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terça-feira, março 20, 2007
Mais uma da elite....
Eu não sou muito fã da palavra "elite". Penso em atiradores, "atiradores de elite".
Mas também me incomoda o tom pejorativo que leio neste termo, talvez por um mea culpa judaico-cristão da idéia de que possa, de alguma maneira, fazer parte dela.
Não gosto de me identificar com a "brava elite brasileira" por um único motivo: Acho que nossas elites são prepotentes, hipócritas e principalmente, ignorantes. Falei sobre isso no post sobre a praia, e ouvi mais um caso que ilustra isso muito bem. Ao ouví-lo, vi que tinha "POST" escrito "all over it".
Minha mãe é corretora de imóveis, e vira e mexe tem um caso peculiar para nos divertir. Casais que brigam na frente dela, maridos manipulados pelas mulheres para comprar o que elas querem, etc, etc.
A última é de chorar...
Sra. Patricinha de Beverly Hills (assim a chama minha mãe) quer um apartamento grande, pois está se sentindo "sufocada" no de 170 m2. Não fala em valores, mas em área útil. Corretora experiente precisa saber onde está pisando, então presta atenção em cada detalhe que lhe é falado.
-"Este é um apartamento maravilhoso, são 400 m2 de área útil"
-"Ah, 400 m2? E quanto vale?"
-"1 milhão e 200 mil."
Patricinha respira e diz:
-"400 é muito grande, não preciso disso tudo."
Bom, máscara caiu, é muito caviar arrotado para pouca mortadela ingerida.
mas não pára por aí.
-"Eu não aguento mais onde moramos, você tem que ver a cara das pessoas que moram lá, é um h-o-r-r-o-r! Eu detesto o cheeeiro deles, faço meu marido colocar um pano no pé da porta pra evitar o cheeeiro dos vizinhos!"
-"Nossa, mas que armários medonhos! Imagine que EU ia colocar a MINHA roupa num armário de plástico assim. A-P-O-S-T-O que o dono é nordestino, pra fazer uma coisa assim só pode ser ceraense. Credo!"
-"Esse closet é muito pequeno, não cabem nem as minhas meias!!!"
Minha mãe observa que o quarto de empregadas é pequeno demais e ela responde:
-"Ah, mas elas se viram. Põe um beliche aí e tudo bem!"
Mas as meias, coitadas.....
-"Bom, Sra. Patricinha, vamos marcar então na semana que vem, temos outros apartamentos pra mostrar. Que tal segunda feira?"
-"Segunda? Segunda não posso, tenho grupo de oração"
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Grupo de oração?????
Pai nosso que estais no céu
Santificado seja o meu nome.
Venha a mim o seu reino
Seja feita a minha vontade
Assim na Terra como no Céu.
A Daslu nossa de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as minhas unhas mal feitas
Assim como eu perdôo meu marido que me tem traído.
Não me deixes sem tentações
E livrai-me da pobreza.
Amém!
...
PS: post número 100!!!!!!!!
Inté!!
Mas também me incomoda o tom pejorativo que leio neste termo, talvez por um mea culpa judaico-cristão da idéia de que possa, de alguma maneira, fazer parte dela.
Não gosto de me identificar com a "brava elite brasileira" por um único motivo: Acho que nossas elites são prepotentes, hipócritas e principalmente, ignorantes. Falei sobre isso no post sobre a praia, e ouvi mais um caso que ilustra isso muito bem. Ao ouví-lo, vi que tinha "POST" escrito "all over it".
Minha mãe é corretora de imóveis, e vira e mexe tem um caso peculiar para nos divertir. Casais que brigam na frente dela, maridos manipulados pelas mulheres para comprar o que elas querem, etc, etc.
A última é de chorar...
Sra. Patricinha de Beverly Hills (assim a chama minha mãe) quer um apartamento grande, pois está se sentindo "sufocada" no de 170 m2. Não fala em valores, mas em área útil. Corretora experiente precisa saber onde está pisando, então presta atenção em cada detalhe que lhe é falado.
-"Este é um apartamento maravilhoso, são 400 m2 de área útil"
-"Ah, 400 m2? E quanto vale?"
-"1 milhão e 200 mil."
Patricinha respira e diz:
-"400 é muito grande, não preciso disso tudo."
Bom, máscara caiu, é muito caviar arrotado para pouca mortadela ingerida.
mas não pára por aí.
-"Eu não aguento mais onde moramos, você tem que ver a cara das pessoas que moram lá, é um h-o-r-r-o-r! Eu detesto o cheeeiro deles, faço meu marido colocar um pano no pé da porta pra evitar o cheeeiro dos vizinhos!"
-"Nossa, mas que armários medonhos! Imagine que EU ia colocar a MINHA roupa num armário de plástico assim. A-P-O-S-T-O que o dono é nordestino, pra fazer uma coisa assim só pode ser ceraense. Credo!"
-"Esse closet é muito pequeno, não cabem nem as minhas meias!!!"
Minha mãe observa que o quarto de empregadas é pequeno demais e ela responde:
-"Ah, mas elas se viram. Põe um beliche aí e tudo bem!"
Mas as meias, coitadas.....
-"Bom, Sra. Patricinha, vamos marcar então na semana que vem, temos outros apartamentos pra mostrar. Que tal segunda feira?"
-"Segunda? Segunda não posso, tenho grupo de oração"
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Grupo de oração?????
Pai nosso que estais no céu
Santificado seja o meu nome.
Venha a mim o seu reino
Seja feita a minha vontade
Assim na Terra como no Céu.
A Daslu nossa de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as minhas unhas mal feitas
Assim como eu perdôo meu marido que me tem traído.
Não me deixes sem tentações
E livrai-me da pobreza.
Amém!
...
PS: post número 100!!!!!!!!
Inté!!
sábado, março 17, 2007
Música visual...
Certas músicas marcam épocas...
E certos lugares no mundo possuem suas músicas tema. Esta que aqui postei é uma delas.
Na minha cabeça existem duas "Nova Yorks".
Uma eu conheci adulta, uma NY acolhedora, segura, e cheia de novidades a cada esquina. A Big Apple me acolheu por alguns anos de minha vida, e dela tenho muita saudades.
Saudades dos sanduíches com Honey Mustard que comia no PAX, dos iogurtes gregos do Amish, dos pretzels massudos e salgados que comia quando o frio não me deixava ir além da esquina do hotel, das baladas, dos supermercados, e de tantas outras coisas que fizeram parte da minha fase Sex and the City.
À outra, volto quando escuto esta música. Uma NY que não conheci pessoalmente, uma NY dos anos 70 e 80 retratada nos filmes de Sessão da Tarde que via na infância, e sobre a qual a letra do The Boxer fala.
Esses filmes começavam sempre da mesma maneira.
Um carro atravessava alguma das pontes, geralmente a Ponte do Brooklyn enquanto a câmera abria o ângulo até desvelar a cidade toda. Neste instante o letreiro do filme aparecia, em letras psicodélicas amarelas, seguidas de:
Starring Tony Danza
Dentro dele, voavam rebeldes os cabelos compridos de algum policial à paisana.
De óculos Ray Ban, o galã estacionava o carango e víamos a calçada suja e marcada pela violência das décadas, prévias ao programa Tolerância Zero.
Descia, então, e nos mostrava suas calças de cintura baixa, cinto de couro e boca de sino.
E a música diminuia, encerrava, e a história começava.
Mas todas as músicas-tema desta época ficaram na minha cabeça, especialmente esta do Paul Simon. A minha NY antiga ficou gravada como uma cidade meio turva, como as cores dos tais filmes, em que letreiros apareciam do nada e músicas te acompanhavam de acordo com seu papel na cidade...
Duas cidades completamente diferentes... Sons e cores de infância e vivências adultas...
Para ilustrar, a abertura da série Taxi, que tinha o fenomenal Andy Kaufmann. Não é a Ponte do Brooklyn, mas tem até as letras amarelas e o próprio Tony Danza...
Inté!
quinta-feira, março 15, 2007
Férias em Natal. Episódio 2. O Contraponto

Finalmente chegou dezembro... Os últimos meses desde a decisão haviam sido de grande ansiedade e planos. Quando soube que os maridos tiveram a mesma idéia e se preparavam para ir a Natal, Rita mudou seu intinerário. Nada de nordeste, elas iriam para a Meca da beleza masculina: o Rio de Janeiro.
Luis teve uma reação tipicamente marciana ao saber da viagem da esposa. Sem comentar nada, atacou mais que nunca o Brasil, esquecendo-se de que ia ao mesmo destino.
“Vou por amizade aos gajos. Só por isso!”
“Eu por minha vez, vou para me divertir. Só por isso!”, respondia ela, com a mesma ironia.
Luis tentou de tudo, especialmente ao ver a brochura do hotel em cima da mesa:
“Rio???? Estás fora de si, o que vão lá fazer 3 mulheres sozinhas no meio do tiroteio carioca? Não vês as notícias??”
Rita sabia que, se houvesse alguma tecla tradutora daquela frase, o que ela mostraria é:
“Não quero que você vá para o Brasil por que seu ex-namorado é brasileiro e eu sinto ciúmes.”
“Rio?????? Por que não vão a Paris, é mais perto e vocês mulheres gostam mesmo é de compras, então voi la.”
A tradução...
“Se o tal Adriano já deixava as mulheres com calores ao passar, não quero nem pensar no que vão ver no Rio. Ficas mais segura com os franceses.”
Entretanto, confinado em sua dificuldade em ligar palavras e emoção, Luis simplesmente atacava o país, como se este fosse culpado por seus pesadelos com o tal Adriano.
Luis e seus amigos partiram um dia antes. Na manhã da viagem, ainda tentou dissuadir Rita da “perigosa empreitada”, e só consegui sair irritado com a esposa. Brigaram e mal se despediram. Luis se atrasou, mas antes de embarcar deu um jeito de ligar para casa e se desculpar.
“Desculpe, não quero que viajemos com raiva. Só me prometa que tomará cuidado no Rio, sim?”
“Claro, e você me prometa que tomará cuidado com o Ferrei... quero dizer, me prometa que se comportará.”
“Não preciso de nenhuma brasileira, Rita, tenho a portuguesa mais linda em casa...”
E assim partiram, eles para Natal, e elas felizes no dia seguinte para o Rio de Janeiro.
O vôo até a Cidade Maravilhosa foi tranqüilo, Lúcia dormiu protegida por sua máscara e tampões de ouvido e Rita se entregou à leitura. Tinha consigo “Assim falou Zaratrusta”, de Nietzsche e, claro, o guia turístico do Rio. Sónia mal pregou os olhos, preocupada e triste em deixar os filhos sozinhos com a avó. Suspirava de tempos em tempos, convencendo-se de que essa viagem lhe faria muito bem.
De manhã, não resistiram e sacudiram a amiga que dormia.
“Lúcia, acorde, você não pode perder isto!”
