João sempre foi rock and roll. Desde pequeno mantinha os cachos grandes, pra poder bater a cabeça enquanto ouvia o cd de cantigas que a mãe lhe comprava.
Beth adorava as expressões radicais do filho, ela mesma um pouco radical em sua adoração à arte. Artista Plástica, era a mãe perfeita para liberar as ânsias metaleiras do pequeno João.
Logo começaram os shows. Morando no interior, Beth foi permitindo aos poucos as saídas do filho adolescente. Ela mesma começou levando a São Paulo. Depois, ela mesma fretava a van, e depois ela mesma arrumava os grupos que o levariam às pistas de rock. Sempre o deixava voar, mas ficava à sua espera, e o via chegar, por vezes encharcado de chuva, com um sorriso no rosto, animada pela animação dele.
Até que um dia João comunicou que o passo era mais longo.
"Rock in Rio, mãe. Eu vou."
Sem "ok?" no final da frase. Sem "tá?". Um seco ponto final avisava Beth que chegara a hora do voo solo.
Sentiu a boca seca, mas manteve o semblante sereno que passou a segurança de que João precisava. Sem voz, não fez perguntas.
Na tarde em que o ônibus sairia da Praça da Matriz, Beth perguntou o que ele queria levar de lanche.
"Nada, mãe, eu como antes de sair. Não se preocupa!"
Beth se preocupou. Foi ao mercado e encheu a mochila do filho de bolos "Ana Maria" e caixinhas de Toddynhos, que ele só veria quando batesse a fome. Ao sair de casa, ofereceu-lhe uma manta.
"Que manta, mãe, pelamordedeus, manta??? Eu vou num grupo que nem conheço, só metaleiro, e eu de mantinha?"
"Filho, de madrugada faz frio, leva?..."
"Não."
Ponto final. Aquele, seco, de antes.
Aproximaram-se da praça e avistaram os fãs descoladamente vestidos de preto, cabeludos, com mochilas para a aventura e nenhuma manta nas mãos... João pediu para descer ali mesmo. Não deixou de dar um rápido beijo de despedida em Beth. Era um bom menino.
"Vai, mãe, pode ir. Vai demorar um pouco para sair. Amanhã à noite eu volto. Tchau."
Beth, lógico, não foi. Deu a volta na praça e estacionou em um ponto de onde via o ônibus. Esperou seu pequeno João entrar e só depois partiu.
João só encontrou um lugar vago no ônibus. Sentou-se ao lado de um metaleiro mais velho, grisalho, gordo, barbado. Ainda mantinha os cabelos longos, mesmo que na frente a testa anunciasse que por ali já houvera mais tufos. Olharam-se e com a cumplicidade de dois homens que passarão a noite dormindo lado a lado, cumprimentaram-se com um breve e sisudo balançar de cabeças. Sem palavras. João sentiu frio nas pernas...
No meio da noite, João teve fome. Acordou com o roncar do estômago. Sentiu uma leve esperança de que acharia um resto de biscoito perdido na mochila e intuitivamente a abriu. Sorriu, cheio de ternura pela mãe.
Olhou em volta e abriu silenciosamente o pacote que trazia uma menininha loira comendo um bolinho de chocolate deliciosamente recheado... Em seguida, pegou o leitinho, mas ao rasgar o plástico do canudo, ouviu uma risada de escárnio de seu vizinho.
"Toddynho do Toy Story???"
Tremeu. Viu que a caixinha tinha um enorme Buzz Lightyear quase gritando "Ao infinito... E Aléééém!". Ainda sem respirar, já pensando que seria largado no acostamento, ouviu o companheiro dizer, mostrando-lhe uma outra caixinha, parecida:
"O meu é do Shrek... Minha véia não me deixa sair sem lanche. Boa, a minha coroa."
Riu e terminou seu leite. Seu novo amiguinho também ria, enquanto abria um papel alumínio com bisnaguinhas de sanduíche de atum.
No dia seguinte, voltou ao mesmo lugar na praça, onde viu que o jornal da cidade tirava fotos do grupo de roqueiros que tinha ido ao Rock in Rio. Atrás, Beth acenava de dentro do carro, receosa de aproximar-se e fazer João passar vergonha. Ele atravessou a rua, entrou no carro e lhe beijou.
"Como foi, filho? Deu tudo certo?"
"Deu, mãe. Deu tudo certo..."
Com o carro em movimento, viu seu companheiro de banco atravessar a rua e dar a mochila a uma senhora de vestido florido e chinelas. Viu que ela o beijava enquanto arrumava seu rabo de cavalo amassado da viagem.
Apoiou a cabeça no encosto e disse:
"Mãe, na próxima você me compra uma manta pequena? Das que cabem na mochila, sabe? Nunca imaginei que no Rio de Janeiro ia fazer frio..."
Dedicado a uma amiga maravilhosa que me conta os causos mais deliciosos... Baseado em fatos reais...
sexta-feira, setembro 30, 2011
domingo, setembro 18, 2011
O bailinho
Ouvindo uma música postada por minha querida Rubina, me lembrei de uma das épocas mais mágicas e angustiantes de minha vida. A época dos bailinhos...
Mágica, claro, pela descoberta do universo chamado "meninos", que, (como creio acontecer em toda escola) era liderada sempre por um galã específico que arrasava corações de levas de meninas. No meu caso era assim. Um lindo garoto repetente (os mais velhos são sempre os mais interessantes, e repetente ainda melhor, vem com toda uma pose rebelde...) me fez sofrer muito!
E daí portanto o segundo adjetivo: angustiante. Era angustiante ir aos bailinhos sabendo que o Fulano Sicrano (as iniciais são mera coincidência. Ou não) estaria lá. E pior. Estaria lá para mostrar o prazer que tinha em me humilhar. Sim, ele sabia da minha paixonite, e brincava com ela. Até porque, para todo galã teen há uma "musa do ginasião" que no caso era loira, linda e legal. Não me esqueço da brincadeira tosca que fazíamos, contrariando qualquer defesa da dignidade feminina, em que as meninas ficavam sentadas com as palmas das mãos para cima. Os meninos vinham e batiam na mão da menina com quem queriam dançar.
A cena me aparece nítida até hoje.... Eu, ao lado da tal Joana Penteado (novamente, iniciais puramente coincidentes. Ou não) ambas de palmas para cima. Fulano Sicrano se aproxima, sorri para mim. Meu coração dispara. Ele ameaça me chamar, e ao aproximar a mão da minha, bate na mão dela...... DELA.....
Eu estava de saia branca rodada, camisa polo amarela e bota branca, daquelas que usávamos nos anos 80, com laço, tipo bota Xuxa. Eu estava uma GATA. Juro... Meu cabelo repicado era última moda. E ele escolheu ELA.... (para fins de confessionário, eu bem que me vingava, passando trotes para ele de madrugada. #prontofalei)
A música??? Como esquecer!... Até hoje os acordes iniciais me levam para 1989, praquele salão de festas em um prédio no Brooklin (mais precisamente na esquina da Califórnia com a Padre Antonio José dos Santos) e pra tantos outros salões de prédios de São Paulo em que essa música marcou minhas alegrias e minhas fossas... Ela segue abaixo, e ainda hoje me emociono ao ouví-la.
Nossos bailinhos eram bons demais, mesmo com toda a ansiedade dos primeiros amores. Ou melhor, eram tão bons JUSTAMENTE por causa da ansiedade dos primeiros amores.
E só pra constar, em outro bailinho, em um canto escuro, com a mesma saia e bota (não, nós não tínhamos taaaantas roupas como as adolescentes hoje em dia têm) eu ganhei um beijo do Fulano Sicrano.
E um ano depois, do irmão dele. Só pra dar o troco!!!
E com vocês, Don´t dream, it´s over, diretamente do túnel do tempo...
Mágica, claro, pela descoberta do universo chamado "meninos", que, (como creio acontecer em toda escola) era liderada sempre por um galã específico que arrasava corações de levas de meninas. No meu caso era assim. Um lindo garoto repetente (os mais velhos são sempre os mais interessantes, e repetente ainda melhor, vem com toda uma pose rebelde...) me fez sofrer muito!
E daí portanto o segundo adjetivo: angustiante. Era angustiante ir aos bailinhos sabendo que o Fulano Sicrano (as iniciais são mera coincidência. Ou não) estaria lá. E pior. Estaria lá para mostrar o prazer que tinha em me humilhar. Sim, ele sabia da minha paixonite, e brincava com ela. Até porque, para todo galã teen há uma "musa do ginasião" que no caso era loira, linda e legal. Não me esqueço da brincadeira tosca que fazíamos, contrariando qualquer defesa da dignidade feminina, em que as meninas ficavam sentadas com as palmas das mãos para cima. Os meninos vinham e batiam na mão da menina com quem queriam dançar.
A cena me aparece nítida até hoje.... Eu, ao lado da tal Joana Penteado (novamente, iniciais puramente coincidentes. Ou não) ambas de palmas para cima. Fulano Sicrano se aproxima, sorri para mim. Meu coração dispara. Ele ameaça me chamar, e ao aproximar a mão da minha, bate na mão dela...... DELA.....
Eu estava de saia branca rodada, camisa polo amarela e bota branca, daquelas que usávamos nos anos 80, com laço, tipo bota Xuxa. Eu estava uma GATA. Juro... Meu cabelo repicado era última moda. E ele escolheu ELA.... (para fins de confessionário, eu bem que me vingava, passando trotes para ele de madrugada. #prontofalei)
A música??? Como esquecer!... Até hoje os acordes iniciais me levam para 1989, praquele salão de festas em um prédio no Brooklin (mais precisamente na esquina da Califórnia com a Padre Antonio José dos Santos) e pra tantos outros salões de prédios de São Paulo em que essa música marcou minhas alegrias e minhas fossas... Ela segue abaixo, e ainda hoje me emociono ao ouví-la.
Nossos bailinhos eram bons demais, mesmo com toda a ansiedade dos primeiros amores. Ou melhor, eram tão bons JUSTAMENTE por causa da ansiedade dos primeiros amores.
E só pra constar, em outro bailinho, em um canto escuro, com a mesma saia e bota (não, nós não tínhamos taaaantas roupas como as adolescentes hoje em dia têm) eu ganhei um beijo do Fulano Sicrano.
