terça-feira, dezembro 11, 2007

Noção de Vícios

Achei interessante ler hoje, numa dessas colunas de fofocas na internet, a seguinte frase de Glória Maria, apresentadora da Tv Globo:

"- Não bebo há 12 anos, não fumo há 20 e não uso drogas há 18. Todo mundo fazia e eu achava que era chique – contou à publicação.

Segundo a apresentadora, os remédios naturais compõem seu único vício atual.

- Chego a tomar até mil cápsulas por semana e uma vez ao ano faço jejum de 10 dias só de chá, revelou.
"

"Não uso drogas há 18 anos", mas ingere mil cápsulas por semana, não me interessa se são naturais, sintéticas, ou de caldeirão de bruxa, o simples fato de ela depender de 1000 cápsulas mostra a dimensão de seu vício.

Vício é vício, independente se é de cocaína, álcool, adrenalina ou pílulas naturais. É algo que toma conta de sua rotina e domina seus pensamentos a ponto de ditar as diretrizes de sua vida. Isso ficou muito claro para mim, ao ler o livro de Amós Oz, fabuloso escritor israelense, chamado Contra o Fanatismo. Você compra o livro seguro de que vai aprender mais sobre os conflitos palestinos e judaicos, e se depara com a idéia de que até os vegetarianos que tentam converter dono de açougue são tão fanáticos quanto os homem bomba da área dele... Fanatismo é um estado de espírito, independente da ética da matéria.
Geração saúde demais, a ponto de olhar feio e dar palestra no boteco para quem come uma fritura?
Fanático!



Acredito que o mesmo acontece com o vício!
Vício é algo profundamente interligado ao fanatismo, seja o fanatismo por uma substância ou pela sensação que ela proporciona.

A única grande vantagem da Glória Maria? Poder levar sua droga, em sua linda necessaire provavelmente da Louis Vitton, embalada em vidros e legalizadas, para onde quer que vá...
E todo mundo, como ela há 18 anos, achando chique...

Me poupe!

Inté!!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Geração Saúde

Última semana de aula, recebo apenas alguns alunos na escola.
Geralmente são os que pegaram recuperação e aqueles cujos pais se recusam a deixá-los faltar.
Matéria terminada, dias letivos para cumprir, trago alguns contos para serem lidos.

"Pro, deixa a gente ficar na informática?"
"Tá, vamos lá, enquanto eu escrevo na Jeca vocês podem navegar."

Na minha cabeça atrasada, imagino que vão entrar em seus e-mails, ou sites de interesses juvenis.

5 alunos se sentam de costas um para o outro, nos computadores em círculo e entram todos no mesmo site. Jogo.

Ah, sim, vão jogar video game, cada um o seu preferido, né?
Não, eles todos entram no mesmo jogo, e se encontram virtualmente.
Mas não estão juntos, aqui, na vida real?

"Fulana, entra nesse quarto que aqui tem moeda!"
"Onde você está, naquele quarto ainda?"
"Ó, eu entrei agora, hein, esse aí sou eu!"

Logo se identificam e se silenciam, interagindo sem interagir...

Saúde mental total, não?

Inté!!

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Piada com a minha cara?

Manchete da Folha Online de hoje:

Lula cogita aumentar repasse da CPMF para a Saúde.

O que eu leio é:

Lula chama cidadão de idiota, como se ele não soubesse que o imposto do cheque foi criado JUSTAMENTE para ser INTEGRALMENTE repassado à Saúde!

Rir da minha cara às 7 horas da manhã, em um dia de chuva é pedir pra sair!!!!!
Saco nele!!!!!

Inté!!

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Chega uma hora em que o pé fica looonge....

Chamamos de raízes às marcas de quem somos.
Muitas vezes elas são fortes demais e jamais mudam, como por exemplo, sutilezas de sotaque...
Meu pai, há 60 anos no Brasil, ainda fala "iel" para "ele" e "trcéiro", para "terceiro".
O chimarrão obrigatório nos Colla Household é registro orgulhoso de nossa gauchice tropeira.

Muitas vezes elas são passageiras e muito piegas, como quando morava em Nova York e, com saudades patrióticas do Brasil, caí no choro em uma boate ao ouvir... é.... então.... O Bonde do Tigrão.... Pois é, confesso, mas o leitor deve entender que o nível de sensibilidade do exilado chega a tal nível que até a manifestação mais risível se torna o maior marco de identidade cultural. Ainda bem que a egüinha pocotó ainda não existia naquela época, minha vergonha seria bem maior.

Aqui na roça não é diferente, claro...
Pode-se cair no ledo engano de se crer que não há tanta diferença entre São Paulo e uma cidade que fica a 70 kilômtros dela, mas as raízes nos acompanham até quando mudamos de bairro, de cidade então, nem se fala.

Há três anos aqui, tenho mantido fielmente meu kit de paulistana nata.
Não aderi ainda ao "porrrrta", nem à falta quase obrigatória de plural, que domina a fala dos mais instruídos, por incrível que pareça.
Há, claro, outras coisas que me ligam à capital, como casa da mãe, USP, amigos, médicos, etc.
Mas aqui, no dia a dia da vida do campo, havia duas raízes fortes que ainda mantinham meu cordão umbilical firme e forte com a metróple: título de eleitor e placa de carro.
Até semana passada, pelo menos...

Ao trocar de carro, precisei abrir mão da minha placa de São Paulo. Agora sou EU a motorista da frente que eu mesma xingava pela placa:
"ê, caipira, anda mais rápido..."
"Putz, que devagar... Essa povo não tem pressa mesmo...."

Havia uma identificação completa com carros de São Paulo, algo como uma piscadela de irmãos, que sabem o que é ser paulistano. Agora não tenho mais, preciso gritar "é só a placa, eu não sou daqui!!!" mas ninguém me ouve...
Entro em São Paulo e me sinto na obrigação de escrever uma nota, daquelas de papel sulfite coladas no vidro traseiro, dizendo que não me julguem pela placa, que na verdade sou como eles, paulistana...
Sou?
Ainda?
A poluição já machuca meu nariz?
Os motoqueiros já me assustam?

Mas ainda não me sinto pronta para mudar meu título de eleitor, nem para assinar o Jornal da Cidade. Quero discutir a prefeitura de São Paulo, quero ler a Folha e quero saber o que a sub-prefeitura do Butantã tem feito pelo Morumbi!

Ah, o título do post?
Não tem nada com o assunto, é que hoje de manhã sofri para colocar a meia, e percebi qué a barriga atrapalha o acesso ao pé....
Só isso....

Inté!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Dia Especial...

Precisava logo postar algo novo, não só para atualizar o blog, mas principalmente para tirar a cara daquela menina medonha da tela de entrada da Jeca! Não agüentava mais vê-la ao abrir o site...

"Sai desse bloooooooog que não te perrrrrteeeeeence"...
Vixe, saravá!

E hoje tenho um bom motivo de comemoração. Além de ter visto que Romeo já está de ponta cabeça, pesando 1,630 ks e medindo 37 cms, tive o grande prazer de entregar meu relatório de qualificação do mestrado!
A parte mais difícil está concretizada, agora é esperar a banca (dia 18...), ouvir as críticas, sugestões e aproveitar o final da fornada do Romeo para acabar de escrever.
Sabe aquele papo de que escritor que se preza compra uma casinha no campo pra fugir da loucura da cidade e escrever em paz?.... Tarãn.... Jeca só se preocupa em ver se a Siriema veio beber água na piscina e já está de volta ao computador, serena...

E por coincidência, hoje recebi um e-mail de um grande amigo, me indicando um blog chamado War in Rio, que dialoga diretamente com meu trabalho de pesquisa. (aliás, muito obrigada pelos elogios, ainda que "melhor blogueira do Brasil" tenha sido absolutamente advocatício e demagógico, rsrsrs... mas gostei, obrigada...)

Para quem não sabe, minha dissertação fala sobre violência e literatura infantil e juvenil e vem sendo um trabalho e tanto escrever sobre isso. Opiniões diversas e livros diversos me puseram em sinucas de bico com relação a posicionamento.
Até que ponto as crianças devem ou não ser postas em contato com livros violentos?
Mas até que ponto já não estão em contato com o material artístico na realidade?...

E esse quastionamento fica mais forte quando analiso um livro contemporâneo, de 2006 que fala sobre um seqüestro no Morumbi.
Analisar violência no século XIX é tranqüilo...
Trabalhar um livro da época da ditadura militar no Brasil já é um trabalho de distanciamento que o deixa interessante...
Mas falar do aqui e agora é outro papo.

O blog do qual o Evandro me falou, mostra um tabuleiro como o do jogo War, só que se passa no Rio de Janeiro. Até onde percebi, é uma maneira de protesto, ainda que baseada em humor negro e de mal gosto.
Frases como "War in Rio é reflexão e entretenimento canalha" ou "O objetivo do projeto é gerar uma discussão através de uma proposta cínica de diversão" me deixam com o pé atrás.
Jogo não é arte, jogo dificilmente discute alguma coisa. Jogo é algo associado a entretenimento puro, sem objetivo algum de reflexão.
Será que "rir" da situação no Rio ajuda em alguma coisa?
Será que "diversão cínica" não é justamente o que nos trouxe até aqui?

Ainda acredito que um bom livro, um bom filme ou um rap de qualidade que retratem o que acontece, ao invés de nos transformar em "peões" de traficantes têm mais efeito reflexivo que um momento de banalização extrema da guerra em que vive o carioca.

Ainda não vi os árabes rindo de sua situação...
Nunca conheci nenhum judeu que carregasse um joguinho de "entretenimento canalha" na bolsa...

Certas coisas não são definitivamente motivo de riso.
Bem brasileiro, infelizmente...

Inté!!

quarta-feira, novembro 28, 2007

Tá aqui, alguém traz o saco?

O vídeo da menina de quem eu falo no post abaixo...

Não quero desrespeitar nenhuma crença, de maneira alguma, mas meu único questionamento é: até onde eu sei, o tal Senhor ouve até oração por telepatia, ou seja, mudo também fala diretamente com Ele, então... Pra quê gritar?????

Pede pra sair!!!!

Feliz com a ressurreição da MH, cheguei ao blog dO MH, e vi um post que me intrigou... Ele enumera 5 pessoas em quem ele colocaria o saco plástico na cabeça... Lógico que logo me vieram as tais figuras, roxas, arrependidas ou amedrontadas, não sei, mas roxas enfim.

Antes de mais nada, devo confessar que ainda não assisti ao filme Tropa de Elite. Eu tenho a tendência de fugir de tudo que é "in", por algum motivo desconhecido da minha consciência. Especialmente quando já sei de cor e salteado o enredo, as personagens e até a porra da musiquinha que embala as torturas... Não tem um dia que eu não entoe "pará pá pará pá pará pá pá...". Uso a metáfora do Capitão nascimento com meus alunos e brincando, mando pedir pra sair.
Pra quê ver o filme, então?

Conhecendo-me como conheço, quando sair em DVD e todos já tiverem esquecido o filme eu pego, como fiz com o Código Da Vinci, e quem sabe um dia farei com o Caçador de Pipas. Detesto Best Seller e Blockbusters...

Mesmo por que tenho a obrigação de um trato que fiz com a minha irmã. Se ela assistisse a três episódios do The Office eu assistiria ao Tropa. Ela já conhece Michael Scott, Dwight Schrute, Jim e Pam, e eu ainda não cumpri minha parte. Mas vou...

Enfim, as pessoas em quem eu colocaria o saco na cabeça são:

1- Renan Calheiros, pra dar exemplo...

2- Hugo Cháves, just for fun...