As três perderam as palavras, frente à vista aérea da cidade. Que visão magnífica... A Baía da Guanabara, a orla recortada e o céu.... Simplesmente o céu mais lindo que jamais haviam visto.
Ainda sob o efeito da vista aérea, desceram e pegaram as malas. Logo na alfândega perceberam que apesar do nome em comum, o português que falavam era muito diferente do que ali escutavam, mas tinham confiança na famosa amabilidade brasileira, especialmente com três mulheres sozinhas.
“Estou com uma intuição M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A sobre esta semana, meninas!” disse Lúcia, de maneira um pouco afetada, enquanto colocava seus óculos escuros Prada. “E o hotel em que vamos ficar. Um L-U-X-O!!! Ana Maria veio com o marido em janeiro e o recomendou com uma especial piscadela para você, Sónia! Segundo Ana, foi a maior concentração de homens lindos que viu na vida!”
Entraram no táxi e mais uma vez a cidade as encantou. A partir do Flamengo nada mais falaram, embasbacadas com a beleza da cidade. Nem a velocidade assustadora do taxista as tirou da contemplação. Em certo momento ouviram do motorista:
“Esta é a praia mais famosa do mundo, Copacabana!”
Rita sentiu um arrepio subir pela coluna, ouvia falar de Copacabana desde que era criança, e ali estava finalmente, respirando sua maresia.
Logo depois o táxi parou:
“R. Farme de Amoedo, senhoras! Ipanema Plaza! Espero que gostem do Rio!”
Continua...
Para checar a versão do Capitão-Mor, clique aqui.
terça-feira, março 13, 2007
A inveja é uma m.
Cansei de tentar ser a Mulher Maravilha! Joguei o shortinho vermelho e o cinto dourado no chão!
Aceito, agora, EU NÃO POSSO ABRAÇAR O MUNDO COM AS PERNAS!
Então desisti de ser a dona de casa perfeita... Bom, na verdade nunca tentei... Meu marido fica fora de casa uma semana e se bobear não me encontra na volta, perdida em meio à pilha de roupa pra passar, à biblioteca de Alexandria espalhada pela casa e à possível poeira acumulada.
Mas eu tentei! Juro que tentei! Nesses dois anos de roça eu assumi a limpeza da minha casa, a roupa e a cozinha. Só não incorporei o lencinho no cabelo por que me dá dor de cabeça, mas de resto fiz tudo!
Agora chega.
Percebi que meu mestrado ficou relegado às últimas, e que a vassoura estava ganhando a competição contra os livros!
Pronto, chamei uma moça para fazer o que precisa.
Ah, e o porque do título deste post????
Por que ela se chama JÔ!!!!!!!!
Mas ao contrário do querido Gastón, eu SIM, descobri o nome da MINHA Jô, Joselene!!!
Tomara que de igual seja só o apelido, não as mãos de quiabo!.....
Inté!
Aceito, agora, EU NÃO POSSO ABRAÇAR O MUNDO COM AS PERNAS!
Então desisti de ser a dona de casa perfeita... Bom, na verdade nunca tentei... Meu marido fica fora de casa uma semana e se bobear não me encontra na volta, perdida em meio à pilha de roupa pra passar, à biblioteca de Alexandria espalhada pela casa e à possível poeira acumulada.
Mas eu tentei! Juro que tentei! Nesses dois anos de roça eu assumi a limpeza da minha casa, a roupa e a cozinha. Só não incorporei o lencinho no cabelo por que me dá dor de cabeça, mas de resto fiz tudo!
Agora chega.
Percebi que meu mestrado ficou relegado às últimas, e que a vassoura estava ganhando a competição contra os livros!
Pronto, chamei uma moça para fazer o que precisa.
Ah, e o porque do título deste post????
Por que ela se chama JÔ!!!!!!!!
Mas ao contrário do querido Gastón, eu SIM, descobri o nome da MINHA Jô, Joselene!!!
Tomara que de igual seja só o apelido, não as mãos de quiabo!.....
Inté!
sexta-feira, março 09, 2007
Férias em Natal. Episódio 1. O Contraponto
Este texto é escrito atravessado com Capitão-Mor, que lançou o desafio a suas leitoras femininas. Ele escreveu em seu blog e história sob o ponto de vista dos maridos....
O relógio da sala de aula bateu o meio dia daquela quarta feira. Rita se despediu dos alunos e guardou seus livros. Professora de filosofia, alimentava-se da sede dos pupilos do terceiro ano da Universidade de Lisboa, que se envolviam nas discussões com entusiasmo . Adorava seu trabalho.
Já no corredor, seu celular tocou.
-Oi meu bem, como foi a aula?
-Foi ótima, Luis, hoje discutimos Nietzsche, estou com o coração a mil. A que horas você chega? Quero te contar os detalhes.
-Hoje é dia do jantar mensal com os rapazes. Acho que chegarei tarde.
-Jantar mensal? O Reis estará?
-Claro.
-Não acredito, depois de tudo que ele fez pra Sónia, você ainda vai se encontrar com ele?
-Rita, não tome partido, você não ouviu o lado dele. E eu acho que ele fez o correto, sei que você gosta dela, mas ela chegou no limite do suportável.
Rita ensaiou uma voz de choro, sabia que a reunião servia para falarem mal das esposas e articularem mais alguma contra elas. Aquele Ferreira era uma companhia péssima.
-Bom, já que tenho a noite só para mim, vou sair também. Não me espere acordado.
-Rit...
Fechou o flip do celular enquanto ouvia a vogal final da boca de seu marido.
Conheceram-se na rua. Luis a viu em frente a uma vitrine e se encantou com seu perfil angelical. Morena de cachos brilhantes, seus olhos azuis eram protegidos por imensos cílios. Luis aproximou-se, ela se assustou. Homem alto, Luis logo lhe chamou a atenção por suas mãos.
Rita gostava de mãos. Via nelas um traço da alma. As de Luis eram fortes, de falanges salientes e unhas roídas. Gostava de unhas roídas. Imaginou-o ansioso, um pouco tímido.
Dois anos depois estavam casados.
Viviam bem, apesar do ciúme exagerado que ele sentia. Perguntava sobre seus alunos, aparecia de surpresa na Universidade. Tinha ciúme especial de um antigo namorado, Adriano. Brasileiro, muito bonito e bronzeado, o rapaz um dia os encontrou no cinema, e desde então, Luis fazia comentários sarcásticos sobre o Brasil. Referia-se ao suposto rival por “brazuca”, “índio” e jurava que jamais iria “àquele país infernal.”
“Brasil, nunca!”, era seu slogan.
Puro ciúme.
Naquela tarde, Rita sentou-se para trabalhar em sua tese de doutorado, mas não conseguia se concentrar. Sabia muito bem que de um encontro com Ferreira, nada de bom poderia sair. Os desajustados dos amigos do Luis já haviam feito a cabeça do Reis contra Sónia, e agora ela estava sozinha, com Ana e Lucas para criar. Rita a ajudou durante a viagem que os maridos fizeram à Espanha, pois a pequena Ana teve pneumonia. Passaram três dias no hospital, e Reis não se dignou a voltar para a família. Inconformada, Rita não teve vontade de se dirigir a Luis por duas semanas. Ele seria assim também com ela, quando tivessem filhos?
Ligou para Sónia. Não ficaria em casa sozinha, e sabia que a amiga precisava de um ombro. Além de Sónia, chamou Lúcia, esposa de Fonseca.
-Quero ir a ao bistrô, já faz muito tempo que não como Foi Gras, disse Lúcia ao telefone.
-O bistrô é caro demais, replicou Rita. Estamos guardando dinheiro para comprar um carro no final do ano, acho que não posso ser assim tão extravagante.
-Ah, mas amiga minha não paga, Rita. Você e Sónia são minhas convidadas. Pago nosso jantar no cartão de Fonseca. Pensando bem, faz tempo, também, que não tomo champagne.
Bistrô, Lisboa, 22:55h
Sónia lamentava-se, inconformada com as atitudes de Reis. Não tanto com o divórcio, mas com pequenas posturas dele desde a decisão.
-Parece um adolescente, agora. Coloca a camisa para dentro da calça, usa perfume. Disse que ia pintar os fios brancos que começam a aparecer.
-Pintar os fios brancos? Ah, aqueles dois restantes em volta da reluzente pele craniana, disse rindo Lúcia, que sempre levantava o astral das amigas. Vamos, amiga, você se livrou de uma bomba. Sempre achei que você era mulher demais para aquele chato. Até Fonseca dizia isso – Reis é meu amigo, mas Sónia sempre foi muita areia para seu pequeno caminhão.-
Sónia riu baixo, um pouco envergonhada. Para conter a gargalhada, engasgou-se com Veuve Clicquot que regava o trio, às custas de Fonseca.
-Pequeno caminhão.... Pequeno caminhão..... – explodiu num riso libertador- Pequeno não era o caminhão, mas a mangueira.
- E você o confortava com aquela baboseira de que "tamanho não importa"?
-Siiimm!!
E as três explodiram em riso!
Riram tanto que os elegantes vizinhos de mesa se voltaram para elas.
Após enxugarem as lágrimas das gargalhadas, respiraram fundo e decidiram que era a vez delas.
-Vamos sair de férias juntas! Chega de agüentar as histórias deles, sempre eles, juntos, Espanha, Londres, cansei. Luis não pensa duas vezes antes de se enfiar em um quarto com aqueles brutamontes, por que tenho que ficar em casa à espera? Nós três. Agora seremos nós. Iremos em dezembro! Para onde?
-Taiti. Taiti, Rita, Sónia lá achará mangueiras dignas de assim se chamarem e ficaremos cozinhando nas águas azuis. Ai, aqueles bungalows de frente ao mar...
-Lúcia, por que você acha que este é o destino de sonhos de todo habitante da Terra? Por que é o mais caro. Não, não posso gastar, vamos comprar o carro, Sónia acabou de se divorciar, pensei em algo mais acessível, mas ainda assim inesquecível. Pensei em Brasil.
-Brasil?!!!! Levamos o Adriano como guia particular! Sónia, aposto mil euros que Adriano rega bem mais longe que Reis!
-Pára, Lúcia, que maldade, respondeu Rita, enquanto notava que Sónia esboçava um sorriso pensante...
-E Luis? O que dirá sobre o Brasil?? Já nos basta uma divorciada!
-Nada, não dirá nada. Eu não reclamei de Espanha, ele não poderá reclamar de Brasil.
Juntas, deram um gole da comprida taça. Fecharam os olhos, para melhor sentir as bolhas coçando a garganta. Aproveitaram a escuridão para sonhar um pouco com dezembro.
Na saída, Lúcia trombou uma moça que chorava. Loira, miúda, usava batom cereja e tinha os lábios carnudos. As lágrimas levavam o rímel preto, que manchava seu rosto.
-Jasmim! Jasmim, querida, o que houve?
