terça-feira, maio 22, 2007

Protesto!

Foto: Marcelo Pereira/ Terra

A primeira vez que entrei na USP foi em 1995! Comecei o curso de Inglês na Letras, que abandonei em seguida. Voltei em 1998, e desde então faço parte da comunidade uspiana. AMO aquele lugar!
Amo sua História, seu ar retrô, sua inteligentsia.
Amo os gramados, os sebos, a Edusp.
Amo os alunos estranhos que freqüentam a Letras, e que me fazem sempre ter a certeza de que a estranha sou eu.

Mas DETESTO a cultura de greve que se instalou ali.
Parece tudo muito idealista, muito revolucionário... Mas não é!
Não é por que desde que entrei, há 12 anos, passei por umas 6 greves iguais a esta e NENHUMA resolveu os problemas da Universidade. Sempre os prejudicados são os mesmos que propõe a greve: os alunos.

É cansativo, a cada ano que começa, ter que pensar: será que neste ano teremos paralização?
É desgastante se arrepiar a cada assembléia de alunos, e ver que os calouros chegam com a mesma gana de mudança, as mesmas reclamações, embora mantenham a mesma tática ultrapassada.
Outro dia um rapaz de seus 20 e pouquíssimos anos me abordou e disse, de maneira quase Guevarista:
"Temos que mudar, venha à Assembléia, nós vamos discutir as salas super lotadas, as instalações precárias, e a falta de professores. É um absurdo!"

Eu disse a ele:

"Sei que é absurdo. Vejo isso há 12 anos, as mesmas reclamações, os mesmos problemas e não, não vou à Assembléia por que sei qual será o resultado: Greve. E sei também que greve não adianta."

E pior: vejo uns três ou quatro rostos familiares lá. Os mesmos alunos que quando entrei, lá em 1995, estavam no último ano e comandavam os protestos. ELES CONTINUAM LÁ!
Continua o cara que insiste em manter um bigode e corte de cabelo dos anos 60s! Agora está meio grisalho, deve estar já perto dos 40 anos, mas continua levantando as faixas do PSTU...
Um dia levantou a faixa FORA FHC.
Passou para FORA LULA e hoje é FORA SERRA.
E eu digo FORA ELE! Chega!
Meu amigo, a ditadura acabou, se queremos que a USP se modernize, modernizemos também nossas formas de protesto.

Claro que sou a favor das reinvidicações, sou aluna e vejo com tristeza o sucateammento do conhecimento uiniversitário. Acho deprimente entrar nas salas das humanidades e ver grandes nomes dando aulas para 100, 120 alunos, sem nenhuma condição de manter qualidade...
Obviamente algo deve ser feito. Mas já vi que greves não adiantam.
Hoje provavelmente teremos cenas deprimentes, policiais que há anos não entram no Campus terão que intervir.
E mais!
Desta vez, nem é por qualidade que estão brigando. É por prestação de contas! Não querem que as contas da USP sejam postas na internet, alegam que tal transparência quebraria a autonomia...
Será que é esse mesmo o medo?
Eu estou cansada...
E triste.
Inté!

7 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, Jeca, vc conseguiu colocar em palavras o que eu tb acho.. concordo com as razões mas acho que perderam o propósito.. passei pela reitoria nao faz nem meia hora, e adivinha o q vi? Um monte de gente com cara de revoluçao e latas de cerveja na mão.. fala sério, é balada? Tá mais parecendo festa da ECA.. bom, vamos ver no que vai dar e torcer para que a saituaçao se resolva logo.. PQ O BANDEJÃO TEM QUE ABRIR LOGO.. hehehe.. bjj
Caia

Capitão-Mor disse...

Nunca fui grandes entusiasta dos movimentos estudantis das universidades e cheguei mesmo a ser apelidade de reaccionário por muitos colegas meus. Creio que na maior parte das vezes, se cai num exagero e proliferam as atitudes infantis que desvirtuam qualquer tipo de razão.

Amanhã, não perca um MEGA-EPISÓDIO da blogsérie. Acredito que fiz uma boa mistura audio-visual...

Tati disse...

Pois é, caia, quem vê de fora acha que eles estão há 20 dias em pura tensão.... As faixas no campus de "festa na reitoria" que o digam não?

Capitão, na minha opinião, reacionárias são atitudes como essas que vemos na USP hoje, que um dia foram vistas como revolucionárias. De revolucionário, infelizmente, não tenho visto nada ultimamente...

beijos

Rubina disse...

Tati

Não percas o ânimo. A USP é muito conceituada aqui na Europa. Um abraço

Garota do Zippo disse...

Não estudei na USP, mas na minha faculdade, durante meus 4 anos, tb teve uma coisa ou outra do gênero. Sabe o q percebi? Que há muita desorganização e a maioria da galera que tá na muvuca do protesto não sabe nem o q está acontecendo.Parece que vêem charme em encarnar o papel de revolucionário, impetuoso. Devem catar algumas meninas com esse papel...

tuca disse...

concordo plenamente com você. também fui aluna da USP e também tenho muitas boas lembranças de lá, mas a estagnação dos estudantes no tempo é uma coisa inacreditável! estamos em 2007 e continua a mesma coisa do que era em 70!!! esses dias recebi uma convocação para recadastramento na associação dos ex-alunos da ECA - juro que quase não mandei meu cadastro porque desconfio que não vou ter nada muito produtivo vindo dali - isso é muito triste. Acabei preenchendo o cadastro na esperança que outras pessoas pensem como nós e que as coisas mudem um pouco...Parabéns pelo blog - leio todos os dias e adoro!

Tati disse...

Rubina, não perco o ânimo, mas fico triste por estarmos parados no tempo. Agora eles vêm dizer que a polícia entrar no campus, depois de 40 anos, para cumprir a reintegração de posse é um retrocesso na democracia........
Acho que nem sabem o que é democracia...

Pois é, GZ, mas na hora de organizar as baladas no prédio invadido eles fazem bem.... E o tal papel de revolucionário de que vc falou. Patético, mal sabem o quanto são é reacionários.

Tuca, benvinda aos comments! Vc como uspiana sabe bem do que falo!

Beijos