3- As madames que descrevi em post de março, que levam a babá para a praia e nem sequer lhes proporcionam o prazer de usar um maiô e se divertir também. Enquanto as tais moças de branco cuidam dos "brats" mimados (os mesmos que quando crescerem darão perda total na Ferrari que papai lhes deu.... Quer atenção ou o quê?) elas madamemente folheiam (e lêem, por incrível que pareça) a mais nova edição de Caras. Pelo princípio da coisa...

4- Paulo Coelho, pelo bem da litaratura...

5- Numa menina cuja voz sai do meu rádio quando chego em casa, e minha empregada escuta quando não estou. Ela me lembra o Exorcista, deve ter uns 10 anos e prega (ou melhor, GRITA a palavra Dele...) Entro e tenho que trocar a rádio logo, se não tenho medo de ter pesadelo. A pequena pastora é carioca, e profundamente agressiva e histérica. Me dá medo. "Senhooooooorrrrr, abre a poooooooorta, Senhoooorrrr.... Moisééééééééééiixxxxxxx eixxxxxtááááá defronte o Mar Verrrrrmeeeeeeeelho, Senhooooooorrrrrr".
Saco nela...
Por quê?
Pra eu ir pra fogueira, né, imagina e legião de seguidores me perseguindo por resto da vida. E é capaz dela ainda furar o saco plástico com os agudos e atribuir o milagre à "mão diviiiiiiiãããna Senhooooooorrrrr"...

Pode deixar, eu mesma peço pra sair...

Inté!!

segunda-feira, novembro 26, 2007

O quartinho

Deixo aqui uma fotinho do quarto do Romeo, pintado neste final de semana. Faltam móveis e a cortina, mas o básico já está pronto. Na parede, um poema do Mario Quintana.
Inté!!


sexta-feira, novembro 23, 2007

Sobre carros...

Foi-se o tempo da simplicidade. Foi-se o tempo em que a palavra de honra de uma pessoa valia mais que sua própria vida. Foi-se o tempo em que o homem acreditava no... homem.

Pensei nisso ontem, em meio ao difícil processo de se trocar um carro velho por um novo. Quase um escambo... Algo tão antigo quanto nossos ancestrais portugueses e indígenas.
A negociação inicial parecia tão simples: você deixa seu carro, pelo valor de tanto, e leva o novo, pagando a diferença de tanto.
Simples, não?
Mais ou menos.

O passo seguinte vem por fax, acho que para evitar o xingamento do cliente e uma possível agressão física. (É como ter que ligar para alguém com quem você não quer falar, o grande alívio de se cair na caixa postal... Ufa...) Uma lista imensa de documentos que devem ser entregues para se liberar o produtinho novo... Claro que certos itens são até compreensíveis.

-Manual do carro, chave reserva, documento original transferido e autenticado, porte obrigatório (sim, como o de armas... O documento que você lava na carteita se chama porte obrigatório...), DPVAT pago e guia de multas pagas. Então você se depara com os seguintes itens:

-Revisão de motor, feita no posto DINHEIRO FÁCIL, na avenida BUROCRACIA, número X! Valor a ser pago: 40 reais.
-Certificado de IPVA pago de 2005, 2006, 2007..... (caso o cliente não possua, pagar taxa de 30 reais na Secretaria da Fazenda para adquirir)

A grande vantagem de ser Jeca, nessas horas, é a facilidade em se resolver tais questões.
Cartório sem fila, cidade sem trânsito, você no balcão às 10h30 e sua aula começa às 10h50. Você chega atrasada? Não... Chega uns minutinhos antes, com tudo resolvido, e ainda toma um cafezinho.

Então deve ir à cidade vizinha onde está o tal posto da secretaria da fazenda... Outra vantagem de ser um paulistano morando no interior é a capacidade impressionante de se locomover em lugares desconhecidos. Para quem morava no Morumbi e teve que ir até Arthur Alvim ver o boleiro do casamento, ir de Itatiba a Jundiaí é melzinho na chupeta. Umas referências dadas e pimba, chega lá em 25 minutos.

Aí o bicho pega. Pode ser da metrópole, da roça ou de qualquer outro canto desse Brasil Baronil, somos todos filhos da burocracia nacional!

Fila na Secretaria da Fazenda? Nenhuma. O senhor de óculos que mal te olha no rosto preenche o pedido dos comprovantes de 3 anos de IPVA, você acreditando que serã tão fácil quanto chegar até lá. De repente, ele muda o tom, e diz:

"Olha, aqui é assim que funciona. Você leva estes formulários, preeenche, traz uma cópia dos seus documentos autenticada e paga as taxas no banco. Aí volta, protocola e nós encaminhamos para fazer o comprovante."

Você olha de novo o pedaço falho de fax com as instruções e pergunta:

"As taxas? Não são só 30 reais?"
"Sim, 30 reais para cada ano solicitado..."

Ah, váprapatacapara!

Mais urbana que Jeca, você sai em direção à concessionária, que fica ali perto. Irada, bufando e ensaiando no carro o discurso.
Chega e vê o vendedor que vem falando com você há dias, e todo dia faz a mesma pergunta: "E o bebê? Como está?"

"Olha, até onde chequei ainda está aqui. De ontem pra hoje ainda não saiu, e acho que ainda vai demorar pra sair."

Claro que isso você só pensa, mas já chama o rapaz na chincha, que papo é esse de me fazer gastar 90 reais de comprovantes mais 40 de inspeção no carro, se tenho os documentos aqui? Se o governo me deu os documentos quer dizer que paguei a porra do IPVA, então se ele quer mesmo que eu busque os comprovantes, vai ter que descontar do preço do carro!

Jeca geralmente tem medo de bronca, não gosta muito de conflito, e logo o rapaz resolve, e "pra você a gente dá um jeito..."

Dar jeito? Não estou pedindo tratamento especial, mas justo.

Saí mais calma, porém não menos revoltada com nossa cultura burocrática.
Em homenagem a isso, deixo com vocês um vídeo excelente dos meus portugueses queridos, para o final de semana...

Inté!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Sinais da Idade

Não se trata de rugas, apenas, não...
São alguns sinais perceptíveis que te fazem suspirar e pensar:
Nossa, estou ficando velha...

-Acordar às 8 da manhã no final de semana e falar "que delícia, é tão bom acordar tarde..."

-Passar por uma rua e notar que a casa onde você fazia aulas de inglês foi demolida e em seu lugar há um prédio comercial.

-Ouvir uma pergunta com o seguinte começo: "Pro, antigamente, quando você era criança..."

-Perguntar a um aluno mais alto que você em que ano ele nasceu e ficar horrorizada ao descobrir que foi em 1996... Não 1986, 1996!!!!!

-Constatar que amigos de adolescência ficaram carecas.... (antes dos devidos revides, preciso dizer que muito mais interessantes, mas incontestavelmente carecas...)

-Lembrar que "antigamente" não se passavam traillers no cinema, mas a Semana do Presidente e lembrar da frase:
"Nesta semana, o excelentíssimo presidente da república João Figueiredo esteve".....

-Ter plena consciência da evolução da Madonna.... Alguém quem nasceu em 1990 entende essa frase???? Duvido!!!!

-Ter vergonha de dizer que precisa de um carro maior U-R-G-E-N-T-E-M-E-N-T-E pois vai ter nenê e P-R-E-C-I-S-A de um porta mala gigante para as coisas dele. Vergonha por que se lembra muitíssimo bem de sair de viagem em um Fiat 147 sem ouvir gritos desesperados dos pais por causa de falta de espaço.

E claro, o sinal último da chegada da idade:

-Chamar as filhas de suas amigas de "nora".........

ai, ai....

Inté!!

terça-feira, novembro 20, 2007

Quem resiste?....


Todos sabemos que mulher não precisa achar um homem perfeitamente lindo para o achar irresistível... Isso é sabido e notório, olhamos charme, postura, etc e etc. Ok...
Tudo já muito falado e discutido...
Mas certos casos são quase lendários...

Um deles é o Chico Buarque.

Eu nunca havia caído nas malhas de sua aura magnética, apesar de ser fã de carteirinha.
Amo sua música mas nunca vi nada nele além disso.
Se formos observar de perto, ele tem um nariz feio, uma pele furadinha e é do tipo magrelinho. Eu sou grande demais para homem magrelo...

Olhando as fotos antigas, sempre achei que se eu freqüentasse Ipanema nos anos 60, o Tom Jobim teria tido muito menos trabalho para arrancar minha tanga que o Chico, que eu deixaria de boa vontade para a Marieta...
Até hoje.

Comprei um box de DVDS dele, e estou há dois dias os assistindo.

Ouvi-lo cantar com o Edu Lobo e falar da ditadura é de arrepiar.
Vê-lo humildemente se esconder com os backing vocals para deixar a Velha Guarda da Mangueira brilhar é de encher os olhos de lágrimas.

Agora...

Vê-lo cantar, olhando para a câmera (ou para VOCÊ, dependendo do seu nível de absorção utópica):

"Te dei meus olhos pra tomares conta", enquanto aquelas duas bolas de gude azuis, embaixo de sobrancelhas pedintes urgem por um colo, é de entender a magia dele.

Tá bem Chico, eu provavelmente teria me danado nas mãos do sedutor e malandro Tom, mas se topasse com esse seu olhar de cachorro sem dona ao sair dos braços dele, já sei que seus braços pequeninos e ossudos poderiam me embalar, facilmente...

"Dizer que não quero, teus beijos nunca mais...."

Inté!!

segunda-feira, novembro 19, 2007

Soluções Urbanas para Problemas Jecas!

O que você faria se encontrasse, grudada à parte interior da sua janela do closet um princípio de casa de marimbondo?

a) Chamaria o jardineiro para removê-la e passar SBP.

b) Muniria-se de uma vassoura e descontaria sua raiva contra a CPMF nela.

c) Tamparia a entrada dos marimbondos com creme de barbear.

d) Nada, eles chegaram antes!
(Como bem nos disse em reunião uma ecologista do Ibama, ao tentarmos chegar a uma solução sem sangue, mortes ou extinção das 200 capivaras que moravam no condomínio!

"Vocês não podem fazer nada, elas chegaram ali antes..."

Um morador raivoso respondeu em melhor estilo urbano:

"Mas elas não pagama IPTU!!")


Enfim, você teve tempo para pensar? Abaixo segue a resposta...



















quarta-feira, novembro 14, 2007

Desafio de Rubina

Recebi o seguinte desafio de nossa amiga Rubina:

1º) Pegue um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2º) Abra-o na página 161;
3º) Procure a 5ª frase completa;
4º) Poste essa frase no seu blog;
5º) Não escolha a melhor frase nem o melhor livro;
6º) Repasse para outros 5 blogs.

"E a denúncia desse absurdo se faz através de um outro absurdo: o que resulta da subversão não só das leis naturais que nos regem, mas principalmente da linguagem. Indiscutivelmente, o grande valor literário de Alice no país das maravilhas está em sua invenção de linguagem, correspondendo essencialmente à natureza das fantásticas aventuras ali concretizadas."

Nelly Novaes Coelho, em Panorama Histórico da Literatura Infantil/ Juvenil.
(Em época de qualificação de mestrado, os livros mais próximos são os teóricos mesmo. Se pudesse escolher, a Ana Karienina está bem atrás, guardada para a licença maternidade, rsrsrs.)

Repasso aos seguintes amigos:

Cláudia
MC
Gatta
Capitão
Carolzinha.

Último capítulo do Funeral abaixo...
Bom feriado!!

Blogsérie: O Funeral, capítulo final

Acabou tudo muito tarde. Sílvia se esquecera de que certos eventos páram a cidade, que na falta de lazer, usam até os funerais para se encontrar e bater papo. Não suportava mais, também, os discursos que sua irmã pedira ao pastor. Sentia-se enganada, suja, vendo sua mãe ali, obrigada a uma bênção que não era dela.