Jasmim era irmã de uma aluna de Rita. Tinha seus 20 e poucos anos, bebia muito e não estudava. Rita a conheceu em uma reunião de Natal na universidade, e sentiu muita pena da garota, parecia frágil e assustada.
Sentaram-na em um bar e lhe ofereceram água.
-Conheci um homem na semana passada, dizia ela entre soluços, um homem de verdade, não esses moleques da minha idade. Já faz uma semana, estou desde cedo telefonando e ele não me atende.
Jasmim parecia alcoolizada.
-Calma, ele deve estar ocupado, ou deixou o celular em algum lugar. Bateria! Pode ter acabado a bateria, sugeriu Sónia.
-Qual bateria qual nada. Estou desconfiada, ele me convenceu a usar um esquema para ligar, tenho que usar um número confidencial. Não gosto nada disso, e não sei onde ele mora.
-Esses homens... suspirou Lúcia.
-Pois é... Esses homens...
Continua semana que vem...
O relógio da sala de aula bateu o meio dia daquela quarta feira. Rita se despediu dos alunos e guardou seus livros. Professora de filosofia, alimentava-se da sede dos pupilos do terceiro ano da Universidade de Lisboa, que se envolviam nas discussões com entusiasmo . Adorava seu trabalho.
Já no corredor, seu celular tocou.
-Oi meu bem, como foi a aula?
-Foi ótima, Luis, hoje discutimos Nietzsche, estou com o coração a mil. A que horas você chega? Quero te contar os detalhes.
-Hoje é dia do jantar mensal com os rapazes. Acho que chegarei tarde.
-Jantar mensal? O Reis estará?
-Claro.
-Não acredito, depois de tudo que ele fez pra Sónia, você ainda vai se encontrar com ele?
-Rita, não tome partido, você não ouviu o lado dele. E eu acho que ele fez o correto, sei que você gosta dela, mas ela chegou no limite do suportável.
Rita ensaiou uma voz de choro, sabia que a reunião servia para falarem mal das esposas e articularem mais alguma contra elas. Aquele Ferreira era uma companhia péssima.
-Bom, já que tenho a noite só para mim, vou sair também. Não me espere acordado.
-Rit...
Fechou o flip do celular enquanto ouvia a vogal final da boca de seu marido.
Conheceram-se na rua. Luis a viu em frente a uma vitrine e se encantou com seu perfil angelical. Morena de cachos brilhantes, seus olhos azuis eram protegidos por imensos cílios. Luis aproximou-se, ela se assustou. Homem alto, Luis logo lhe chamou a atenção por suas mãos.
Rita gostava de mãos. Via nelas um traço da alma. As de Luis eram fortes, de falanges salientes e unhas roídas. Gostava de unhas roídas. Imaginou-o ansioso, um pouco tímido.
Dois anos depois estavam casados.
Viviam bem, apesar do ciúme exagerado que ele sentia. Perguntava sobre seus alunos, aparecia de surpresa na Universidade. Tinha ciúme especial de um antigo namorado, Adriano. Brasileiro, muito bonito e bronzeado, o rapaz um dia os encontrou no cinema, e desde então, Luis fazia comentários sarcásticos sobre o Brasil. Referia-se ao suposto rival por “brazuca”, “índio” e jurava que jamais iria “àquele país infernal.”
“Brasil, nunca!”, era seu slogan.
Puro ciúme.
Naquela tarde, Rita sentou-se para trabalhar em sua tese de doutorado, mas não conseguia se concentrar. Sabia muito bem que de um encontro com Ferreira, nada de bom poderia sair. Os desajustados dos amigos do Luis já haviam feito a cabeça do Reis contra Sónia, e agora ela estava sozinha, com Ana e Lucas para criar. Rita a ajudou durante a viagem que os maridos fizeram à Espanha, pois a pequena Ana teve pneumonia. Passaram três dias no hospital, e Reis não se dignou a voltar para a família. Inconformada, Rita não teve vontade de se dirigir a Luis por duas semanas. Ele seria assim também com ela, quando tivessem filhos?
Ligou para Sónia. Não ficaria em casa sozinha, e sabia que a amiga precisava de um ombro. Além de Sónia, chamou Lúcia, esposa de Fonseca.
-Quero ir a ao bistrô, já faz muito tempo que não como Foi Gras, disse Lúcia ao telefone.
-O bistrô é caro demais, replicou Rita. Estamos guardando dinheiro para comprar um carro no final do ano, acho que não posso ser assim tão extravagante.
-Ah, mas amiga minha não paga, Rita. Você e Sónia são minhas convidadas. Pago nosso jantar no cartão de Fonseca. Pensando bem, faz tempo, também, que não tomo champagne.
Bistrô, Lisboa, 22:55h
Sónia lamentava-se, inconformada com as atitudes de Reis. Não tanto com o divórcio, mas com pequenas posturas dele desde a decisão.
-Parece um adolescente, agora. Coloca a camisa para dentro da calça, usa perfume. Disse que ia pintar os fios brancos que começam a aparecer.
-Pintar os fios brancos? Ah, aqueles dois restantes em volta da reluzente pele craniana, disse rindo Lúcia, que sempre levantava o astral das amigas. Vamos, amiga, você se livrou de uma bomba. Sempre achei que você era mulher demais para aquele chato. Até Fonseca dizia isso – Reis é meu amigo, mas Sónia sempre foi muita areia para seu pequeno caminhão.-
Sónia riu baixo, um pouco envergonhada. Para conter a gargalhada, engasgou-se com Veuve Clicquot que regava o trio, às custas de Fonseca.
-Pequeno caminhão.... Pequeno caminhão..... – explodiu num riso libertador- Pequeno não era o caminhão, mas a mangueira.
- E você o confortava com aquela baboseira de que "tamanho não importa"?
-Siiimm!!
E as três explodiram em riso!
Riram tanto que os elegantes vizinhos de mesa se voltaram para elas.
Após enxugarem as lágrimas das gargalhadas, respiraram fundo e decidiram que era a vez delas.
-Vamos sair de férias juntas! Chega de agüentar as histórias deles, sempre eles, juntos, Espanha, Londres, cansei. Luis não pensa duas vezes antes de se enfiar em um quarto com aqueles brutamontes, por que tenho que ficar em casa à espera? Nós três. Agora seremos nós. Iremos em dezembro! Para onde?
-Taiti. Taiti, Rita, Sónia lá achará mangueiras dignas de assim se chamarem e ficaremos cozinhando nas águas azuis. Ai, aqueles bungalows de frente ao mar...
-Lúcia, por que você acha que este é o destino de sonhos de todo habitante da Terra? Por que é o mais caro. Não, não posso gastar, vamos comprar o carro, Sónia acabou de se divorciar, pensei em algo mais acessível, mas ainda assim inesquecível. Pensei em Brasil.
-Brasil?!!!! Levamos o Adriano como guia particular! Sónia, aposto mil euros que Adriano rega bem mais longe que Reis!
-Pára, Lúcia, que maldade, respondeu Rita, enquanto notava que Sónia esboçava um sorriso pensante...
-E Luis? O que dirá sobre o Brasil?? Já nos basta uma divorciada!
-Nada, não dirá nada. Eu não reclamei de Espanha, ele não poderá reclamar de Brasil.
Juntas, deram um gole da comprida taça. Fecharam os olhos, para melhor sentir as bolhas coçando a garganta. Aproveitaram a escuridão para sonhar um pouco com dezembro.
Na saída, Lúcia trombou uma moça que chorava. Loira, miúda, usava batom cereja e tinha os lábios carnudos. As lágrimas levavam o rímel preto, que manchava seu rosto.
-Jasmim! Jasmim, querida, o que houve?
Jasmim era irmã de uma aluna de Rita. Tinha seus 20 e poucos anos, bebia muito e não estudava. Rita a conheceu em uma reunião de Natal na universidade, e sentiu muita pena da garota, parecia frágil e assustada.
Sentaram-na em um bar e lhe ofereceram água.
-Conheci um homem na semana passada, dizia ela entre soluços, um homem de verdade, não esses moleques da minha idade. Já faz uma semana, estou desde cedo telefonando e ele não me atende.
Jasmim parecia alcoolizada.
-Calma, ele deve estar ocupado, ou deixou o celular em algum lugar. Bateria! Pode ter acabado a bateria, sugeriu Sónia.
-Qual bateria qual nada. Estou desconfiada, ele me convenceu a usar um esquema para ligar, tenho que usar um número confidencial. Não gosto nada disso, e não sei onde ele mora.
-Esses homens... suspirou Lúcia.
-Pois é... Esses homens...
Continua semana que vem...
quinta-feira, março 08, 2007
Dia Internacional das...
MULHERES DA MINHA VIDA!!!!!!!!!
Se você não está entre as clicadas, é pela simples falha fototográfica minha, não tenho fotos de todas as mulheres importantes da minha vida!
Se você é mulher e está na Jeca, certamente é uma delas!!!
Beijos a todas e que um dia, não precisemos mais comemorar um dia assim.
Neste dia, teremos vencido a batalha contra o paternalismo secular!
Inté!!
PS: amanhã, aqui na Jeca, a primeira parte do contraponto feminino da blogsérie Férias em Natal. A versão masculina você confere no blog do Capitão-Mor. Vale a pena!!! Espero vocês aqui!
Se você não está entre as clicadas, é pela simples falha fototográfica minha, não tenho fotos de todas as mulheres importantes da minha vida!Se você é mulher e está na Jeca, certamente é uma delas!!!
Beijos a todas e que um dia, não precisemos mais comemorar um dia assim.
Neste dia, teremos vencido a batalha contra o paternalismo secular!
Inté!!
PS: amanhã, aqui na Jeca, a primeira parte do contraponto feminino da blogsérie Férias em Natal. A versão masculina você confere no blog do Capitão-Mor. Vale a pena!!! Espero vocês aqui!
quarta-feira, março 07, 2007
Obrigada.
É incrível o poder das palavras. Parece clichê, mas é verdade absoluta.
Especialmente das palavras "desculpe" e "obrigada". Se tivéssemos mais consciência disso, o mundo seria certamente melhor.
Fiquei pensando nisso depois de um episódio na escola, hoje. Um aluno começou um "diz que disse" entre mim e a coordenadora da tarde, e com as palavras erradas, criou um mal entendido chato. Ela ficou triste comigo por algo que eu não havia dito. Fiquei péssima.
Chamei o aluno e, junto à diretora, esclarecemos. Ele afirmou que tinha se expressado mal e que eu não havia dito aquilo. Nada de mais. Em seguida me encontrei com a coordenadora e ela e eu ficamos aliviadas em resolver a questão.
Mas o que mais me tocou, na verdade, foi que ao fim de tudo, o aluno me chamou na sala de aula e disse:
"Pro, desculpa por aquilo, tá? Eu não tive a intenção de criar confusão!"
"Desculpa". Ele reconheceu, não apenas o ato errado dele, mas o fato de ter me deixado chateada.