E um ano depois, do irmão dele. Só pra dar o troco!!!
E com vocês, Don´t dream, it´s over, diretamente do túnel do tempo...
sexta-feira, setembro 16, 2011
O lado ruim
Nem tudo são flores, não é?... Ok, sei que ninguém JAMAIS disse que vida de professor era baseada em felicidades eternas e retribuição constante, mas eu até que sou bem feliz no que faço. Geralmente tenho ótimo relacionamento com os alunos, falo a linguagem deles e como AMO a matéria que leciono, parece que minhas aulas são bacaninhas. Mas tem UMA coisa que me tira do sério...
Não é papo em aula.
Não é o eventual comentário negativo em redes sociais.
Não é o eventual aluno dorminhoco em sala. (coitados, eu até falo mais baixo...)
É a falta de vontade ABSOLUTA que alguns (leia-se MUITOS) alunos têm de ler... A simples menção do próximo livro bimestral causa suspiros profundos de preguiça crônica, que são a maior causa do meu desânimo.
Na minha época (ai, que frase envelhecedora...) ninguém tinha que me mandar ler. Eu simplesmente lia. Lia tudo que caísse em minhas mãos, lia bula de remédio, lia Seleções da empregada, lia "O pacto secreto de Hitler e Stalin", (livro que me deixou marcas profundas pois fiz a burrice de emprestar para a então professora de História e a fulana jamais me devolveu) lia manual de video cassete, de walk man, de fax... (e eu que achava que a frase lá de cima que ia me envelhecer...)
A vontade de se relacionar com algo misterioso parece que sumiu nesta geração. Claro que há excessões, mas mais parece regra. Falta sede de conhecimento, sede de aprofundamento.
Eu me questiono muito sobre a prática da leitura obrigatória na escola. Acredito que numa escola ideal (inserida em um país ideal cuja cultura popular também seria ideal) não haveria obrigatoriedade para se ler. O professor indicaria o livro e discutiria em um sarau com todos, sem notas, sem perguntas, sem cobrança. A única cobrança é que o aluno não falte ao sarau. Tipo clube do livro.
Mas faça a seguinte experiência: após fazer a chamada, olhe para a sala e diga:
"Vou indicar o livro do bimestre, e vai ler apenas quem quiser."
Após um breve momento de vácuo, em que você nota nas pupilas o processamento da informação, você verá as caras de alegria contaminarem o ar.
"É opcional?", "Não PRECISO ler?"
Acabou sua atividade. Tenha certeza que raros serão os alunos que se embrenharão nas letras.
A nota ainda é o maior motivador. E geralmente, pela minha experiência, a própria leitura é feita às pressas com o único intuito de acabar até o dia da prova.
Acabou a fruição, acabou prazer da entrega, acabou o luto pelo livro acabado.
Fico pensando em um adolescente que estou conhecendo. Um tal de Arkádi que um amigo amado chamado Dostoiévski me apresentou, no livro apropriadamente chamado O Adolescente. O menino vive uma crise existencial, repleto de conflitos, buscas de afirmação paterna e questionamentos. Em muito Arkádi se parece com nossos jovens. Ele tem apenas um "algo a mais", que talvez fizesse dele hoje um alien: ele tem um ideal. Ele ambiciona crescer.
Ele tem sede.
Eu tenho medo... Muito medo...
Inté
Não é papo em aula.
Não é o eventual comentário negativo em redes sociais.
Não é o eventual aluno dorminhoco em sala. (coitados, eu até falo mais baixo...)
É a falta de vontade ABSOLUTA que alguns (leia-se MUITOS) alunos têm de ler... A simples menção do próximo livro bimestral causa suspiros profundos de preguiça crônica, que são a maior causa do meu desânimo.
Na minha época (ai, que frase envelhecedora...) ninguém tinha que me mandar ler. Eu simplesmente lia. Lia tudo que caísse em minhas mãos, lia bula de remédio, lia Seleções da empregada, lia "O pacto secreto de Hitler e Stalin", (livro que me deixou marcas profundas pois fiz a burrice de emprestar para a então professora de História e a fulana jamais me devolveu) lia manual de video cassete, de walk man, de fax... (e eu que achava que a frase lá de cima que ia me envelhecer...)
A vontade de se relacionar com algo misterioso parece que sumiu nesta geração. Claro que há excessões, mas mais parece regra. Falta sede de conhecimento, sede de aprofundamento.
Eu me questiono muito sobre a prática da leitura obrigatória na escola. Acredito que numa escola ideal (inserida em um país ideal cuja cultura popular também seria ideal) não haveria obrigatoriedade para se ler. O professor indicaria o livro e discutiria em um sarau com todos, sem notas, sem perguntas, sem cobrança. A única cobrança é que o aluno não falte ao sarau. Tipo clube do livro.
Mas faça a seguinte experiência: após fazer a chamada, olhe para a sala e diga:
"Vou indicar o livro do bimestre, e vai ler apenas quem quiser."
Após um breve momento de vácuo, em que você nota nas pupilas o processamento da informação, você verá as caras de alegria contaminarem o ar.
"É opcional?", "Não PRECISO ler?"
Acabou sua atividade. Tenha certeza que raros serão os alunos que se embrenharão nas letras.
A nota ainda é o maior motivador. E geralmente, pela minha experiência, a própria leitura é feita às pressas com o único intuito de acabar até o dia da prova.
Acabou a fruição, acabou prazer da entrega, acabou o luto pelo livro acabado.
Fico pensando em um adolescente que estou conhecendo. Um tal de Arkádi que um amigo amado chamado Dostoiévski me apresentou, no livro apropriadamente chamado O Adolescente. O menino vive uma crise existencial, repleto de conflitos, buscas de afirmação paterna e questionamentos. Em muito Arkádi se parece com nossos jovens. Ele tem apenas um "algo a mais", que talvez fizesse dele hoje um alien: ele tem um ideal. Ele ambiciona crescer.
Ele tem sede.
Eu tenho medo... Muito medo...
Inté
sábado, setembro 10, 2011
Imaginário Jeca
Acabei de voltar de uma pequena visita frustrada à praia. Fomos tentar ver o sol mas a chuva nos é mais grata... Por conta da simples observação a que o tempo nos obrigou, voltei às minhas divagações tão típicas... Fiquei me alimentando um pouco das sensações que o mar me traz.
Olhando para trás, associo minha vida amorosa às areias e à maresia. Sempre me apaixonei muito na praia. Ouvia aquele clichê básico de que amor de verão não sobe a serra, mas os meus negavam tal premissa.
Meu primeiro namorado me conquistou ali. Foi em Maceió, 1989 (ok, ok, para quem insiste em fazer contas, eu tinha então meros 13 anos...) e foi o inverno mais quente da História. Tudo intenso, a descoberta da paixão, o namorado surfista e todo o estereótipo global desse romantismo brejeiro. Teve até cena de novela das 7 horas: No aeroporto, família já na sala de embraque e eu o puxando para a fila do táxi: Vamos fugir!!! Ele, menos ousado e talvez mais medroso do pai, amarelou. Que pena, hoje eu teria um bom conto para meus filhos...
Só que para melhorar, ele era carioca. Por alguns anos nos reencontramos nas minhas areias prediletas: Ipanema e Leblon. O Rio se tornou, para mim, o centro da paixão, da rebeldia amorosa, da esperança quase hippie do amor eterno. Se não tudo isso, pelo menos o lugar para onde eu ia nas férias dar uns amassos.
Findo este amor, outros à beira mar vieram. Guarujá, Rio, Rio, Rio, Cassino, Los Angeles, Camboriú, Camboriú... (sim, tive minha fase de "argentinos", até que um deles teve a pachorra de vir a São Paulo atrás de mim, enfiado na minha própria casa desafiando meu então nada praiano namorado e meu nada simpático pai... Mas essa doideira é assunto para outro post...)
Areia sempre me trouxe palpitação.
Até que em um feriado de outubro de 2002 um rapagão alto me chamou a atenção... No Guarujá... A visão dele que me fez pensar "hmmmm, óia!" tive enquanto ele caminhava de costas. Hmm, costas largas.... Tatuagem grande na perna. Jipeiro... Roqueiro... Um estilo rebelde sem causa que nunca tinha me atraído. Até aquele momento. Caminhando ao seu lado, com os pés na água, percebi que queria demais estar ao seu lado. E o rebelde virou príncipe...
Nos quase 9 anos que se passaram depois daquele momento, corremos sempre para a praia de novo. É nosso ponto de reencontro, por menos que ele tenha essa consciência. Eu tenho pelos dois.
Nove anos, 2 filhos, outras tatuagens, uma vida construída juntos. E eu ali, sentada olhando o mar e me vendo amadurecer no amor à frente deste cenário tão romântico. Imbuída ainda das sensações de paixão que a vida me proporcionou, e as procurando sempre no meu dia a dia.
A chuva? Ah, que chuva... Tem algo mais romântico que um beijo na chuva? Com o cabelo grudado no rosto, a roupa gelada no corpo e a areia colada na perna? Tá, tá, menos... Acho bom voltar da divagação... Tem uma criança chorando ali porque o irmão tacou uma pá na cabe.... Opa, é meu... Deixa eu ir... A realidade me chama!
Inté!
Olhando para trás, associo minha vida amorosa às areias e à maresia. Sempre me apaixonei muito na praia. Ouvia aquele clichê básico de que amor de verão não sobe a serra, mas os meus negavam tal premissa.
Meu primeiro namorado me conquistou ali. Foi em Maceió, 1989 (ok, ok, para quem insiste em fazer contas, eu tinha então meros 13 anos...) e foi o inverno mais quente da História. Tudo intenso, a descoberta da paixão, o namorado surfista e todo o estereótipo global desse romantismo brejeiro. Teve até cena de novela das 7 horas: No aeroporto, família já na sala de embraque e eu o puxando para a fila do táxi: Vamos fugir!!! Ele, menos ousado e talvez mais medroso do pai, amarelou. Que pena, hoje eu teria um bom conto para meus filhos...