Quando finalmente D. Lourdes descansou, rumaram para casa, juntos, caminhando pelas ruas de terra da cidade. Paula ia à frente, buscando as mãos de Nelson. Sílvia observava os sobrinhos, que eram totais desconhecidos, apesar de traços familiares. Marta parecia aliviada, quase feliz. Será que se sentia vitoriosa, por ter imposto, no último momento, sua fé à mãe?

Viu o ônibus, quis entrar nele. Tinha feito o que precisava, não queria mais entrar pelo portão de ferro daquela casa. Casa de ninguém.

Jantaram em silêncio, sem fome, à beira da tensão.

Sílvia foi a última a se levantar, e secou a louça que a sobrinha lavara.

Cansada de todos, foi para seu quarto, de onde esperava sair direto para São Paulo. Mal fechou a porta e ouviu alguém bater.

-Posso entrar?

-Pode, Paula, achei que você tinha desistido de conversar.

-É, eu pensei nisso. Mas o que você me disse hoje antes do velório ficou na minha cabeça, e não quero deixar isso assim. Você acha mesmo que eu queria ter a sua vida?
Paula não parecia tão ameaçadora quanto antes.

-Acho, desculpe mas acho. É a única coisa que posso pensar pela maneira como você me trata. Apesar de que você não é lá muito melhor com a Marta.

-A Marta é uma tola, eu tenho é pena dela.

-Pena? A voz de Marta apareceu por trás das duas. – A porta estava aberta, ia descer para beber água e ouvi vocês. Pena, Paula? Por que eu precisaria de sua pena, se tenho o apoio Dele?...
Paula falou rispidamente:

-Dele? Dele, quem, Marta???? Quero só ver o que você vai fazer agora, que não tem mais a mãe como desculpa para não viver! Nem freira pode ser, por que na sua igreja não tem isso. E vai ficar sentada esperando um homem de bem, que aceite você com quase 40 anos, ainda virgem. Pena sim, por que isso nunca vai acontecer.
Marta ficou em silêncio, e só pôde responder depois de engolir o nó de choro.

-Olha pra você, Paula. Tem tudo isso que você acha que eu deveria ter e é infeliz. Seus filhos estão crescendo, cada vez mais afastados de você; sua beleza já foi embora há muito tempo e se ficar sozinha seus antigos casos não iam te querer nem no escuro. E a chance de você ficar mesmo sozinha é grande, já que seu marido ama sua irmã mais velha! Pois é, irmã, acho bom você engolir sua pena, por que daqui a uns 20 anos, vamos estar as duas, sentadas nessa mesma varanda onde a mãe morreu, tricotando para ninguém! Juntas e sozinhas!

Sílvia sentiu a espinha gelar, pois sabia que a conversa ia agora para o assunto que menos queria discutir.

Tentou consertar antes de ser confrontada.
-Marta, não é verdade... Eu fui colega do Nelson há muitos anos, eu mal lembrava dele.

-Mas ele lembrava, e pelo que vi hoje no velório, muito bem, murmurou Paula, enquanto fingia dobrar a colcha na cabeceira da cama.

Ficaram as três em silêncio, por algum tempo. Marta olhava pela janela, talvez na tentativa de vislumbrar algum sinal Dele que a provasse certa.
Paula mordia o lábio inferior e tinha uma sobrancelha levantada, enquanto se ocupava com um pedaço de cutícula. Tivera sempre mãos nervosas.
Sílvia as observava, enquanto abraçava o travesseiro, quando teve a consciência plena de que aquelas mulheres ali ao seu lado eram estranhas com quem estava forçando laços inexistentes. Ouviu um copo se quebrar na cozinha.

-Talvez você tenha razão, Sílvia, talvez eu realmente gostaria de ter tido a coragem de ir embora daqui. Mas eu não invejo você. Não queria a SUA vida. Queria simplesmente outra vida...

-Você tem tempo, Paula. Não precisa largar tudo, seus filhos, mas pode mudar o rumo, ajustar a vela...

-E você poderia ter um pouco mais de fé, Sílvia. Tem essa pose toda de fortona, de independente, mas tenho certeza de que se sente frágil, desamparada.- Marta interveio, sem tirar os olhos das nuvens noturnas. Já era tão tarde...

Sílvia teve vontade de responder, de dizer que sua fragilidade não era em nada mística, que não precisava do oculto, ou “dele” para se sentir protegida. Quis dizer que vivia na realidade, e que na realidade, o homem que a guiava na igreja dela estava era bem rico, enquanto ela contava trocado pro pão. Quis berrar que, como Paula, também tinha pena da irmã, que a achava ignorante e cordeira, e que ela cheirava a mofo. Disse apenas:

-Pode ser.

Depois de mais um buraco silencioso, Sílvia olhou o relógio e se angustiou com aquela conversa circular.

-Por que não continuamos amanhã? Estou super cansada e pra ser bem sincera, acho que esse pronto socorro de feridas não está resolvendo nada. Vivemos em três mundos diferentes, e se nem com mamãe viva nos aproximamos, sem ela é praticamente impossível.

-Então pra que continuar a conversa? Vou ter que olhar o Nelson todos os dias e me lembrar de você... É o que me sobra.

-Isso é com você, Paula. Eu não posso te ajudar em nada. É sua escolha.

Marta voltou o rosto para o quarto, enquanto se dirigia à porta:

-Amanhã nos vemos?

Paula já estava fora.

-Talvez. Acho que saio bem cedo.

-Boa viagem, então. Que Ele te acompanhe.

-Obrigada, Marta. Se cuida.

Sorriram aquele sorriso em que o lábio inferior simplesmente empurra o superior, sorriso inventado para essas situações, em que nem se ama, nem se odeia.

Sílvia ficou sozinha, mais uma vez. Em meia hora abriria a porta do carro, e sumiria na noite. Aliviada, resolvida.
Para nunca mais.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Rosa ao mar...

Vi em um documentário na GNT um exemplo clássico de desrespeito religioso, mais um que me faz ter a certeza das minhas convicções ecumênicas!

Em um templo na Índia, indianas que cuidaram de seus cabelos durante 15, 20 anos em nome da religião os cortam como oferenda aos seus deuses. OFERENDA! Aos DEUSES.....

Sempre que via as moedas de Ienes jogadas nos templos Budistas no Japão me perguntava para onde ia aquele dinheiro. As pessoas o atiravam para Buda, mas nunca vi Buda comprando comida ou roupa, então não era ele quem gastava...

Será que as tais indianas nunca se perguntaram se sua oferenda chega mesmo às mãos de Krishna, Vishnu ou Shiva?

Por que se o fizerem, vão perceber o enorme engodo a que se submetem.

Os cabelos são recolhidos dos templos e vendidos a fábricas italianas de apliques, sofisticadíssimas, que os tratam, tingem, e revendem a preço de trufa aos salões de beleza da Europa e EUA.

Os "temple hair", como são chamados, saem da categoria oferenda e voam direto para as lindas cabeças das socialites, que pagam absurdos e duvido que elas agradeçam a Shiva pelo empréstimo da oferenda feita a ele...

Patético, triste a revoltante exemplo da exploração humana...

Inté!!

Plim Plim!

Eu fui loira uma vez.

Uma vez mesmo, por que quando tive que refazer as luzes deu uma preguiça desgraçada e eu voltei à forte morenice. Gosto de ser morena, afinal, é com elas que os homens se casam né?... Mas durante os três meses que eu aderi ao look "femme fatale", pude notar o quanto uma simples cor de cabelos muda a percepção das pessoas com você.

Não é preciso ser liiiinda não, basta ser loira, que os primeiros olhares serão seus. É batata.

A morena precisa, para receber esta tal atenção imediata, de atributos chamativos, sejam lábios jolinianos, altura de assustar anão, um belíssimo par de airbags ou um amortecedor traseiro de torcer pescoço. Como grande parte de nós, mortais, possui isso tudo em proporções normais, ganhamos em outros quisitos, como "conjunto de obra", "harmonia" e "evolução".

Para tal avaliação ser feita, entretanto, não basta o soar da bateria, mas a escola tem que passar inteira.

Isso leva mais tempo.

Eu sempre fui desta classe de mulheres, das que não chegam a parar o comércio mas ganham fregueses bons e fiéis. Assim sendo, nunca proferi frases como:

"Nossa, ele falou comigo olhando meus peitos", ou

"Ele nem olhou na minha cara, só pra minha bunda".

Claro que esta situação mudou....

Não, não siliconei nada, nem mesmo os finos lábios. E também não voltei a ser loira.

Simplesmente engravidei.

"Ah, a Jeca deve estar usando sutiã 50 double cup, arrasando no decote!!!"

Foi o que você pensou? Pensou errado!

Continuo abaixo das expectativas peitorais, mas há algumas semanas, as pessoas não me olham primeiro no rosto.

Descem pra barriga!

É engraçadíssimo perceber tais nuances, é um simples piscar de olhos, da rapidez da sinapse feita do seguinte pensamento:

"Jeca chegou / Jeca está grávida/ Como será que está a barriga da Jeca?"

Plim, olho no umbigo! E sei que eu faço a mesma coisa, é tão gostoso acompanhar a evolução de uma barriga, não?....

Por isso deixo aqui, hoje, uma breve demontração... A barriga de 6 meses e meio! Enjoy! Inté!! Boa semana!!

Blogsérie: O Funeral, capítulo VI

O dia começou com um estalido. Era o som do caixão de madeira barata se abrindo, enquanto as filhas em volta esperavam para ver a silhueta da mãe.

Marta, chorando, segurava seu livro santo, e o apertava contra o peito. Sílvia sentia ternura pela irmã, cujo único mal era acreditar demais. Não sem uma certa arrogância, a achava pequena. Mas boa.

Paula estava ereta e sua expressão era de força, quase indiferença. Mas Sílvia notava suas mãos nervosas, inquietas, trêmulas. Era filha, antes de tudo.

E Sílvia não sabia o que esperar. Até aquele momento, tinha ido velar uma idéia, um conceito de ser humano que há alguns anos não via. D. Lourdes era um conceito, nada mais.

Até escutar o estalido, e mudar sua atenção das irmãs para dentro da caixa. Sentiu frio. Frio interior, daqueles que murcham o estômago e tiram a força das pernas. Perdeu o ar para a garganta fechada.
Foi a primeira a se aproximar do corpo, e tocar-lhe a face. O calor do abraço não estava mais ali. Sua mãe não estava mais ali. O que via era uma senhora enrugada e com semblante triste, que a maquiadora da funerária tentou rejuvenecer.

-Mamãe parece uma puta, quem é a maquiadora?
-Paula, por favor, calma... Isso lá é jeito de falar!

Sílva caminhou em silêncio até a bolsa e pegou um creme. Enquanto Paula esbravejava e Marta chorava começou a limpar o rosto da mãe.

-Desculpa, mãe, desculpa, tá? Sei que não fui a melhor das filhas, mas sempre te amei... Desculpa, mãe, desculpa...

Enquanto falava com a mãe, não reparou que começou a chorar. Também não se deu conta de que suas irmãs haviam parado de discutir e a escutavam. Só voltou a si quando Paula falou:

-Ah, agora adianta, né, Sílvia, agora que ela não te escuta mais. Fácil pedir desculpas pra morto, né?

Em uma fração de segundo Sílvia se esqueceu de onde estava. Esqueceu-se de que aquela pessoa era sua irmã e que seu ataque era na verdade parte de uma amargura sem fim. Esqueceu-se de tudo, e agarrou-a pelo pescoço, empurrando-a contra a parede, raivosa, febril.

-Escuta aqui, sua mal amada, não vou mais admitir que você me trate assim. Chega, se a sua vida é uma merda e a minha não, não é problema meu! É problema SEU! SEU!! Ninguém mandou você ficar nessa cidade, ninguém mandou você se casar com o primeiro trouxa que apareceu só por que ele não sabia a vadia que você era, ninguém mandou você se encher de filhos e desistir da sua vida! NINGUÉM!!!