"Desculpa", palavra mágica, que usada com sinceridade, é mertiolate para algumas feridas.
Saí da escola e fui almoçar. Fui a um restaurante, ou melhor, fui AO restaurante decente da cidade, em que eu sempre peço o mesmo prato, com um molho de maracujá DIVINO.
Ainda com o poder do reconhecimento na cabeça, me dei conta de que aquele molho foi feito por uma determinada pessoa, e que eu nunca lhe reconheci o trabalho.
Na hora da conta, pedi ao garçom que agradecesse o pessoal da cozinha por mim, pois aquele era o melhor molho de maracujá que comi na vida.
Ele se aproximou da janelinha da cozinha e, depois de algumas palavras, vi 5 cabeças com chapéus de cozinheiro se espremendo para ver de que mesa veio o agradecimento.
Elogiamos tão pouco, né? Agradecemos tão pouco, nos desculpamos tão pouco... E é um ato simples, que tem grande poder.
No Yôga chamamos isso de PUJÁ, ou seja, "retribuição ética de energia!" Parece complicado, mas não é. A energia que você envia a uma pessoa, seja em forma de elogio, de desculpas ou de votos bons estabelece o tipo de relação que você terá com ela. E faz bem para as duas pontas...
Há tanto para se agradecer... tantos "obrigada" para se dizer...
Obrigada Dora, por ser "A" mãe que você é.
Obrigada Antonio, obrigada pelo que somos hoje.
Obrigada Caia, pela sua mera existência na minha vida.
Obrigada Fe, por seu amor, pela caminhada ao meu lado e pela paciência...
Obrigada grandes e amadas amigas, Luli, Carol, Ciça, Ju, Karina, Elô, Marcelo, pelos sins e pelos nãos, pelas palavras e risadas. Pelo simples silêncio confortável da amizade.
Obrigada Carmen e Geraldo, por tratarem suas noras como filhas.
Obrigada Dani e Gui, por serem irmãos mais velhos.
Obrigada Marília e Carol, cunhadas-irmãs, pela amizade, pelo companheirismo e por todos os papos furados e nem tão furados assim!!!
Obrigada Pepe, por fazer minha irmã feliz.
Obrigada Família Colla, por me fazer sentir as raízes.
Obrigada Vinicius e Rogério, pela família por perto.
Obrigada Tia Gladys, por enseñarme la lengua que hoy me es tan importante!
Obrigada Kinder Kampus, por me ensinar o que é ser professora.
Obrigada Cris Melo e Dani Reston, por serem amigas mesmo tão longe.
Obrigada Marla, por todos os anos de amor e brigas e por fazer o amor ganhar!
Obrigada Vera, pelas esfihas de zattar feitas com tanto carinho, e pelo Kibe de soja "criado" especialmente para nós. E por me ensinar sua coalhada!!!
Obrigada Nicolau, por acreditar em mim.
Obrigada Renata e Camila, pelas "cajazeiras". Não poderia ser melhor.
Obrigada TriAção, por todos os dias, pelo clima maravilhoso de trabalho e pela crença CABAL na Educação!
Obrigada Equipe Uni-Yôga, Berti, Samir, Pedro e Thaís, pelos ensinamentos e pela jornada no Yôga.
Obrigada comentaristas assíduos da Jeca!!! TD, pelo mistério. Mônica e Sofia, pelo comentário com sotaque de carioca. Rubina e Capitão, pelo belo português de além mar aqui escrito. Cláudia, pelos comentários de voz suave. GZ, pelo ar jovem e descontraído. Taubrós, pelos sempre bons tempos, guardados no coração. Carolzinha, por matar a saudades pelo blog.
Obrigada Gastón, por me inspirar a escrever.
Obrigada aos leitores assíduos, que não deixam comentários mas que sei que vêm.
Obrigada, de coração. Cada um de vocês faz de mim um pouco que eu sou.
Um grande beijo
Tati
Inté!
Especialmente das palavras "desculpe" e "obrigada". Se tivéssemos mais consciência disso, o mundo seria certamente melhor.
Fiquei pensando nisso depois de um episódio na escola, hoje. Um aluno começou um "diz que disse" entre mim e a coordenadora da tarde, e com as palavras erradas, criou um mal entendido chato. Ela ficou triste comigo por algo que eu não havia dito. Fiquei péssima.
Chamei o aluno e, junto à diretora, esclarecemos. Ele afirmou que tinha se expressado mal e que eu não havia dito aquilo. Nada de mais. Em seguida me encontrei com a coordenadora e ela e eu ficamos aliviadas em resolver a questão.
Mas o que mais me tocou, na verdade, foi que ao fim de tudo, o aluno me chamou na sala de aula e disse:
"Pro, desculpa por aquilo, tá? Eu não tive a intenção de criar confusão!"
"Desculpa". Ele reconheceu, não apenas o ato errado dele, mas o fato de ter me deixado chateada.
"Desculpa", palavra mágica, que usada com sinceridade, é mertiolate para algumas feridas.
Saí da escola e fui almoçar. Fui a um restaurante, ou melhor, fui AO restaurante decente da cidade, em que eu sempre peço o mesmo prato, com um molho de maracujá DIVINO.
Ainda com o poder do reconhecimento na cabeça, me dei conta de que aquele molho foi feito por uma determinada pessoa, e que eu nunca lhe reconheci o trabalho.
Na hora da conta, pedi ao garçom que agradecesse o pessoal da cozinha por mim, pois aquele era o melhor molho de maracujá que comi na vida.
Ele se aproximou da janelinha da cozinha e, depois de algumas palavras, vi 5 cabeças com chapéus de cozinheiro se espremendo para ver de que mesa veio o agradecimento.
Elogiamos tão pouco, né? Agradecemos tão pouco, nos desculpamos tão pouco... E é um ato simples, que tem grande poder.
No Yôga chamamos isso de PUJÁ, ou seja, "retribuição ética de energia!" Parece complicado, mas não é. A energia que você envia a uma pessoa, seja em forma de elogio, de desculpas ou de votos bons estabelece o tipo de relação que você terá com ela. E faz bem para as duas pontas...
Há tanto para se agradecer... tantos "obrigada" para se dizer...
Obrigada Dora, por ser "A" mãe que você é.
Obrigada Antonio, obrigada pelo que somos hoje.
Obrigada Caia, pela sua mera existência na minha vida.
Obrigada Fe, por seu amor, pela caminhada ao meu lado e pela paciência...
Obrigada grandes e amadas amigas, Luli, Carol, Ciça, Ju, Karina, Elô, Marcelo, pelos sins e pelos nãos, pelas palavras e risadas. Pelo simples silêncio confortável da amizade.
Obrigada Carmen e Geraldo, por tratarem suas noras como filhas.
Obrigada Dani e Gui, por serem irmãos mais velhos.
Obrigada Marília e Carol, cunhadas-irmãs, pela amizade, pelo companheirismo e por todos os papos furados e nem tão furados assim!!!
Obrigada Pepe, por fazer minha irmã feliz.
Obrigada Família Colla, por me fazer sentir as raízes.
Obrigada Vinicius e Rogério, pela família por perto.
Obrigada Tia Gladys, por enseñarme la lengua que hoy me es tan importante!
Obrigada Kinder Kampus, por me ensinar o que é ser professora.
Obrigada Cris Melo e Dani Reston, por serem amigas mesmo tão longe.
Obrigada Marla, por todos os anos de amor e brigas e por fazer o amor ganhar!
Obrigada Vera, pelas esfihas de zattar feitas com tanto carinho, e pelo Kibe de soja "criado" especialmente para nós. E por me ensinar sua coalhada!!!
Obrigada Nicolau, por acreditar em mim.
Obrigada Renata e Camila, pelas "cajazeiras". Não poderia ser melhor.
Obrigada TriAção, por todos os dias, pelo clima maravilhoso de trabalho e pela crença CABAL na Educação!
Obrigada Equipe Uni-Yôga, Berti, Samir, Pedro e Thaís, pelos ensinamentos e pela jornada no Yôga.
Obrigada comentaristas assíduos da Jeca!!! TD, pelo mistério. Mônica e Sofia, pelo comentário com sotaque de carioca. Rubina e Capitão, pelo belo português de além mar aqui escrito. Cláudia, pelos comentários de voz suave. GZ, pelo ar jovem e descontraído. Taubrós, pelos sempre bons tempos, guardados no coração. Carolzinha, por matar a saudades pelo blog.
Obrigada Gastón, por me inspirar a escrever.
Obrigada aos leitores assíduos, que não deixam comentários mas que sei que vêm.
Obrigada, de coração. Cada um de vocês faz de mim um pouco que eu sou.
Um grande beijo
Tati
Inté!
segunda-feira, março 05, 2007
Brava Elite Brasileira...
Este fim de semana fui sozinha pra praia! Marido foi viajar com pai e irmãos, se enfiou na neve, e eu na areia!... Saí no lucro...
Praia é uma das diversões mais democráticas que há, na minha opinião! Todo mundo tem seu espaço, é gratuito e o sol brilha para todos do mesmo jeito. E nestes espaços de convivência social eu me divirto observando as pessoas...
As areias do litoral norte de São Paulo são tidas como "elitistas". As pousadas são caras, as praias são mais longe da capital então os conhecidos "farofeiros" de um dia geralmente não chegam lá! Eu disse "geralmente"...
Assim sendo, logo cedo você vê os caseiros montando barracas gigantes para as famílias que ainda dormem. Parecem latifundiários marcando terreno.
Levam cadeiras, pranchas das crianças e até mini piscinas de plástico. Tais famílias chegam lá pelas 11 da manhã, se amontoam em baixo da sombra e ficam a ler Caras enquanto as babás cuidam da prole... Afinal, madame que é madame precisa descansar, então quem brinca com os filhos é a babá... Enfim.
Ontem vi uma cena das mais engraçadas. Cheguei às 8 horas na praia, eu e os caseiros montando as barracas!
Lá pelas 9 horas, ouço uma gritaria digna de torcida de futebol:
"Maaaaano, dá pra jogar um futebolzão aqui!!!"
Abro os olhos.... Crianças de biquini verde limão, mães com a cooler e as "bóia das criança" na mão, pais já com latinha gelada! Óculos escuros na testa e a galera chegou pra passar o dia. Sem exagero, eram uns 20! Os mais jovens fincaram os chinelos pra marcar as traves e começaram o "Curínthia versus Pêxe".
De repente, uma senhora avista o oásis! Em meio ao sol escaldante ela descobriu o paraíso!
"Ah, fia, vem aqui na sombra, tem uma barraca que cabe nóis tudo!"
Pronto, estava criado o primeiro assentamento de barraca de praia!
MSB, Movimento dos Sem barraca, ou MPSD, Movimento Pela Sombra Democrática!
