressa mesmo...."

Havia uma identificação completa com carros de São Paulo, algo como uma piscadela de irmãos, que sabem o que é ser paulistano. Agora não tenho mais, preciso gritar "é só a placa, eu não sou daqui!!!" mas ninguém me ouve...
Entro em São Paulo e me sinto na obrigação de escrever uma nota, daquelas de papel sulfite coladas no vidro traseiro, dizendo que não me julguem pela placa, que na verdade sou como eles, paulistana...
Sou?
Ainda?
A poluição já machuca meu nariz?
Os motoqueiros já me assustam?

Mas ainda não me sinto pronta para mudar meu título de eleitor, nem para assinar o Jornal da Cidade. Quero discutir a prefeitura de São Paulo, quero ler a Folha e quero saber o que a sub-prefeitura do Butantã tem feito pelo Morumbi!

Ah, o título do post?
Não tem nada com o assunto, é que hoje de manhã sofri para colocar a meia, e percebi qué a barriga atrapalha o acesso ao pé....
Só isso....

Inté!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Dia Especial...

Precisava logo postar algo novo, não só para atualizar o blog, mas principalmente para tirar a cara daquela menina medonha da tela de entrada da Jeca! Não agüentava mais vê-la ao abrir o site...

"Sai desse bloooooooog que não te perrrrrteeeeeence"...
Vixe, saravá!

E hoje tenho um bom motivo de comemoração. Além de ter visto que Romeo já está de ponta cabeça, pesando 1,630 ks e medindo 37 cms, tive o grande prazer de entregar meu relatório de qualificação do mestrado!
A parte mais difícil está concretizada, agora é esperar a banca (dia 18...), ouvir as críticas, sugestões e aproveitar o final da fornada do Romeo para acabar de escrever.
Sabe aquele papo de que escritor que se preza compra uma casinha no campo pra fugir da loucura da cidade e escrever em paz?.... Tarãn.... Jeca só se preocupa em ver se a Siriema veio beber água na piscina e já está de volta ao computador, serena...

E por coincidência, hoje recebi um e-mail de um grande amigo, me indicando um blog chamado War in Rio, que dialoga diretamente com meu trabalho de pesquisa. (aliás, muito obrigada pelos elogios, ainda que "melhor blogueira do Brasil" tenha sido absolutamente advocatício e demagógico, rsrsrs... mas gostei, obrigada...)

Para quem não sabe, minha dissertação fala sobre violência e literatura infantil e juvenil e vem sendo um trabalho e tanto escrever sobre isso. Opiniões diversas e livros diversos me puseram em sinucas de bico com relação a posicionamento.
Até que ponto as crianças devem ou não ser postas em contato com livros violentos?
Mas até que ponto já não estão em contato com o material artístico na realidade?...

E esse quastionamento fica mais forte quando analiso um livro contemporâneo, de 2006 que fala sobre um seqüestro no Morumbi.
Analisar violência no século XIX é tranqüilo...
Trabalhar um livro da época da ditadura militar no Brasil já é um trabalho de distanciamento que o deixa interessante...
Mas falar do aqui e agora é outro papo.

O blog do qual o Evandro me falou, mostra um tabuleiro como o do jogo War, só que se passa no Rio de Janeiro. Até onde percebi, é uma maneira de protesto, ainda que baseada em humor negro e de mal gosto.
Frases como "War in Rio é reflexão e entretenimento canalha" ou "O objetivo do projeto é gerar uma discussão através de uma proposta cínica de diversão" me deixam com o pé atrás.
Jogo não é arte, jogo dificilmente discute alguma coisa. Jogo é algo associado a entretenimento puro, sem objetivo algum de reflexão.
Será que "rir" da situação no Rio ajuda em alguma coisa?
Será que "diversão cínica" não é justamente o que nos trouxe até aqui?

Ainda acredito que um bom livro, um bom filme ou um rap de qualidade que retratem o que acontece, ao invés de nos transformar em "peões" de traficantes têm mais efeito reflexivo que um momento de banalização extrema da guerra em que vive o carioca.

Ainda não vi os árabes rindo de sua situação...
Nunca conheci nenhum judeu que carregasse um joguinho de "entretenimento canalha" na bolsa...

Certas coisas não são definitivamente motivo de riso.
Bem brasileiro, infelizmente...

Inté!!