Paula ficou grudada na parede, atordoada com uma represália que ninguém ousava contra ela.
As pessoas começaram a chegar e a briga ficou para depois.

Tudo era estranho para Sílvia. As pessoas que um dia a conheceram a abraçavam como velhos amigos, e ela não agüentava tanta pele. Tanto beijo e tanto aperto. Por que toda esta intimidade agora? Não queria nada disso, queria apenas rever a mãe, mesmo que fria e deitada. Encostou-se no caixão e ali ficou, horas a fio, até ser acordada pelo cunhado.

-Estou indo buscar comida pra Paula, você quer alguma coisa? Sabia que já tem Mc´Donalds na cidade?

Sílvia sorriu, feliz com a tentativa de Nelson de alegrá-la um pouco. Era a única pessoa que era doce com ela.

-Obrigada, estou bem.
-Você vai embora quando? perguntou ele, enquanto passava os dedos na borda do caixão, e olhava para a sogra.
-Não sei, acho que hoje mesmo. Nem sei por que vim.
-Hoje? Imagine, não vou deixar você pegar estrada à noite.
-Não agüento mais, queria ficar uma semana, mas não tem clima. Não imaginei que as feridas fossem tão grandes.
-Não deixo, é final. Pelo menos dorme e vai amanhã cedo.

Sílvia olhou com carinho para Nelson, e agradeceu-lhe a atenção com um afago no braço. Era bom tê-lo ali, pelo menos um dia fora seu amigo...

Nelson saiu e Sílvia viu que Paula os observava. Desviou o olhar, suspirando.
Sentiu a irmã se aproximar, e tomar ao seu lado o lugar em que antes estivera Nelson. Com o mesmo movimento de acariciar a borda de madeira, Paula perguntou, em voz baixa, quase amável:

-Você e ele já se conheciam, né?

Sílvia não respondeu, só a olhou.
Paula levantou os olhos, e pela primeira vez Sílvia a viu frágil, chorando e suplicante.

-Já... Há muitos anos. Ele fez faculdade comigo. Só acho que este não é o momento de...
-Sim, eu sei. Não é o momento. Podemos conversar à noite?
-Eu ia embora, Paula. Ia depois do enterro.
-Vai amanhã. Conversamos à noite.

Paula se afastou e Sílvia olhou o relógio, acima do Cristo crucificado.
Já era quase hora do enterro.
O dia passara rápido, mas sabia que tinha uma longa noite pela frente....


Último capítulo, semana que vem... Inté!!

quinta-feira, novembro 08, 2007

"Ê, ôô, vida de gado...."

Uma chuva forte...
Um vendaval poderoso....
Um barulho do inferno...
Um beiral destelhado...
Uma Jeca desesperada.....







Por essas e outras do campo, O Funeral só amanhã, tá?......
Inté!!

quarta-feira, novembro 07, 2007

Desculpas...

Devo desculpas a meus leitores, pela falta de tempo, tanto para postar, quanto para ler meus queridos blogs que visito todos os dias. Ou visitava...

A correria é grande, especialmente final de ano em escola! Só para terem uma idéia, eu sempre fui muito boa de cama, daquelas que dormem 10 horas sem levantar pra fazer xixi, e em uma família de insones, sempre fui a ovelha negra! De segunda para terça feira, acordei às 2 da manhã e não dormi mais. Às 6 me levantei para ir trabalhar como se jamais tivesse me deitado, e durante essas quatro horas, fiquei enrolada na "to do list" que me tira da Jeca!

-A Feira Cultural da escola, que teremos no dia 01!
-A preocupação em vender meu carro para comprar outro maior, pra caber tudo que o Romeo exigirá!
-Tudo o que o Romeo exigirá! Fomos ao Brás comprar enxoval na segunda feira, e por mais que tenhamos lotado a Land Rover até o teto, falta muuuuiiiita coisa! E, claro, dindin pra tudo... O quarto, em plena 26 semana nem começou a tomar forma de quarto de bebê! O berço chega na sexta, mas como bem se sabe, quarto de bebê é bem mais que isso!
-E finalmente, a preocupação maior de todas, que deve me afastar por alguns dias da Jeca: o mestrado!
Hoje, finalmente, marcamos a data da qualificação: Dia 15 de dezembro! Ou seja, pouco mais de um mês....

Peço que não desistam do blog. Peço que segurem a respiração comigo para que, após este período de mergulho intelectual no universo da literatura infanto-juvenil a Jeca volte a ganhar fôlego! Sem vocês ela simplesmente não existe!

Um beijo grande e inté amanhã à tarde, quando postarei a penúltima cena do Funeral!

quinta-feira, novembro 01, 2007

Blogsérie: O Funeral capítulo V

-Se você quer falar comigo entra, Nelson, eu não tenho nada a esconder. Ficar falando baixo atrás do galinheiro não é comigo... Entra, eu não vou sair.

Nelson retrucou, disse que não queria que Paula ouvisse, que queria conversar com ela longe das irmãs.

-Aqui dentro! Eu não saio! E fechou a porta de tela.

Em seguida viu Nelson entrar, cabisbaixo, com medo e nitidamente ainda assustado. O sol baixava por trás do quintal de barro de D. Lourdes, e Sílvia lembrou-se da ternura que sentia pelo antigo namorado. Nelson tinha sido tão bonito na faculdade, fazia o tipo sedutor. Não via mais o moço de 19 anos no agora cunhado. Envelhecido e triste, Nelson parecia mais um dos comerciantes da vila, podia bem passar por Seu Jaílson, o dono da farmácia...

-Ainda não acredito que você é a Sílvia irmã da Paula. A Sílvia de quem ela fala com tanta mágoa. Nunca imaginei que fosse você.

-E eu? E o susto que levei quando te vi entrar na sala? Mas fico feliz em saber que, de alguma maneira, somos família. Tenho boas lembranças daqueles tempos.

Nelson não parecia acreditar na simplicidade com que Sílvia falava, justo ela...

-Pois eu não estou nada feliz com isso, eu até hoje penso em você, pôxa, eu saí de São Paulo por sua causa!

-Nelson, nós tínhamos 18 anos! Que é isso, já faz tanto tempo! Eu nem lembro por que você veio embora, não foi por causa da sua mãe, não era uma coisa assim?

-Não, vim embora por que você não quis casar comigo. Não queria nem pensar em ficar na mesma cidade que você, sussurrou bravo Nelson, olhando por trás da cortina da cozinha.

Sílvia não agüentou e gritou com o cunhado.
-Casar! Nelson, não acredito... Não, você definitivamente merece a Paula, é tão descompensado quanto ela... Casar!!!! 18 anos, ser humano, 18 anos!!!!! Eu hoje com quase 40 não me casei, por que cargas d´água eu ia me casar com 18 anos!

Sílvia virou-se de costas para ele, e ficaram um tempo em silêncio.
-Se você não contar para sua esposa de onde me conhece conto eu. Eu não vou ficar de segredinho com você pelos cantos, ainda mais sobre um assunto tão passado. Hoje! Ou conta hoje ou amanhã depois do enterro eu mesma conto.

-Você é louca, se ela sabe disso morre de desgosto. Você não entende, Sílvia, se fosse qualquer outra mulher não tinha tanta importância, mas é você! A irmã que trabalha, que mora longe, que é independente.... Depois que ela te viu, então, só piorou! Eu subi e ela estava se olhando no espelho, se arrumando, se comparando a você! Ainda disse que ela é que deveria ter ido embora, não você! Que você mais velha parece a mais nova, e que EU acabei com ela, a enchi de filhos e a enterrei nesse fim de mundo! EU! A culpa é MINHA! E agora, eu, muito bom marido, vou subir e dizer: sabe a sua irmã, aquela, que você inveja até o último pó de maquiagem cara, até a última gota de perfume importado? Então, ela é o grande amor da minha vida, ela foi a namorada que acabou comigo e que me fez vir pra cá. É a dor de cotovelo dela que você tenta curar há anos e não consegue! Pronto, agora vamos todos viver felizes por que eu fui sincero, e no fundo é isso que importa, né? Não é Sílvia? É isso que você quer que eu fale? Hoje?!

Saiu da cozinha em disparada, e nem reparou que deu de encontro com Marta, parada, pálida, fitando os dois que berravam por trás de uma cortina de pano como se estivessem protegidos.

Sílvia se apoiava na pia, pertificada com o que ouvira. Não se importou com a presença da irmã, e ainda perguntou:

-É isso mesmo? É isso que ela sente por mim? É por isso que ela me trata como se eu fosse culpada pela vida dela?

-Pode ser... Mas ela me trata assim também, Sílvia, acho que ainda pior. Só que se ela descobrisse que eu namorei o Nelson não doeria tanto quanto sendo você... É verdade tudo isso?

-É, mas foi coisa de criança, Marta, eu pra ser sincera nem lembrava direito!

-Mas para ele não parece tão de criança assim... Que coisa, se eu acreditasse em coincidências essa seria a maior delas.

-Não acredita?

-Eu? Imagine, isso é obra Dele. Ele quer nos mostrar alguma coisa, ainda mais isso tudo acontecendo hoje, no dia da morte da mamãe! Eu se fosse você ia pro quarto orar, irmã, pedir auxílio...

-Ai, Marta, por favor... Tudo menos isso, que auxílio o que! Isso é problema deles, se ele vive há anos à sombra de fantasmas é problema dele!!! Não meu!!! Boa noite, Marta, vou tomar banho e dormir. Estou quebrada!

-Orar ia te fazer bem...

-Já disse que não sei fazer isso. Esqueci como se faz no dia em que entrei no ônibus, e não quero me lembrar... Até amanhã...

Entrou no quarto que era dela e de Paula na infância. Desde pequenas brigavam muito, mas sempre achou que era coisa natural de irmãs, gostava de acreditar que por trás disso havia algum sentimento bom. Já deitada pensou que se houvesse mesmo algo bom, ela teria voltado antes. Se houvesse carinho ou mesmo consideração, teria ligado para saber notícias. Não havia nada. Nem raiva, nem carinho.
Só pressa em passar pelo dia seguinte.
Pressa em enterrar a mãe e voltar para casa.
Pressa em sair dali.
De novo...


Inté!! Bom feriado. Penúltimo capítulo, semana que vem...

quarta-feira, outubro 31, 2007

A lista de Ross

Não, não é um nome de filme dramático, estilo Schindler, ou A Escolha de Sofia... Nada triste, arrebatador...
Pra quem acompanhou a série Friends, é fácil de se lembrar...
Ross, o personagem lindo e com carinha de cão solitário, faz uma lista com a namorada Rachel, de celebridades que ela "libera" para ele transar, caso ele as encontre , claro, e elas topem.
Essa conversa dura um episódio todo, até que ele resolve tirar uma das celebridades (Isabela Rosselini) da lista e, óbvio, ela aparece.

Um dia de chuva na roça, há muito tempo, eu e Sr. Jeca elaboramos uma lista assim, só que, como é no mundo real, combinamos apenas uma celebridade.
Ele foi logo atacando de Luize Altenhofen.
Como o meu era o Luis Figo, figura internacional, que nunca pisa em terras brasucas, ganhei um crédito e pude colocar outro, desde que também internacional, para equilibrar as chances.
Fiquei na dúvida entre o Benício del Toro e o Gael, mas como o Toro estava mais pra baleia à época, optei pelo pequeno mexicano.

Há um ano, mais ou menos, vi a Altenhofen no shopping. Imediatamente, como boa "sport", liguei para o maridão:

"Adivinha quem está subindo a escada rolante bem na minha frente? Sua celebridade-free. Quer que eu fale com ela e passe seu telefone? Só que ela está aos beijos (aliás, bem vulgarmente para um ambiente público) com um pitbull tatuado até a careca e, pra ser beeeem sincera, se você quiser mesmo sair com ela é bom levar o Photoshop junto, que ela não é lá grandes coisas..."