A partir deste momento virei minha cadeira de frente para a cena. Se vendessem ingresso e pipoca eu comprava. Fiquei na ansiosa espera pelos "donos" da barraca. Sim, donos, por que se a areia é pública, a barraca foi comprada por alguém.
A galera se instalou como o diabo gosta! Às 11 horas, a cooler já estava aberta, os atletas já estavam brincando de croquete na sombra e a senhora, nitidamente cansada, deitou na areia e dormiu. Se sentindo em casa, penduraram as camisetas na ferragem da barraca e se sentaram nas cadeiras que ali estavam.
Qual não foi a surpresa do casal que chegou em "seu" território e se deparou com aquele "terreiro". Precisei segurar o riso, pois gente sozinha não dá gargalhada, pode parecer maluca de pinel. Achei muita graça na reação do casal.
Petrificados.
Com medo.
A galera, como é típico deles, democraticamente achou lugar para aqueles dois que chegaram.
"O Zéfa, espreme aí pra eles entrá!"
A senhora parecia ter parado de respirar. Sentou-se e olhou para o marido como quem pede "pelo amor de Deus, me salva!"
Acredito que em nenhum momento eles pensaram em pedir pra galera sair dali, com educação, claro. Pareciam ter sido jogados pra fora do carro no Simba Safári. A senhora deu um pulo quando um meninote pendurou sua camiseta naquela alça da cadeira de praia em que ela se sentava. A que dormia no chão teve um espasmo de sono e jogou areia em cima do senhor.
Patético... Pro casal, claro, que do alto de sua compostura, do alto de sua educação suíça, não sabia como interagir com o outro.
Desesperado, o senhor se pendurou no telefone. Em cinco minutos o caseiro veio em socorro, e mudou a barraca de lugar. Respirando aliviados, eles voltaram a sorrir.
Descontraídos, batiam papo com o caseiro, que prendia a armação na areia.
"Ah, o cara da casa 4? Ele quer que você trabalhe pra ele??? Ah, não vai não, o cara é francês, e esse povo é tudo sujo, olha Cícero, esse pessoal lá da Europa não toma banho não!" disse o Barão...
Ao que a Baronesa da educação completa:
"E fora, né, Cícero, que você já tem dono! Avisa ele lá, você é nosso, hein, já tem dono! hahaha"
Triste elite....
Inté!
Praia é uma das diversões mais democráticas que há, na minha opinião! Todo mundo tem seu espaço, é gratuito e o sol brilha para todos do mesmo jeito. E nestes espaços de convivência social eu me divirto observando as pessoas...
As areias do litoral norte de São Paulo são tidas como "elitistas". As pousadas são caras, as praias são mais longe da capital então os conhecidos "farofeiros" de um dia geralmente não chegam lá! Eu disse "geralmente"...
Assim sendo, logo cedo você vê os caseiros montando barracas gigantes para as famílias que ainda dormem. Parecem latifundiários marcando terreno.
Levam cadeiras, pranchas das crianças e até mini piscinas de plástico. Tais famílias chegam lá pelas 11 da manhã, se amontoam em baixo da sombra e ficam a ler Caras enquanto as babás cuidam da prole... Afinal, madame que é madame precisa descansar, então quem brinca com os filhos é a babá... Enfim.
Ontem vi uma cena das mais engraçadas. Cheguei às 8 horas na praia, eu e os caseiros montando as barracas!
Lá pelas 9 horas, ouço uma gritaria digna de torcida de futebol:
"Maaaaano, dá pra jogar um futebolzão aqui!!!"
Abro os olhos.... Crianças de biquini verde limão, mães com a cooler e as "bóia das criança" na mão, pais já com latinha gelada! Óculos escuros na testa e a galera chegou pra passar o dia. Sem exagero, eram uns 20! Os mais jovens fincaram os chinelos pra marcar as traves e começaram o "Curínthia versus Pêxe".
De repente, uma senhora avista o oásis! Em meio ao sol escaldante ela descobriu o paraíso!
"Ah, fia, vem aqui na sombra, tem uma barraca que cabe nóis tudo!"
Pronto, estava criado o primeiro assentamento de barraca de praia!
MSB, Movimento dos Sem barraca, ou MPSD, Movimento Pela Sombra Democrática!
A partir deste momento virei minha cadeira de frente para a cena. Se vendessem ingresso e pipoca eu comprava. Fiquei na ansiosa espera pelos "donos" da barraca. Sim, donos, por que se a areia é pública, a barraca foi comprada por alguém.
A galera se instalou como o diabo gosta! Às 11 horas, a cooler já estava aberta, os atletas já estavam brincando de croquete na sombra e a senhora, nitidamente cansada, deitou na areia e dormiu. Se sentindo em casa, penduraram as camisetas na ferragem da barraca e se sentaram nas cadeiras que ali estavam.
Qual não foi a surpresa do casal que chegou em "seu" território e se deparou com aquele "terreiro". Precisei segurar o riso, pois gente sozinha não dá gargalhada, pode parecer maluca de pinel. Achei muita graça na reação do casal.
Petrificados.
Com medo.
A galera, como é típico deles, democraticamente achou lugar para aqueles dois que chegaram.
"O Zéfa, espreme aí pra eles entrá!"
A senhora parecia ter parado de respirar. Sentou-se e olhou para o marido como quem pede "pelo amor de Deus, me salva!"
Acredito que em nenhum momento eles pensaram em pedir pra galera sair dali, com educação, claro. Pareciam ter sido jogados pra fora do carro no Simba Safári. A senhora deu um pulo quando um meninote pendurou sua camiseta naquela alça da cadeira de praia em que ela se sentava. A que dormia no chão teve um espasmo de sono e jogou areia em cima do senhor.
Patético... Pro casal, claro, que do alto de sua compostura, do alto de sua educação suíça, não sabia como interagir com o outro.
Desesperado, o senhor se pendurou no telefone. Em cinco minutos o caseiro veio em socorro, e mudou a barraca de lugar. Respirando aliviados, eles voltaram a sorrir.
Descontraídos, batiam papo com o caseiro, que prendia a armação na areia.
"Ah, o cara da casa 4? Ele quer que você trabalhe pra ele??? Ah, não vai não, o cara é francês, e esse povo é tudo sujo, olha Cícero, esse pessoal lá da Europa não toma banho não!" disse o Barão...
Ao que a Baronesa da educação completa:
"E fora, né, Cícero, que você já tem dono! Avisa ele lá, você é nosso, hein, já tem dono! hahaha"
Triste elite....
Inté!
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Sinal Vermelho!!!
Começo de ano é época de se por a mão no bolso e encarar alguns gastos fortes... IPVA, IPTU, Imposto de Renda, entre outros...
Já me sinto literalmente roubada cada vez que um centavo meu vai para estes impostos mal usados e nada reinvestidos. Palhaça se estampa na minha testa.
No entanto, já superaram os tributos do governo em matéria de me xingar de trouxa, besta e beócia:
PEDÁGIO DE CALOURO!
O-D-E-I-O!
Páro no sinal e lá vem um bando de novos universitários pintados de cima a baixo, alguns sem cabelo, todos com a sigla de sua insituição tatuada no rosto.
Fecho o vidro, fecho a cara e fecho o tempo!
É um excesso de cara de pau, de falta de respeito com o próximo e de ausência moral um fulano vestido de calça Diesel vir na minha janela pedir um real pra depois gastar em cerveja, com outros fulanos da mesma raça.
Foi-se a época em que estudante era pé rapado, precisava mesmo desta esmola pra comemorar a tão sofrida entrada na Universidade! Hoje eles chegam no cruzamento escolhido dirigindo seus belos carangos dados por "papi", vestidos com toda pompa e circunstância, muitos dos quais vindos de um vestibular xexelento, daqueles em que a empre.... quer dizer, a faculdade, quase pega você na calçada e põe pra dentro!
Aquele um que ralou o coco pra passar provavelmente está, às 14hs de plena quarta feira, no trampo, segurando as ondas pra conseguir pagar a graduação!
"NÃO DOU!!!! Vai na adega do "papi" do veteranto e enche a cara lá, pelo menos em casa você não aumenta as estatísticas de jovens bêbados que dão com o carro no poste!"
O pior é a tática que eles usam. Veteranos se posicionam estrategicamente na esquina à espera da bufunfa fácil pra breja do happy hour, mandam meninas irem nos carros de motoristas homens e meninos nas Penélopes Charmosas! Me sinto ofendida, como se um moleque com bigode ralo, 17, 18 anos, voz recém engrossada e tinta roxa na cara fosse me amolecer pra ganhar dinheiro!
Prefiro o Sacha Baron Cohen, aqui de baixo, vestido de BORAT!!!!!
Niiice....
Acho o fim da picada... Seria lindo ver um grupo de calouros gastando essa felicidade, essa energia de renovação em algo construtivo.
"Senhores motoristas, estamos arrecadando dinheiro para a Páscoa da creche do bairro".
ou
"Senhores motoristas, estamos levantando assinaturas para reinvidicarmos, junto à prefeitura, uma praça para as crianças da região!"
Vou parafrasear o Daniel Piza:
Não me ufano...
Enquanto isso não acontece, aviso aos calouros:
"Não me venham com churumelas, pedágio de calouro é no carro de trás!"
Inté!!
Já me sinto literalmente roubada cada vez que um centavo meu vai para estes impostos mal usados e nada reinvestidos. Palhaça se estampa na minha testa.
No entanto, já superaram os tributos do governo em matéria de me xingar de trouxa, besta e beócia:
PEDÁGIO DE CALOURO!
O-D-E-I-O!
Páro no sinal e lá vem um bando de novos universitários pintados de cima a baixo, alguns sem cabelo, todos com a sigla de sua insituição tatuada no rosto.
Fecho o vidro, fecho a cara e fecho o tempo!
É um excesso de cara de pau, de falta de respeito com o próximo e de ausência moral um fulano vestido de calça Diesel vir na minha janela pedir um real pra depois gastar em cerveja, com outros fulanos da mesma raça.
Foi-se a época em que estudante era pé rapado, precisava mesmo desta esmola pra comemorar a tão sofrida entrada na Universidade! Hoje eles chegam no cruzamento escolhido dirigindo seus belos carangos dados por "papi", vestidos com toda pompa e circunstância, muitos dos quais vindos de um vestibular xexelento, daqueles em que a empre.... quer dizer, a faculdade, quase pega você na calçada e põe pra dentro!
Aquele um que ralou o coco pra passar provavelmente está, às 14hs de plena quarta feira, no trampo, segurando as ondas pra conseguir pagar a graduação!
"NÃO DOU!!!! Vai na adega do "papi" do veteranto e enche a cara lá, pelo menos em casa você não aumenta as estatísticas de jovens bêbados que dão com o carro no poste!"
O pior é a tática que eles usam. Veteranos se posicionam estrategicamente na esquina à espera da bufunfa fácil pra breja do happy hour, mandam meninas irem nos carros de motoristas homens e meninos nas Penélopes Charmosas! Me sinto ofendida, como se um moleque com bigode ralo, 17, 18 anos, voz recém engrossada e tinta roxa na cara fosse me amolecer pra ganhar dinheiro!