Só que para melhorar, ele era carioca. Por alguns anos nos reencontramos nas minhas areias prediletas: Ipanema e Leblon. O Rio se tornou, para mim, o centro da paixão, da rebeldia amorosa, da esperança quase hippie do amor eterno. Se não tudo isso, pelo menos o lugar para onde eu ia nas férias dar uns amassos.
Findo este amor, outros à beira mar vieram. Guarujá, Rio, Rio, Rio, Cassino, Los Angeles, Camboriú, Camboriú... (sim, tive minha fase de "argentinos", até que um deles teve a pachorra de vir a São Paulo atrás de mim, enfiado na minha própria casa desafiando meu então nada praiano namorado e meu nada simpático pai... Mas essa doideira é assunto para outro post...)
Areia sempre me trouxe palpitação.
Até que em um feriado de outubro de 2002 um rapagão alto me chamou a atenção... No Guarujá... A visão dele que me fez pensar "hmmmm, óia!" tive enquanto ele caminhava de costas. Hmm, costas largas.... Tatuagem grande na perna. Jipeiro... Roqueiro... Um estilo rebelde sem causa que nunca tinha me atraído. Até aquele momento. Caminhando ao seu lado, com os pés na água, percebi que queria demais estar ao seu lado. E o rebelde virou príncipe...
Nos quase 9 anos que se passaram depois daquele momento, corremos sempre para a praia de novo. É nosso ponto de reencontro, por menos que ele tenha essa consciência. Eu tenho pelos dois.
Nove anos, 2 filhos, outras tatuagens, uma vida construída juntos. E eu ali, sentada olhando o mar e me vendo amadurecer no amor à frente deste cenário tão romântico. Imbuída ainda das sensações de paixão que a vida me proporcionou, e as procurando sempre no meu dia a dia.
A chuva? Ah, que chuva... Tem algo mais romântico que um beijo na chuva? Com o cabelo grudado no rosto, a roupa gelada no corpo e a areia colada na perna? Tá, tá, menos... Acho bom voltar da divagação... Tem uma criança chorando ali porque o irmão tacou uma pá na cabe.... Opa, é meu... Deixa eu ir... A realidade me chama!
Inté!
terça-feira, setembro 06, 2011
O Sino
Já vivo há 6 anos no interior. Já me acostumei a muita coisa. Mas muita coisa, mesmo! Já sei que não devo dirigir sem olhar por calçadas ou carros vizinhos para evitar a falta de educação de não cumprimentar um conhecido. Já acho digna a Festa do Caqui, que cresceu muito com o passar do tempo... Já me acostumei com a invasão de turistas no final de semana que nos tiram o sossego... Já uso o "nós" em uma frase como a anterior... Enfim, muita coisa.
Mas ainda me surpreendo com o simples tocar do sino...
Toda cidade dos reinos cristãos se organizaram em torno de sua igrejinha, sede de poder e ponto social. Quase uma "boate" dos antigos... Só que eu cresci em Sampa, e a tal igrejinha ficava bem longe, lá na Sé, e o som de seus sinos jamais chegaram ao Morumbi...
Por isso, associei tal som ao bucolismo dos campos, ou ainda mais longe nas minhas divagações, ao imaginário medieval que Hollywood nos incrustou...
Quem me conhece sabe bem que eu vivo a chamada "nostalgia de passado", que me leva a qualquer leitura ou manifestação artística que possa me fazer sentir no século XIII, XIV...
E o sino faz isso...
Cada vez que passo no centro da cidade ao meio dia ou às seis da tarde sinto cheiro de máquina do tempo. Adoro o badalar do sino da Matriz, é uma pequena gota homeopática de máquina do tempo.
Sinto também uma sensação de identificação coletiva, talvez reminiscente dos meus anos de colégio de freira, tão rechaçados mais tarde na minha vida. O sino nos chama a todos, mesmo àqueles que não entrarão na igreja. Nos chama a parar por um segundo e pensar "que horas serão? Onde estou? Que som gostoso..."
O sino da Matriz é um "wake up call" para um breve momento de introspecção que aprendi fundamental para meu equilíbrio.
Recomendo o sino... Quem sabe se a metrópole não tivesse um por bairro, os seus habitantes seriam menos agitados?
Se não, pelo menos os que têm necessidade de viajar no tempo como eu ficariam mais felizes, brincando de se ver em plena Piazza, esperando os sermões obrigatórios em alguma cidade antiga...
Blén, Blén e Inté!
Mas ainda me surpreendo com o simples tocar do sino...
Toda cidade dos reinos cristãos se organizaram em torno de sua igrejinha, sede de poder e ponto social. Quase uma "boate" dos antigos... Só que eu cresci em Sampa, e a tal igrejinha ficava bem longe, lá na Sé, e o som de seus sinos jamais chegaram ao Morumbi...
Por isso, associei tal som ao bucolismo dos campos, ou ainda mais longe nas minhas divagações, ao imaginário medieval que Hollywood nos incrustou...
Quem me conhece sabe bem que eu vivo a chamada "nostalgia de passado", que me leva a qualquer leitura ou manifestação artística que possa me fazer sentir no século XIII, XIV...
E o sino faz isso...
Cada vez que passo no centro da cidade ao meio dia ou às seis da tarde sinto cheiro de máquina do tempo. Adoro o badalar do sino da Matriz, é uma pequena gota homeopática de máquina do tempo.
Sinto também uma sensação de identificação coletiva, talvez reminiscente dos meus anos de colégio de freira, tão rechaçados mais tarde na minha vida. O sino nos chama a todos, mesmo àqueles que não entrarão na igreja. Nos chama a parar por um segundo e pensar "que horas serão? Onde estou? Que som gostoso..."
O sino da Matriz é um "wake up call" para um breve momento de introspecção que aprendi fundamental para meu equilíbrio.
Recomendo o sino... Quem sabe se a metrópole não tivesse um por bairro, os seus habitantes seriam menos agitados?
Se não, pelo menos os que têm necessidade de viajar no tempo como eu ficariam mais felizes, brincando de se ver em plena Piazza, esperando os sermões obrigatórios em alguma cidade antiga...
Blén, Blén e Inté!
segunda-feira, setembro 05, 2011
É tudo uma questão de técnica...
Como já andei dizendo aos quatro ventos, sinto muita falta de meus momentos de leitura. Sim, sou nerd assumida, leitora fanática e tarada pela letra declarada... Mas tenho pouco tempo.
Além disso, preciso guardar tempo para dividir entre meus livros escolhidos e os que indico aos alunos.
Desta maneira, me viro nos 30, literalmente, para dar conta de tudo e fui arranjando técnicas razoavelmente eficientes para mergulhar nas páginas dos livros. Tenho também que dar conta de uma mania antiga que não consigo largar e que deve ser típica de outros vícios: leio mais de um livro por vez... Dizem que quem bebe também fuma, (entre outras cositas más) então quem lê um lê dois, três, quatro...
Assim, aqui vão algumas táticas que descobri...
1- Mantenha um livro fixo em cada canto da casa.
O meu livro de cabeceira é sempre o favorito, aquele com que quero sonhar. SIM, eu sonhei com a Catarina de Bragança, só não fico falando pra não acentuar minha loucura, mas sonhei sim... Era algo entre ela e o Charles, eu acho que o via a traindo, acordei suada, aflita, etc. Afinal, Catarina se tornou minha amiga, minha BFF, minha "bé", então, peguei birra do sacana do Charles. Cabeceira...
Na sala fica o livro que indico aos alunos, geralmente uma leitura mais fácil que posso interromper por conta dos berros dos filhos, com os inúmeros "mamãe, xixi!", "mamãe, cocô!", "mamãe, xixi E cocô!!!"
E na hora do MEU xixi, do MEU cocô, ali está o terceiro, em cima do cesto de roupa suja, bem em frente ao trono que me iguala à doce Catarina, em bem menos doce posição. O problema é que meu serviço é rápido, já não sou a adolescente travada que um dia fui e que gastava longos minutos no banheiro. Hoje é pá pum... (perdoem o trocadilho escatológico). Ali a categoia é de livro ainda mais rápido, e este, em geral, é algum informativo, pedagógico, que pode ser consultado mais do que exatamente fruido. O que hoje ocupa tal posto nem vou citar, pois é emprestado e a pessoa pode não querer de volta, sei lá...
2- Fuja!
Esta dica parece malvada, interesseira, mas funciona. Quando percebo que os dois estão brincando quietinhos dou uma escapada para algum cômodo da casa de onde ainda posso ouvi-los mas onde eles não me avistam e me permito uns 5 minutos de leitura. Escondida.
Ou então, quando o marido chega e eu vou tomar banho, disfarçadamente apresso o banho para me estirar na cama por mais um ou dois capítulos. Funciona, mas tenho que compensar no banho seguinte qualquer falha no processo higiênico.
3- Faça um bom aproveitamento logístico de espaços temporais vazios.
O nome é difícl mas a técnica é fácil. É só otimizar tempo ocioso. No meu caso, são os 20 minutos que levo para fazer o Romeo dormir à tarde. A Iolanda, como boa representante do gênero feminino é independente e dorme sozinha. Mas o Romeo ainda pede minha presença ao lado e já entendendo a técnica supracitada me diz "mamãe, vai pegar seu livro!" Pronto, 20 minutos de leitura silenciosa, apenas atrapalhada pela pouca iluminação do recinto... (nem tudo são flores...)
Já li em fila de mercado, em intervalo de aula e até mesmo enquanto eles tomam banho...
Isso é o que funciona para mim... Ler na praia é um "no can do"... Mar leva criança de mãe distraída... Ler na rede é outro "yeah, right", especialmente quando se tem filhos que amam a sensação enjoativa de looping...
O único porém é que pode ser um processo um tansto lento... Ainda mais para quem passa longe de loja de roupa mas não resiste às prateleiras da Cultura ou Saraiva. Os títulos se acumulam... Esperam a vez de serem devorados por mim em sua sábia paciência de livros... Estes que aparecem aqui são os da fila.
Tudo por um "fix" literário!
Inté
Além disso, preciso guardar tempo para dividir entre meus livros escolhidos e os que indico aos alunos.