Depois dessa descrição, ele achou melhor eu não arriscar...

Por outro lado.....

Enquanto fico à espera da tal Copa do Mundo no Brasil, na esperança de topar com o Figo por aqui, leio diariamente que minha segunda opção está livre leve e solta pelos jardins paulistanos, almoçando em restaurantes comuns e caminhando na Oscar Freire....

Sr. Jeca que se cuide, pois tenho free pass.... O único problema é segurar o baixinho no Brasil até eu recobrar minhas formas normais, pois do jeito que estou, redonda e andando como uma pata, não sou competição para ganhar nem um "oi" do Toro, quanto mais do badaladíssimo novo brasileiro....

Inté!!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Blogsérie: O Funeral, capítulo IV

-Nelson? Como assim, "Nelson"? Por que vocês estão os dois aí parados com essas caras? Hein?? Fala, Sílvia? Nelson, que foi? Fala!!

Paula já estava parada entre os dois, virando a cabeça ora para a irmã, ora para o marido, que ainda segurava a maçaneta.

-Alguém vai falar o que está acontecendo? Nelson? Olha pra mim! Você conhece minha irmã?

Sílvia resolveu quebrar o silêncio e respondeu que Nelson havia sido seu colega no primeiro ano da faculdade, mas que logo largou.

-Eu sabia que ele tinha se mudado pro interior, mas não sabia que era pra cá. Já faz tanto tempo, assustei-me com a coincidência, foi só.

Paula olhou desconfiada para o marido, que a essa altura retomava o fôlego do susto abrindo a pasta de documentos da sogra.

-Vão levar sua mãe para o velório municipal amanhã às 8 da manhã. Agora só podemos descansar, não se pode fazer mais nada.

Sílvia encotrou o olhar astuto de Marta, que assistira à cena da porta da cozinha. Ofereceu-se para ajudar no jantar, e logo estavam as três sozinhas, preparando as coisas. Paula parecia mais calma, mas ainda não estava convencida de que aquele encontro tão tenso tinha sido apenas de dois ex colegas de sala. Entretanto, parecia não querer investigar mais naquele momento.
Foi Marta que retomou a conversa.

-Mamãe sentia muito sua falta, Sílvia.

-Pois é, sentia mesmo, nunca soube o porquê... Eu dizia a ela que você partiu por que quis e que deveria ser muito mais feliz longe dela, então pra que saudades.

-Eu também sentia saudades. Dela, sentia muito a falta dela. E não me preocupo com o que você dizia a ela, Paula, ela sabia que eu a amava. Era minha mãe, pombas, e a única que parecia se importar comigo, lá longe.... Por que vocês nunca quiseram ir me ver em São Paulo?

-Ah, Sílvia, não dá, eu detesto São Paulo. Além disso teria que ir em final de semana, e é quando tenho mais tempo de ajudar na Assembléia.

-Odeia São Paulo? Mas Marta, você nunca saiu desta vila! Desculpem, desta cidade!

-Você não muda, né, Sílvia? Continua achando que é melhor que todos na cidade. Vila..... Pelo menos estamos mais seguros, todos se conhecem...

-É, esse "todos se conhecem" é o que me assusta... Mas enfim, não quis menosprezar, Paula, me desculpe.

-Ai, Paula, que seguros que nada! Outro dia, Sílvia, um moço lá da Assembléia matou a filha e a ex mulher. Depois deu um tiro na cabeça, uma coisa horrível. Não estamos seguros em nenhum lugar, só Nele.

-E você Marta? Não tem namorado, noivo, amigo, sei lá?.... Um paquera?

Paula riu com sarcasmo, levantou-se com uma bacia de batatas descascadas e encostou-se à pia. Sílvia pôde ver que a irmã, mais nova que ela, estava muito mal cuidada. Sempre fora tão linda, a mais bonita das três, e agora parecia-se com D. Lourdes. Sentiu pela amargura da irmã, que franzia o cenho e só sorria por ironia. Uma pena. Enquanto jogava as cascas no lixo, continuou rindo da vida amorosa da caçula.

-Sabe Sílvia, até que seria mesmo bom você levar Marta pra São Paulo! Quem sabe assim ela punha um pouco as partes de baixo pra trabalhar, hahaha, essa aí se bobear ainda é virgem. Está esperando o homem certo, véu e grinalda pra ser feliz... Diz que só dorme com homem se estiver casada! Já falei pra ela que não precisa dormir, acaba o que tem que fazer e volta pra casa. Dorme sozinha! Uma tonta, é isso que ela é.

Sílvia observou Marta enrubescer de raiva, enquanto desfiava a galinha dos fundos. Teve pena da galinha. Não esperou a reação que viu na irmã.

-Bom, Paula, pelo menos eu não precisei casar correndo com o primeiro paulista que apareceu, antes que ele descobrisse que eu já rodei a cidade toda. Sabia, Sílvia, no dia que o Nelson chegou de mudança a Paula já foi lá, levar bolo pra mãe dele, toda receptiva. Fez que fez e logo estava grávida do Rodrigo. Coitado do Nelson, não teve escolha!

Paula não escondeu a raiva, ainda mais por ter que dividir isso com Sílvia. Orgulhosa, secou as mãos no vestido florido e ao passar pela irmã, sussurou entre dentes:

-Hipócrita. Bem que você queria ter um marido pra apagar esse teu fogo à noite. E cuidado viu? Se não casar logo, fica seca! Vai morrer sem filhos, sozinha!

Sílvia levantou-se chocada, não podia acreditar que os ânimos não haviam mudado nada em 20 anos. Estavam ainda piores.

-Eu não acredito que nada mudou! Não acredito! Marta, eu sei que é sua escolha, mas você não pode viver em função Dele! Minha irmã, a vida é mais que isso, queria muito que você visse! E Paula, nunca conheci alguém tão amargo quanto você. Você põe esta pose de durona, de mulher de família, mãe de quatrto lindos filhos, mas vem cá: você falou de felicidade, mas você é feliz? Fala de verdade, você É feliz?

Paula a olhou por cima do ombro.

-Só você adquiriu esse direito, no dia em que fez as malas.

Pela primeira vez na vida Sílvia não sabia o que falar. Percebeu que Marta chorava, e foi abraçá-la.

-É, também sinto falta de mamãe....

Enquanto consolava a irmã, percebeu que Nelson estava encostado na porta que dava para o quintal dos fundos. Fez com o olhar um sinal para que o seguisse e saiu de vista. O sol se punha e Sílvia não sabia se aguentaria mais emoções naquela tarde.

-Vai tomar um banho, vai, Marta, deixa que eu termino o jantar. Vê se a Paula está bem, faz as pazes com ela, vai, pelo menos hoje...

Sozinha na cozinha, Sílvia olhou para o quintal de barro que guardava as tão bem cuidadas galinhas da mãe.
Aproximou-se da porta de tela e abriu-a.



Continua semana que vem, véspera de feriado de finados... que melhor dia para um funeral literário?

Inté!!

segunda-feira, outubro 22, 2007

Sessão "Homens na vida das mulheres parte VI: O Narcisista

Senti saudades desta mini seqüência de posts, há muito tempo parada...
Talvez parada pois eu sempre soube que o próximo abordado (depois de abortado!!!) seria o narcisista... Acho que travei nele.
E travei por motivos óbvios. O narcisista é, provavelmente, o tipo mais maléfico para uma mulher.
Desculpe, para uma mulher não, pois quando nos tornamos mulheres, com M maiúsculo, sacamos de longe um narcisista e depois de tirar algumas com a linda cara dele, partimos para outra, de preferência um que esteja olhando para a NOSSA cara, e não para o espelho.
Mas é profundamente venoso para a auto-estima das moças em formação, das futuras mulheres.

Eu posso falar deste tema com categoria, escola e diploma de graduação. Tive 2! E para piorar com o mesmo nome. Em casa, diferenciamos os dois Exús pela nacionalidade:

-Tá falando de quem? Do Narciso Português ou do Narciso Japonês?

O Narciso Português era filho dos tugas, mas meu pai até hoje xinga o pai do dito por que ele nunca devolveu um livro sobre Castro Daire, a aldeia do meu velhinho....

O Narciso Japa era meio japa meio alemão, mas era o Rei dos Narcisos, o soberano do Lago dos Espelhos, o Zeus, da Terra do Meu Umbigo!

Geralmente o narcisista entra na vida da moça como um furacão, arrebata-a com sua elevadíssima auto-referência e ela, boba ainda, acredita nele. Acredita que ele é SIM liiiiiiiiindo, que não há em sua profissão alguém tão eficiente quanto ele e que a vida sem ele é um palco sem luz, uma montanha russa estacionada.

A moça que é cega a esse primeiro contato geralmente demora para recobrar a visão. E demora por que a imagem do narciso embota sua capacidade de crítica e bom senso. Ele fica ali, pulando à sua frente, macaqueando suas capacidades, dando beijinhos nos bíceps e arrumando os cachos enquanto ela se esquece de si.
Depois de um tempo de lobotomia, ela já não sabe mais de que tipo de música gosta, se gosta genuinamente de lutar Kung Fu ou se virou fanática por que ele é bi- campeão mundial neste esporte... (esse, claro, era o Narciso Japa...)
Esquece-se dos nomes daqueles vultos que um dia chamou de amigas, e jura com a mão sob Cem Anos de Solidão que seus melhores amigos são os amigos Dele. Afinal, se são amigos Dele, como não ser os melhores?...

Além disso, há sempre uma pergunta pairando na cabecinha da moça levada na coleira por um narcisista: "O que Ele viu em mim?"
Eu, que sou tão normal, bonitinha mas nada que emudeça os homens na rua. Inteligente, mas nada que me renda um Nobel. Nem rica eu sou, pra que ele seja interesseiro.... Por que cargas d´água ele resolveu sair COMIGO?

E é aí que a onça bebe água. É neste ponto que ele consegue o que precisa para ter você sempre estendendo o tapete vermelho a seus pés: minou sua auto-estima....
Daí pra frente a tal moça em estágio de cabeça de ostra deixa de pensar por si e vive em função daquela imagem criada... Vê o mundo através dos olhos Dele.

A moça fica confortável no colar escrito Narciso, mas não sabe de uma face primordial do tal grego: Ele se ama, acima de tudo e todos. Inclusive acima dela...

Neste dia, algo na moça grita. Pode ser que ela continue paralisada e ele fuja com sua própria imagem ou pode ser que ela mesma se liberte do feitiço. Mas um dia acaba....
E esse dia é absolutamente mágico....
É um dia ritualístico, daqueles de índio, com sangue suor e lágrimas, que doem absurdamente no começo mas que logo a fortalecem, e ela vira mulher...

Naquele dia, os vultos das amigas de verdade voltam a ganhar nome e ela se dá conta de que se apóia em alguns ombros vitais... Naquele dia ela muda a estação do rádio e redescobre gostos...
Dali pra frente, a névoa da maldição posta se esvai, e ela tem que se olhar no espelho.
Se for forte, saberá que aquela imagem é Ela, que sua essência está naquela pessoa que acordou depois de tantos anos. Para completar o ritual, a nova mulher queima as luvas de boxe e as manoplas, faz votos de NUNCA MAIS assistir a um filme do Van Damme e de jamais em sua vida viajar de moto, coisa que mais detesta.... Ela detesta....

Aos poucos, percebe que é mais flexível que forte, e arremessa o dumbell de 15 kilos na foto do Narciso! Como Scarlett O´Hara em E o vento levou... grita para o espelho quebrado:

-"I'm going to live through this and when it's all over, I'll never be muscular again. As God is my witness, I'll never be muscular again."