Prefiro o Sacha Baron Cohen, aqui de baixo, vestido de BORAT!!!!!
Niiice....
Acho o fim da picada... Seria lindo ver um grupo de calouros gastando essa felicidade, essa energia de renovação em algo construtivo.
"Senhores motoristas, estamos arrecadando dinheiro para a Páscoa da creche do bairro".
ou
"Senhores motoristas, estamos levantando assinaturas para reinvidicarmos, junto à prefeitura, uma praça para as crianças da região!"
Vou parafrasear o Daniel Piza:
Não me ufano...
Enquanto isso não acontece, aviso aos calouros:
"Não me venham com churumelas, pedágio de calouro é no carro de trás!"
Inté!!
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Fim do Monopólio...
Existe, entre nós, uma tendência forte à generalização...
Eu cada vez acredito menos nos famosos axiomas da Humanidade...
A que mais dizia na minha adolescência era:
-Homem não presta. Nunca mais namoro, vou virar freira!
Não é verdade, existe, sim, um ou outro que escapam à esta regra...
E freira, hum.... Talvez em outra vida, se eu for muito má nesta...
-Panela velha é que faz comida boa.
Conta outra, né?... Nem se você for levar esta frase ao pé da letra, a comida da minha avó é das piores, minha mãe desencanou de cozinhar e cada dia que se passa fico mais preguiçosa na cozinha... Panela velha não tem mais saco, fica com dor nas pernas, na lombar, troca os temperos e se bobear pega no sono no sofá e queima o assado...
-O Brasil é o país do futuro.... Me acorda quando esse futuro chegar, tá? Pelo que vejo estamos esquecendo de viver o presente e babando num futuro que não chega nunca... A Índia, a China, a Coréia do Sul, esses sim, são países do futuro, pois estão trabalhando pesado HOJE...
E a que motivou este post:
-Mulher é fofoqueira.
Tá, ok, certo... Concordo...
Entretanto, tenho constatado que não temos mais o monopólio da fofoca!
Acabou a época em que mulheres ficavam em casa esperando o marido chegar do trabalho, tempo em que sua única diversão era falar da vida alheia!
O século XXI é o século da fofoca masculina!
Ainda assim, eles não atingiram nosso grau de "experties", afinal, vimos praticando a arte de comentar os percalços dos outros há centenas de anos. Homens desenvolveram um mecanismo típico de fofoca.
Semana passada, sentada no Starbucks, ouvi o papo de quatro rapazes, em horário de almoço...
"Rapaz, você tem que ver como a namorada nova do Jorge respondeu pra ele! (risos risos risos) O cara é o maior pau mandado!! Ela deu uma nele que ele ficou até branco!!!" (risos risos risos)
"Ah, mas o pior foi o Marcos, do financeiro. A namorada acabou com ele, e (risos risos risos) o cara caiu no choro!!!!" (gargalhadas gargalhadas gargalhadas)
Hoje, na academia, ouço o papo de dois amigos.
"Cara, vi o Fulano no supermercado, (risos) ele tá com uma barriga enorme!!!" (gargalhadas)
Pois é, meninos, vocês ainda têm um longo caminho até ouvirem a máxima:
-Homem é tudo fofoqueiro
Mas, pelo andar da carruagem, que vão ouvir vão...
Deixa eu ir que minhha vizinha está gritando com a empregada...
Inté!!
Eu cada vez acredito menos nos famosos axiomas da Humanidade...
A que mais dizia na minha adolescência era:
-Homem não presta. Nunca mais namoro, vou virar freira!
Não é verdade, existe, sim, um ou outro que escapam à esta regra...
E freira, hum.... Talvez em outra vida, se eu for muito má nesta...
-Panela velha é que faz comida boa.
Conta outra, né?... Nem se você for levar esta frase ao pé da letra, a comida da minha avó é das piores, minha mãe desencanou de cozinhar e cada dia que se passa fico mais preguiçosa na cozinha... Panela velha não tem mais saco, fica com dor nas pernas, na lombar, troca os temperos e se bobear pega no sono no sofá e queima o assado...
-O Brasil é o país do futuro.... Me acorda quando esse futuro chegar, tá? Pelo que vejo estamos esquecendo de viver o presente e babando num futuro que não chega nunca... A Índia, a China, a Coréia do Sul, esses sim, são países do futuro, pois estão trabalhando pesado HOJE...
E a que motivou este post:
-Mulher é fofoqueira.
Tá, ok, certo... Concordo...
Entretanto, tenho constatado que não temos mais o monopólio da fofoca!
Acabou a época em que mulheres ficavam em casa esperando o marido chegar do trabalho, tempo em que sua única diversão era falar da vida alheia!
O século XXI é o século da fofoca masculina!
Ainda assim, eles não atingiram nosso grau de "experties", afinal, vimos praticando a arte de comentar os percalços dos outros há centenas de anos. Homens desenvolveram um mecanismo típico de fofoca.
Semana passada, sentada no Starbucks, ouvi o papo de quatro rapazes, em horário de almoço...
"Rapaz, você tem que ver como a namorada nova do Jorge respondeu pra ele! (risos risos risos) O cara é o maior pau mandado!! Ela deu uma nele que ele ficou até branco!!!" (risos risos risos)
"Ah, mas o pior foi o Marcos, do financeiro. A namorada acabou com ele, e (risos risos risos) o cara caiu no choro!!!!" (gargalhadas gargalhadas gargalhadas)
Hoje, na academia, ouço o papo de dois amigos.
"Cara, vi o Fulano no supermercado, (risos) ele tá com uma barriga enorme!!!" (gargalhadas)
Pois é, meninos, vocês ainda têm um longo caminho até ouvirem a máxima:
-Homem é tudo fofoqueiro
Mas, pelo andar da carruagem, que vão ouvir vão...
Deixa eu ir que minhha vizinha está gritando com a empregada...
Inté!!
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Humor Negro
Este fim de semana fiz algo que há muito tempo não fazia. Fui ver o mesmo filme duas vezes no cinema.
Nada intelectual...
Nada cult...
Nada, mas naaada politicamente correto...
Fui ver "Borat"!
Mas por que trazê-lo da tela do cinema pra tópico de post?
Por causa da platéia...
Muitos ainda não assistiram, mas todos já sabem que o judeu Sacha Cohen faz o papel de um jornalista cazaqui que viaja pelos "U S and A" para ver os costumes do povo norte americano. Ele acaba desvendando, através da comédia dura e ácida, a grande hipocrisia que impera na terra do Tio Sam. Piadas de mulher, gays, cristãos e principalmente judeus dominam o filme. Tem que ter estômago...
E pouco pudor!
Pudor pra rir, digo...
Assisti em dois shoppings diferentes, em duas cidades diferentes.
Na sexta à tarde, sessão das 14hs 30, no Morumbi. Casais de velhinhos por toda a vazia platéia. Eu e minha irmã...
Nas primeiras cenas você já saca qual o perfil do grupo. Ninguém ri... Mas olho os rostos ilumiados pela tela e alguns esboçam um leve sorriso...
"Mas que vergonha, rir disso... O que vão achar de mim?... Vão me acusar de anti semitismo??? De preconceituoso? de machista????"
Aí parece que começa a cair a ficha nas pessoas, "se o próprio ator é judeu e ri de si mesmo, acho que não pega tããão mal assim rir.... Ou pega?"
E começam, aos poucos, a entender o movimento do filme. A crítica, o desvelo da falsidade ideológica. Mas ainda assim, alguns resistem. Um senhor sai no meio, naturalmente ofendido.
Luzes acesas, olho em volta pra ver se fui a única herege e rir... Ufa, não... Mas todos se olham, para achar seus cúmplices...
Domingo, sessão das 15 hs 30, Iguatemi, Campinas. Eu e Sr. Jeca. Sala cheia. Jovens dominam a sala.
Vergonha???
Todos riem descaradamente, sem se preocupar em afirmar seu humor negro com os vizinhos.
Riso despreocupado, ácido como o filme.
Eu rio menos, a segunda vez é sempre menos surpreedente, mas ainda me pego com dor de barriga em algumas cenas. Dor de barriga de tanto rir...
Saio pensando em como um filme, assim como livros e pinturas, atinge pessoas de maneiras tão diferentes.
E também, que somos resultado cabal do politicamente correto e ver alguém quebrar este comportamento causa profundo embaraço, ainda que seja como ferramenta de crítica ao lado hipócrita desta cultura.
O filme toca em feridas, e é naturalmente polêmico. Mas tendo coragem e consciência, garante boas risadas....
Inté!!
Nada intelectual...
Nada cult...
Nada, mas naaada politicamente correto...
Fui ver "Borat"!
Mas por que trazê-lo da tela do cinema pra tópico de post?
Por causa da platéia...
Muitos ainda não assistiram, mas todos já sabem que o judeu Sacha Cohen faz o papel de um jornalista cazaqui que viaja pelos "U S and A" para ver os costumes do povo norte americano. Ele acaba desvendando, através da comédia dura e ácida, a grande hipocrisia que impera na terra do Tio Sam. Piadas de mulher, gays, cristãos e principalmente judeus dominam o filme. Tem que ter estômago...
E pouco pudor!
Pudor pra rir, digo...
Assisti em dois shoppings diferentes, em duas cidades diferentes.
Na sexta à tarde, sessão das 14hs 30, no Morumbi. Casais de velhinhos por toda a vazia platéia. Eu e minha irmã...
Nas primeiras cenas você já saca qual o perfil do grupo. Ninguém ri... Mas olho os rostos ilumiados pela tela e alguns esboçam um leve sorriso...
"Mas que vergonha, rir disso... O que vão achar de mim?... Vão me acusar de anti semitismo??? De preconceituoso? de machista????"
Aí parece que começa a cair a ficha nas pessoas, "se o próprio ator é judeu e ri de si mesmo, acho que não pega tããão mal assim rir.... Ou pega?"
E começam, aos poucos, a entender o movimento do filme. A crítica, o desvelo da falsidade ideológica. Mas ainda assim, alguns resistem. Um senhor sai no meio, naturalmente ofendido.
Luzes acesas, olho em volta pra ver se fui a única herege e rir... Ufa, não... Mas todos se olham, para achar seus cúmplices...
Domingo, sessão das 15 hs 30, Iguatemi, Campinas. Eu e Sr. Jeca. Sala cheia. Jovens dominam a sala.
Vergonha???
Todos riem descaradamente, sem se preocupar em afirmar seu humor negro com os vizinhos.
Riso despreocupado, ácido como o filme.
Eu rio menos, a segunda vez é sempre menos surpreedente, mas ainda me pego com dor de barriga em algumas cenas. Dor de barriga de tanto rir...
Saio pensando em como um filme, assim como livros e pinturas, atinge pessoas de maneiras tão diferentes.
