sexta-feira, setembro 29, 2006

Fim, final, finitto...

Ontem foi o fim de um dos melhores shows de comédia que vi nos últimos tempos... Não, não foi o Seinfeld, esse teve seu fim há alguns anos... Foi o cômico Horário Eleitoral... Foi divertido, foi vazio, quase niilista... Acabou...
Quando eu era pequena, lembro que sofria muito durante a campanha na TV, pois não tínhamos tv paga... O último dia do horário gratuito era quase uma festa, nos sentávamos na frente da TV para presenciar o último dia, finalmente estávamos livres daquelas caras sem sentido, flashes um seguido do outro, sem dizer nada de significativo...

Ontem assisti com o mesmo senso de ritual ao debate, que pôs fim ao programa na tv. Não foi tão engraçado quanto o que vimos nas últimas semanas, na verdade foi até interessante, ouvir políticos efetivamente falando de propostas... Um pouco estranho, mas interessante... Fiquei pensando, se ao invés de eternos flashes de pessoas aleatórias gritando seus números (tem um que ficava falando o tempo todo "Samuel Silva, Samuel Silva, Samuel Silva. Samuel Silva, Samuel Silva, Samuel Silva"... pamonha, pamonha, pamonha...) nós tivessemos debates constantes, diários, na TV, quem sabe aprenderíamos a votar melhor...
Mas enfim, além da pérola helenística:

"Eles devem explicar a origem dos dólares na peça íntima do vestuário masculino"

nada foi exatamente material para a Jeca ... Muitos sorrisos, virtuais tapinhas nas costas e um Alckmin sambando por dentro, comemorando a ausência da "magestade barbuda e sua gangue de generais!"

Mas fiquei pensando nos finais... Fim... Tudo que possui um fim delimitado se torna algo ritualístico...

Pensa em fim de namoro... Eu passei alguns BEM ritualísticos, com direito a muito choro, ombro de irmã e de amiga, e um fechamento em alguma balada escura. Eu até desenvolvi algumas cerimônias para este fim: Um belo corte de cabelo e uma caça noturna a algum ser masculino que vai fazer sua passagem do "beijando a mesma boca por três anos" para "Tô de volta!". Faz um efeito...... Se você nem perguntar o nome desse pagé melhor ainda, o desapego é maior e você fica pronta pra vida de solteira!!

Outro fim que me toca muito é fim de livro... Quanto melhor o livro mais eu sofro seu fim. Finalizar um Garcia Marques, um Kundera e um Dostoiévski quase me força a um ritual complexo, com direito a choro e uma noite de insônia... Aí você supera, agarra outro, e começa tudo de novo...

E fim de festa?? Fiquei pensando por que muita gente fala que fim de festa é igual a fim de feira... Fim de feira é aquela zona, os melhores tomates já foram levados pra casa, as melhores maçãs estão prontinhas para serem devoradas, em casa...

Aí vem aquele ser que deixou pra fazer a feira na última hora, ou aquele que pechinchou as melhores frutas e não conseguiu nada. Só sobrou um tomate meio enrugadinho, meio troncho... Umas manchinas na pele... Uma maçã sem graça, sem cor, sem o cabinho em cima... Cara de sem gosto... Mas é fim de feira, é o que tem, e o cara tá com fome, tem que ser essa mesmo...
Por que será que fazem a relação festa/ feira?.... Não sei, sempre fui maçã boa, hehehe

E há inúmeros outros finais ritualísticos, fim de ano, final de Copa do Mundo, fim de semana, fim do expediente, etc, etc...

E fim de post!

Inté!

6 comentários:

tenho dito disse...

hoje serei o primeiro a comentar ! que honra !

Gostei da historia do corte de cabelo , etc.. etc... e tá novo ! Aproveitando o gancho as eleições de domingo, o Lula deve estar achando que vai ser assim tb... corta o cabelo, apara a barba e começa outro mandato como se o anterior não fosse ele... sexta-feira, não to inspirado para comentar mesmo...

Tati disse...

oi tenho dito... adoro seus comentários, e adoro saber que vc é meu leitor atento e constante...
mas... a pergunta que não quer calar... pq vc não me diz quem é vc? vc quer mesmo ficar na clandestinidade???
beijo e volte sempre

Caia disse...

Amei!! Muito bom!!!!

tenho dito disse...

o homem é escravo do que diz e rei daquilo que guarda para si... Dessa máxima tirei o seguinte, ou não falo ou não digo quem sou. Como a maioria do tempo guardo para mim os meus pensamentos, usarei o seu blog para dizer o que penso sem que a palavra esteja atrelada a imagem. Isso é o bom deste mundo virtual... Voce se re-inventa de Jeca Urbana e eu de Tenho dito

Tati disse...

pois é, mas todos sabem quem é a Jeca...
Mas tudo bem, tenho pouquíssimos amigos que escrevem bem como você, na verdade, uns três ou quatro, então meu leque é bem pequeno... até desconfio, pela linguagem, e se for efetivamente alguém que conheço, logo logo alguma idéia me esclarecerá....
inté!

Cláudia disse...

Então, Tati
Esse cara que a gente arruma pra esquecer o outro enquanto não aparece coisa melhor é carinhosamente conhecido pelos leitores do É o seguinte... tá bem? como GORDURINHA DE FOCA.

Veja a explicação para o apelido no post Gordura de Foca, de 11 de janeiro de 2006.