Desta maneira, me viro nos 30, literalmente, para dar conta de tudo e fui arranjando técnicas razoavelmente eficientes para mergulhar nas páginas dos livros. Tenho também que dar conta de uma mania antiga que não consigo largar e que deve ser típica de outros vícios: leio mais de um livro por vez... Dizem que quem bebe também fuma, (entre outras cositas más) então quem lê um lê dois, três, quatro...
Assim, aqui vão algumas táticas que descobri...
1- Mantenha um livro fixo em cada canto da casa.
O meu livro de cabeceira é sempre o favorito, aquele com que quero sonhar. SIM, eu sonhei com a Catarina de Bragança, só não fico falando pra não acentuar minha loucura, mas sonhei sim... Era algo entre ela e o Charles, eu acho que o via a traindo, acordei suada, aflita, etc. Afinal, Catarina se tornou minha amiga, minha BFF, minha "bé", então, peguei birra do sacana do Charles. Cabeceira...
Na sala fica o livro que indico aos alunos, geralmente uma leitura mais fácil que posso interromper por conta dos berros dos filhos, com os inúmeros "mamãe, xixi!", "mamãe, cocô!", "mamãe, xixi E cocô!!!"
E na hora do MEU xixi, do MEU cocô, ali está o terceiro, em cima do cesto de roupa suja, bem em frente ao trono que me iguala à doce Catarina, em bem menos doce posição. O problema é que meu serviço é rápido, já não sou a adolescente travada que um dia fui e que gastava longos minutos no banheiro. Hoje é pá pum... (perdoem o trocadilho escatológico). Ali a categoia é de livro ainda mais rápido, e este, em geral, é algum informativo, pedagógico, que pode ser consultado mais do que exatamente fruido. O que hoje ocupa tal posto nem vou citar, pois é emprestado e a pessoa pode não querer de volta, sei lá...
2- Fuja!
Esta dica parece malvada, interesseira, mas funciona. Quando percebo que os dois estão brincando quietinhos dou uma escapada para algum cômodo da casa de onde ainda posso ouvi-los mas onde eles não me avistam e me permito uns 5 minutos de leitura. Escondida.
Ou então, quando o marido chega e eu vou tomar banho, disfarçadamente apresso o banho para me estirar na cama por mais um ou dois capítulos. Funciona, mas tenho que compensar no banho seguinte qualquer falha no processo higiênico.
3- Faça um bom aproveitamento logístico de espaços temporais vazios.
O nome é difícl mas a técnica é fácil. É só otimizar tempo ocioso. No meu caso, são os 20 minutos que levo para fazer o Romeo dormir à tarde. A Iolanda, como boa representante do gênero feminino é independente e dorme sozinha. Mas o Romeo ainda pede minha presença ao lado e já entendendo a técnica supracitada me diz "mamãe, vai pegar seu livro!" Pronto, 20 minutos de leitura silenciosa, apenas atrapalhada pela pouca iluminação do recinto... (nem tudo são flores...)
Já li em fila de mercado, em intervalo de aula e até mesmo enquanto eles tomam banho...
Isso é o que funciona para mim... Ler na praia é um "no can do"... Mar leva criança de mãe distraída... Ler na rede é outro "yeah, right", especialmente quando se tem filhos que amam a sensação enjoativa de looping...
O único porém é que pode ser um processo um tansto lento... Ainda mais para quem passa longe de loja de roupa mas não resiste às prateleiras da Cultura ou Saraiva. Os títulos se acumulam... Esperam a vez de serem devorados por mim em sua sábia paciência de livros... Estes que aparecem aqui são os da fila.
Tudo por um "fix" literário!
Inté
sábado, setembro 03, 2011
Número 300
Meu post número 300.... Travei no teclado...
Entrei para escrever sobre algo bastante típico daqui da minha escolhida jequice, a solidão...
Porém acho que um post marco não deve ser triste, mas sim memorável.
Não, não estou me dispondo a escrever algo tão maravilhoso que se torne memorável para as gerações vindouras, mas sim, fazer uma breve recordação (memória, memorável, hã? hã?) deste espaço que me fez tão feliz...
Comecei aqui para lidar com toda a mudança que me aconteceu ao vir para o interior. Em questão de meses me casei, saí de casa, saí do meu emprego, saí da cidade, saí, saí, saí.... Até de carro eu troquei, e me lembro da querida Tânia me dizendo "Não troque de carro, é sua única referência!"... Ah, tá, no que um carro vai me ajudar? Caí em uma tristeza difícil de aguentar, mesmo com a felicidade do casamento...
Escrever me salvou... (e a terapia, claro)
Criar a Jeca me fez me enxergar melhor, me abriu os olhos para meu crescimento e para a pessoa em que eu estava me tornando. A jeca, sim, mas que se recusava a deixar para trás sua urbanidade. Seu resquício cosmopolita, tão instrínseco à paulistana que viveu em Tóquio e Nova York. Como abrir mão disso?
Com o tempo percebi que não era uma questão de abrir mão de nada, mas sim de incorporar elementos novos, e filtrar antigos. Fico no meio termo. Como uma amada tia argentina que vive há quase 40 anos no Brasil. Ela se recusou a aprender português, talvez para, assim como eu, não se sentir traindo suas origens, mas deixou de viver o dinamismo de sua língua materna... Criou uma língua própria, quase, e aqui é sempre argentina, enquanto lá, por vezes passa por brasileira... Me vejo nela...
Aqui, sou paulistana, tiram sarro do meu "r" que não enrola e lêem em mim um ar de "ah, ela se acha por que é de São Paulo" que não condiz com o que realmente sou... Mas é assim mesmo.
Lá, já sou meio lerda... Já tiram sarro de mim por que às vezes, na brincadeira, enrolo o "r". Criticam-me pois critico o trânsito, a poluição e os motoboys histéricos que não nos respeitam e a quem também não respeitamos.
Fico no limbo.
Já devo mesmo ser um tanto Jeca. Adoro chegar do trabalho e ir pegar amora, adoro ter que lavar os sapatos das crianças pois estão cheios de terra e adoro ter uma visão 360 graus do sol nascendo.
Mas guardo minha necessidade de movimento urbano. Viajar me acalma, me reconecta. Continuo com a sede de cultura, de um bom museu, de um bom restaurante, de uma caminhada na multidão. Isso me recarrega.
Sei que após tanto tempo sem vir à Jeca, da qual sinto tanta falta quanto hoje sinto da Via Larga, ela está aqui para me ajudar e me pensar.
Aqui sei quem sou.
Inté!
Entrei para escrever sobre algo bastante típico daqui da minha escolhida jequice, a solidão...
Porém acho que um post marco não deve ser triste, mas sim memorável.
Não, não estou me dispondo a escrever algo tão maravilhoso que se torne memorável para as gerações vindouras, mas sim, fazer uma breve recordação (memória, memorável, hã? hã?) deste espaço que me fez tão feliz...
Comecei aqui para lidar com toda a mudança que me aconteceu ao vir para o interior. Em questão de meses me casei, saí de casa, saí do meu emprego, saí da cidade, saí, saí, saí.... Até de carro eu troquei, e me lembro da querida Tânia me dizendo "Não troque de carro, é sua única referência!"... Ah, tá, no que um carro vai me ajudar? Caí em uma tristeza difícil de aguentar, mesmo com a felicidade do casamento...
Escrever me salvou... (e a terapia, claro)
Criar a Jeca me fez me enxergar melhor, me abriu os olhos para meu crescimento e para a pessoa em que eu estava me tornando. A jeca, sim, mas que se recusava a deixar para trás sua urbanidade. Seu resquício cosmopolita, tão instrínseco à paulistana que viveu em Tóquio e Nova York. Como abrir mão disso?
Com o tempo percebi que não era uma questão de abrir mão de nada, mas sim de incorporar elementos novos, e filtrar antigos. Fico no meio termo. Como uma amada tia argentina que vive há quase 40 anos no Brasil. Ela se recusou a aprender português, talvez para, assim como eu, não se sentir traindo suas origens, mas deixou de viver o dinamismo de sua língua materna... Criou uma língua própria, quase, e aqui é sempre argentina, enquanto lá, por vezes passa por brasileira... Me vejo nela...
Aqui, sou paulistana, tiram sarro do meu "r" que não enrola e lêem em mim um ar de "ah, ela se acha por que é de São Paulo" que não condiz com o que realmente sou... Mas é assim mesmo.
Lá, já sou meio lerda... Já tiram sarro de mim por que às vezes, na brincadeira, enrolo o "r". Criticam-me pois critico o trânsito, a poluição e os motoboys histéricos que não nos respeitam e a quem também não respeitamos.
Fico no limbo.
Já devo mesmo ser um tanto Jeca. Adoro chegar do trabalho e ir pegar amora, adoro ter que lavar os sapatos das crianças pois estão cheios de terra e adoro ter uma visão 360 graus do sol nascendo.
Mas guardo minha necessidade de movimento urbano. Viajar me acalma, me reconecta. Continuo com a sede de cultura, de um bom museu, de um bom restaurante, de uma caminhada na multidão. Isso me recarrega.
Sei que após tanto tempo sem vir à Jeca, da qual sinto tanta falta quanto hoje sinto da Via Larga, ela está aqui para me ajudar e me pensar.
Aqui sei quem sou.
Inté!
Garotas super duper prendadas
Hoje eu vim à Jeca para mudar minha lista de links... Eu precisava com urgência adicionar dois sites que PRECISAM ser visitados. Quase uma ordem...
O primeiro é o Super Duper, blog de uma querida amiga que foi minha companheira de "teaching" para os pequenos. Ela, Anne Rammi, uma senhora artista plástica que me ebriu a mente para o mundo criativo. Aprendi HORRORES com ela, e ainda hoje uso com meus filhos dicas que ela me ensinou. Hoje ela é multiseriada... Como todo furacão criativo. O blog Super Duper é um divertido passeio pela maternidade (ela é mãe orgulhosa do Joaquinho, ooops, Joaquim e espera a chegada de mais um) sem ser chato e sem virar aqueles ´cansativos papos de mãe que quem não é tem vontade de enfiar o dedo na goela... Ela é divertida para todos os públicos. Publicou até uma série de como se livrar do vício de empregada doméstica. Rimos. Ponto!