E também, que somos resultado cabal do politicamente correto e ver alguém quebrar este comportamento causa profundo embaraço, ainda que seja como ferramenta de crítica ao lado hipócrita desta cultura.
O filme toca em feridas, e é naturalmente polêmico. Mas tendo coragem e consciência, garante boas risadas....
Inté!!
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
A roda da decoração...
Eu adoro datas comemorativas. Adoro! Natal, Carnaval, Páscoa, Ano Novo... O que detesto são as decorações relacionadas a elas!
Confesso, detesto árvore de natal!
Não suporto aquele monte de serpentina e máscaras de purpurina que todos insistem em pendurar na parede de lojas e escolas...
Coelho de algodão e nariz pintadinho de rosa??? Cadê o lixo reciclável???
Quando eu trabalhava em escola infantil, esse era meu martírio... Amava o trabalho, amava as crianças e a filosofia da escola, mas era um sufoco ter que começar a fazer decoração uma semana antes da data, pra durar exatamente.... uma semana....
"Gente, acabou o carnaval, tira a decoração!"
E o pior é que emenda na próxima, varre o confeti do chão e corre pra esconder ovos de páscoa!
É um ciclo interminável!
Quando chegava Festa Junina e Halloween, então.... Eu passava as semanas decorativas em plena depressão profunda! Até hoje tenho vontade de martelar aquelas abóboras que dão risada pra você, as Jack O´lanterns. Elas não estão rindo pra você, mas DE você...
E a saga continua em casa.... Eu deisti de decorar casa pra Natal. Comprei uma árvore pequena na ETNA que pra ser bem sincera ainda está em cima da minha mesa...
Não é uma questão de pouco caso, mas de preguiça crônica mesmo...
A esposa do meu tio, lá em Santa Catarina transformou a casa dela em uma loja de decoarção natalina, impressionante. Pra onde você olhava pulava um papai noel. Tapete da cozinha, pano de prato, enfeite na sala, no banheiro, na varanda... Bonito, mas eu me cansava só de pensar no dia 2 de janeiro...
"Ok, ok, onde está seu espírito natalino, Jeca?"
Não sei, mas o espírito prático anda na bolsa, e me diz ao pé do ouvido:
"E pra tirar tudo isso depois? E guardar?"
Ai, não, não é pra mim...
E agora começa a correria pra arrancar as Globelezas das paredes, trocar os uniformes dos atendentes do mercado, estocar os colares de havaiana distribuídos...
E começar a pensar nas tiaras de orelhinhas peludas, no suporte para os ovos de páscoa e nos esconderijos mais eficientes.....
E se for mesmo prevenido, já pode começar a remendar a camisa xadrez e comprar lenha pra fogueira.... Além de treinar fazer canjica, bolo de milho e quentão!
E se for mesmo corajoso pra isso tudo, encarar a 25 de março!
Te encontro no Mercadão, vou ficar por lá comendo um pastel de bacalhau...
Sem decoração!!!
Inté!!
Confesso, detesto árvore de natal!
Não suporto aquele monte de serpentina e máscaras de purpurina que todos insistem em pendurar na parede de lojas e escolas...
Coelho de algodão e nariz pintadinho de rosa??? Cadê o lixo reciclável???
Quando eu trabalhava em escola infantil, esse era meu martírio... Amava o trabalho, amava as crianças e a filosofia da escola, mas era um sufoco ter que começar a fazer decoração uma semana antes da data, pra durar exatamente.... uma semana....
"Gente, acabou o carnaval, tira a decoração!"
E o pior é que emenda na próxima, varre o confeti do chão e corre pra esconder ovos de páscoa!
É um ciclo interminável!
Quando chegava Festa Junina e Halloween, então.... Eu passava as semanas decorativas em plena depressão profunda! Até hoje tenho vontade de martelar aquelas abóboras que dão risada pra você, as Jack O´lanterns. Elas não estão rindo pra você, mas DE você...
E a saga continua em casa.... Eu deisti de decorar casa pra Natal. Comprei uma árvore pequena na ETNA que pra ser bem sincera ainda está em cima da minha mesa...
Não é uma questão de pouco caso, mas de preguiça crônica mesmo...
A esposa do meu tio, lá em Santa Catarina transformou a casa dela em uma loja de decoarção natalina, impressionante. Pra onde você olhava pulava um papai noel. Tapete da cozinha, pano de prato, enfeite na sala, no banheiro, na varanda... Bonito, mas eu me cansava só de pensar no dia 2 de janeiro...
"Ok, ok, onde está seu espírito natalino, Jeca?"
Não sei, mas o espírito prático anda na bolsa, e me diz ao pé do ouvido:
"E pra tirar tudo isso depois? E guardar?"
Ai, não, não é pra mim...
E agora começa a correria pra arrancar as Globelezas das paredes, trocar os uniformes dos atendentes do mercado, estocar os colares de havaiana distribuídos...
E começar a pensar nas tiaras de orelhinhas peludas, no suporte para os ovos de páscoa e nos esconderijos mais eficientes.....
E se for mesmo prevenido, já pode começar a remendar a camisa xadrez e comprar lenha pra fogueira.... Além de treinar fazer canjica, bolo de milho e quentão!
E se for mesmo corajoso pra isso tudo, encarar a 25 de março!
Te encontro no Mercadão, vou ficar por lá comendo um pastel de bacalhau...
Sem decoração!!!
Inté!!
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Vem no Vira da Mangueira
Tuca Vieira/Folha ImagemQuem não viu a Mangueira entrar perdeu um espetáculo absolutamente único, maravilhoso e emocionante! A escola carioca falou da nossa língua portuguesa e, além de um samba fenomenal, caprichou na interpretação dele nas fantasias e carros...
Fiquei maravilhada com a comissão de frente, com letreiros formando palavras e frases diferentes e com a troca de personagens... De Camões para portuguesas que dançavam o vira...
Rogerio Cassimiro/Folha ImagemAdorei Preta Gil de madrinha de bateria.... Vamos valorizar comunidade, não peito siliconado e barriga sarada! Ser bonita, independente de células adiposas a mais...
Publius Vergilius/UOLE o carro final, representando a Estação da Luz, casa do Museu da Língua Portuguesa??? Chorei ao ver os "imortais" das letras e do samba juntos, cantando animados o samba!
Só pegou mal expulsarem Beth Carvalho do desfile...
Mas como nada é perfeito, a Verde e Rosa aqueceu meu coração, ao tratar com tamanha beleza e sensibilidade o material que eu escolhi como meu de trabalho... A língua que eu estudei e estudo com tanto carinho e dedicação...
"Eu vou nos versos de Camões, às folhas secas, caídas de Mangueira.
É chama eterna, dom da criação, que fala ao pulsar o coração"
PS: o video é ruim, mas dá pra ouvir muito bem o samba, pra quem quiser...
Inté!
sábado, fevereiro 17, 2007
Click...
Escolha sua trilha...
Você percebe que já alcançou certa idade quando no MP3 que você leva para correr estão as seguintes músicas:
Easy Lover, Genesis
Land of Confusion, Genesis
Express Yourself, Madonna
Deeper and Deeper, Madonna
Causing a commotion, Madonna
Stop, Erasure
Together forever, Rick Astley
Running, Information Society
West end girls, Pet Shop Boys
Good Life, Inner Circle
Tell it to my heart, Taylor Dane
The Promise, When in Rome
I promise Myself, Nick Kamen
E para aqueles 5 minutos finais de "cool down" você gravou:
Last note of freedom, David Coverdale
Africa, Toto
Holiday, Scorpions
Cry little sister, Sisters of Mercy
The Boxer, Paul Simon
Live to tell, Madonna
Freedom 90´s, George Michael
In the air tonight, Genesis
Todo amor que houver nesta vida, Cazuza
E mais alguns sinais da idade...
1- Você se empolga tanto nos refrões que aumenta consideravelmente a velocidade da esteira, a ponto de ter coxas doloridas no dia seguinte.
2- Ao acabar o treino, desligar o MP3 e ouvir a música ambiente da academia, se pega pensando: "Nossa, que música horrível... Juventude perdida"
E o melhor dos sinais, o mais libertador...
3- Você não tem pudor nenhum de cantar alto, parecer louca e enfrentar os olhares ressabiados de quem passa ao lado....
Ah.... como é bom passar dos 30.....
Bom fim de semana
Inté!
Você percebe que já alcançou certa idade quando no MP3 que você leva para correr estão as seguintes músicas:
Easy Lover, Genesis
Land of Confusion, Genesis
Express Yourself, Madonna
Deeper and Deeper, Madonna
Causing a commotion, Madonna
Stop, Erasure
Together forever, Rick Astley
Running, Information Society
West end girls, Pet Shop Boys
Good Life, Inner Circle
Tell it to my heart, Taylor Dane
The Promise, When in Rome
I promise Myself, Nick Kamen
E para aqueles 5 minutos finais de "cool down" você gravou:
Last note of freedom, David Coverdale
Africa, Toto
Holiday, Scorpions
Cry little sister, Sisters of Mercy
The Boxer, Paul Simon
Live to tell, Madonna
Freedom 90´s, George Michael
In the air tonight, Genesis
Todo amor que houver nesta vida, Cazuza
E mais alguns sinais da idade...
1- Você se empolga tanto nos refrões que aumenta consideravelmente a velocidade da esteira, a ponto de ter coxas doloridas no dia seguinte.
2- Ao acabar o treino, desligar o MP3 e ouvir a música ambiente da academia, se pega pensando: "Nossa, que música horrível... Juventude perdida"
E o melhor dos sinais, o mais libertador...
3- Você não tem pudor nenhum de cantar alto, parecer louca e enfrentar os olhares ressabiados de quem passa ao lado....
Ah.... como é bom passar dos 30.....
Bom fim de semana
Inté!
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Gosta de boa música???
Então anota na sua agenda!!!
Dia 25, às 18hs, na Saraiva do Shopping Morumbi,
esta banda excepcional fará o lançamento de seu primeiro cd...
Quem gira as baladas de Sampa deve conhecer o Insônica... Tocam no Kia Ora, no Barrogan, All Black, entre outros!
Músicos de verdade, som de primeira e um baixista com o nome de Vinícius Colla.... Ring any bells???
Pois é, não é corujice, mas o baixista é meu lindo primo, que além de uma linha de sangue privilegiada, tem o dom!!! É músico de verdade, vive disso e pra isso...
Aproveita o domingão, antes do cineminha passa ali no Starbucks, e dá uma conferida! Quem falar pro Vinícius que é amigo da Jeca ganha.... Bom acho que não ganha nada...
E pra conferir se os caras são bons mesmo, checa a agenda de shows... No Barrogan é noitada garantida!!!
Inté!!!
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Pró Ativa

Minha pequena parte em favor da Natureza....
