segunda-feira, abril 23, 2007

Herege!!!



Foto: Olhares.com

Se eu pedir a você que pense na vida típica do interior, sei de algumas coisas que naturalmente aparecerão em sua mente.
-Cavalo na rua
-Praça
-Coreto
-Mulheres debruçadas na janela
-Pessoas acenando na rua
e
-Igreja Matriz...

Nem vou me arriscar a escrever sobre religião, pois, ainda que não tenha uma, prezo as crenças dos meus queridos leitores.
Mas há muito tempo quero escrever sobre esse elemento tão característico de comunidades pequenas, que é a Missa....

Lembro que, quando era pequena, morava em um bairro pacato de Sampa. Ali no Brooklin, as ruas eram calmas e nós andávamos de bicicleta sem supervisão de ninguém. As saídas de bicicleta aos domingos à noite foram meu primeiro vôo, sentia-me livre e independente.
Mas aonde ir?
Íamos à missa.
Às missas.
Várias igrejas, sem nenhuma fidelidade, íamos aonde iam nossos amigos, íamos aonde era mais longe, ou às paróquias que doavam bíblias para as crianças. (eu nem as lia, mas amava ganhar livros, do que quer que fossem)
Lembro que o maior barato não era escutar sermão, mas reparar nas pessoas.

Já adolescente, vivi outra fase assim. Mais consciente, mais religiosa.
Era moda, na escola, participar de um encontro de jovens em um colégio vizinho. Passávamos o fim de semana ouvindo palestras, cantando músicas religiosas e trocando idéias. A missa final, no domingo, era muito emotiva, todos choravam, sentindo-se iluminados pela presença Dele.
E depois disso, a missa na capela daquela escola era programa obrigatório de domingo, mais para ver os amigos que para qualquer coisa.
Foi numa dessas missas que me decepcionei, que tive o click final que me afastou de vez da Igreja. Ali, aos 16 anos, levantei-me e fui embora, para nunca mais voltar. Mas até então, sentia-me parte daquela comunidade, algo assim, meio..... Interiorano...

E hoje percebo o quanto isso ainda é forte na roça.
(descurrrrrpe, Carolzinha, mas é roça mêmo!!!)

Todos sabem qual Igreja você freqüenta, e se não freqüenta, passa por algumas situações meio complexas.
Alguns alunos me perguntam se eu acredito em Deus, e para não cair numa discussão metafísica sobre Física Quântica e Energia Cósmica, contrariando as crenças que eles têm em casa, desvio do assunto.
Mas não escapo de ser ouvinte da conversa habitual de segunda de manhã:

"Eu não te vi na Nossa Senhora de Fátima!"
"Eu não fui lá ontem. Fui no Lavapés."

"Em que missa você foi?"
"Fui na missa das crianças, minha mãe me fez irrrr"

"E você, pro?"
"Eu? Eu? hã... Bem, eu... EU JÁ ABRI A APOSTILA, VAMOS TRABALHAR???"

Inté!!!

5 comentários:

Anônimo disse...

Ôôô minha linda!!! Eu adoro essa roça! E amo de paixão como vc fala dela com tanto carinho!
Na verdade, sei que vc pediu para os alunos fazerem um poema sobre Itatiba... e hj escrevi algo que rimou: "Itatiba terra de gente diferente... de gente que fala porrrrta e leeeite queeente... cidadezinha linda e envolveeente."
Um beijão pra ti!
E ainda bem que nessa roça podemos contar com a sua presença!
Vc é apaixonante como esse interior!
Carolzinha

Garota do Zippo disse...

EXATO! Respondeu perfeitamente. Qualquer declaração para as crianças que envolva religião pode ser a maior fria!
Naqueeeele colégio em que estudei o prof. de história sempre tinha problemas qd tinha que falar sobre a época da Reforma, Lutero, etc.
As mães apareciam! "Vc está induzindo meu filho a questionar deus!" =S
bjss

Mônica Montone disse...

Acho que vou para o inferno, porque nem quando era criança eu ia a missa, rs*.........

Sempre rezava antes de dormir, mas missa...... ui

beijos, linda e boa semana

MM

Capitão-Mor disse...

Mas o que é certo é que os cultos evangélicos ganham cada vez mais espaço na sociedade brasileira!!!! Haja paciência para pastor que grita! :)

Anônimo disse...

AAAAAi essas crianças...o pior é quando vc diz "Vamos trabalhar!" E o engraçadinho, capitão do time de futebol, futuro heart breaker diz: "Trabalho infantil é crime!" Se mata. 8 da manhã.
Lu, quem mais?