E o segundo é o Garota Prendada, que também tem origens bem pessoais, e bem mais remotas... A revista eletrônica é comandada por 6 moças prendadas, cada qual falando de sua especialidade. Três delas são praticamente família... A Giulliana é amiga da minha irmã desde pequena, e ia comer carne crua e spaghhetti cru em casa. Quando ela chegava eu escondia minhas caixas de Sucrilhos pois ela terminava com uma caixa em uma sentada... Cresceu ali, no nosso seio, e era das poucas amigas nossas que se sentava no colo do meu austero pai e o conquistava! Do outro lado, foi o pai dela, o tio Sérgio que abriu nossos olhos para o dom que a Caia tem de cantar! Ele praticamente obrigou minha mãe a colocá-la em aula de canto. Família de artistas... A Grazi, além de atriz, é bordadeira. A Vanne, estilista MARAVILHOSA, para a qual eu tive a enorme honra de posar. E sob as lentes de quem? Da Simone, que no site vai falar do meu assunto prredileto, a fotografia.
Enfim, dois sites que trazem ternura para nosso dia a dia tão corrido. O humor da Anne e a delicadeza das garotas, são mais uma pequena pílula de respiro de que tanto precisamos...
Vale a visita...
Inté!
O primeiro é o Super Duper, blog de uma querida amiga que foi minha companheira de "teaching" para os pequenos. Ela, Anne Rammi, uma senhora artista plástica que me ebriu a mente para o mundo criativo. Aprendi HORRORES com ela, e ainda hoje uso com meus filhos dicas que ela me ensinou. Hoje ela é multiseriada... Como todo furacão criativo. O blog Super Duper é um divertido passeio pela maternidade (ela é mãe orgulhosa do Joaquinho, ooops, Joaquim e espera a chegada de mais um) sem ser chato e sem virar aqueles ´cansativos papos de mãe que quem não é tem vontade de enfiar o dedo na goela... Ela é divertida para todos os públicos. Publicou até uma série de como se livrar do vício de empregada doméstica. Rimos. Ponto!
E o segundo é o Garota Prendada, que também tem origens bem pessoais, e bem mais remotas... A revista eletrônica é comandada por 6 moças prendadas, cada qual falando de sua especialidade. Três delas são praticamente família... A Giulliana é amiga da minha irmã desde pequena, e ia comer carne crua e spaghhetti cru em casa. Quando ela chegava eu escondia minhas caixas de Sucrilhos pois ela terminava com uma caixa em uma sentada... Cresceu ali, no nosso seio, e era das poucas amigas nossas que se sentava no colo do meu austero pai e o conquistava! Do outro lado, foi o pai dela, o tio Sérgio que abriu nossos olhos para o dom que a Caia tem de cantar! Ele praticamente obrigou minha mãe a colocá-la em aula de canto. Família de artistas... A Grazi, além de atriz, é bordadeira. A Vanne, estilista MARAVILHOSA, para a qual eu tive a enorme honra de posar. E sob as lentes de quem? Da Simone, que no site vai falar do meu assunto prredileto, a fotografia.
Enfim, dois sites que trazem ternura para nosso dia a dia tão corrido. O humor da Anne e a delicadeza das garotas, são mais uma pequena pílula de respiro de que tanto precisamos...
Vale a visita...
Inté!
domingo, agosto 14, 2011
Dia dos Pais
Eu te escrevo justamente em uma data das chamadas especiais... Justo para você, que me ensinou a não ligar a mínima para essas datas. Lembro bem de você reclamando de Natal, de Ano Novo, dizendo que não ligava para nada disso. E não ligava mesmo... Acostumamo-nos com suas ausências natalinas com o passar do tempo.
Mas hoje, é praticamente impossível não pensar em você. A saudades é diária, cada detalhe que me lembra você aguça a saudades, principalmente a cada novidade dos seus netos. Me pego chorando de vontade que os visse crescendo, dizendo "vovô Antonio" para o porta retrato, virando gente... Sei como você os amou tanto no final, e o quanto eles foram sua única razão para segurar os últimos sopros de vida.
Não peguei a pena para te idealizar, para santificar o que já passou. Mas acho ainda mais difícil a sua falta pois aceitei todos os seus defeitos no final. E aceitá-los valorizou suas qualidades.
Minha grande felicidade foi ter ajustado todas as nossas contas. Fizemos o balanço. Te disse coisas que havia dito apenas para meu terapeuta, fui dura, e aquilo apesar de ter doído, me aliviou. Percebendo que você partia, te escrevi a carta final, te garantindo que apenas ficariam as coisas boas.
Te lembrei de cada detalhe bacana e te prometi falar apenas deles para seus netos. Dos gibis que você me trazia, do seu cuidado extremo conosco, das suas piadas infames. Das viagens de carro pelo Brasil afora, do cheiro de cebola dos Ceasas de norte a sul, das histórias de Portugal... Sinto tanta falta disso....
Sei que você chorou ao ler a carta... Você chorou...
Um mês depois você foi embora. E em mais uma peça da vida, a música que escolhemos para te velar foi , sem perceber, de comercial de sabonete.... Vivaldi... Não era do Phebo que ainda arde no meu nariz, mas teve uma certa graça, quase uma piada de português. Tão a sua cara. Sinto falta disso...
Vou sentir sempre...
Há dois anos que ensaio escrever algo sobre sua partida. A cada tentativa saem apenas as lágrimas e o dedo trava no teclado. É impossível escrever tudo, todo o sentimento que se envolve na perda de um pai. É uma dor que não passa, e uma saudades que não pára de crescer.
Se algo de sua consciência ainda paira, sei que lerá esse post como leu aquela carta. Se não, se vivemos a ilusão da continuidade, escrevo-te para me sentir um pouco mais próxima. E isso tem que me bastar. Tem que me bastar...
Obrigada por ter sido o pai que foi. Com tudo! O bom que me aperta o peito e o não tão bom que me moldou. Sou grata por tudo. Sua essência permanece em mim e na Caia, e a levaremos aos seus netos.
Você só termina, quando a lembrança de você termina.
Eu te amo.
Mas hoje, é praticamente impossível não pensar em você. A saudades é diária, cada detalhe que me lembra você aguça a saudades, principalmente a cada novidade dos seus netos. Me pego chorando de vontade que os visse crescendo, dizendo "vovô Antonio" para o porta retrato, virando gente... Sei como você os amou tanto no final, e o quanto eles foram sua única razão para segurar os últimos sopros de vida.
Não peguei a pena para te idealizar, para santificar o que já passou. Mas acho ainda mais difícil a sua falta pois aceitei todos os seus defeitos no final. E aceitá-los valorizou suas qualidades.
Minha grande felicidade foi ter ajustado todas as nossas contas. Fizemos o balanço. Te disse coisas que havia dito apenas para meu terapeuta, fui dura, e aquilo apesar de ter doído, me aliviou. Percebendo que você partia, te escrevi a carta final, te garantindo que apenas ficariam as coisas boas.
Te lembrei de cada detalhe bacana e te prometi falar apenas deles para seus netos. Dos gibis que você me trazia, do seu cuidado extremo conosco, das suas piadas infames. Das viagens de carro pelo Brasil afora, do cheiro de cebola dos Ceasas de norte a sul, das histórias de Portugal... Sinto tanta falta disso....
Sei que você chorou ao ler a carta... Você chorou...
Um mês depois você foi embora. E em mais uma peça da vida, a música que escolhemos para te velar foi , sem perceber, de comercial de sabonete.... Vivaldi... Não era do Phebo que ainda arde no meu nariz, mas teve uma certa graça, quase uma piada de português. Tão a sua cara. Sinto falta disso...
Vou sentir sempre...
Há dois anos que ensaio escrever algo sobre sua partida. A cada tentativa saem apenas as lágrimas e o dedo trava no teclado. É impossível escrever tudo, todo o sentimento que se envolve na perda de um pai. É uma dor que não passa, e uma saudades que não pára de crescer.
Se algo de sua consciência ainda paira, sei que lerá esse post como leu aquela carta. Se não, se vivemos a ilusão da continuidade, escrevo-te para me sentir um pouco mais próxima. E isso tem que me bastar. Tem que me bastar...
Obrigada por ter sido o pai que foi. Com tudo! O bom que me aperta o peito e o não tão bom que me moldou. Sou grata por tudo. Sua essência permanece em mim e na Caia, e a levaremos aos seus netos.
Você só termina, quando a lembrança de você termina.
Eu te amo.
quarta-feira, junho 29, 2011
Dicas de livros
Sempre perto das férias ouço a mesma pergunta: Me indica um livro pra eu ler nas férias?
Essa pergunta vem tanto de alguns alunos (raridade, must say...), quanto de mães de alunos e de algumas ex alunas fiéis que felizmente continuam amigas!
Lá no portfolio, eu pus uma barra lateral com meus livros prediletos para ajudar quem tiver vontade de ler algo e não tiver ideias. Mas confesso que acho bem difícil dar dicas de livros... O gosto pela leitura varia tanto, que é raro acertar na mosca... Eu, por exemplo, agora estou completamente apaixonada por um livro da História de Florença na época do Renascimento.... Não é ficção, mas nenhum outro me leva tão profundamente ao meu período favorito.
Não só o gosto do cliente dificulta o processo de dica... A faixa etária conta, e bagagem cultural, as experiências de cada um, tudo isso pesa na escolha de um livro. "A Insustentável leveza do ser", por exemplo, virou meu xodó depois que eu fui pra Praga.... A partir dele devoro Kundera, mas o pontapé inicial foi uma experiência pessoal minha...
Conheci Amós Oz por meio de uma professora (Berta Waldman, maravilhosa) de literatura hebraica que fiz na faculdade... (PS, foi dela um dos elogios mais bizarramente adorados que recebi: "Você vai se casar???? Não acredito, você não tem jeito nenhum de menina casadoira!!!" Me senti pertecente a um clã de mulheres academicamente independentes, ainda que afetivamente mal resolvidas...) Ela me apresentou o Mestre isaraelense e até hoje leio cada linha que ele publica...
Assim, vou tentar neste post falar um pouco para os perfis que me pedem as dicas, e quero muito receber os feedbacks de quem as aceitou, ok?