Já que nossos super mercados ainda não nos oferecem a opção do embrulho de papel, resolvi boicotar ao máximo os anti-ecológicos saquinhos plásticos. Comprei uma cesta e é nela que carrego minhas compras!
O engraçado foi notar os funcionários do mercado "sutilmente" de olho em mim, afinal, não é todo dia que uma doida coloca dentro do carrinho uma cesta!
Inté!
Já que nossos super mercados ainda não nos oferecem a opção do embrulho de papel, resolvi boicotar ao máximo os anti-ecológicos saquinhos plásticos. Comprei uma cesta e é nela que carrego minhas compras!
O engraçado foi notar os funcionários do mercado "sutilmente" de olho em mim, afinal, não é todo dia que uma doida coloca dentro do carrinho uma cesta!
Inté!
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Positivo operante...

Eu ainda me impressiono com a linguagem masculina... Os homens possuem, entre si, códigos peculiares, baseados na conhecida economia lingüística que tanto os caracteriza...
E os que mais me chamam a atenção são os códigos gestuais.
Carinho de amigo é geralmente expresso com um tapa no ombro... Amigos muuuito íntimos apelam mesmo pro soco no braço, pra chave no pescoço (que no meu entender feminino substitui o abraço...) e chegam ao auge da intimidade ao xingar a mãe do outro... Isso sim que é amigo.... Amigo que é amigo xinga a mãe em sinal de carinho...
Mas enfim...
Semana passada passei com o Sr. Jeca, por um momento extremo de comunicação masculina... Mas tão extremo que nem o outro homem o entendeu...
Fomos a uma formatura, e o garçom veio oferecer bebida. Sr. Jeca, do outro lado da mesa, ao ver o rapaz apontar a cerveja para seu copo, levantou o polegar.
Ok, linguagem clara, não?
Polegar para cima, sinal de positivo!
Os imperadores romanos apontavam o polegar para cima quando queriam salvar a vida do gladiador, não?
"Sim, salvem-no, POSITIVO"
O sitema de ensino que se chama Positivo tem como símbolo o que?? Um polegar apontando o céu...
O astronauta brasileiro do pau oco quando voltou do espaço (antes de decidir se aposentar e virar político... humpf) saiu da cápsula e....... polegar acima, positivo....
O que mais o garçom poderia fazer ao sinal do polegar pra cima?????
Encher o copo!
"Não, não quero, valeu!"
"Como é? Mas você falou que sim!"
"Não, eu falei que NÃO!" e me mostra o polegar pra cima...
"Mas esse sinal é SIM!"
"Não é, não!! Siginifica não, valeu!"
Fico confusa...
Deixo passar e resolvo testar a eficiência da linguagem do meu marido.... Mais tarde, ele me oferece água. Eu levanto o polegar e ele me serve.....
"Mas assim não significa não, valeu???? Não quero água"
Ele sorri e me diz, cheio de si em sua confiança na comunicação masculina:
"Você não entende nada de linguagem de bar...."
Será???
Inté!
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Coração e Mente...
É sabido que certas duplas profissionais são absolutamente complementares...
Médico e enfermeiro, cozinheiro e garçon, estilista e costureiro, etc. E para uma pessoa como eu, que está na jornada final de se construir uma casa, a dupla de super heróis:
O Arquiteto e O Engenheiro!
Sempre ouvi que entre ambos havia uma rixa secular, "arquiteto é engenheiro que não sabe fazer conta", "engenheiro é arquiteto frustrado", e por aí vai...
Mas depois de alguns anos de estrada, vemos que as cosias não são bem assim. Cada um busca na profissão algo que fale à sua alma, às suas características... De preferência....
Hoje presenciei um momento de trabalho muito interessante, o arquiteto que projetou nossa casa e a acompanha desde o início e seu novo engenheiro, que chegou para dar um gás na reta final. (havia um outro, mas isso é outro post...)
Ambos bem típicos, quase caricaturais... Assim sendo, chamá-lo-emos de Sr. Arquiteto e Sr. Engenheiro...
Arquiteto é um tipo sorridente e expansivo, sempre de camisa para fora da calça, barba por fazer e por vezes bem barbado. Cabelo à revelia. Hoje o chamei de Che.... Sentado, Arquiteto parece se jogar na cadeira, confortável e esparramado, tipo relaxado mesmo... Marca às 11 e chega às 11hs 30, nos recebe com um abraço carinhoso e fala de sua filha, dando risada....
Engenheiro, mais novo que Arquiteto, barba bem feita, cabelos raspados curtos, camisa por dentro da calça e seu par de óculos. Marca às 8 da manhã e já está na obra às 7hs 50! Senta-se ereto, e nos recebe com um sorridente, mas tímido aperto de mão.
Entro na obra. O olhar de Arquiteto vaga voador pela casa, olhos flutuantes que pensam a cor certa, o desenho do guardil da escada e a pedra do banheiro. Penso em Salvador Dalí, andando por seu estúdio com uma capa nas costas... (nosso Dalí joga a capa por cima do ombro, segura a paleta com uma mão e com o pincel apontado diz:)
"Nossa, essa sala vai ficar maravilhosa com o revestimento de madeira!"
Atrás dele, lá está Engenheiro, com um caderno nas mãos, anotando cada passo a ser tomado.
"Pedir a tinta, projetar guardil, verificar largura da pedra!"
Faço uma pergunta prática ao sonhador que está criando o visual de uma parede.
"Nós já compramos todos os spots da iluminação?"
"Hum... Não sei, Engenheiro, já compramos os spots?"
"Não, preciso antes ver o projeto quantitativo! Não posso comprar molde, temos que ver tudo de uma vez!"
Os olhos de Engenheiro não vagam! Apontam precisos, acurados! Fazem contas em um Matrix calculador nos ares! Me diz:
"Não comprei todas as tintas. Não quero arriscar sobrar, prefiro pedir mais se faltar do que pagar e depois ficar aí estocado!"
Objetivo, prático!
"Esse verde vai ficar maravilhoso com o vermelho da parede!!", suspira Arquiteto.
"Parabéns pela escolha, o verde fica melhor.", me parabeniza Engenheiro.
Pergunto sobre um armário de lavanderia. Arquiteto olha para o vão, aquele olhar que flutua, imaginando ali o melhor desenho. Engenheiro pega sua trena...
"60 x 126 x 260"
Saímos da obra, à frente da casa Arquiteto pára encostado ao carro, admirado com a beleza de sua criação. Se eu olhasse de perto talvez visse a sombra de uma lágrima por cair, feliz....
Engenheiro também a admira, mas menos encostado na caçamba da Saveiro. Está segurando o caderno, e marca a visita amanhã, às 8....
Penso em Yin e Yang, em atração de opostos, nas duas mentes brilhantes ali, cada uma à sua maneira, que criaram e construíram meu futuro lar...
Sem Engenheiro, a casa estaria no papel, linda, desenhada a lápiz de cor, pronta para colocarmos no quadro.
Sem Arquiteto, estaríamos sonhando com uma possível casa, acampados no terreno baldio...
Inté!!
Médico e enfermeiro, cozinheiro e garçon, estilista e costureiro, etc. E para uma pessoa como eu, que está na jornada final de se construir uma casa, a dupla de super heróis:
O Arquiteto e O Engenheiro!
Sempre ouvi que entre ambos havia uma rixa secular, "arquiteto é engenheiro que não sabe fazer conta", "engenheiro é arquiteto frustrado", e por aí vai...
Mas depois de alguns anos de estrada, vemos que as cosias não são bem assim. Cada um busca na profissão algo que fale à sua alma, às suas características... De preferência....
Hoje presenciei um momento de trabalho muito interessante, o arquiteto que projetou nossa casa e a acompanha desde o início e seu novo engenheiro, que chegou para dar um gás na reta final. (havia um outro, mas isso é outro post...)
Ambos bem típicos, quase caricaturais... Assim sendo, chamá-lo-emos de Sr. Arquiteto e Sr. Engenheiro...
Arquiteto é um tipo sorridente e expansivo, sempre de camisa para fora da calça, barba por fazer e por vezes bem barbado. Cabelo à revelia. Hoje o chamei de Che.... Sentado, Arquiteto parece se jogar na cadeira, confortável e esparramado, tipo relaxado mesmo... Marca às 11 e chega às 11hs 30, nos recebe com um abraço carinhoso e fala de sua filha, dando risada....
Engenheiro, mais novo que Arquiteto, barba bem feita, cabelos raspados curtos, camisa por dentro da calça e seu par de óculos. Marca às 8 da manhã e já está na obra às 7hs 50! Senta-se ereto, e nos recebe com um sorridente, mas tímido aperto de mão.
Entro na obra. O olhar de Arquiteto vaga voador pela casa, olhos flutuantes que pensam a cor certa, o desenho do guardil da escada e a pedra do banheiro. Penso em Salvador Dalí, andando por seu estúdio com uma capa nas costas... (nosso Dalí joga a capa por cima do ombro, segura a paleta com uma mão e com o pincel apontado diz:)
"Nossa, essa sala vai ficar maravilhosa com o revestimento de madeira!"
Atrás dele, lá está Engenheiro, com um caderno nas mãos, anotando cada passo a ser tomado.
"Pedir a tinta, projetar guardil, verificar largura da pedra!"
Faço uma pergunta prática ao sonhador que está criando o visual de uma parede.
"Nós já compramos todos os spots da iluminação?"
"Hum... Não sei, Engenheiro, já compramos os spots?"
"Não, preciso antes ver o projeto quantitativo! Não posso comprar molde, temos que ver tudo de uma vez!"
Os olhos de Engenheiro não vagam! Apontam precisos, acurados! Fazem contas em um Matrix calculador nos ares! Me diz:
"Não comprei todas as tintas. Não quero arriscar sobrar, prefiro pedir mais se faltar do que pagar e depois ficar aí estocado!"
Objetivo, prático!
"Esse verde vai ficar maravilhoso com o vermelho da parede!!", suspira Arquiteto.
"Parabéns pela escolha, o verde fica melhor.", me parabeniza Engenheiro.
Pergunto sobre um armário de lavanderia. Arquiteto olha para o vão, aquele olhar que flutua, imaginando ali o melhor desenho. Engenheiro pega sua trena...
"60 x 126 x 260"
Saímos da obra, à frente da casa Arquiteto pára encostado ao carro, admirado com a beleza de sua criação. Se eu olhasse de perto talvez visse a sombra de uma lágrima por cair, feliz....
Engenheiro também a admira, mas menos encostado na caçamba da Saveiro. Está segurando o caderno, e marca a visita amanhã, às 8....
Penso em Yin e Yang, em atração de opostos, nas duas mentes brilhantes ali, cada uma à sua maneira, que criaram e construíram meu futuro lar...
Sem Engenheiro, a casa estaria no papel, linda, desenhada a lápiz de cor, pronta para colocarmos no quadro.
Sem Arquiteto, estaríamos sonhando com uma possível casa, acampados no terreno baldio...
Inté!!
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