Por trás do espelho quebrado, ela percebe que Ele nem era tão maiusculamente divino assim... Era simplesmente ele...
O motoqueiro alto, loiro e maratonista tinha a bunda maior que a sua, e os dentes meio tortos... Se lembrar direito, já estava com umas entradas fortes e tinha uma risada muito esquisita...
O lutador mais forte do mundo tinha as costas cheia de espinhas, de tanto suplemento. Pelo excesso de proteína exalava um cheiro forte e ruim, e de tanta musculação, andava de braços abertos, parecia um tronco. Ela olha os sapatos de salto alto e agradece poder finalmente usá-los, sem paracer que está namorando o Danny de Vito! Além disso, a lucidez proporcionada pelo final do encantamento faz com que lembre de sua vida por baixo dos lençóis antes da fase coleirinha, e agradece que voltou a si. Ela achava que aquilo era bom? Lembrou-se de um one night stand que teve antes dele... 10 a zero nos 4 anos de rapidez, silêncio e falta de criatividade que o Narciso-san, preocupado apenas com ele mesmo lhe impôs.

Acabou!

O narcisista é maléfico, como já expliquei ao limite da exaustão, mas temos que olhar o copo meio cheio, sempre!
Depois dele, a já Mulher se fortifica, se ama mais e fica pronta para uma relação madura e igual! Por cima do espelho quebrado ela pode encontrar um ser humano real, de carne e osso, com defeitos e qualidades e amá-lo não pelo que ele quer que ela veja, mas por uma essência humana.
E ela, então, poderá experimentar verdadeiramente o que é amor.
Amor de mão dupla, que vai nos dois sentidos...

Inté!!!
PS: Seria "Sweet Revenge" um título mais adequado? Não mais...
Mas devo confessar, em um post de citações hollywoodianas:
"When I´m good, I´m very good... But when I´m bad, I´m even better..."

200

Vixe, eu nem comemorei o 200o post, publicado abaixo.... 200, hein?....
Obrigada pela presença, volte sempre e da próxima vez traga um bolo! Pode ser de milho ou fubá, que eu não sou a Silvinha.....
Inté!!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Blogsérie: O Funeral, capítulo III

Foto: olhares.com

- Sim, sou eu... O senhor é... Padre Luis? Nossa, é o senhor mesmo? Quanto tempo!

-Tempo mesmo... O quê, uns 20 anos?

-Sim, fui embora há quase 20 anos... Mas o senhor tem muito boa memória, não? Reconheceu-me assim, praticamente de costas...

-Claro, quem se esquece da roupa rasgada? Bons tempos aqueles, viu? Sua tia Berta quase morreu de tristeza, mas a Igreja vivia cheia, as crianças gostavam de ser coroinhas e os adultos disputavam lugares na minha missa... Hoje... Pareço o bazar do seu Agripino, tenho que ficar de olho na concorrência.

Sílvia já se sentava ao lado daquele senhor que um dia lhe expulsara aos berros da aula de catecismo. Parecia agora tão inocente, ali sentado sozinho embaixo do manacá da praça. "Concorrência? Então a Matriz não é mais a única?"
-Não, a Matriz é e sempre será a Matriz! Outras igrejas católicas não há, mas perdi muitos fiéis para os galpões que abriram na cidade. Até o Jorge do artesanato abriu uma sala dessas. Eles colocam umas cadeiras de plástico, pintam a fachada com algum nome bonito e puft, mais 20 que se vão. Até pensei em ir disfarçado a uma delas para ver o que os atrai tanto, mas iriam me reconhecer. Sabe, Silvinha, lá no Santa Clara, a rua principal tem quatro dessas igrejas seguidas. Nem imagino o que fazem para atrair gente. O Deus não é igual?

-Não sei, padre Luis, não sei. Quando saí daqui Ele também ficou... Mas certamente Marta ainda lhe é fiel, não? Não imagino minha irmã debandando para outro lugar...

-Marta? Silvinha, há quanto tempo você não vê sua irmã? Já faz muitos anos que ela se juntou à Assembléia do seu Vicente. Minha querida, você vai se surpreender com suas irmãs, se ainda não as viu... Não quer entrar um pouco e fazer uma oração? Vai precisar.

-Não sei mais fazer isso, obrigada. Já vou indo, vou caminhando até a casa da minha mãe, quero rever a cidade. Até mais, padre Luis. Fique bem, sim?...

Sílvia deu a volta na praça e sorriu ao ver o antigo coreto. Atrás dele havia uma guarita, e foi nela que o Tonico lhe beijara pela primeira vez. Tinha onze anos, e voltavam da Festa de São João na Paróquia. Era tão lindo, o Tonico. Alto, moreno de olhos cor de mel, era do time de futebol de salão da cidade vizinha. O que seria dele?...

Na rua de trás, encontrou Seu Agripino, de quem comprava balas de goma depois da escola. Ele abriu-lhe um largo sorriso e em seguida, abraçou-lhe em consolo pela perda da mãe.

-A Lourdes vai fazer falta, era uma mulher muito boa. Gostava muito de você, viu? Contava com muito orgulho que tinha uma filha jornalista em São Paulo. Falava com o peito estufado e os olhos cheios de lágrimas. Só dizia que queria que você se casasse logo, que já estava velha para ter filhos... Mas vejo que continua bonitona, hein? Você é a mais nova, não?

-Não, sou a mais velha, seu Agripino...

Continuou sua via crucis com a garganta embotada. Sua mãe jamais lhe dissera nada sobre orgulho, e ela desconfiava que D. Lourdes nem sabia bem qual sua profissão.

Logo chegou à rua de sua casa de infância. Relembrou o cheiro do galinheiro da casa de D. Iara, do barro molhado da rua ainda sem asfalto e dos jasmins do vizinho da frente. Antes que se desse conta estava com a mão no portão de madeira do quintal de casa. Parou.

Ouviu os sons de dentro, talheres se batendo na pia, o sabiá preso na varanda e o som abafado de uma voz masculina no rádio. Devia ser Marta. Logo escutou a irmã, e seu coração pareceu parar no peito. Estava petrificada na calçada, quando ouviu:

-Você vai entrar para ver minha vó ou veio concertar o portão?

-Hã? Ah, não, vou entrar...

-Você deve ser minha tia, né? Minha mãe disse que duvidava que viesse. Entra, elas vão começar a arrumar as coias. Ah, eu sou o Rodrigo.

Sílvia andava passos atrás daquele rapaz comprido que lembrava seu pai. Ele abriu a porta berrando:

-Tia Marta, olha quem está aqui! Mãe! ô, mãe, você disse que que ela não vinha, né? Ela chegou!

Sílvia ficou à porta, sem graça, estranha naquela casa tão sua. Viu o sofá de couro vermelho ainda com o retalho do rasgo que Paula fez ao brincarem de desfile. A mesa de centro não era mais de vidro, mas uma pequena tora de madeira, mal ajambrada e feia.

-A de vidro quebrou. O Lucas da Paula caiu em cima. Levou 10 pontos na testa, e mamãe arrumou esta aí, provisória.

Era Marta, que vinha da cozinha, e segurava a cortina de contas que a separava da sala. Sílvia teve vontade de abraçá-la, mas conteve-se. Não a via há tanto tempo, mal a reconhecia. Tentou achar naquela moça envelhecida, de cabelos intermináveis e sem cor a menina de cachos negros que era uma graça rezando antes de dormir. Chorou...

-É, também sentimos falta da mamãe, disse Marta se aproximando e abraçando a forasteira.

-É, ...mamãe.... Pois é, desculpe, não resisti, respondeu abraçando a irmã de volta. Marta não parecia tão assustadora quanto disse o padre. Até lhe sorriu.

-Ah, chegou a celebridade! Regina, vai ajudar seu irmão, ele não consegue se limpar sozinho, berrou do alto da escada, Paula. Voltou o olhar para a irmã recém chegada. Sílvia ouviu a resposta da sobrinha:

-Ahhhhhh, manhê, ele já tem 7 anos!!!! Vai se limpar sozinho, eu estou varrendo o quarto.

Paula suspirou e correu escada acima.
Sílvia também suspirou. Ganhara alguns minutos.
De repente, a porta se abriu, e Sílvia, ainda absorta nos detalhes de sua casa, ouviu Marta cumprimentar:

-Oi Nelson, a Paula está lá em cima. Conseguiu reservar o velório?

Sílvia se voltou, enquanto ouvia os passos de Paula descendo a escada. Não acreditou no que viu. Sua vista ficou embaçada e quase não foi capaz de dizer:

-Nelson?
O homem ainda segurava a maçaneta, e também visivelmente chocado, só consegiu responder:

-Sílvia?

Continua semana que vem.....


Inté!!

quinta-feira, outubro 18, 2007

Resposta!

Pra começar, é preciso dizer que os comentários que vocês deixaram no post abaixo merecem um post de resposta! Em primeiro lugar por que é um assunto delicioso, por que vocês me deram vááárias idéias e por que quero garantir que cada um tenha sua resposta divulgada...
Amei, vou fazer mais enquetes para ter leitores anônimos se manifestando e tímidos arregaçando as mangas...

Dani Moll, 100 anos de Solidão também é livro marco na minha vida, mas concordo com você, lido na sétima série é do rol das malucas que encaram as páginas com uma certa obcessão quase maníaca... Macondo ainda está muito além dos passaportes deles...... Meu pé de laranja lima coloquei na lista da 5 série, para já começarem com chave de ouro! Anne Frank parece bem cotada na enquete e Capitães de Areia fala à alma nacional.... Obrigada!!!

Gatta, vou pegar de jeito a professora que te fez odiar Primeiras Histórias... Deixa ela cruzar comigo na rua, rsrsrs...
É por sua aridez mesmo que eu quero trabalhar com eles, leitura em sala, de preferência em roda, para discussão e fruição. Já aconteceu isso este ano, alguns detestaram o livro de Crônicas do Veríssimo que dei, mas ao ler em conjunto, adoraram, pois o entenderam melhor... Saramago anda de mãos dadas com o Gabo, um dia eles chegam lá.... Feliz ano velho também me marcou muito, mas de uma maneira que nem é apropiado escrever aqui... Foi durante sua leitura, aos 12 anos que descobri certas sensações... Eu até marcava as páginas para reler depois... Sacou?
Fernão Capelo gaivota é o livro que mais marcou o Sr. Jeca, adorei que apareceu nas dicas... Vou ler... Thanks!!!

Gui, saravá, querido!!! Amo suas aparições! Vou checar a compilação de contos e poemas, pois o projeto é fazê-los escrever um livro de contos ao final do ano.... Na sexta série, fazem o blog... Na sétima, o livro e na oitava, se tudo der certo, ponho os pupilos no palco para encenar Nelson Rodrigues...... Adoraria dar o Mundo de Sofia, mas a minha face controladora não deixa que outra professora assuma tal análise.... Vou deixar para a oitava, sob MINHA (megalômana) supervisão... A indicação dos Villas Boas também está anotada, thanks....
PS: Eles leram A Casa Tomada do Cortázar, sabia? "Nossa, pro, muito louco isso, né?"......

Clau, também adoro a coleção..... Trabalho na quinta série com Contos Brasileiros e Poesias. Na sexta, usei o Crônicas. Como notei, Anne Frank não terá escapatória desta vez e o Gênio do Crime uso na quinta série, eles simplesmente amam!!! E claro, obrigada por não me deixar sozinha no mundo dos leitores masoquistas do Holocausto, rsrsrs. Se bem que sua causa era bem mais nobre que a minha.....

Carolzinha, quem sabe podemos arranjar de VOCÊ dar as aulas de texto enquanto eu troco fraldas de cocô, hein? Que acha?..... Vou checar também o Olhai os lírios do campo, infelizmente este eu não li... Mas você me fez lembrar de Incidente em Antares, que é fantástico....

MC, excelente lembrança! fernando Sabino é ótimo para esta faixa etária!!! Super considerado na minha lista de finalistas!