Alunas e ex alunos que querem algo para as férias...
Penso em algo leve, porém estético de se ler... Quem quiser, procure o livro e leia a sinopse, para sentir o clima do livro.
"A Sombra do Vento", do Carlos Ruíz Zafón.
"O Morro dos Ventos Uivantes", Emily Bronte
"A catedral do mar", Ildefonso Falcones de Sierra
"Criança 44", Tom Rob Smith
Para os que querem algo mais adulto, desafiador, aqui vão os meus favoritos:
"É isto um homem?", Primo Levi. Um livro forte, sobre o dia a dia em um campo de conccentração.
"Meu Michel", do Amós Oz, que nos leva para uma cultura que não conhecemos, o dia a dia do israelense,
"A insustentável leveza do ser", Milan Kundera. Lindo livro de amor nos tempos da primavera de Praga...
"A geração da Utopia", Pepetela. Autor angolano bastante influenciado pela escrita brasileira fala sobre a busca da identidade do povo angolano em meio à revolução de independência de Portugal... Lindo demais...
"As Meninas", Lygia Fagundes Telles. Três amigas estudantes universitárias dos anos 70, super diferentes e cada uma com seus obstáculos nos mostram seus universos em meio ao Brasil ditatorial. Sem falar nada de ditadura...
"Madame Bovary", Gustave Flaubert. Primeiro romance realista do século XIX conta o drama de Emma, uma típica madame angustiada pela rotina fútil que de repente, conhece..... ah, não vou dar detalhes, né?
"Incidente em Antares", Érico Veríssimo. Lembram-se da minissérie da Globo? O livro é mil vezes melhor.
Agora quero falar de dois escritores em particular, que são os meus favoritos. Li tudo deles e me seguro para não reler todos, pois assim não leria mais nada. Se você tem um bom nível de leitura e gosta de desafios, esses são os que mudaram minha vida:
Dostoiévski.... O clássico russo não perde atualidade. E por incrível que pareça, os livros grossos dele são os melhores. Comece por "Crime e Castigo". Se te envolver, se prepare para comprar todos, pois é viciante a visão que ele nos dá do ser humano.
Gabriel Garcia Marques. Autor do chamado realismo maravilhoso, ou realismo mágico da América Latina, descreve nossas idiossincrasias sulamericanas da maneira que mais nos descreve mesmo: magicamente.
"Cem Anos de Solidão" é a saga de uma família da fictícia Macondo, na Colômbia, escrita com tamanha beleza e elementos fantásticos que nos faz sair da realidade. Dele pulamos para toda obra dele, sensível e criativa.
E para aqueles que gostam realmente de desafios, meu predileto da nossa literatura: "Grande Sertão Veredas." Ao lado de Machado, é nosso grande escritor. Minha história com esse livro é engraçada.
Durante a faculdade de Letras, me sentia meio inferior aos outros, que viviam discutindo o livro, com ele embaixo do braço pra cima e pra baixo, "uhuuu, adooooro Grande Sertão..." Chegava a mentir, dizendo que "uhuuuu, também adoooro Grande Sertão", mas não conseguia sair da primeira página. "Não é possível, todo mundo AMA esse livro e eu não entendo patavina dele. Estou na faculdade errada, acho que vou desistir e fazer contabilidade..."
Anos depois de formada, resolvi dar uma 4a chance a ele. Quarta chance MESMO... Era a quarta vez que eu tentava. Estava fazendo terapia, e passava um tempo na ante sala esperando. Levei Rosa... Foi difícil sim, mas de repente, tive um clique. Comecei a ler como se a voz de Riobaldo estivesse na minha cabeça. O sotaque dele literalmente me abriu as portas do livro, e tive a felicidade de conhecer essa obra maravilhosa.
Bom, falar de livro é algo que me move, mas vou ficar por aqui. Meu livro sobre Florença me espera....
Inté
Essa pergunta vem tanto de alguns alunos (raridade, must say...), quanto de mães de alunos e de algumas ex alunas fiéis que felizmente continuam amigas!
Lá no portfolio, eu pus uma barra lateral com meus livros prediletos para ajudar quem tiver vontade de ler algo e não tiver ideias. Mas confesso que acho bem difícil dar dicas de livros... O gosto pela leitura varia tanto, que é raro acertar na mosca... Eu, por exemplo, agora estou completamente apaixonada por um livro da História de Florença na época do Renascimento.... Não é ficção, mas nenhum outro me leva tão profundamente ao meu período favorito.
Não só o gosto do cliente dificulta o processo de dica... A faixa etária conta, e bagagem cultural, as experiências de cada um, tudo isso pesa na escolha de um livro. "A Insustentável leveza do ser", por exemplo, virou meu xodó depois que eu fui pra Praga.... A partir dele devoro Kundera, mas o pontapé inicial foi uma experiência pessoal minha...
Conheci Amós Oz por meio de uma professora (Berta Waldman, maravilhosa) de literatura hebraica que fiz na faculdade... (PS, foi dela um dos elogios mais bizarramente adorados que recebi: "Você vai se casar???? Não acredito, você não tem jeito nenhum de menina casadoira!!!" Me senti pertecente a um clã de mulheres academicamente independentes, ainda que afetivamente mal resolvidas...) Ela me apresentou o Mestre isaraelense e até hoje leio cada linha que ele publica...
Assim, vou tentar neste post falar um pouco para os perfis que me pedem as dicas, e quero muito receber os feedbacks de quem as aceitou, ok?
Alunas e ex alunos que querem algo para as férias...
Penso em algo leve, porém estético de se ler... Quem quiser, procure o livro e leia a sinopse, para sentir o clima do livro.
"A Sombra do Vento", do Carlos Ruíz Zafón.
"O Morro dos Ventos Uivantes", Emily Bronte
"A catedral do mar", Ildefonso Falcones de Sierra
"Criança 44", Tom Rob Smith
Para os que querem algo mais adulto, desafiador, aqui vão os meus favoritos:
"É isto um homem?", Primo Levi. Um livro forte, sobre o dia a dia em um campo de conccentração.
"Meu Michel", do Amós Oz, que nos leva para uma cultura que não conhecemos, o dia a dia do israelense,
"A insustentável leveza do ser", Milan Kundera. Lindo livro de amor nos tempos da primavera de Praga...
"A geração da Utopia", Pepetela. Autor angolano bastante influenciado pela escrita brasileira fala sobre a busca da identidade do povo angolano em meio à revolução de independência de Portugal... Lindo demais...
"As Meninas", Lygia Fagundes Telles. Três amigas estudantes universitárias dos anos 70, super diferentes e cada uma com seus obstáculos nos mostram seus universos em meio ao Brasil ditatorial. Sem falar nada de ditadura...
"Madame Bovary", Gustave Flaubert. Primeiro romance realista do século XIX conta o drama de Emma, uma típica madame angustiada pela rotina fútil que de repente, conhece..... ah, não vou dar detalhes, né?
"Incidente em Antares", Érico Veríssimo. Lembram-se da minissérie da Globo? O livro é mil vezes melhor.
Agora quero falar de dois escritores em particular, que são os meus favoritos. Li tudo deles e me seguro para não reler todos, pois assim não leria mais nada. Se você tem um bom nível de leitura e gosta de desafios, esses são os que mudaram minha vida:
Dostoiévski.... O clássico russo não perde atualidade. E por incrível que pareça, os livros grossos dele são os melhores. Comece por "Crime e Castigo". Se te envolver, se prepare para comprar todos, pois é viciante a visão que ele nos dá do ser humano.
Gabriel Garcia Marques. Autor do chamado realismo maravilhoso, ou realismo mágico da América Latina, descreve nossas idiossincrasias sulamericanas da maneira que mais nos descreve mesmo: magicamente.
"Cem Anos de Solidão" é a saga de uma família da fictícia Macondo, na Colômbia, escrita com tamanha beleza e elementos fantásticos que nos faz sair da realidade. Dele pulamos para toda obra dele, sensível e criativa.
E para aqueles que gostam realmente de desafios, meu predileto da nossa literatura: "Grande Sertão Veredas." Ao lado de Machado, é nosso grande escritor. Minha história com esse livro é engraçada.
Durante a faculdade de Letras, me sentia meio inferior aos outros, que viviam discutindo o livro, com ele embaixo do braço pra cima e pra baixo, "uhuuu, adooooro Grande Sertão..." Chegava a mentir, dizendo que "uhuuuu, também adoooro Grande Sertão", mas não conseguia sair da primeira página. "Não é possível, todo mundo AMA esse livro e eu não entendo patavina dele. Estou na faculdade errada, acho que vou desistir e fazer contabilidade..."
Anos depois de formada, resolvi dar uma 4a chance a ele. Quarta chance MESMO... Era a quarta vez que eu tentava. Estava fazendo terapia, e passava um tempo na ante sala esperando. Levei Rosa... Foi difícil sim, mas de repente, tive um clique. Comecei a ler como se a voz de Riobaldo estivesse na minha cabeça. O sotaque dele literalmente me abriu as portas do livro, e tive a felicidade de conhecer essa obra maravilhosa.
Bom, falar de livro é algo que me move, mas vou ficar por aqui. Meu livro sobre Florença me espera....
Inté
quarta-feira, março 16, 2011
Vixe, my bad...
Gente, acabei de levar um susto.... Estava reparando que ninguém mais comantava na Jeca... Fiquei até triste, abandonada, pensando que ninguém mais me lia...
Até que reparei que a moderação estava ativada!!! 77 comentários guardados me aguardavam!!!
Peço desculpas às minhas fiéis leitoras, Rubi, Clau, MH, Caia, entre outras que vieram me ler... Acabei de postar todos os comentários, e os li com muito carinho..
Foi bom, isso me animou a escrever mais.
beijinhos
Até que reparei que a moderação estava ativada!!! 77 comentários guardados me aguardavam!!!
Peço desculpas às minhas fiéis leitoras, Rubi, Clau, MH, Caia, entre outras que vieram me ler... Acabei de postar todos os comentários, e os li com muito carinho..
