sexta-feira, maio 11, 2007

Dia das Mães

Dia das mães temos que falar de dia das mães, não? Ou fala ou ouve na segunda feira:
"Faz tempo que eu não entro no seu blog, mas justamente hoje entrei.... Achei que você ia escrever sobre mim..."
Aí você é obrigada a voltar para a terapia para curar a culpa, e o pior: já nem é mais ela quem paga suas contas....

Mas falar da minha mãe é muito fácil... Ainda que jamais caberia em um post tudo que há para se contar sobre a D. Dora, dá para fazer um apanhado geral...

Minha mãe é uma gaúcha arretada (!!) que veio para São Paulo aos 17 anos. Nunca tinha visto um japonês, ou um negro na vida. Vivia na colônia italiana e saiu com a mala e a cuia (literalmente) para a cidade grande depois de perder o pai.
Cresceu na roça, mas sempre foi Urbana...... (daí meu sobrenome, claro...)
Tanto que as histórias que mais nos fazem rir quando vamos ao sul é sobre a relação dela com o trabalho no campo.

Minha tia avó conta que um belo dia, a Dorinha propôs à tia dividirem uma plantação de feijão. Como boa tia, ela aceitou. Saíram cedo (cedo na roça, lembrem-se, é coisa de 5 horas da manhã...) e começaram a trabalhar, enxada e sementes à mão.
Em 10 minutos, minha mãe se deitou em baixo de uma árvore e dormiu!
Ao som das reclamações da tia, a esperta fala:
"Espera um pouqinho, tia, eu só quero ver com quem eu sonho..."

E suas atitudes modernas também assustavam os outros, especialmente sogras em potencial... A mãe de um namorado vizinho dizia: (leia em sotaque italiano/gaúcho/colono)
"A Dora... A Dora num serve, a Dora usa saia curta e não trabaia na roça..."

Bom, serviu em São Paulo, claro!

Anos 60, festivais na TV Tupi, cabelos gigantes a maquiagem forte, "descendo a Rua Agusta a 120 por hora", e um belo dia ela conhece o português/carioca com que se casaria.
O casamento não deu lá muito certo, mas em nenhum outro (nem com o tal médico baianao, viu, mãe!!) ela poderia ter tido filhas tão maravilhosas como ela teve!
Foi uma mãe tão moderna quanto foi uma adolescente pária.

Levava-nos para cabular aula, tinha paciência de Jó para nos levar nas baladas e esperar 5 meninas num carro decidirem se queriam mesmo ficar no Aeroanta ou ir pra Up and Down e o melhor: tinha uma habilidade invejável para encobrir nossos namoros do pai ciumento que tivemos!

Um belo dia a vida lhe deu a chance de rejuvenecer.
Ela se separou e com 50 e poucos anos foi à luta, começou a trabalhar como corretora e a cada dia ela se liberta mais. Hoje, com 63, sai à noite, se diverte e trabalha como ninguém, para ganhar o dela no fim do mês.
No Natal passado, ganhamos um presente que nunca imaginávamos: uma tatuagem, com as iniciais dos nossos nomes.



Imaginem minha nonna, de 88 anos, vendo a filha aparecer de tatuagem!
"Bahhhhhrbaridade, tchê, que é isso???"
"Ih, nonna, a mãe tá virando garota, daqui há pouco ela aperece grávida!"

Só falta arranjar o namorado, que já foi carinhosamente apelidado por nós de "Bigode"!
E aí, mãe, cadê o Bigode?????

Feliz dia das mães, mamita!

Inté!!

9 comentários:

Cláudia disse...

Adorei tudo! O post, as histórias, a tatuagem, a sua mãe...
Isso mesmo, dona Dora, cobra mesmo, porque afinal a gente carrega nove meses, perde noites de sono, carrega pra lá e pra cá e não pode nem pedir um post de dia das mães????
Feliz dia das mães para todas!
beijo

Garota do Zippo disse...

Que legaaaaallll!!!!!!!
É basicamente isso que desejo quando penso na minha vida a longo prazo: não ter medo de novidades, não ter medo de me divorciar (se for o caso), de namorar de novo, ser independente! Trabalhar é mto bom! Adoreeeei o relato sobre a sua mãe e, poxa vida, tb amei a história da tatuagem!
Por enquanto eu não pretendo fazer, mas aos 60 posso ter mudado de idéia muitas vezes. ;)
Beijos para vc e dona Dora

Sofia disse...

Lindo texto!! Dona Dora acabou de ganhar mais uma fã !
Abraços,

Tati disse...

pois é, meninas, a D. Dora amou os comentários de apoio!!! E eu também!!!
Beijos

Rubina disse...

Parabéns para a Dona Dora :)

Cláudia disse...

Dona Dora, só mais uma coisinha:
será que dá pra senhora arrumar um Bigode que tenha assim um filho disponível, ou um irmão mais novo, temporão?
obrigadinha!

freemind disse...

Assim é que é, há que viver até ao fim... sem barreiras e sem idade. Há ue ser feliz e aproveitar enquanto se pode... um exemplo a seguir.

mc disse...

Que máximo!!! Mente aberta, a da sua mãe. Que bom pra ela que achou seu lugar no mundo.

Anônimo disse...

Demorei para postar... mas tinha que comentar alguma coisa sobre esse texto lindo, sobre nossa mama!! É, aprendemos muito com essa mulher, dona Dora ou véia loca do 114, hahahahahaha.... mas é isso aí, menina de 63 anos, gata garota que manda ver na naraçao, hidroginástica, caminhada e sem medo de mudanças na vida.. só falta o bigode!! ARRASA, GATA!!!!! hahahahaha
bj a todas as mamaes!
Caia