MH, este ano dei A volta ao mundo em 80 dias, mas meu único problema com Verne são as malditas adaptações!!!! É super difícil achar original, ainda mais sabe onde, né? Na roça.... O Apanhador saiu rápido da lista, vi que era divagação demais da conta para eles.... E a Vaga Lume é ótima, mas deixo para 5a e comecinho de 6a séries. Se eu me enfiar lá na Cultura de chamo, pode deixar!

Virgínia, também adoro a coleção Para Gostar de Ler, e uso sempre que posso. Já o Tronco do Ipê está anotado para leitura, obrigada!

Capitão, este prazer que temos ao folhear páginas com cheiro de gráfica, de imaginar o que estará ao final e de curtir cada letra, nos acompanha desde o berço.... Minha mãe lia um livro do Monteiro Lobato para mim e minha irmã de que até hoje lembro a textura... Infelizmente, muitos de nossos pequenos não tiveram esta experiência, então é nossa luta em sala de aula, contaminar-lhes desta endorfina.... Sei que sua namorada concorda!

Yara, excelente citação, Anarquistas Graças a Deus também me marcou muito! Super considerado, obrigada!!!

Muitíssimo obrigada a todos, deixo a blogséire para amanhã!

Inté!!

quarta-feira, outubro 17, 2007

Enquete

Uma das tarefas mais prazerosas, porém mais difíceis de minha profissão é escolher os tais livros bimestrais... Prazerosa por que fico literalmente pirando nas análises que vamos fazer em sala, nas possibilidades de leituras que eles podem realizar e claro, no prazer absolutamente egoísta de vê-los gostarem de um livro de que EU gosto... Se eu disser que já saí chorando de aulas de texto vocês podem rir da minha cara, mas é real... Ver crianças de quinta série ENTENDENDO o Pequeno Príncipe, tendo altas tiradas ao ler Érico Veríssimo é lindo... Hoje, meus alunos da sexta série buscam interpretar músicas como Construção, Apesar de Você e Para Não dizer que não falei das flores, e isso só é possível pelas leituras que eles fizeram até aqui...

E difícil, claro.... Por inúmeros motivos...

Primeiro pelo velho blá blá blá da competição com a internet. Isso parece clichê mas é real. Ler é tarefa que demanda tempo, calma e paciência... Não tem pop up, não tem vc, tb nem kd. Não tem outras janelas abertas. É uma janela aparentemente solitária, sob a qual eles não querem se debruçar.... É talvez muito ar puro para eles...

Além disso, meu trabalho é dificultado pela milionária indústria editorial para jovens. Só acho livros adaptados (eca), traduções mal feitas ou títulos comerciais... Por que crianças que lêem sei lá quantas páginas de Diário de Princesa são incapazes de entender uma crônica metalingüística? Ou então, depois de acabarem as 500 páginas de Harry Potter me perguntam "pro, quantas páginas tem o livro do Edgar Alan Poe???", desesperados de medo da leitura...

Outra dificuldade em escolher é a escolha em si. Ideal seria que puséssemos à disponibilidade deles uma lista de "sugestões", e que eles mesmos tivessem o senso crítico de escolher o que mais lhe apraz. Como vimos acima, eles iriam pelo número de páginas...

Mas hoje, o que mais me preocupa é que vou escolher livros que serão trabalhados por alguma professora substituta que não conheço... Já pedi à escola que, durante a entrevista, perceba se ela (ou ele) usa o mim corretamente, pois tem sido um árduo trabalho fazer com que os alunos deixem de falar "para mim ler"!! Se quem vier trouxer esse péssimo hábito, serão dois anos na lata de lixo. Mas não posso garantir que a pessoa seja treinada em literatura... Literatura MESMO, por que o que se vê por aí são pencas de professores crentes que PARADIDÁTICO é literatura......

NÃO É!!!!!!!!!!!!

Os livros do segundo semestre eu garanto.... A sétima série, por exemplo, já sabe que vai ler Primeiras Histórias do Rosa e Contos Reunidos dele, dele mesmo..... Machadão! Meu Santo Machado de Assis... Não sou maluca de jogar um Memórias Póstumas ou Dom Casmurro para crianças de 13 anos, mas dá pra começar pelos contos... Não me sugiram a adaptação, que eu infarto...

A quinta, continua com o Pequeno Príncipe no último bimestre, para que eu, pouco controladora, trabalhe em sala...
Também guardei para MIM as Crônicas da sexta série, ufa....
Mas e o primeiro semestre?
Especialmente para a sétima série?

E é aqui que preciso da ajuda de meus leitores queridos.... Você se lembra do que lia aos 13 anos? Eu me lembro que foi o ano em que li Olga pela primeira vez. Depois deste, fiquei louca por relatos de guerra e devorei Anne Frank e um livro sobre o tratado secreto de Hitler e Stalin, mas tenho quase certeza que era a única desequilibrada na sala....
Não me lembro de mais nada...
Ia sugerir Apanhador nos campos de centeio, mas acabei de ver que Mark Chapman matou Lennon por causa deste livro, desisti...
Agradeço a ajuda, já sei que vou passar dias sentada na Cultura à procura, mas gostaria de estar no caminho certo....

Inté!!!

quarta-feira, outubro 10, 2007

Blogsérie: O Funeral, capítulo II



E agora precisava voltar...

Em todos esses anos viu a mãe pelas fotos que esta mandava, na tentativa de retomar a filha perdida para o mundo. Através dela também tinha notícias das irmãs, com quem falava apenas ao acaso, quando atendiam ao telefone da casa da mãe.
Paula se casara aos 18 anos, com um comerciante novo na cidade, vindo de São Paulo, aparentemente rico e amigo dos políticos locais.

Um sonho dourado, pensava ironicamente Sílvia. Aos 24 anos já tinha quatro filhos, uma para cada aparente crise no casamento...

Marta continuava solteira, seguindo suas estritas obrigações com o divino. Devia estar endurecida, amarga, jamais saíra do lado da mãe, de quem cuidou até o último momento.

O pai já se fora há anos. D. Lourdes contava com a presença de Sílvia no enterro, mas justamente naquela semana teve que ir a Brasília, cobrir um escândalo político grande. Todos os jornalistas da revista estavam de olho nesta chance, ela não poderia recusar, muito menos por um morto.

Mas agora era diferente.
D. Lourdes era seu único gancho com todo aquele mundo fictício que havia criado de sua infância. Adiou por anos a visita, e sentia-se culpada por ir apenas agora, quando não mais podia abraçá-la ou sentir seu cheiro de bolo de milho...

Além disso, o movimento na revista estava fraco, não perderia nenhum furo.

-Alô, Marta?

-Não, Paula.

-Paula?... Quanto tempo, é Sílvia.

-Ah, não reconheci. Então, fazemos tudo sem você? É pra isso que ligou? Como fez no enterro do pai?

-Não, se puderem me esperar chego aí no final da tarde. É o tempo de arrumar minhas coisas, dar uns telefonemas e pegar estrada.

-.... Sempre se achando importante, né, Sílvia? Dar uns telefonemas, só você mesmo...

-Não me acho importante, Paula, só que eu tenho emprego, se vou passar uma semana fora tenho que avisar, deixar coisas prontas, ... esquece, esquece.... Chego hoje, tá?

-Uma semana? Você vem pra uma semana? Mas amanhã já é o enterro, pode ir depois....

-Eu sei, mas já que vou até aí, pensei em ficar mais uns dias. Quem sabe conhecer meus sobrinhos, tenho quatro e nem foto deles pude ver. A mãe nunca mandou nada de vocês, só dela.

-Ah, sei....Pena que eles acham que têm apenas a tia Marta, e olhe lá... Aquela vive no genoflexório, parece que pecou a vida toda.... Coitada.

-Bom, então é isso. Até mais tarde.

O clic do telefone parece que a desligou junto. Sílvia ficou imóvel no sofá, quase sem respirar. Por que tudo acabou assim? Por que se odeiam tanto? Paula parece culpá-la por tentar ser feliz, Marta vive em um mundo paralelo e agora ela tem que encarar alfinetadas infinitas, sem imaginar o porquê... Não se lembrava de nada tão grave que as afastasse desta maneira.

Tomou coragem e entrou no banho. Ali pode chorar a morte da mãe, figura ainda querida com quem deixara de conviver. Sentira falta dela em sua formatura, no dia em que comprou o apartamento... Usou a mãe de uma amiga para conselhos de decoração. Sabia que D. Lourdes jamais poderia ajudá-la nisso, mas seria bom que estivesse a seu lado. Quem sabe para fazer uma pequena crítica, que fosse, já seria algo para se lembrar.

Desejou tê-la em casa quando voltou de sua primeira reunião de pauta, na famosa revista onde trabalhava. Chegara tão longe, estava tão orgulhosa. Disse isso para si, mas sentiu-se sozinha.

Suspirou e fechou o registro. Em minutos estava sentada no carro, cabelos molhados e cabeça cheia, medrosa, como se estivesse entrando em um daqueles brinquedos de terror do parque da cidade. A Casa Mal Assombrada...

Durante todo o caminho não parou de pensar nas irmãs. Como a receberiam? Buscava nas boas recordações infantis algum conforto, algo aconchegante para se voltar.

Cinco horas depois avistou a primeira placa, e sentiu o coração pular fora do peito. Eram quase 20 anos.
Ao mesmo tempo, sentiu uma ansiedade boa, uma curiosodade em ver como estava sua cidade natal. Tanto deveria ter mudado...
Logo chegou à praça. Estacionou o carro e desceu. Olhou um velhinho sentado no banco contando os dedos da mão. Sorriu e virou-se em direção à Igreja. Foi quando ouviu:

-Sílvia? É a Silvinha, filha do Romero?

Continua semana que vem... Bom feriado!

Ele voltou!!!



Tem certas coisas que são vícios...
Reais drogas que nos dominam vontades.

Só que algumas são boas!

Eu, por exemplo, sou viciada em livros russos. Do bom, sabe, plantado em solo branco, de preferência envelhecido, tipo em 200 anos. Black Label! Editora 34!

Preciso ser amarrada quando vejo a tarja preta na estante, dá até tremedeira!

O tal vício de chocolate parece que o Romeo deu uma curada, ainda que ontem eu não tenha resistido e o pote de Nutella caiu, arbitrário, no meu carrinho.... Mas enfim...

E, para sorte nossa, Capitão-Mor é viciado em escrever....

Ele até tentou uma temporada em um Re-Hab famoso, só de celebridades, sabe?

Parece que ouviu palestras de viciados como ele, ouviu Ariano Suassuna, Arnaldo Antunes e participou de um workshop com o Scliar himself.

Ouvi até dizer que ele dividiu quarto com a Martha Medeiros, mas não sei se é boato...

De qualquer jeito, ao sair, caiu no mundo real, sabe como é....

Antigas companhias, parece que ele voltou a se encontrar com velhos companheiros de vício... E esse pessoal desses círculos tem todos apelidos do underground, sabe... Freemind, Bolacha Maria, LoiS, e tem uma lá que ouvi dizer que é meio barra pesada, uma tal de Jeca...

Até Rubina tem, mas acho que essa é nome mesmo.

Dizem que voltou ao vício com força total....

E que o que ele mais usa, é Blogsérie....

Vamos ver, qualquer coisa a gente interna ele de novo....

Ou não.....

inté!!!

terça-feira, outubro 09, 2007

40 anos... Morre um homem, nasce o mito




Difícil falar de mito....
Mircea Eliade tem livros e livros acerca do tema, quem sou eu, jeca limítrofe, para escrever sobre assunto tão vasto e complexo.
Mas ainda assim, sinto que muitos não entendem o conceito.
Acham que vestir uma camisa com a foto do Che é identificar-se integralmente com sua ideologia, com suas técnicas ditatoriais e com a situação atual de Cuba. Acham que quem usa a camisa vermelha manchada com o rosto sério, de queixo erguido e olhar doce, porém decidido, defende a guerrilha, a URSS e Trótsky.