Foi bom, isso me animou a escrever mais.
beijinhos
sexta-feira, março 11, 2011
Big in Japan
Voltei à Jeca hoje, movida pela tristeza das imagens do terremoto no Japão. Tenho um carinho enorme por esse país, com que me relacionei por 5 anos, mas parece que em dias assim esse carinho fica quase doído, mais evidenciado pela dor...
Viver no Japão e vivê-lo foi uma das minhas experiências mais marcantes. Eu era tão jovem... Me lembro tão bem do dia em que pousei em Narita, 21 anos, pés descalços pelo inchaço e um sentimento de pura descoberta. Éramos todos jovens...Éramos 6... Até o Antonio, que era o mais velho, ainda era um menino. Dentro do ônibus que nos levou a nossa casa nos meses seguintes, um comentário nunca saiu da minha lembrança: "Nossa, todos os carros são importados!"... Éramos quase puros...
Quase, e esse quase nos rendeu uma diversão ímpar, na cidade mais louca e incompreensível que conheci.
Nos próximos 5 anos me relacionei com a cultura japonesa, e acompanhei o povo de perto. Aprendi demais. Viver a rotina do país ainda é uma cicatriz em mim, e levo pra onde for a noção de respeito, de hierarquia e de civilidade que ganhei lá. E de superação. "Gambate kudasai", era a frase que mais ouvíamos dos colegas japoneses, quase ordenando: "Se esforcem! Por favor!"
Carrego muito do Japão em mim.
Os cheiros... Bons e nem tão bons... São lembranças absurdamente fortes, de tão emotivas. O cheiro do metrô pela manhã era um terror para narizes acostumados ao pãozinho francês com manteiga. A saudável combinação de repolho e ovo no café da manhã produzia um trem quase nefasto. Hoje é engraçado...
Os cheiros de comida, que impregnam Tóquio. Que delícia perceber a variedade de temperos que nem sonhamos existirem no Brasil.
Os sons... Tóquio é uma cidade sonora, viva, mas nada histérica... Entrar nas feiras livres, ou em qualquer loja e ser ovacionado com Irashaimasééééé era quase um abraço materno. Os sons dos corvos que dominam a cidade como os nossos pardais, se misturando aos ding dongs das lojas que apitam quando entramos...Os sons dos bêbados oficialmente perimitidos no happy hour de sexta feira, cantando nas estações... Os sons dos trilhos dos trens, chegando em Shinagawa e partindo dela, a vozinha em Yurakucho line anunciando a próxima estação: Gotanda, Gotanda desu... Até dói de saudades....
As luzes... Ah, as luzes... Como tentamos captar as luzes nas nossas máquinas, incapazes de traduzir a imensidão de Akihabara, ou de Ginza à noite!... Como consegue ser tão caótica e tão colorida, Tóquio San? Aquelas luzes insanas de Roppongi, para onde íamos à loucura na agitada noite... Os africanos enormes de braços dados com mini japonesas, os modelos internacionais na Lexington Queen, os Kahlua Drinks no bar, a saudade de casa no Acarajé... Não disse que nossa pureza era relativa? Alí, nós éramos as luzes. As luzes de uma cidade regrada de dia, mas que ao som da happy hour se permite a insanidade.
Os gostos... Como esquecer a primeira vez com o doce de feijão? Os sorvetes de batata doce, os sushis fresquinhos vendidos no mercado? Mas não é de sushi que vive o japonês. Inesquecível mesmo é o Udon vendido em minúsculas lojas, em que cabem no máximo 4 clientes. Em pé... Ou os empanados cheirosíssimos que fazem o maior sucesso no almoço. E os sorvetes.... Ah, o sorvete japonês... O doce japonês... Ali aprendi que doce não precisa de tanto açúcar, mas de leveza e carinho.
Ali na verdade aprendi muito... Com o infinito sorriso do povo. Só quem viveu lá conhece a sensação de esperar pela abertura de uma loja de departamento, e ao se abrirem as portas, ser recebido por uma fileira de funcionárias que te saúdam desejando boas vindas... Ou com a cordialidade deles, que o ocidental confunde com servilidade. Lembro de entrar no ônibus da tripulação ao deixar o hotel e ver a recepcionista dando tchau para nós, até que virássemos a esquina.
Foi em Tóquio que descobri o real sentido de ser cosmopolita. Nem Nova York, nem São Paulo jamais me ensinaram isso tão bem quanto a futurista Tóquio. E é com episódios como esse triste de hoje que eles nos ensinam, novamente, sobre a resistência, a disciplina e a capacidade de se reconstruir, tão tristemente características do povo nipônico.
Penso nos meus queridos amigos que viveram comigo essa expeeriência... Penso nas comissárias japonesas com quem voei, e que fizeram parte dessa minha jornada tão essencial para minha formação. A estas pessoas, meu muito obrigada por cada sorriso, cada lágrima e cada descoberta juntos.
E ao Japão, força na reconstrução! Vocês mesmos me ensinaram: GAMBATE!!!!!!
Dedicado ao grupo dos 6: Karina, Maria, Deivy, Antonio e Christian... Olhando depois de tantos anos... foi bom demais.....
Viver no Japão e vivê-lo foi uma das minhas experiências mais marcantes. Eu era tão jovem... Me lembro tão bem do dia em que pousei em Narita, 21 anos, pés descalços pelo inchaço e um sentimento de pura descoberta. Éramos todos jovens...Éramos 6... Até o Antonio, que era o mais velho, ainda era um menino. Dentro do ônibus que nos levou a nossa casa nos meses seguintes, um comentário nunca saiu da minha lembrança: "Nossa, todos os carros são importados!"... Éramos quase puros...
Quase, e esse quase nos rendeu uma diversão ímpar, na cidade mais louca e incompreensível que conheci.
Nos próximos 5 anos me relacionei com a cultura japonesa, e acompanhei o povo de perto. Aprendi demais. Viver a rotina do país ainda é uma cicatriz em mim, e levo pra onde for a noção de respeito, de hierarquia e de civilidade que ganhei lá. E de superação. "Gambate kudasai", era a frase que mais ouvíamos dos colegas japoneses, quase ordenando: "Se esforcem! Por favor!"
Carrego muito do Japão em mim.
Os cheiros... Bons e nem tão bons... São lembranças absurdamente fortes, de tão emotivas. O cheiro do metrô pela manhã era um terror para narizes acostumados ao pãozinho francês com manteiga. A saudável combinação de repolho e ovo no café da manhã produzia um trem quase nefasto. Hoje é engraçado...
Os cheiros de comida, que impregnam Tóquio. Que delícia perceber a variedade de temperos que nem sonhamos existirem no Brasil.
Os sons... Tóquio é uma cidade sonora, viva, mas nada histérica... Entrar nas feiras livres, ou em qualquer loja e ser ovacionado com Irashaimasééééé era quase um abraço materno. Os sons dos corvos que dominam a cidade como os nossos pardais, se misturando aos ding dongs das lojas que apitam quando entramos...Os sons dos bêbados oficialmente perimitidos no happy hour de sexta feira, cantando nas estações... Os sons dos trilhos dos trens, chegando em Shinagawa e partindo dela, a vozinha em Yurakucho line anunciando a próxima estação: Gotanda, Gotanda desu... Até dói de saudades....
As luzes... Ah, as luzes... Como tentamos captar as luzes nas nossas máquinas, incapazes de traduzir a imensidão de Akihabara, ou de Ginza à noite!... Como consegue ser tão caótica e tão colorida, Tóquio San? Aquelas luzes insanas de Roppongi, para onde íamos à loucura na agitada noite... Os africanos enormes de braços dados com mini japonesas, os modelos internacionais na Lexington Queen, os Kahlua Drinks no bar, a saudade de casa no Acarajé... Não disse que nossa pureza era relativa? Alí, nós éramos as luzes. As luzes de uma cidade regrada de dia, mas que ao som da happy hour se permite a insanidade.
Os gostos... Como esquecer a primeira vez com o doce de feijão? Os sorvetes de batata doce, os sushis fresquinhos vendidos no mercado? Mas não é de sushi que vive o japonês. Inesquecível mesmo é o Udon vendido em minúsculas lojas, em que cabem no máximo 4 clientes. Em pé... Ou os empanados cheirosíssimos que fazem o maior sucesso no almoço. E os sorvetes.... Ah, o sorvete japonês... O doce japonês... Ali aprendi que doce não precisa de tanto açúcar, mas de leveza e carinho.
Ali na verdade aprendi muito... Com o infinito sorriso do povo. Só quem viveu lá conhece a sensação de esperar pela abertura de uma loja de departamento, e ao se abrirem as portas, ser recebido por uma fileira de funcionárias que te saúdam desejando boas vindas... Ou com a cordialidade deles, que o ocidental confunde com servilidade. Lembro de entrar no ônibus da tripulação ao deixar o hotel e ver a recepcionista dando tchau para nós, até que virássemos a esquina.
Foi em Tóquio que descobri o real sentido de ser cosmopolita. Nem Nova York, nem São Paulo jamais me ensinaram isso tão bem quanto a futurista Tóquio. E é com episódios como esse triste de hoje que eles nos ensinam, novamente, sobre a resistência, a disciplina e a capacidade de se reconstruir, tão tristemente características do povo nipônico.
Penso nos meus queridos amigos que viveram comigo essa expeeriência... Penso nas comissárias japonesas com quem voei, e que fizeram parte dessa minha jornada tão essencial para minha formação. A estas pessoas, meu muito obrigada por cada sorriso, cada lágrima e cada descoberta juntos.
E ao Japão, força na reconstrução! Vocês mesmos me ensinaram: GAMBATE!!!!!!
Dedicado ao grupo dos 6: Karina, Maria, Deivy, Antonio e Christian... Olhando depois de tantos anos... foi bom demais.....
terça-feira, dezembro 14, 2010
Ócio nada criativo
Eu adoraria concordar com o Domenico de Masi, acreditar realmente na criatividade do ócio... Mas ainda não alcancei um nível de "Toscaneidade" na minha vida a ponto de criar no ócio...
Estamos naquela limbo letivo, em que os alunos já se foram mas os professores devem permanecer... (piar dos passarinhos...)
Reclamamos da correria o ano todo, mas ficar ao "universo dará" (perdoem-me o agnosticismo da expressão) também é demais...
(grilos cantam ao fundo...)
Ofereci ajuda para separar os livros da biblioteca. Não adianta, a sala será pintada e seria trabalho em dobro....
(escuto a chuva na poça atrás da sala dos professores)
Poderia também organizar os livros da nossa sala, mas como não são meus, posso acabar jogando fora papel que não me pertence, e arrumar briga que me pertence...
Até a sala de Artes da Clau está em dia... Ela passou o ócio matinal dela arrumando...
Então vim à Jeca... Minha Jeca empoeirada e renegada... Jamais esquecida, mas meio murcha. É sempre bom matar a saudades.... De meu ócio não nasceu um Brás Cubas, mas pelo menos um pequeno espanador literário (pretensiooosa) que não me deixa exterminar a Jeca de vez.
Domenico, te vejo em Florença, em maio...
E arrivederci...
Estamos naquela limbo letivo, em que os alunos já se foram mas os professores devem permanecer... (piar dos passarinhos...)
Reclamamos da correria o ano todo, mas ficar ao "universo dará" (perdoem-me o agnosticismo da expressão) também é demais...
(grilos cantam ao fundo...)
Ofereci ajuda para separar os livros da biblioteca. Não adianta, a sala será pintada e seria trabalho em dobro....
(escuto a chuva na poça atrás da sala dos professores)
Poderia também organizar os livros da nossa sala, mas como não são meus, posso acabar jogando fora papel que não me pertence, e arrumar briga que me pertence...
Até a sala de Artes da Clau está em dia... Ela passou o ócio matinal dela arrumando...
Então vim à Jeca... Minha Jeca empoeirada e renegada... Jamais esquecida, mas meio murcha. É sempre bom matar a saudades.... De meu ócio não nasceu um Brás Cubas, mas pelo menos um pequeno espanador literário (pretensiooosa) que não me deixa exterminar a Jeca de vez.
Domenico, te vejo em Florença, em maio...
E arrivederci...
quinta-feira, outubro 28, 2010
The Word
Fui ver Comer, Rezar e Amar...
Num dos momentos mais bonitos do filme ela se diz "A woman in search of a word"... No final, a dela é uma linda palavra sonora em Italiano (que claro, não vou dizer para não estragar a surpresa), em uma praia linda em Bali, ao lado do lindo Barden... Tudo lindo, impecável...
Saí pensando, obviamente, na minha palavra... E pelas caras da mulherada na plateia, todas se perguntavam a mesma coisa.
Como se definir em apenas uma palavra?
Após umas semanas acho que consegui reunir várias em uma, que acredito que seja a minha "The Word" The search is over... Eu a achei!
Sede!
Sede no sentido de "hunger" em inglês, como uma necessidade absurda de alguma coisa!
Tenho sede...
Sede de conhecimento,
Sede de amor,
Sede de crescer...
Sede de escrever...
Sede de livro,
Sede de música,
Sede de amigas... Muita sede de amigas, por sinal...
Sede de reconhecimento e sede de estrada...
Estrada nos mais diversos sentidos...
E quero ter sede sempre...
Que minha sede não seja saciada, pois é ela que me move.
Inté...
Num dos momentos mais bonitos do filme ela se diz "A woman in search of a word"... No final, a dela é uma linda palavra sonora em Italiano (que claro, não vou dizer para não estragar a surpresa), em uma praia linda em Bali, ao lado do lindo Barden... Tudo lindo, impecável...
Saí pensando, obviamente, na minha palavra... E pelas caras da mulherada na plateia, todas se perguntavam a mesma coisa.
Como se definir em apenas uma palavra?
Após umas semanas acho que consegui reunir várias em uma, que acredito que seja a minha "The Word" The search is over... Eu a achei!
Sede!
Sede no sentido de "hunger" em inglês, como uma necessidade absurda de alguma coisa!
Tenho sede...
Sede de conhecimento,
Sede de amor,
Sede de crescer...
Sede de escrever...
Sede de livro,
Sede de música,
Sede de amigas... Muita sede de amigas, por sinal...
Sede de reconhecimento e sede de estrada...
Estrada nos mais diversos sentidos...
E quero ter sede sempre...
Que minha sede não seja saciada, pois é ela que me move.
Inté...
Saudade da pena
Vim fazer uma breve visita à jeca, em busca de um texto antigo... Doeu voltar aqui e ver o quanto eu gosto deste espaço empoeirado. Gosto do que fiz dele, gosto das pessoas que por aqui passaram.
Hoje sei que escrevo no escuro, para uma plateia ida, mas querida. Se eu desisti, por que meus leitores não desistiriam?
Em épocas de twitter, escrever muito ficou cansativo, chato, quase antiquado. Quem diria, um blog fora de moda.
Mas escrever faz parte da minha terapia, da minha respiração de mundo.
Amo as palavras, dedico minha vida a elas, e por isso amo a Jeca.
Não só a personagem que criei, que anda bem menos Urbana que no início. Mas também o suporte que deixo para meus filhos um dia me conhecerem melhor.
Os mesmos filhos que me impedem de vir aqui com tempo. Mas os mesmos que me dariam mil e um temas de escrita.
Mas hoje não vim falar de retirada de fraldas nem de mamadeiras rejeitadas. Vim falar de saudade... Saudades da pena virtual que me faz um pouco mais Tatiana...
Prometo a mim mesma voltar.
Preciso voltar...
Inté
Hoje sei que escrevo no escuro, para uma plateia ida, mas querida. Se eu desisti, por que meus leitores não desistiriam?
Em épocas de twitter, escrever muito ficou cansativo, chato, quase antiquado. Quem diria, um blog fora de moda.
Mas escrever faz parte da minha terapia, da minha respiração de mundo.
Amo as palavras, dedico minha vida a elas, e por isso amo a Jeca.
Não só a personagem que criei, que anda bem menos Urbana que no início. Mas também o suporte que deixo para meus filhos um dia me conhecerem melhor.
Os mesmos filhos que me impedem de vir aqui com tempo. Mas os mesmos que me dariam mil e um temas de escrita.
Mas hoje não vim falar de retirada de fraldas nem de mamadeiras rejeitadas. Vim falar de saudade... Saudades da pena virtual que me faz um pouco mais Tatiana...
Prometo a mim mesma voltar.
Preciso voltar...
Inté
sexta-feira, julho 02, 2010
Motivos
É por essas e outras que sou jeca...
Onde mais eu poderia ter uma vista assim da varanda do meu quarto???
quarta-feira, junho 30, 2010
Jequice confirmada
Uma das últimas fronteiras Jecas que eu tinha que ultrapassar acabou de ser rompida... Já me assusto com Sampa em horário de rush, meu nariz já grita com a poluição (algo que eu achava que era invencionice de interiorano) e eu já curto uma bela Festa do Caqui.
Mas até esse mês, minha "anti-sertanejada" estava firme e forte, junto com minha pronúnica dura do "r".
Até que comecei a ouvir uma música diariamente, tocada pelas alunas da escola que ensaiavam a dança pra Festa Junina. Aos poucos, a melodia foi me agradando, e finalmente, me rendi à dupla do momento: Fernando e Sorocaba.
Ainda desprovida de coragem e identificação, perguntei na Saraiva sobre o cd que cotninha a tal música, e atribuí o interesse ao um presente "para minha irmã"..... Justo ela, que mal sabe onde fica Sorocaba... Enfim, estou entregue, tomada, bandida...
Agora o próximo e "ultimate step" seria o r retroflexo... Mas esse sim, me parece distante, beeeem distante...
Mas até esse mês, minha "anti-sertanejada" estava firme e forte, junto com minha pronúnica dura do "r".
Até que comecei a ouvir uma música diariamente, tocada pelas alunas da escola que ensaiavam a dança pra Festa Junina. Aos poucos, a melodia foi me agradando, e finalmente, me rendi à dupla do momento: Fernando e Sorocaba.
Ainda desprovida de coragem e identificação, perguntei na Saraiva sobre o cd que cotninha a tal música, e atribuí o interesse ao um presente "para minha irmã"..... Justo ela, que mal sabe onde fica Sorocaba... Enfim, estou entregue, tomada, bandida...
Agora o próximo e "ultimate step" seria o r retroflexo... Mas esse sim, me parece distante, beeeem distante...
sexta-feira, abril 09, 2010
Brasil Fascista
Gostei do artigo da Dora Kramer em que ela diz que ficou surpresa com a postura fascista do povo durante o julgamento dos Nardoni. Vai contra todas as posturas de "matem, torturem, arranquem as unhas do casal" que o país inteiro propagou e nos ilumina uma faceta nossa bastante assustadora.
Lembro de ver uma senhora bastante simples, que gastou suas economias para vir de Salvador, para ficar plantada na porta do tribunal. Ela disse, bem à moda de familiares "Eu vim por que quero justiça!"
Também fiquei chocada com os ataques ao advogado do casal! Não temos TODOS direito a defesa?
Nós todos queremos justiça, mas infelizmente ainda não somos capazes de vivenciar o que pedimos: uma justiça equilibrada e racional...
Heil!
Lembro de ver uma senhora bastante simples, que gastou suas economias para vir de Salvador, para ficar plantada na porta do tribunal. Ela disse, bem à moda de familiares "Eu vim por que quero justiça!"
Também fiquei chocada com os ataques ao advogado do casal! Não temos TODOS direito a defesa?
Nós todos queremos justiça, mas infelizmente ainda não somos capazes de vivenciar o que pedimos: uma justiça equilibrada e racional...
Heil!
quarta-feira, abril 07, 2010
Parto Múltiplo
Sinto-me uma parideira de blogs.... Pena que a Jeca, meu favorito by faaaar, fique tão relagada a segundo (ou quarto) plano...
Mas só para registrar, seguem aqui meus mais novos filhos...
Portfolio Tati
Contos Desencantados (espaço em que publico os textos dos meus alunos do 7o ano)
Terror em Itatibaville (espaço para os contos de terror do 8 ano)
inté...
Mas só para registrar, seguem aqui meus mais novos filhos...
Portfolio Tati
Contos Desencantados (espaço em que publico os textos dos meus alunos do 7o ano)
Terror em Itatibaville (espaço para os contos de terror do 8 ano)
inté...
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