Eu não acho.

Não identifico o mito Che Guevara com o decrépito e megalômano do Fidel Castro. Não vejo na camiseta e no símbolo kitsch uma busca de ideologias passadas, da foice e do martelo.

E talvez por um motivo.... Ele morreu...

Se fosse vivo, se tivesse insistido em sua luta soviética, estaria tão ridicularizado quanto seu compañero falador. Ultrapassado, marcado pelo tempo, pela roda política que triturou Cuba. Se fosse vivo, talvez a Veja nem precisaria tentar derrubar o mito com fatos históricos... Sentiríamos o tal cheiro de rim fervido que diziam que ele exalava.

Não sei até que ponto ele morreu por um sonho ou por egolatria ideológica. Não sei se sua intenção ao lutar na Bolívia e no Congo era sincera ou apenas uma fuga de sua já pouca influência na ilha da salsa.

Não sei....

Só sei que ao morrer, milhares de jovens criaram dele um mito de luta, de sonho e ideal, coisas que hoje em dia tanto nos faltam. Ao vê-lo morto e limpo como um Cristo, a geração pós hippie se agarrou a uma imagem que intuitivamente, sabia que não viria mais.
Acabaram-se as ilusões, acabou o flower power...
Nos restou um olhar em uma camiseta....

Que mal há nisso?

Nenhum.... Acho lindo a cara dele na bunda da Gisele Bündchen. Acho lindo saber que há uma loja na Vila Madalena que faz macacõezinhos de bebês com a foto de Korda.

E, pela força do mito, pela força do olhar, podem ter certeza: vou ninar o Romeo ao som da música, hasta siempre comandante.....

Hastá!!!!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Belezas da gravidez...

Tão idílico, né?
Ficar grávida, ficar mais bonita, mas feliz, radiante...
Talvez no tempo em que a mulherada não tinha que correr de um lado para outro, cheia de tarefas e prazos, isso fosse 100% verdadeiro.
E ainda mais, no tempo em que mulher agüentava quietinha alguns dos sintomas que hoje nos deixam meio malucas.

Eu sou até que uma felizarda, não posso reclamar de nada... Não enjôo, não tenho sono, desejo nem repulsa por nada....

A barriga, como bem me contaram, apareceu de repente, como se um melão tivesse sido engolido inteiro, à noite. Terça feira era uma... Hoje, TODOS no trabalho, até professoras do infantil, com quem nunca converso (por falta absoluta de tempo) comentaram que ela apareceu! Redondinha, pequena mas redondinha. Cinco meses, estava na hora, né?

Entretanto, nem tudo são flores!
Esse post é até meio nojento, se você sofre de frescurite, ou acredita que mulher não faz "essas coisas", saia da sala. Ou melhor, corra lá no Gastón, na Rubina, na MC ou na Carol, que estão com posts novos hoje! Você pode se chocar...

Uma das primeiras contra indicações da gravidez é o tal intestino preso. Não, também não sofro deste mal, mas a região sul está bem afetada......
Ontem, enquanto lia no trono real meu livro "O que esperar quando você está esperando", li a palavra "hemorróidas".
Doeu...
Não no coração, ou na ansiedade do "será que eu vou ter?"
Ali mesmo. Onde tem que doer. Parecia uma facada, uma agulhada ou um.... rasgo!

Puta vida, viu, foi abrir na página da tal fissura anal que ela apareceu! Como diz minha depiladora, "grávida não pode olhar para boi que o bebê nasce chifrudo".
Eu repito que isso é folcore, lenda do sertão, mas ela bate o pé, que ela conhece um que é o filho do Demo e que minha barriga não crescia por que o Romeo está "nas cadeiras"... Ou seja, nas costas. Nem adiantou a aula de anatomia que eu dei, enquanto ela puxava cera do mesmo lugar que hoje dói, ela garante que é batata!

O papel cheio de sangue? Praga dela....

Outro sintoma desagradável que vem me perturbando é o "inchaço da mucosa nasal", ou, como é vulgarmente conhecida, caca no nariz.

Geralmente uma assoada de manhã me resolve o dia, sou bem liberada nesse quesito, mas, talvez por carregar um mini-macho no ventre, já venho adquirindo a terrível necessidade socialmente deplorável de cutucar o nariz!

Ai, eu sei que é feio falar disso, que tenho uma imagem a zelar, que minhas alunas adolescentes lêem esse blog e vão ficar prestando mais atenção em mim na aula, para ver se me pegam, mas é a verdade, pura e simples. Incomoda! Não dá pra ficar sem arrumar o salão.

Como sou razoavelmente educada, não saio andando com o dedão no nariz, mas outro dia me aconteceu algo inimaginável para qualquer dama....

Meu condomínio fica em uma estrada pouco movimentada. Lá vinha eu, linda, em um belíssimo fim de tarde, dirigindo pela estrada afora. Janela aberta, e de repente sinto um obstáculo interno à efetiva respiração! Entretida com Erykah Badu de fundo musical, sem papel higiênico à mão, fui chamada à limpeza. Devo dizer que sou menina, e menina cutuca nariz com feminilidade, sem enfiar o dedo no cérebro.
Só que naquele justo momento, um carro com dois rapazes me ultrapassou, e o carona teve a chance de se vingar por toda raça masculina que ouve a namorada xingar e criticar tal hábito.
Rindo, ele imitou meu gesto e me chamou de porca!!!!!

Eu só pude rir junto!
Não estou tão hormonal a ponto de persegui-lo, berrando "eu estou grávida seu filho de uma égua, a porra do meu nariz entope, meu cu dói, eu estou gorda e você ainda vem me chamar de porca???? Vá pra p...."

Não dizem que rir é o melhor remédio?
Tomara que cure hemorróidas também....

Bom final de semana!

Inté!!!

quarta-feira, outubro 03, 2007

Blogsérie: O Funeral

O desafio do Capitão-Mor está aceito. Mas devo lembrar que nossa blog-série juntos tinha como ignição a excelência de seu pensamento, que eu apenas continuava, como um cachecol de tricô. Como sou capricorniana e cabeça dura, vou tentar alcançar um mínimo da qualidade do que fizemos em Férias em Natal... Só não prometo......
Enjoy the ride.


Foto: Olhares.com


Ainda era muito cedo, e ela não tinha pregado os olhos. O telefonema da noite anterior chacoalhara fantasmas que estavam tão bem ali, adormecidos, praticamente esquecidos.

-Mamãe se foi. Você vem?

Não ouvia a voz de Marta há cinco anos, e subitamente ela ressurgia, cheia de lodo, como se viesse do fundo de um túmulo lembrá-la de que não era sozinha no mundo.
Preferia assim, sozinha, independente...
Marta nunca fora companhia. Nem ela nem Paula. Cresceram ouvindo D. Lourdes berrar que tinham que ser amigas, pois eram irmãs. Deus as botara naquele mundo quente para serem amigas.
Sílvia imaginava esse tal Deus como uma imensa galinha, "botando" ela e suas irmãs no meio daquela cidade, em frente à Igreja Matriz.

-Não repita isso, menina, é pecado! Ele castiga!
-Castiga como? Bica?

D. Lourdes saía secando as mãos no avental, resmungando, desolada:

-De onde veio essa? Tão diferente de nós...

Sílvia nada mais fez que dar razão à sua mãe. Sabia que era diferente, e guardava certo orgullho disso. Quando rasgou seu uniforme de coroinha, costurado com tanto sacrifício pela tia Berta, causou algo próximo ao Apocalipse na cidade. A mãe desmaiou, Paula ria no canto e a caçula Marta rezava ajoelhada em seu altar de plástico. A recordação mais marcante que Sílvia tinha era do som que o cinto de seu pai emitiu, ao ser arrancado da calça.

Sangrou, sangrou por horas, sem permitir uma lágrima exposta.
Naquele dia soube que iria embora, para nunca mais.

Foi apenas uma questão de tempo. Flutuou entre aquelas pessoas por mais 10 anos, alheia a quase tudo que ali acontecia.
Sentia um carinho triste e fosco pela mãe, em cujos olhos percebia a frustração pela filha doente que tinha. Não podia ser normal, a pobre Sílvia. Só podia ser doente. É. Doente.

Acabou a escola aos 17 anos, e em um sábado pela manhã, desceu com sua única mala para a cozinha, onde aquele grupo de familiares devorava o café da manhã de sempre. Sílvia olhou a mesa, prometeu-se jamais, em sua vida, comer bolo de fubá e biscoito de nata novamente e comunicou:

-Já vou.

Não viu resistência. Paula se arrumava para a missa, maquiada, penteada, pronta para encontrar o filho do dono do Correio da cidade, com quem dizia que se casaria. O pai encheu a boca de bolo e resmungou algo que nunca soube.
Marta levantou os olhos e docemente disse à irmã que rezaria por sua alma, tão perdida e confusa.

-Perdida posso estar, sim. Mas confusa nunca estive.

D. Lourdes levantou-se, única preocupada com a filha e perguntou para onde ia. Precisava de algum trocado para ônibus? Podia sair assim, sem ter 18 anos? Não iria para casa de tolerância, não, não é? O que pensariam da família? Não, para casa de tolerância ela não podia ir.

-Calma, mãe, vou para São Paulo. A Regina foi morar com a tia, e tem um lugar para mim lá. Não se preocupe.

Andou sozinha até a rodoviária, entrou no ônibus e, pela primeira vez em 17 anos sentiu-se verdadeira.

Apavorada, mas verdadeira.


Continua semana que vem. Quinta feira?

Inté!!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Diálogo

Diálogo real, em uma igreja pelos interiores de São Paulo:

Padre:
"O que Deus uniu, o homem não separa!"

Madrinha, baixinho, por trás do Pároquo:

"O homem não, mas um bom advogado...."

Inté!!

Vale a pena ver de novo???

Eu há muito tempo desisti das novelas. Aprendi que dá pra sacar o que rola lendo as manchetes do site da Globo. Não assisto há anos, e ainda acho que nada se comparará jamais à Roque Santeiro ou Tieta.
Então acabou a graça.
É como visitar Praga antes de conhecer o resto da Europa, estraga o que está por vir...

Fico um ser flutuante em algumas conversas, não sei qual é a frase da moda, não sei qual o figurino que pegará nem vou me ofender se alguém me chamar de nome de vilã....

Mas nem sempre consigo minha capa de proteção anti-remédio-de-massas.
Justamente neste sábado, um dia depois do tal último capítulo, em que iam desvendar que matou Odete Roitman (foi esse, não foi?) tive um almoço com 4 senhoras acima de 80 anos.
Uma delas me cercou (literalmente) e, convencida de que eu perdera APENAS o final, me desfiou uma rede de nomes e circunstâncias que não faziam o menor sentido para mim. Por educação fiquei ali, vendo seus lábios se mexerem, esperando ansiosamente seu último suspiro para eu pegar minha torrada com coalhada que deitava-se à minha frente.....

"Fulano era filho do Ciclano, que soube pelo Beltrano na ambulância, por isso o Mané matou a Joana, para ficar com a herança de Asdrúbal, que transou com a secretária e teve um filho bastardo."

E por aí foi.... Ao acabar o relato de todos os capítulos da novela, a senhorinha me olhou com ar triunfante, feliz por ter me prestado o serviço de aliviar minha frustração por ter perdido o final.

"Mas você pode ver hoje, ainda, tem o reprise"
"Então, eu não vejo a novela... Nunca vi sequer um capítulo."
"..... ah..... então nem adianta, esse pessoal que não acompanha, chega no último capítulo e não consegue entender mesmo...."

Ufa, coalhada.....

Inté!!!